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Gargalos de energia e tributos travam atração de data centers no Brasil

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CFPor Camila Ferreira•27 de agosto de 2026•Fontes: Valor Econômico, Google News

Em galpões refrigerados no interior paulista e no litoral nordestino, milhares de servidores zumbem em corredores metálicos iluminados por pequenas luzes azuis e verdes, consumindo blocos contínuos de eletricidade para manter plataformas digitais no ar. É nesse ambiente industrial que o Brasil tenta se consolidar como polo latino-americano de inteligência artificial, mas gargalos estruturais na rede elétrica, tarifas elevadas e indefinições tributárias sobre equipamentos de alta tecnologia continuam travando a expansão dos data centers no país, segundo reportagem do Valor Econômico.

Embora o país disponha de uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com ampla oferta de fontes hidrelétrica, solar e eólica, o custo final da energia para grandes consumidores corporativos permanece elevado devido a encargos setoriais e tributos locais. Representantes do setor de tecnologia destacam que o processamento exigido pelos novos modelos de inteligência artificial demanda complexos de grande porte, conhecidos como hyperscales, cuja viabilidade depende de contratos de longo prazo e conexões diretas com linhas de transmissão de alta tensão.

A importação de semicondutores avançados e unidades de processamento gráfico (GPUs) também representa um entrave competitivo expressivo. Com alíquotas de importação e taxas alfandegárias que encarecem os equipamentos em relação a polos concorrentes no México e no Chile, projetos de bilhões de dólares enfrentam prazos prolongados de maturação. Além da carga fiscal sobre os componentes físicos, a indefinição em torno de marcos regulatórios para inteligência artificial e incentivos específicos para instalações sustentáveis gera cautela entre fundos internacionais de infraestrutura digital.

Autoridades governamentais e parlamentares em Brasília vêm discutindo propostas para criar regimes tributários especiais e linhas de financiamento voltadas ao desenvolvimento de centros de dados movidos a energia renovável. Analistas do segmento apontam, contudo, que a corrida global pela capacidade de computação impõe um ritmo acelerado, no qual a demora em destravar licenças ambientais e contratos de conexão pode desviar aportes bilionários para outras regiões do continente.

Enquanto os planos regulatórios tramitam em ritmo mais lento do que a evolução dos algoritmos, os corredores climatizados continuam operando no limite de sua capacidade instalada. Para que essas fileiras silenciosas de servidores possam se multiplicar e transformar o potencial energético brasileiro em liderança tecnológica real, o país terá de resolver os velhos custos da burocracia e da energia que ainda pairam sobre as máquinas.

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