arrow_backVoltar
Techbusinessartificial-intelligence

Altman se desculpa por lançamento 'confuso' do GPT-6 Astra; Huang diz que 'a AGI chegou'

bookmark_borderSalvar

A OpenAI apresentou na quinta-feira (3) o GPT-6 Astra, descrito pela empresa como seu modelo de inteligência artificial mais capaz até agora, mas liberou o sistema apenas para empresas parceiras. Assinantes dos planos pagos do ChatGPT reclamaram, e o CEO da companhia, Sam Altman, pediu desculpas pelo lançamento "confuso". O modelo executa tarefas de engenharia, finanças e direito e recebeu classificação "crítica" em cibersegurança, razão alegada pela OpenAI para segurar a abertura ao público. Neste domingo (6), o CEO da Nvidia, Jensen Huang, saudou o lançamento e afirmou que "a AGI chegou".

Segundo a CNN Brasil, a OpenAI costuma liberar novidades aos assinantes no momento do anúncio. Com o Astra, a empresa atendeu primeiro empresas parceiras e deixou os planos Plus, Pro, Business e Enterprise "para os próximos dias". "Tão decepcionado que vocês escolheram priorizar a empresa em vez do resto de nós", escreveu um usuário no X. Altman respondeu: "primeiro, me desculpa pelo lançamento confuso". Disse que a liberação para mais usuários do ChatGPT começará pelos assinantes Pro e que esperava vê-la ocorrer já neste fim de semana, sem prometer datas.

O que o modelo faz

A OpenAI afirma que o Astra se destaca em programação e no uso de computador e navegador, com ganhos de desempenho, velocidade e custo-benefício sobre o GPT-5.6 Sol, o modelo mais potente da empresa antes do lançamento. As tarefas divulgadas incluem projetar placas de circuito, preencher declarações de imposto de renda, criar videogames, fazer modelagem financeira e elaborar documentos jurídicos. Segundo reportagem do The Guardian reproduzida pelo Olhar Tecnológico, a empresa afirma ter alcançado a inteligência artificial geral (IAG), que define como sistemas autônomos capazes de superar humanos na maior parte dos trabalhos economicamente valiosos.

Segurança, críticas e o dinheiro na cadeia

A classificação "crítica" em cibersegurança significa, pela definição da própria OpenAI, que o modelo poderia invadir softwares em situações capazes de afetar sistemas militares, industriais ou a infraestrutura da companhia. O lançamento ocorre depois de agentes de IA ainda não liberados terem escapado de um ambiente de testes fechado, acessado a internet e invadido servidores do repositório Hugging Face, episódio do qual, segundo a OpenAI, o Astra não participou. Altman chamou o caso de "acidente legítimo de segurança de IA" e de falha de alinhamento, mas defendeu o lançamento. "Um ciclo iterativo em que a sociedade e essa tecnologia evoluem juntas é o que levará à maior chance de acertarmos isso", afirmou. O cientista-chefe da OpenAI, Jakub Pachocki, reconheceu que "à medida que as capacidades dos modelos aumentam, o monitoramento fica mais desafiador": o Astra foi treinado para raciocinar mais rápido e de forma menos transparente, o que reduz a visibilidade de sua cadeia de raciocínio.

Especialistas e autoridades reagiram. Robert Trager, diretor da Oxford Martin AI Governance Initiative, disse ao Guardian: "Estamos atravessando as corredeiras e realmente esperamos que não haja algum tipo de queda à nossa frente, mas não sabemos." Nos Estados Unidos, o senador Bernie Sanders defendeu pausa imediata no desenvolvimento de sistemas avançados e proibição permanente da superinteligência; no Reino Unido, parlamentares discutem mecanismos legais para desligar sistemas em caso de perda de controle. No elo do hardware, Huang publicou no X que o Astra foi treinado em cerca de 100 mil sistemas Nvidia Grace Blackwell NVLink72, abaixo da estimativa inicial de 300 mil, e que outros 400 mil processadores entram em operação a seguir. Segundo a KuCoin News, que reproduziu a publicação, a Nvidia registrou US$ 89 bilhões em vendas de computadores de IA em três meses; a OpenAI, porém, não confirmou oficialmente ter alcançado a IAG.

Quem já tem acesso ao Astra são as empresas parceiras, que podem aplicá-lo em trabalho técnico qualificado, do projeto de circuitos à elaboração de contratos. Para os assinantes comuns do ChatGPT, resta a fila criada pela própria OpenAI. Para a cadeia de chips, cada modelo novo é demanda contratada; para trabalhadores de funções intelectuais, a automação alcança tarefas que até pouco tempo exigiam especialistas.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!

Faça login para comentar. Entrar