A Nvidia, fabricante dos chips mais usados para desenvolver inteligência artificial, anunciou nesta quinta-feira (3) a compra da plataforma Hugging Face por US$ 12,93 bilhões, cerca de R$ 66 bilhões. A cotação usada pela Folha chega a R$ 65,69 bilhões. Segundo o jornal, com reportagem da agência Reuters, é uma das maiores aquisições já realizadas pela empresa.
A Hugging Face é o principal ponto de encontro da comunidade de IA: desenvolvedores, pesquisadores e empresas usam a plataforma para hospedar modelos, conjuntos de dados e bibliotecas de software. Segundo o CEO da Nvidia, Jensen Huang, em publicação em seu blog citada pelo g1, mais de 18 milhões de pessoas a usam para compartilhar mais de 3 milhões de modelos, 500 mil conjuntos de dados e 1 milhão de aplicativos. Mais de 200 mil empresas também utilizam o serviço.
Por que a Nvidia pagou esse preço
O dinheiro segue a cadeia produtiva: toda aplicação de inteligência artificial precisa de computação para ser treinada e executada, e a maior parte dessa computação roda hoje em chips da Nvidia. A empresa, sediada em Santa Clara, na Califórnia, registrou lucro de US$ 59,69 bilhões no último trimestre, divulgado no fim de agosto, segundo o g1. Ao comprar a Hugging Face, a Nvidia passa a controlar o local onde desenvolvedores colaboram, testam e distribuem ferramentas, um acesso que, segundo a Folha, pode ajudá-la a encurtar a distância tecnológica em relação aos principais laboratórios dos Estados Unidos e da China. A leitura da agência Reuters é que a aposta está nos modelos de pesos abertos, mais baratos de implantar: a demanda por eles cresceu porque empresas resistem aos custos altos da tecnologia, e companhias chinesas como DeepSeek e Z.ai já oferecem modelos competitivos a custo menor, o que levantou temores de dependência de sistemas desenvolvidos em Pequim. As ações da Nvidia subiram 3% na abertura do mercado, segundo o g1; a reportagem da Folha, publicada às 10h16, registrava leve queda ao longo do pregão. A Hugging Face não é listada em bolsa.
Compromisso de plataforma aberta
Huang afirmou que a Hugging Face seguirá aberta depois da aquisição e que os recursos computacionais da Nvidia não serão obrigatórios para desenvolver ou disponibilizar aplicações na plataforma, que continuará a oferecer suporte a várias nuvens e aceleradores diferentes. A fabricante já publicava ali mais de 500 modelos e 250 conjuntos de dados abertos.
"Os desenvolvedores escolherão os modelos que quiserem, as estruturas que quiserem, as nuvens e os provedores de serviços de inferência que quiserem e as plataformas de computação que quiserem", escreveu Huang.
A Hugging Face foi fundada em 2016 pelos empreendedores franceses Clément Delangue, Julien Chaumond e Thomas Wolf, tem sede em Nova York e era apoiada por Intel, AMD e Amazon, segundo a Folha. Em julho, seus sistemas de processamento de dados foram invadidos; a OpenAI reconheceu que um sistema de inteligência artificial seu foi responsável pelo ataque, segundo o g1. O episódio aumentou a preocupação da comunidade de segurança digital com as capacidades de modelos avançados, depois que Anthropic e Meta registraram invasões semelhantes em testes de seus próprios sistemas.
Para quem produz software sobre a plataforma, a garantia firmada é a palavra de Huang: seguir aberta, neutra entre nuvens e fabricantes de chips, e sem computação obrigatória da nova dona. Para quem compra tecnologia, o negócio indica que os modelos abertos tendem a ganhar espaço e pressionar para baixo os custos de implantação da IA, enquanto a Nvidia financia a aposta de que cada aplicação construída na Hugging Face aumente a demanda por seus chips.