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TechEconomy

Galípolo diz que Pix gera inclusão, mas alerta para risco de endividamento

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LCPor Luiza Campos•24 de agosto de 2026•Fontes: G1

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (24) que o Pix se consolidou como um dos principais instrumentos de inclusão financeira do país, mas reconheceu que a expansão do crédito dos últimos anos elevou o risco de endividamento das famílias. A fala ocorreu na abertura do Febraban Tech 2026, evento de tecnologia do setor financeiro promovido pela Federação Brasileira dos Bancos (Febraban).

Segundo estudo do BC citado por Galípolo, o Pix já é usado por 148 milhões de pessoas físicas, o equivalente a 86% da população adulta, e por 12,8 milhões de empresas. No evento, o presidente do BC comentou uma pesquisa Quaest que colocou o Pix como a instituição mais confiável do país, com 80% de confiança dos brasileiros, à frente da Igreja Católica (76%), da Polícia Militar (75%) e das Forças Armadas (70%). "Em primeiro, como instituição... e cônjuge em quinto. Isso me preocupa", brincou Galípolo, segundo o g1: 70% dos entrevistados disseram confiar no próprio cônjuge.

Ao mesmo tempo, Galípolo alertou para o avanço de modalidades de crédito caras e sem garantia, usadas para consumo e despesas recorrentes. "Não dá para ficar contente porque o crédito cresceu e depois reclamar que o endividamento cresceu", afirmou. Para ele, o problema vai além do tamanho da dívida e passa pelo tipo de crédito contratado: "Nem todo tipo de endividamento é um problema. Comprar uma casa, por exemplo, gera um ativo. O problema é quando a dívida é usada para algo que não se transforma em ativo, principalmente quando envolve juros elevados."

O endividamento das famílias segue em alta mesmo com a melhora do mercado de trabalho. Em junho, o desemprego caiu a 5,4%, o menor nível para o período, e, em maio, a renda disponível das famílias atingiu o recorde de R$ 822 bilhões, de acordo com o g1. Segundo o Valor Econômico, Galípolo argumentou que o aumento do endividamento desde 2020 decorre da expansão da oferta de crédito, impulsionada pela bancarização trazida pelo Pix, pelos juros historicamente baixos daquele período e pelos programas de sustentação do crédito na pandemia, e não do aperto monetário. A fala ocorre em um momento em que setores do governo e do PT culpam os juros altos do BC pelo mal-estar econômico da população, apesar do desemprego baixo e dos ganhos reais de salário, informou o Valor.

Consignado CLT e cartão de crédito

Como maior fator recente de expansão do crédito às famílias, Galípolo apontou o consignado privado, modalidade voltada a trabalhadores com carteira assinada: desde o lançamento, em março de 2025, o saldo saltou de R$ 41 bilhões para R$ 102 bilhões. O Relatório de Política Monetária do BC também destaca o aumento dos atrasos no financiamento de veículos e no crédito pessoal não consignado.

Os números do cartão de crédito foram outro ponto da apresentação. De 2020 a 2024, 37 milhões de brasileiros passaram a usar o cartão; os usuários que pagam juros sobre dívidas subiram de 34 milhões para 52,8 milhões; a renda comprometida com o cartão foi de 38,5% para 54%; e a inadimplência, já alta, saltou de 55% para 64,5%, segundo o Valor. Galípolo disse que o BC examina mudanças na regulação do cartão para corrigir incentivos equivocados e promover a oferta responsável de crédito.

Na avaliação do presidente do BC, o prazo alongado para pagar compras à vista e o parcelamento sem juros beneficiam clientes de alta renda por meio de um subsídio cruzado, enquanto as instituições financeiras compensam o custo com juros mais altos cobrados da população de baixa renda. Ele não detalhou as medidas em estudo, mas mencionou a possibilidade de adotar instrumentos macroprudenciais e observar a experiência internacional.

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