Quatro candidatos à Presidência prometem proibir os sites de apostas, as bets. Nenhum explica como o governo cobriria a perda de arrecadação do setor, estimada em R$ 12,2 bilhões para 2025. O levantamento é da Folha de S.Paulo, publicado na terça-feira (8).
Segundo o jornal, outros quatro candidatos não trazem nenhuma proposta sobre o tema nos programas de governo. Dois deles se posicionaram fora dos documentos: um prometeu a proibição em nota enviada à Folha, e outro defendeu aumentar a tributação do setor. Apenas um candidato promete vetar a publicidade dos cassinos online, enquanto a maioria repete medidas já em curso.
O que prometem os candidatos
O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) é o mais direto: afirmou que o veto às bets será seu "primeiro ato" de governo. "Temos hoje no Brasil um problema seríssimo e me parece que as autoridades fecharam os olhos", disse em evento em São Paulo com mulheres que tiveram parentes afetados por apostas. Ele comparou o vício em jogos à dependência química, "talvez até pior em alguns aspectos". Renan Santos (Missão) também promete acabar com as bets, justificando a proposta pelo custo social do vício. As posições foram reportadas pelo O Globo em agosto.
Lula (PT), que disputa a reeleição, disse aos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs: "Se depender da minha vontade pessoal, nós acabamos com as bets." Ele estuda medidas de restrição com os ministérios da Fazenda, do Planejamento e da Justiça, sem apresentar detalhes. Flávio Bolsonaro (PL) incluiu no programa a proibição do uso de recursos de programas sociais em apostas. "O dinheiro destinado a pôr comida na mesa não pode escoar para a casa de apostas", diz o documento da campanha. O detalhe que muda o jogo: essa regra já vale desde outubro de 2025 para beneficiários do Bolsa Família e do BPC. O vice na chapa, Alfredo Gaspar (PL), admitiu que Flávio "ainda não tem uma posição definida sobre a proibição total".
A conta que ninguém apresentou
As apostas online foram legalizadas em 2018, no governo Michel Temer, só para as apostas de quota fixa. A regulamentação veio no fim de 2023, e o mercado regulado começou em 2025, com 85 empresas autorizadas mediante outorga de R$ 30 milhões cada. A lei garantiu legalidade aos cassinos online, como o jogo do tigrinho, nas mesmas plataformas das apostas esportivas. Vetar tudo isso apaga uma linha de receita que o Tesouro já contabiliza, e nenhum programa de governo indica de onde viria o dinheiro. Como a exploração é autorizada por lei federal, segundo o O Globo, a proibição depende de Congresso e presidente. A fiscalização segue ativa: a Fazenda endureceu as regras de publicidade, com alertas de risco e proibição de mensagens de "ganho fácil", e a Secretaria de Prêmios e Apostas suspendeu em agosto sites ligados a seis empresas por descumprimento de regras.
Entre os eleitores, o tema pesa menos do que o barulho sugere. Na pesquisa More in Common/Ipsos-Ipec, feita em julho, 58% dizem que a posição sobre as bets não mudaria seu voto, 24% favorecem candidatos que apoiem a limitação das apostas, 12% dizem o contrário e 7% não souberam responder.