Balança comercial tem superávit de US$ 7,4 bilhões em agosto, o maior em 3 anos
US$ 7,4 bilhões: esse foi o superávit da balança comercial do Brasil em agosto, o melhor resultado para o mês em três anos, divulgou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) nesta sexta-feira (4). Na prática, o país vendeu essa quantia a mais do que comprou, e os dólares ficaram com os exportadores, do produtor de soja à petroleira. Foi um avanço de 23,8% sobre agosto do ano passado, quando o saldo foi de US$ 5,97 bilhões.As exportações somaram US$ 33,15 bilhões no mês, alta de 12,2% pela média diária (comparação que ajusta o número de dias úteis), e as importações chegaram a US$ 25,76 bilhões, com aumento de 9,2%. A corrente de comércio, que soma as duas pontas, atingiu US$ 58,9 bilhões, o maior valor para meses de agosto na série histórica, segundo a Agência Brasil. Ao câmbio desta semana, perto de R$ 5,10, o superávit do mês equivale a mais de R$ 37 bilhões.Entenda: a balança comercial compara o que o Brasil vende ao exterior (exportações) com o que compra de outros países (importações). Quando as vendas superam as compras, o resultado é superávit; no caso contrário, déficit. É a mesma conta que uma família faz no fim do mês: se entra mais dinheiro do que sai, sobra uma poupança.O que puxou o resultadoO petróleo bruto liderou as vendas externas, com US$ 4,82 bilhões e alta de 18%. Vieram depois a soja (US$ 4,41 bilhões, alta de 14%), o café não torrado (US$ 1,1 bilhão, alta de 24,1%), o minério de ferro (US$ 2,35 bilhões, queda de 10,8%) e o milho (US$ 1 bilhão, queda de 25,3%). A carne bovina recuou 19,7% porque o Brasil atingiu a cota anual de 1,106 milhão de toneladas imposta pela China, que cobra sobretaxa de 55% sobre o que exceder o limite.Entre os destinos, o salto foi para a União Europeia: as vendas subiram 46,4%, para US$ 5,8 bilhões. Para os Estados Unidos, cresceram 12,1%, para US$ 3,19 bilhões, mesmo com as tarifas extras de Washington, que somadas podem chegar a 37,5%. Para a China, maior mercado do país, caíram 10,9%, para US$ 8,34 bilhões.O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, em vigor desde maio, pode ter contribuído para o salto das vendas ao bloco, avaliou Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC. "Temos relatos de exportadores que estão se beneficiando, sim, do acordo já nesse período", afirmou. Segundo ele, ainda não é possível medir com precisão o efeito da redução de tarifas.Ano segue forteApesar de vender mais, o Brasil registrou déficit de US$ 824 milhões com os Estados Unidos em agosto, porque as compras de produtos norte-americanos, de US$ 4,01 bilhões, superaram as vendas. No acumulado do ano, o déficit com os EUA soma US$ 3,21 bilhões. No total, o superávit de janeiro a agosto chega a US$ 55,3 bilhões, 28,2% acima dos US$ 43,2 bilhões do mesmo período de 2025, o segundo melhor resultado para esses meses desde 1989.As importações de bens de consumo subiram 15% em agosto, sinal de que o brasileiro comprou mais produtos importados. Em julho, o MDIC elevou a projeção de superávit para 2026 de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões. Já os analistas ouvidos pelo boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras feita pelo Banco Central, são mais cautelosos e estimam US$ 78 bilhões.
RARafael Albuquerque