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Trump avalia nova rodada de tarifas sobre semicondutores, diz Politico

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LCPor Luiza Campos•27 de agosto de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avalia uma nova rodada de tarifas amplas sobre semicondutores, informou o site Politico nesta quinta-feira (27), citando oito pessoas a par das discussões. Desta vez, a mira não seria apenas o chip em si, mas os produtos que carregam chips dentro: laptops, consoles de videogame e servidores de data centers, segundo a reportagem, repercutida pela Folha de S.Paulo em despacho da Reuters.

Para medir a mudança de escala, pense na diferença entre taxar a farinha e taxar o pão, o bolo e a massa pronta. O semicondutor é o ingrediente invisível de quase tudo o que tem botão de ligar, e uma tarifa que alcança o produto final mexe com uma fatia muito maior do comércio global do que uma tarifa sobre o componente isolado.

Segundo o Politico, o secretário de Comércio, Howard Lutnick, defende uma estrutura que condicionaria a isenção da tarifa para empresas estrangeiras a investimentos em fábricas de chips em solo americano. Na prática, a tarifa funcionaria menos como imposto e mais como alavanca de negociação: quem construir fábrica nos EUA escapa, quem não construir paga. O desenho cria um incentivo direto para que fabricantes anunciem investimentos nos Estados Unidos, ainda que produzir lá custe mais caro.

O que ainda não sabemos

Bastante coisa. A Casa Branca estuda um período de transição para as novas tarifas, e a estrutura ainda pode passar por revisões substanciais nas próximas semanas ou meses, segundo o Politico. Não há alíquota definida, lista fechada de produtos nem data de entrada em vigor. E há um porém importante: a Reuters, que distribuiu a notícia, informou não ter conseguido verificar a informação de forma independente. Até aqui, trata-se de um plano em discussão, não de uma política anunciada.

O contexto ajuda a ler o movimento. O governo Trump já havia imposto uma tarifa de 15% sobre o polissilício, matéria-prima de chips e de painéis solares, como lembra a Folha. A nova rodada, se confirmada, ampliaria esse cerco do insumo ao produto acabado.

Na prática, vale acompanhar dois sinais: anúncios de investimento de fabricantes de chips nos EUA nas próximas semanas, que indicariam que a alavanca de Lutnick está funcionando, e qualquer definição sobre alíquotas e escopo. Se as tarifas avançarem sobre produtos finais, o efeito mais visível para o consumidor, inclusive no Brasil, tende a ser preço mais alto de notebooks, consoles e eletrônicos importados.

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