Governo reserva R$ 44,8 bilhões para emendas parlamentares no Orçamento de 2027
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reservou R$ 44,8 bilhões para o pagamento de emendas parlamentares individuais e de bancada no projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027. A proposta foi enviada ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (31). O valor é R$ 4 bilhões maior que os R$ 40,8 bilhões previstos na proposta inicial para 2026.As emendas permitem que os 594 deputados e senadores determinem onde aplicar parte do Orçamento. A verba costuma ser repassada a obras e projetos nos estados de origem dos parlamentares. As individuais e as de bancada têm execução obrigatória pelo Executivo, e o dinheiro é peça central nas negociações entre governo e Congresso, segundo o g1. O Planalto controla o ritmo de liberação. Crítico do mecanismo, Lula acelerou os repasses às vésperas do período eleitoral, reportou a Folha de S.Paulo.Congresso tende a ampliar os valoresA proposta não inclui as emendas de comissão, a terceira categoria do mecanismo. O governo deixou a decisão ao Legislativo, que terá de apontar cortes em outras áreas, como custeio e obras públicas, para incluir a verba. Uma lei complementar limita essas emendas a R$ 12,9 bilhões em 2027. O teto decorre de um acordo entre Congresso, governo e Supremo Tribunal Federal (STF) em meio às tentativas da corte de dar mais transparência ao mecanismo.O histórico mostra o padrão. Segundo o g1, as propostas iniciais cresceram de R$ 37,6 bilhões (2024) para R$ 38,9 bilhões (2025) e R$ 40,8 bilhões (2026), e o Congresso inflou os totais aprovados para R$ 53 bilhões em 2025 e R$ 61 bilhões em 2026. Na Lei Orçamentária de 2026, os parlamentares cortaram recursos da Previdência, do Pé-de-Meia e do Auxílio Gás para ampliar a verba. Lula vetou R$ 400 milhões em emendas e remanejou outros R$ 7 bilhões, o que reduziu o total atual para R$ 49,9 bilhões, segundo a Folha.O crescimento das emendas consome espaço nos gastos livres do Executivo, que são limitados. Sobram menos recursos para áreas como bolsas do CNPq e da Capes, investimentos em infraestrutura, o programa Farmácia Popular e as fiscalizações ambiental e do trabalho, listou o g1. As chamadas emendas PIX, dentro das individuais, seguem as regras do acordo do STF. A corte decidiu que elas serão mantidas, mas devem "respeitar critérios de transparência, rastreabilidade e correção", com identificação prévia do destino do dinheiro, prioridade para obras inacabadas e prestação de contas ao Tribunal de Contas da União (TCU).O que vem agoraO PLOA 2027 começa agora a tramitar no Congresso. A tendência, segundo a Folha, é que deputados e senadores repitam o movimento de anos anteriores e turbinem os valores durante a tramitação. O Orçamento precisa ser aprovado até o fim do ano para entrar em vigor em 1º de janeiro de 2027.
MRMarina Rocha