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Lula propõe emenda à Constituição para tornar a Cultura política de Estado

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Culture

Morre aos 95 anos o jornalista Zuenir Ventura, autor de '1968: O Ano que Não Terminou'

O salão da Academia Brasileira de Letras, no centro do Rio de Janeiro, vai receber nesta quarta-feira (23) o velório de Zuenir Ventura. O jornalista e escritor que ocupava a cadeira nº 32 da casa morreu aos 95 anos na manhã desta terça-feira (22), em casa, na capital fluminense, em decorrência de uma pneumonia. A informação foi divulgada pela própria ABL e confirmada pela família, segundo a InfoMoney.Mineiro de Além Paraíba, onde nasceu em 1º de junho de 1931, Ventura era filho de um pintor, ajudava o pai, chegou a trabalhar como office boy e, ainda jovem, ganhou uma bolsa de estudos em troca de dar aulas a crianças do primário. Aos 20 anos, mudou-se para o Rio e cursou Letras Neolatinas na então Universidade do Brasil, a atual UFRJ. Mais tarde, deu aulas na própria UFRJ e na Uerj. No jornalismo desde 1956, quando entrou numa redação como arquivista, passou por quase todos os postos: foi repórter, colunista, editor, chefe de reportagem e diretor de redação, com passagens pelos jornais O Globo, Correio da Manhã e Jornal do Brasil e pelas revistas Fatos & Fotos, Cruzeiro, Visão e Veja. Para a Folha de S.Paulo, foi um dos maiores jornalistas do Brasil, com uma escrita límpida voltada à defesa dos direitos humanos.O ano que não terminouFoi nos livros que seu nome atravessou gerações. Publicado em 1988, 1968: O Ano que Não Terminou já somava 48 edições e mais de 400 mil exemplares vendidos, segundo a InfoMoney. O livro retrata a juventude dos anos 1960 e o combate à ditadura militar e nasceu de uma série de 12 reportagens sobre a década feita para a Editora Abril no fim de 1969. A obra inspirou a minissérie Os Anos Rebeldes, da TV Globo, e um de seus capítulos, "Um herói solitário", deu origem ao filme O Homem que Disse Não, feito para a televisão francesa.Ventura também cobriu o caso Chico Mendes nos anos 1980 e, depois da chacina de Vigário Geral, nos anos 1990, acompanhou por meses a vida na comunidade carioca para escrever Cidade Partida, livro-reportagem sobre a violência no Rio que lhe rendeu o Prêmio Jabuti de Reportagem. Sua obra é publicada hoje pela Companhia das Letras.A cadeira 32Eleito em outubro de 2014 para a cadeira nº 32, na sucessão de Ariano Suassuna, Ventura tornou-se acadêmico da ABL em 2015. Deixa a esposa, Mary Ventura, e os filhos Elisa e Mauro. O corpo será velado na sede da Academia e enterrado no mausoléu dos imortais, no Cemitério São João Batista. No g1, a jornalista Miriam Leitão resumiu a perda: "O jornalismo perde um gigante". O colunista Ancelmo Gois acrescentou: "Foi um mestre, um amigo".Enquanto isso, o salão da Academia se prepara para recebê-lo pela última vez. A casa onde Ventura ocupou por mais de uma década a cadeira que foi de Suassuna vela nesta quarta o repórter que transformou décadas de jornalismo em alguns dos livros mais lidos sobre o Brasil recente.

CFCamila Ferreira
Culture

Com Lázaro Ramos, "Feito Pipa" representará o Brasil no Oscar 2027

Em fevereiro, o público jovem da mostra Generation Kplus do Festival de Berlim deu seu Urso de Cristal a um filme brasileiro sobre um menino do interior do Ceará apaixonado por futebol que vive com a avó. Sete meses depois, o Brasil escolheu essa mesma história para tentar uma vaga no Oscar.A Academia Brasileira de Cinema anunciou nesta quarta-feira (16) que "Feito Pipa", dirigido pelo cearense Allan Deberton, representará o país na disputa de melhor filme internacional do Oscar 2027, cuja cerimônia está marcada para 14 de março. A escolha saiu de uma lista de seis finalistas pré-selecionados pela entidade.O filme e os prêmiosO longa acompanha Gugu (Yuri Gomes), que vive ao lado da avó Dilma (Teca Pereira). Segundo a Folha de S.Paulo, a senhora enfrenta o Alzheimer e o menino faz de tudo para esconder o quadro de saúde, com medo de ser obrigado a morar com o pai (Lázaro Ramos), homofóbico; para o O Globo, o personagem é um homem duro e conservador, incapaz de expressar seus sentimentos. O filme estreou mundialmente em Berlim, onde levou ainda o Grande Prêmio do Júri da Generation Kplus, e somou quatro Kikitos no último Festival de Gramado, incluindo melhor filme pelo júri popular e melhor direção. Chega aos cinemas brasileiros em 5 de novembro, informa o O Globo.A escolha partiu de uma comissão indicada pela Academia Brasileira de Cinema e presidida pela produtora Clélia Bessa, que disse ao O Globo:"O filme 'Feito Pipa', de Allan Deberton, tem uma narrativa sensível que comunica universalmente e, ao mesmo tempo, traz uma forte identidade brasileira a partir de uma cidade do interior do Ceará. É sobre a família, a cumplicidade entre avó e neto, infância, finitude e já foi premiado em festivais internacionais importantes."A escolha e os concorrentesOs outros finalistas eram "Nosso Segredo", de Grace Passô; "Vicentina Pede Desculpas", de Gabriel Martins; "100 Dias", de Carlos Saldanha; "A Natureza das Coisas Invisíveis", de Rafaela Camelo; e "A Fabulosa Máquina do Tempo", de Eliza Capai. "Que emoção", escreveu Lázaro Ramos em post nos Stories, segundo o O Globo. O ator esteve na última edição da cerimônia, em março, acompanhando o amigo Wagner Moura.O Brasil tenta voltar à premiação depois de marcar presença nas duas últimas edições: "Ainda Estou Aqui", de Walter Salles, venceu melhor filme internacional em 2025, e "O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho, recebeu quatro indicações em 2026. Antes do fim da corrida, outro brasileiro ainda pode se habilitar: "Vicentina Pede Desculpas" disputa a mostra Plataforma do Festival de Toronto, que anuncia seu vencedor no domingo (20), e, segundo as novas regras citadas pelo O Globo, vencedores de Toronto, Cannes, Veneza, Berlim e Sundance entram automaticamente na disputa. De Berlim a Hollywood, o menino que conquistou o público mais jovem do festival segue voando alto, feito pipa.

CFCamila Ferreira