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Rafael Albuquerque

economy · economia · inflação · inflation

Economista de formação, traduz indicadores e decisões de política monetária em consequências práticas.

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Balança comercial tem superávit de US$ 7,4 bilhões em agosto, o maior em 3 anos

US$ 7,4 bilhões: esse foi o superávit da balança comercial do Brasil em agosto, o melhor resultado para o mês em três anos, divulgou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) nesta sexta-feira (4). Na prática, o país vendeu essa quantia a mais do que comprou, e os dólares ficaram com os exportadores, do produtor de soja à petroleira. Foi um avanço de 23,8% sobre agosto do ano passado, quando o saldo foi de US$ 5,97 bilhões.As exportações somaram US$ 33,15 bilhões no mês, alta de 12,2% pela média diária (comparação que ajusta o número de dias úteis), e as importações chegaram a US$ 25,76 bilhões, com aumento de 9,2%. A corrente de comércio, que soma as duas pontas, atingiu US$ 58,9 bilhões, o maior valor para meses de agosto na série histórica, segundo a Agência Brasil. Ao câmbio desta semana, perto de R$ 5,10, o superávit do mês equivale a mais de R$ 37 bilhões.Entenda: a balança comercial compara o que o Brasil vende ao exterior (exportações) com o que compra de outros países (importações). Quando as vendas superam as compras, o resultado é superávit; no caso contrário, déficit. É a mesma conta que uma família faz no fim do mês: se entra mais dinheiro do que sai, sobra uma poupança.O que puxou o resultadoO petróleo bruto liderou as vendas externas, com US$ 4,82 bilhões e alta de 18%. Vieram depois a soja (US$ 4,41 bilhões, alta de 14%), o café não torrado (US$ 1,1 bilhão, alta de 24,1%), o minério de ferro (US$ 2,35 bilhões, queda de 10,8%) e o milho (US$ 1 bilhão, queda de 25,3%). A carne bovina recuou 19,7% porque o Brasil atingiu a cota anual de 1,106 milhão de toneladas imposta pela China, que cobra sobretaxa de 55% sobre o que exceder o limite.Entre os destinos, o salto foi para a União Europeia: as vendas subiram 46,4%, para US$ 5,8 bilhões. Para os Estados Unidos, cresceram 12,1%, para US$ 3,19 bilhões, mesmo com as tarifas extras de Washington, que somadas podem chegar a 37,5%. Para a China, maior mercado do país, caíram 10,9%, para US$ 8,34 bilhões.O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, em vigor desde maio, pode ter contribuído para o salto das vendas ao bloco, avaliou Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC. "Temos relatos de exportadores que estão se beneficiando, sim, do acordo já nesse período", afirmou. Segundo ele, ainda não é possível medir com precisão o efeito da redução de tarifas.Ano segue forteApesar de vender mais, o Brasil registrou déficit de US$ 824 milhões com os Estados Unidos em agosto, porque as compras de produtos norte-americanos, de US$ 4,01 bilhões, superaram as vendas. No acumulado do ano, o déficit com os EUA soma US$ 3,21 bilhões. No total, o superávit de janeiro a agosto chega a US$ 55,3 bilhões, 28,2% acima dos US$ 43,2 bilhões do mesmo período de 2025, o segundo melhor resultado para esses meses desde 1989.As importações de bens de consumo subiram 15% em agosto, sinal de que o brasileiro comprou mais produtos importados. Em julho, o MDIC elevou a projeção de superávit para 2026 de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões. Já os analistas ouvidos pelo boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras feita pelo Banco Central, são mais cautelosos e estimam US$ 78 bilhões.

RARafael Albuquerque
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Lula lança Desenrola 3.0 para renegociar R$ 150 bilhões em dívidas

R$ 150 bilhões. Esse é o volume de dívidas de famílias que o governo federal quer renegociar com o Desenrola 3.0, anunciado nesta sexta-feira (25) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em evento em São Paulo. Na prática, o plano abre caminho para que consumidores com contas de cartão atrasadas há anos limparem o nome e paguem bem menos do que devem.Valem dívidas em atraso de 2 a 4,5 anos em duas frentes: cartão de crédito, nas modalidades parcelada e rotativa, e crédito pessoal sem desconto em folha. Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, entram na conta dívidas de até R$ 10 mil cada uma, o tamanho de uma fatura que engole vários meses do salário de muita gente.O governo estima que existam R$ 300 bilhões em dívidas elegíveis nesses tipos de crédito e quer alcançar metade desse total. A proposta é comprar as carteiras dos bancos com deságio de 90%, e a estimativa é desembolsar cerca de R$ 15 bilhões. É como se o Estado pagasse R$ 1 mil por uma dívida de R$ 10 mil.Entenda: o deságio é o desconto aplicado sobre o valor de face de uma dívida. Ao comprar uma carteira de crédito, o Tesouro Nacional adquire de uma vez um pacote com milhares de dívidas em atraso, em vez de negociar caso a caso. Quanto maior o desconto obtido, menor a conta final do devedor, já que Moretti afirmou que os descontos serão repassados às famílias.O leilão de compra das carteiras está previsto para novembro, e a operação será feita pelo Tesouro ou por uma instituição financeira federal. Os bancos que quiserem vender apresentam propostas, e vence quem oferecer o maior desconto. "Nós estamos falando de limpar dessa carteira 150 bilhões em dívida, é muito forte, é muito potente para que essas famílias possam recomeçar", disse o ministro, segundo o G1.O que muda em relação às rodadas anterioresEsta é a terceira edição do Desenrola, programa de renegociação de dívidas de pessoas físicas. Nas rodadas anteriores, que cobriram atrasos de 90 dias a dois anos em cartão, cheque especial e crédito pessoal, cada devedor negociava sozinho com o banco. Agora o Estado compra as dívidas em bloco, "fazendo aquisição de carteiras de dívidas das instituições financeiras", explicou Moretti.Segundo a InfoMoney, o consumidor sai dos cadastros de inadimplência assim que a dívida for adquirida pelo governo. A partir daí, passa a renegociar direto com o Tesouro, com juros mais baixos e parcelas ajustadas à faixa de renda.A medida provisória apresentada prevê ainda que o Banco Central adote regras para conter excessos na concessão de crédito às famílias, evitando que voltem a se endividar. "As pessoas entram em um descompasso e fazem dívida de forma desordenada e depois não conseguem se acertar mais", disse Lula, que também criticou a oferta de "4, 5, 6 cartões de créditos" a quem já está endividado. O pacote foi anunciado no mesmo evento em que o governo proibiu as apostas on-line, a nove dias das eleições.

RARafael Albuquerque
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Senacon abre 70 processos contra postos por aumento abusivo de combustíveis

70 postos de combustíveis responderão por aumento abusivo de preços, informou o G1 nesta segunda-feira (21). A abertura dos processos é da Senacon, a Secretaria Nacional do Consumidor, órgão federal de defesa do consumidor ligado ao Ministério da Justiça. Para o motorista comum, a mensagem é direta: o governo entende que parte do preço pago na bomba não tem explicação nos custos.Cada estabelecimento investigado pode ser multado em até R$ 14 milhões, o teto previsto no Código de Defesa do Consumidor (CDC), a lei que disciplina as relações entre empresas e clientes no Brasil. O valor supera o que a grande maioria dos brasileiros ganha em uma vida inteira de trabalho. Segundo o G1, as fiscalizações que originaram os processos ocorreram em postos do Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo e Paraná.Em parte dos estabelecimentos fiscalizados, a Senacon identificou margens de lucro superiores a 70%. Segundo o órgão, o aumento abusivo das margens foi detectado em sete estados, e há denúncias semelhantes registradas em outras 15 unidades da federação. Na sexta-feira (18), a Agência Nacional do Petróleo (ANP), que fiscaliza o setor, informou ter recebido cerca de 330 denúncias sobre possíveis aumentos abusivos e repassou os dados para embasar a fiscalização.Entenda: o que é aumento abusivoPara a Senacon, aumento abusivo é a elevação do preço sem justificativa compatível com os custos ou com as condições do mercado. A margem de lucro, por sua vez, é a diferença entre o que o posto paga pelo combustível e o que cobra dele. Na conta mais simples, uma margem de 70% equivale a um supermercado que compra o saco de arroz por R$ 50 e o vende por R$ 85: a diferença fica com o vendedor.O que acontece agoraA Senacon não divulgou quais são os 70 postos, nem os preços praticados por cada um ou a diferença em relação ao custo de compra. Uma reunião emergencial com entidades de defesa do consumidor de todo o país está marcada para esta terça-feira (22), para discutir ações de fiscalização conjunta. Um levantamento do site Atlas Público, que monitora atos oficiais, registra ainda dois processos da Senacon instaurados na mesma data contra as empresas Ale Combustíveis e Larco, por elevação de preços sem justa causa.Segundo o G1, a Polícia Federal também realiza uma operação no Rio de Janeiro contra um grupo suspechoso de usar postos de combustíveis para lavar dinheiro do crime organizado. Caberá agora à Senacon concluir os processos administrativos e, se comprovadas as infrações, aplicar as sanções previstas no CDC.

RARafael Albuquerque
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Inflação esperada para 2026 sobe a 4,99% e PIB cai a 1,86%, diz Focus

A inflação esperada para 2026 subiu para 4,99%, vindo de 4,92%, no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (28) pelo Banco Central. Na prática, uma cesta de compras de R$ 500 no início do ano deve custar cerca de R$ 525 no fim de dezembro. É a segunda semana seguida de alta na projeção, segundo a Folha de S.Paulo.No mesmo relatório, os economistas cortaram a previsão de crescimento do PIB, a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, de 1,88% para 1,86%. Foi a terceira queda seguida, e a estimativa é a menor desde maio. O ritmo fica bem abaixo dos 2,3% registrados em 2025, conforme dados oficiais do IBGE.Entenda o FocusO Boletim Focus é uma pesquisa semanal do Banco Central com mais de 100 bancos, corretoras e consultorias. O BC publica a mediana, ou seja, o valor central das projeções para inflação, crescimento, juros e dólar. O documento funciona como um termômetro para o Copom, o comitê que define a taxa básica de juros do país.A projeção de 4,99% para o IPCA, o índice oficial de inflação, ficou acima do teto de 4,5% da meta perseguida pelo Banco Central, cujo centro é 3%, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo. Na leitura do relatório, a inflação acumulada em 12 meses deve fechar o ano em 4,65%. Para quem ganha R$ 2.000 por mês, uma inflação de 4,99% equivale a perder cerca de R$ 100 de poder de compra ao longo do ano.O que muda para os jurosA Selic, taxa básica de juros, está em 13,75% ao ano, depois de cinco cortes neste ano, de acordo com o G1. Mesmo com a inflação acima do teto da meta, o mercado segue apostando em um novo corte, para 13,50% no fim de 2026, e projeta 12% para o fim de 2027. A estimativa para o dólar no fechamento do ano permaneceu em R$ 5,20.O quadro complica o trabalho do Banco Central: segundo o G1, a guerra no Oriente Médio mantém o petróleo caro, e, em ano eleitoral, o estímulo do governo à economia dificulta o controle dos preços. Para os anos seguintes, o Focus projeta inflação de 4,31% em 2027, de 3,80% em 2028 e de 3,50% em 2029, todas ainda acima do centro da meta. O PIB de 2027 foi estimado em 1,41%, indicando crescimento fraco também no ano que vem.

RARafael Albuquerque
Economy

Focus: mercado eleva inflação de 2026 para 4,99% e corta PIB para 1,86%

A inflação esperada para 2026 subiu de 4,92% para 4,99%, segundo o Boletim Focus, a pesquisa semanal de economistas do mercado divulgada pelo Banco Central nesta segunda-feira (28). Na prática, se a previsão se confirmar, uma compra de supermercado de R$ 300 por mês vai custar cerca de R$ 15 a mais ao fim de um ano. É a segunda alta seguida na estimativa, que passou de 4,90% para 4,92% na semana passada e agora se aproxima dos 5%.No rumo contrário, a previsão de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto, a soma dos bens e serviços produzidos no país) caiu de 1,88% para 1,86%. Foi a terceira redução seguida e o menor número desde maio, segundo a Folha de S.Paulo. Em termos práticos, para cada R$ 100 que o Brasil produz hoje, o mercado espera apenas cerca de R$ 1,86 adicionais ao longo do ano.Entenda: o Focus sai toda segunda-feira e reúne as projeções de economistas de bancos e consultorias para inflação, crescimento, juros e dólar. O índice de referência é o IPCA, calculado pelo IBGE, que mede a variação do custo de vida das famílias. A meta de inflação perseguida pelo Banco Central tem centro em 3% e teto de 4,5%, e a previsão de 4,99% ficou acima desse limite.Juros e câmbioA taxa Selic esperada para o fim de 2026 ficou em 13,5% ao ano, mantida após o recorte de 13,75% registrado nas últimas semanas. A Selic é a taxa básica de juros da economia: bancos e financeiras a usam como referência para precificar empréstimos, financiamentos e cartão, sempre com acréscimos. No ritmo previsto, os economistas projetam 13,75% em setembro, 13,63% em outubro e 13,5% em novembro, com queda para 12% ao fim de 2027.O dólar previsto para o fim de 2026 permaneceu em R$ 5,20, e em R$ 5,28 para 2027. No curto prazo, o mercado projeta IPCA de 0,56% em setembro, 0,33% em outubro e 0,35% em novembro, ante 0,32% estimados antes para o mês. A inflação acumulada em 12 meses esperada subiu de 4,62% para 4,65%.Nos horizontes seguintes, os economistas esperam inflação de 4,31% em 2027, 3,80% em 2028 e 3,50% em 2029, com crescimento de 1,41% em 2027. O site Boletim Nacional, que acompanhou os dados, registrou ainda PIB de 1,83% em 2028 e de 2% em 2029, além de Selic de 10,5% e 10% nesses dois anos. Nos preços administrados, como tarifas de energia elétrica e combustíveis, a projeção para 2026 subiu de 4,61% para 4,63%.

RARafael Albuquerque
markets

Lula diz que dívida pública em 80% do PIB não causa pânico e cita reservas

80% do PIB. É nesse nível que a dívida bruta do setor público já chegou, segundo a Folha, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (27) que o número não causa pânico. Para o contribuinte, cada ponto a mais de dívida significa mais juros no Orçamento e menos dinheiro para saúde, educação e obras.Em entrevista que foi ao ar neste domingo, o presidente citou as reservas internacionais do país, de US$ 370 bilhões, como amortecedor do endividamento. Segundo ele, o montante vem de uma decisão de 2005, ainda no primeiro governo, e funciona como um "colchão de sustentação da economia brasileira", no relato do Correio do Povo. A Folha registrou a conversa como entrevista à BandNews; o Correio do Povo a descreveu como gravada para o Canal Livre, da Band.Lula admitiu que a alta da dívida o preocupa, porque "não é bom dever mais do que eu recebo", e prometeu reduzir o indicador em relação ao PIB. Ele não detalhou como pretende chegar lá. Na transcrição da Folha, o presidente listou o que considera gasto indispensável:"A gente vai diminuir essa dívida pública com relação a quê? Primeiro, sabendo gastos que são necessários fazer. A gente vai continuar ajudando as pessoas mais pobres, a gente vai continuar aumentando o salário mínimo acima da inflação, a gente vai continuar reajustando as coisas que têm que reajustar."Entenda: a dívida bruta medida em porcentagem do PIB compara o que o governo deve com tudo o que o país produz em um ano. É como uma família que ganha R$ 5.000 por mês, ou R$ 60.000 por ano, e deve R$ 48.000, o equivalente a 80% da renda anual. Já as reservas internacionais são a poupança em dólar do país, uma reserva de emergência contra crises.As contas do governoSegundo a Folha, o próprio governo revisou suas projeções e agora vê a dívida perto de 90% do PIB em 2029, ou acima disso caso as contas públicas fiquem no piso da meta fiscal nos próximos anos. O mandato atual deve terminar com a dívida 12 pontos percentuais maior do que a encontrada por Lula ao assumir, em 2023, fechando o ano em 83,7% do PIB. Na prática, são 12 reais a mais de dívida para cada 100 reais de riqueza produzida no país.O ritmo de crescimento dos gastos federais é alvo de críticas do mercado financeiro e da oposição, por causa do risco de manter a dívida subindo. Os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento) já disseram que o governo pretende buscar um superávit efetivo nas contas a partir do ano que vem. Lula também apostou na redução dos juros como condição para o crescimento da economia, segundo o Correio do Povo.Dentro do governo, os discursos divergem. A empresários, Lula afirma que manterá a responsabilidade fiscal se for reeleito; uma ala do PT defende expandir os investimentos. A entrevista chega na reta final da campanha, com o presidente candidato à reeleição.

RARafael Albuquerque
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Cashback da reforma dará em média R$ 350 por ano a famílias do Bolsa Família em 2027

R$ 350 por ano, cerca de R$ 29 por mês. Esse é o reforço previsto para a renda de 28 milhões de famílias inscritas no Cadastro Único, o sistema que reúne os lares de baixa renda do país, a partir de 2027, quando começa o pagamento do cashback da reforma tributária, segundo a Folha de S.Paulo. Entre elas estão 19 milhões que recebem o Bolsa Família, o principal programa de transferência de renda do governo federal.O dinheiro vem da devolução da CBS, o novo imposto federal sobre consumo que substitui PIS, Cofins, IOF-Seguros e parte do IPI a partir de janeiro de 2027. A estimativa é do próprio governo, corrigida pela inflação desde a aprovação da lei que regulamentou a reforma. O valor exato só será definido pela Receita Federal e depende da alíquota da CBS: quanto maior o percentual, maior a devolução.Um cálculo feito a pedido da Folha por Giovani Padilha, subsecretário adjunto da Receita do Rio Grande do Sul e um dos criadores do programa de devolução do estado em 2022, aponta teto de R$ 354 em 2027 para uma família que vive apenas do Bolsa Família, considerando CBS de 10%. Sobre o benefício médio de R$ 777 mensais, que passa a valer em outubro, isso equivale a um reforço de 3,8% na renda anual. É menos de um quarto do reajuste de 15,04% anunciado em setembro, que elevou o pagamento mínimo de R$ 600 para R$ 691 e a média de R$ 675 para R$ 777, segundo o Ministério do Desenvolvimento Social.Entenda: como funciona o cashbackO cashback devolve, depois da compra, parte dos impostos sobre o consumo pagos por famílias de baixa renda, aquelas com renda de até meio salário-mínimo por pessoa e cadastro ativo no Cadastro Único. Pela Lei Complementar 214/2025, a União devolve 20% da CBS paga em bens e serviços comuns e 100% da CBS embutida nas contas de luz, água, esgoto, gás canalizado e telefonia, além do botijão de gás de até 13 kg. A entrada é automática: quem preenche os requisitos passa a receber sem precisar se inscrever.O custo anual da devolução deve ficar perto de R$ 10 bilhões, o resultado de multiplicar os R$ 350 médios pelas 28 milhões de famílias. O gasto não entra no arcabouço fiscal, o conjunto de regras que limita o crescimento das despesas públicas, porque a devolução é tratada como isenção ou restituição e sai direto da arrecadação, sem contar como despesa.O reforço tende a crescer a partir de 2029, quando o IBS, imposto compartilhado entre estados e municípios, começa a substituir o ICMS e o ISS e também entra na devolução. Segundo a Folha, a expectativa é de que o valor anual do cashback dobre nessa fase. Até lá, o programa segue como o principal instrumento da reforma para compensar o peso dos impostos sobre o consumo para quem ganha menos.

RARafael Albuquerque
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Orçamento de 2027 precisará de até R$ 42,3 bilhões para bancar medidas pré-eleitorais

Até R$ 42,3 bilhões. É o reajuste que o Orçamento de 2027 pode precisar para comportar as medidas anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reta final da campanha: reforço do Bolsa Família, proibição das bets e Desenrola 3.0. A estimativa é do jornal O Globo e da InfoMoney, e significa menos margem de manobra para quem vencer a eleição de 4 de outubro no primeiro ano do próximo mandato.A conta soma fatias com prazos diferentes. São R$ 22 bilhões de custo extra com o Bolsa Família em 2027, R$ 5,3 bilhões de receitas que deixam de entrar com o fim das apostas on-line e R$ 15 bilhões previstos para o Desenrola 3.0, que pode se estender até 2028. Nenhum desses valores estava na proposta orçamentária enviada ao Congresso Nacional em 31 de agosto.No Bolsa Família, principal programa de transferência de renda do país, o reajuste de 15,04% elevou o piso do benefício de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro, ou R$ 91 a mais por mês para cada família que recebe o valor mínimo. O custo adicional em 2026 é de R$ 5,8 bilhões, porque o aumento vale só pelos últimos meses do ano. Em 2027, com 12 meses completos, sobe para R$ 22 bilhões, quase quatro vezes mais.O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu o reajuste como recomposição das perdas pela inflação e afirmou que o governo já começou a revisar gastos para acomodar a despesa do próximo ano.Entenda: o Orçamento da União é a lei anual que define quanto e em que áreas o governo federal pode gastar, e mudanças depois do envio ao Congresso precisam ser aprovadas por deputados e senadores. O caso atual pressiona as contas em duas frentes ao mesmo tempo: mais despesa com benefícios e programas, e menos arrecadação com o fim das bets. Mesmo que os novos gastos caibam no limite previsto pelas regras fiscais, a receita menor terá de ser compensada com outras fontes ou com cortes.Fim das bets e Desenrola 3.0A proibição das apostas on-line foi editada por medida provisória, norma que vale de imediato mas precisa de aprovação do Congresso em até 120 dias, publicada em edição extra do Diário Oficial na sexta-feira (25), nove dias antes da eleição, segundo o G1. Quem tem saldo nas plataformas pode sacar até as 23h59 de 5 de outubro, e a partir do dia 6 os sites e aplicativos saem do ar. O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, estima perda de R$ 5,3 bilhões de receitas em 2027, menos de um décimo dos R$ 62,5 bilhões que as bets tiraram do bolso das famílias em 2025, segundo o Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz).No Desenrola 3.0, a União vai comprar em leilão carteiras de dívidas de pessoas físicas, com desconto mínimo de 90%, e repassar o desconto aos devedores. O programa mira até R$ 150 bilhões em dívidas vencidas de até R$ 10 mil por operação, com teto de gasto de R$ 15 bilhões: para cada real de dívida comprada, o Estado gastaria no máximo dez centavos. Moretti disse que os desembolsos começam em 2027 e que o custo terá de respeitar as regras que limitam os gastos públicos.Como o governo diz que vai pagar a contaO governo afirma que vai acomodar as despesas dentro das regras fiscais por meio de remanejamento e revisão de gastos, o que exigirá definir quais áreas perderão recursos. A estratégia anunciada por Moretti é cortar despesas em outras frentes sem aumentar o gasto total. O efeito final sobre as contas públicas dependerá dos desembolsos efetivos e das compensações adotadas.

RARafael Albuquerque
Economy

Bets renderam R$ 15,3 bilhões em impostos ao governo desde o início de 2025

O imposto cobrado das empresas de apostas online, as bets, deixou R$ 15,3 bilhões nos cofres do governo federal desde janeiro de 2025, segundo dados da Receita Federal divulgados nesta sexta-feira (25). Na prática, essa arrecadação ajudou o Planalto a cumprir as metas fiscais sem apertar ainda mais o orçamento. O número veio à tona no mesmo dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, por medida provisória, a proibição das apostas e dos jogos virtuais online no país, a nove dias do primeiro turno da eleição presidencial.Em 2025, a arrecadação com o setor somou R$ 8,94 bilhões; entre janeiro e agosto de 2026 entraram outros R$ 6,32 bilhões, uma média de cerca de R$ 760 milhões por mês. Para comparar, um levantamento do Comsefaz, o conselho dos secretários de Fazenda dos estados, estima que as apostas tiraram R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras só em 2025. A ANJL, entidade que representa o setor, contesta o estudo e diz que a receita bruta do mercado no ano passado foi de R$ 37 bilhões, com base em dados do Ministério da Fazenda.A cobrança só passou a valer de forma sistemática em 2025. Até então, apenas valores residuais chegavam aos cofres públicos porque a maioria das casas de aposta tinha sede no exterior, explicou o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, ao Congresso em setembro de 2024. Com a regulamentação, as empresas passaram a ser obrigadas a se constituir segundo a lei brasileira e, desde o início de 2025, somente autorizadas pelo Ministério da Fazenda podem operar no país.Entenda: como as bets eram taxadasA alíquota cobrada das empresas neste ano era de 13% sobre a receita líquida, o chamado GGR: o que sobra das apostas depois de pagos os prêmios aos jogadores. A previsão era de aumento gradual, até chegar a 18% a partir de 2028. Do total arrecadado, 36% ia para o esporte, 28% para o turismo e 13,6% para a segurança pública, com fatias menores para educação, seguridade social e saúde.O que muda com a proibiçãoCom a proibição, essa fonte de receita seca. Segundo o InfoMoney, o fim das apostas online deve retirar cerca de R$ 800 milhões por mês dos cofres da União, patamar próximo à média arrecadada desde 2025. A medida provisória vale imediatamente, mas precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias para continuar em vigor.A receita vinha ajudando o Planalto a atingir as metas fiscais, isto é, o resultado primário, o saldo entre receitas e despesas fixado em lei; sem ela, os bloqueios de gastos teriam de ser maiores. O argumento central da proibição, porém, é o orçamento das famílias. "Eu terei o imenso prazer de acabar com as bets", disse Lula na quarta-feira (23), ao anunciar sua intenção.Relatório do banco BTG Pactual estima que 25,2 milhões de brasileiros apostaram em 2025, quase um em cada oito habitantes. Pelos cálculos do Goldman Sachs, as apostas passaram de 0,3% do consumo mensal das famílias em 2018 para 4,4% em 2025: em um lar que gasta R$ 1.000 por mês, R$ 44 iam para as casas de aposta. Pesquisas recentes citadas pelo InfoMoney apontam que cerca de três quartos dos brasileiros apoiam a proibição total.

RARafael Albuquerque
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IPCA-15 sobe 0,70% em setembro, acima do esperado, e conta de luz salta 7,42%

A prévia da inflação oficial, o IPCA-15, subiu 0,70% em setembro, informou o IBGE nesta sexta-feira (25). Para o consumidor, o número significa que uma cesta de compras que custava R$ 1.000 em meados de agosto passou a custar cerca de R$ 1.007 um mês depois. É a maior alta para um setembro em cinco anos, desde 2021, quando a leitura foi de 1,14%.O resultado veio acima de todas as projeções do mercado financeiro. A mediana das estimativas compiladas pela Bloomberg era de 0,55%, e até o teto das apostas, de 0,66%, ficou abaixo do número oficial, segundo a Folha de S.Paulo. Pela Reuters, a expectativa girava em torno de 0,53%, informa o g1.Conta de luz volta a subirA energia elétrica residencial subiu 7,42% em setembro, após queda de 6,25% em agosto. Quem pagava uma conta de R$ 150 viu o valor aumentar em cerca de R$ 11. A alta vem do fim do bônus de Itaipu, um desconto temporário na conta de luz que havia puxado a prévia para o campo negativo em agosto (-0,40%).O grupo habitação, que reúne energia, água e gás, teve a maior alta entre os nove pesquisados (2,07%) e o maior impacto no índice. Os alimentos voltaram a subir (0,40%) depois de dois meses de quedas. Tomate (20,76%), arroz (2,39%) e carnes (1,30%) ficaram mais caros, enquanto feijão-carioca (6,33%) e cebola (4,41%) caíram.Todos os grupos pesquisados subiram no mês. Também pesaram o cigarro (14%) e a passagem aérea (9,82%).Entenda: o IPCA-15 é uma prévia do IPCA, o índice oficial de inflação. Ele mede preços coletados entre 15 de agosto e 15 de setembro, enquanto o IPCA cobre o mês inteiro. O dado completo de setembro sai em 9 de outubro.Perto do teto da metaEm 12 meses, o índice acelerou de 4,24% para 4,47%. Na prática, a mesma cesta de consumo custa cerca de R$ 134 a mais por mês para uma família que gasta R$ 3.000. O resultado se aproxima do teto de 4,5% da banda de tolerância da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, de 3% ao ano, nota a Folha.Foi a última divulgação do IPCA-15 antes do primeiro turno da eleição presidencial, em 4 de outubro. O custo de vida é um dos temas centrais da campanha: o candidato Flávio Bolsonaro (PL) usa a carestia para atacar o presidente Lula (PT), que disputa o quarto mandato e responde com a geração de emprego e renda desde 2023, segundo a Folha.

RARafael Albuquerque
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Subvenção de R$ 2,12 do diesel deve ser prorrogada por mais 30 dias, diz Moretti

São R$ 2,12 por litro. É esse o valor que o governo injeta para segurar o preço do diesel, e ele deve ser mantido por mais 30 dias, segundo informou nesta quinta-feira (24) o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti. Num abastecimento de 50 litros, o valor soma R$ 106, um alívio que alcança caminhoneiros e transportadoras e, na ponta, o custo do frete que influencia o preço dos alimentos.Moretti falou a jornalistas em Brasília, em entrevista coletiva que detalhou as projeções de execução do Orçamento deste ano. "Vamos levar ao presidente, mas frente aos indicadores, a tendência é que a gente mantenha [a subvenção]", disse. A decisão final depende de consulta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o anúncio deve sair até o fim desta semana, a poucos dias do primeiro turno da eleição presidencial, segundo a Folha de S.Paulo.O calendário aperta. A Medida Provisória que garante R$ 1,12 do total de R$ 2,12 perde o efeito no sábado (26) e, sem prorrogação, deixaria o benefício em menos da metade. Os outros R$ 1,00 foram criados no início de setembro, por uma medida que permite ao governo ajustar o montante total da subvenção, segundo a Folha.Entenda a medidaSubvenção é o nome técnico do dinheiro público usado para compensar parte do custo de um produto e segurar o preço pago pelo consumidor, neste caso o diesel, o combustível dos caminhões que transportam a maior parte das cargas do país. Já a Medida Provisória, ou MP, é uma norma editada pelo presidente com força de lei temporária: se o Congresso não a aprovar em até 120 dias, ela caduca, ou seja, perde o efeito, o que a Folha relata que deve ocorrer no sábado.O motivo é externo. Segundo a agência Reuters, o governo mantém o objetivo de retirar a subvenção assim que dissipar o choque de preços do petróleo motivado pela guerra no Oriente Médio. Até lá, o benefício segue como escudo contra a alta do barril.A conta para os cofres públicos não é pequena. Segundo a Folha, zerar o PIS/Cofins (dois tributos federais que incidem sobre combustíveis) do etanol hidratado e da gasolina, medida anunciada no início do mês junto com os R$ 1,00 do diesel, deve custar cerca de R$ 2 bilhões por mês. É o equivalente a mais de R$ 65 milhões por dia.

RARafael Albuquerque
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Reajuste do Bolsa Família é acomodado no Orçamento e déficit estimado sobe a R$ 67,3 bi

R$ 691. Esse é o novo piso do Bolsa Família a partir de outubro, segundo o Ministério do Planejamento. Quem recebe o valor mínimo terá R$ 91 a mais por mês, um reajuste de 15%, e o benefício médio do programa passará de R$ 675 para R$ 777, um ganho de R$ 102 no orçamento da família, também 15%.O aumento, anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada em plena corrida eleitoral, foi incluído nesta quinta-feira (24) no orçamento de 2026. A mudança consta do relatório de receitas e despesas do quarto bimestre, divulgado pelo Ministério do Planejamento. Segundo o G1, o custo do reajuste neste ano é de R$ 5,8 bilhões, cerca de um terço dos R$ 16,1 bilhões que seguem congelados no Orçamento.Rombo maiorPara acomodar o gasto novo, o governo elevou de R$ 52 bilhões para R$ 67,3 bilhões a estimativa de rombo nas contas deste ano, o equivalente a subir de 0,38% para 0,49% do PIB (Produto Interno Bruto), informa o G1. Só esse salto de R$ 15,3 bilhões é maior que o dobro do custo do reajuste do Bolsa Família em 2026. A estimativa ficou no limite permitido pelo arcabouço fiscal.Entenda: o arcabouço fiscal é a regra aprovada em 2023 que controla o crescimento dos gastos públicos. A meta deste ano é um superávit primário, ou seja, sobrar dinheiro nas contas antes de pagar os juros da dívida, de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34,3 bilhões, mas existe uma tolerância de 0,25 ponto que aceita um resultado zerado. O G1 informa ainda que é possível abater do cálculo até R$ 67,3 bilhões em gastos com precatórios, as dívidas da União reconhecidas pela Justiça, e outras despesas.Bloqueios e liberaçõesO relatório reduz o congelamento de recursos de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões, aponta a Folha. Foram desbloqueados R$ 15,5 bilhões porque o governo passou a projetar gastos menores com previdência, folha de salários e o BPC, o benefício pago a idosos e pessoas com deficiência de famílias de baixa renda. Na outra ponta, a equipe econômica fez pela primeira vez no ano um contingenciamento, a limitação preventiva de gastos, de R$ 13,6 bilhões, porque a projeção do resultado primário saiu de um superávit de R$ 10,8 bilhões para um déficit de R$ 13,6 bilhões.O documento aponta também uma liberação teórica de R$ 1,9 bilhão para os ministérios, mas o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, disse que o dinheiro não sai agora. Segundo a Folha, o ajuste compensa frustrações de arrecadação, como a taxação de dividendos, que rendeu bem menos que os quase R$ 29 bilhões prometidos e já tinha sido alvo de alerta do TCU, o tribunal que audita as contas federais, além de R$ 3,9 bilhões a menos em dividendos de estatais."Por enquanto, não vou liberar agora. Vou examinar os pedidos dos órgãos. É prudente que a gente mantenha uma margem. (...) Os recursos serão liberados se houver necessidade de fazê-lo", disse Moretti.

RARafael Albuquerque
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BC corta previsão de crescimento do PIB para 1,8% em 2026 e estima 1,4% em 2027

O Banco Central cortou de 2% para 1,8% sua previsão de crescimento do PIB deste ano e apresentou a primeira estimativa para 2027: alta de 1,4%. Os números estão no Relatório de Política Monetária do terceiro trimestre, divulgado nesta quinta-feira (24). Na prática, o país deve produzir, contratar e conceder aumentos salariais mais devagar do que em 2025, quando o PIB cresceu 2,3%, segundo o IBGE.Para dimensionar a desaceleração: a diferença entre os 2,3% de 2025 e os 1,4% projetados para 2027 é de 0,9 ponto percentual. Sobre um salário de R$ 4 mil por mês, isso equivaleria a cerca de R$ 36. É como se a economia inteira recebesse um aumento um pouco menor a cada ano.Por que o corteSegundo o BC, a revisão deste ano incorpora os primeiros indicadores do terceiro trimestre, que apontam atividade mais fraca que o previsto, e uma "composição menos favorável do crescimento" no segundo trimestre. O PIB do segundo trimestre veio um pouco acima do esperado, mas puxado por setores que dependem pouco do bolso das famílias."Embora o resultado agregado do PIB tenha superado ligeiramente o esperado, as surpresas positivas concentraram-se em segmentos menos sensíveis ao ciclo econômico, notadamente a agropecuária e a indústria extrativa. Os setores mais cíclicos da oferta e o consumo das famílias, por sua vez, surpreenderam em sentido oposto", escreveu o BC.Em outras palavras, o agronegócio e a extração mineral seguraram o resultado, enquanto o consumo das famílias decepcionou.Entenda: o PIB (Produto Interno Bruto) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, do pão da padaria ao aplicativo de celular. O Relatório de Política Monetária é o documento trimestral em que o BC explica suas decisões de juros e publica as projeções oficiais para PIB e inflação.Juros altos e impulso menor em 2027Para 2027, primeiro ano do próximo mandato presidencial, o BC projeta "expansão moderada" e lista os freios: juros mantidos em "terreno contracionista", ou seja, em nível alto o bastante para frear consumo e investimento; pouca capacidade ociosa, com fábricas e serviços operando perto do limite; cenário externo incerto; e diminuição dos impulsos fiscal e de crédito. Espera-se, ainda, contribuição menor da agropecuária e da indústria extrativa, os dois setores que puxaram o crescimento deste ano.Em ano eleitoral, o governo tentou acelerar a economia com linhas de crédito subsidiado para caminhoneiros, taxistas, microempreendedores, reforma de imóveis e renegociação de dívidas. O BC espera que esse impulso diminua no ano que vem.A taxa básica de juros, a Selic, que influencia as parcelas do crediário e o rendimento da poupança, está em 13,75% ao ano após cinco cortes seguidos, e segue entre as mais altas do mundo em termos reais, segundo o g1. O BC também não espera que a inflação volte ao centro da meta, de 3% ao ano, antes de 2029, de acordo com a Folha. No horizonte que a autoridade mira ao calibrar os juros, o primeiro trimestre de 2028, a projeção é de 3,2%.Choque com o Orçamento de 2027As projeções do BC ficam abaixo das contas do governo, e a diferença pesa no caixa. O Ministério da Fazenda prevê crescimento de 2,3% em 2027, número revisado para baixo nesta semana, e o projeto de Orçamento enviado ao Congresso no fim de agosto trabalha com 2,46%, segundo o g1. Já os economistas do mercado, ouvidos no boletim Focus de segunda-feira (21), levantamento semanal do BC, estimam 1,43%, praticamente em linha com a projeção da autoridade monetária.Menos PIB significa menos impostos arrecadados. A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão do Senado que fiscaliza as contas públicas, projeta déficit de R$ 86,1 bilhões em 2027, contra superávit de R$ 18,6 bilhões previsto pela equipe econômica. Para cumprir a meta fiscal, o próximo governo terá de bloquear gastos no início do mandato, avalia a IFI.

RARafael Albuquerque
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Trump estuda vetar exportação de diesel dos EUA por 90 dias; Brasil fica em alerta

Cerca de 80% do diesel importado pelo Brasil em setembro veio dos Estados Unidos, segundo a Folha de S.Paulo. Nesta quarta-feira (23), o site Politico revelou que a Casa Branca finaliza um plano para barrar as exportações americanas do combustível por 90 dias, e a combinação acendeu o alerta no mercado brasileiro. Como o diesel move os caminhões que levam comida e insumos ao consumidor, um aperto na oferta costuma aparecer primeiro no frete e depois na conta do supermercado.Nos EUA, o litro do combustível custava nesta quarta o equivalente a US$ 1,72 (US$ 6,52 o galão de 3,79 litros), 76% mais do que há um ano e 91 centavos mais alto que há uma semana, segundo dados da associação automobilística AAA citados pela InfoMoney. É como se um abastecimento que custava R$ 300 há um ano passasse a custar mais de R$ 500 hoje. O objetivo da Casa Branca é derrubar os preços de energia antes das eleições de meio de mandato de novembro, quando se renovam cadeiras do Congresso americano e as pesquisas apontam uma vitória forte do Partido Democrata.O plano tem críticos no setor petrolífero, no Congresso e dentro do próprio governo americano. Segundo o Politico, os produtores alertam que o alívio de curto prazo seria compensado por uma alta posterior, inclusive do querosene de aviação, porque as refinarias reduziriam a produção ao perder os clientes estrangeiros; uma fonte descreveu na Casa Branca uma "preocupação apocalíptica com os preços nos postos". Donald Trump estaria inclinado a anunciar a medida ainda nesta semana e, se for aprovada, será a primeira restrição às exportações de energia dos EUA desde 2015, quando o então presidente Barack Obama liberou a venda de petróleo bruto ao exterior depois de décadas de proibição.Por que o Brasil está expostoO Brasil refina a maior parte do diesel que consome, mas o que falta vem de fora, e dos americanos em especial. Em outubro do ano passado, o país importou 1,6 bilhão de litros do combustível, segundo a ANP, a agência que regula petróleo e combustíveis; para este outubro, a Petrobras já fechou a compra de 650 milhões de litros no exterior, menos da metade do volume de um ano atrás. Outubro é mês de pico de consumo, quando o campo planta a safra de verão e o milho recém-colhido chega ao consumidor de caminhão.Entenda: um veto às exportações não desliga as refinarias americanas, só muda o destino do combustível. O diesel que seria embarcado para compradores como o Brasil fica retido no mercado interno dos EUA, o preço lá dentro cai e o preço lá fora sobe, porque os importadores passam a disputar um volume menor. É por isso que analistas citados pela imprensa americana dizem que a medida alivia o consumidor dos EUA no curto prazo e encarece o combustível no resto do mundo, incluindo o Brasil.Empresas dizem estar preparadasA diretora de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Angélica Laureano, afirmou que "as compras para outubro já estão realizadas" e que não está previsto importar volume grande em novembro, quando a refinaria Repar, no Paraná, volta de uma manutenção programada. Ernesto Pousada, presidente da Vibra, a maior distribuidora do país, disse que a empresa pode ampliar as importações mesmo pagando de R$ 2 a R$ 3 a mais por litro fora, diferença que somaria cerca de R$ 180 num tanque de 60 litros. Para ele, o principal efeito seria sobre o preço, não sobre a disponibilidade: fornecedores que tradicionalmente vendiam ao Brasil já deixaram o mercado, "e em nenhum momento faltou diesel para os nossos clientes".

RARafael Albuquerque
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BC exigirá aviso ao Coaf para transferências de cripto de US$ 10 mil ou mais

US$ 10 mil, cerca de R$ 51 mil segundo a Folha de S.Paulo, é o valor a partir do qual transferências de criptomoedas passarão a ser comunicadas ao Coaf. O Banco Central anunciou nesta quarta-feira (23) que movimentações desse tamanho ou maiores em carteiras autocustodiadas, as que os próprios usuários controlam, terão de ser comunicadas a partir de 1º de outubro. Na prática, o investidor que aplica algumas centenas de reais por mês e deixa os ativos na corretora não sente mudança.Segundo o BC, a mudança aperfeiçoa as normas de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo. Hoje a informação sobre essas carteiras é menor do que a dos ativos guardados por instituições autorizadas pelo próprio BC, o que restringe o monitoramento do regulador. A maior parte das medidas vale a partir de 1º de outubro, e itens ligados ao envio de dados só produzem efeitos em 1º de janeiro de 2027."As alterações têm como objetivo fortalecer a segurança e a integridade do mercado de ativos virtuais, ao mesmo tempo em que proporcionam maior previsibilidade para os participantes do setor e permitem o adequado processamento das informações necessárias à supervisão", afirmou o BC em nota.Entenda: carteira autocustodiada é aquela em que o próprio usuário controla o acesso aos ativos, sem depender de corretora ou banco. O Coaf, Conselho de Controle de Atividades Financeiras, centraliza as comunicações de operações do sistema financeiro para fins de prevenção à lavagem de dinheiro. Para dar dimensão ao limite: quem poupa R$ 500 por mês levaria oito anos e meio para acumular R$ 51 mil.O que mais mudaOperações de câmbio com entrega ou recebimento de moeda estrangeira em espécie de US$ 10 mil ou mais também passam às comunicações automáticas ao Coaf. Segundo o BC, o objetivo é dar tratamento regulatório mais uniforme ao segmento. Instituições autorizadas também ganham prazo operacional atualizado para deixar de operar com entidades que não tenham autorização do BC nem processo de autorização em andamento.A decisão completa a regulação das prestadoras de serviços de ativos virtuais, criada em novembro de 2025. Na época, o BC passou a exigir autorização formal antes do início das atividades, com capital mínimo entre R$ 10,8 milhões e R$ 37 milhões, a depender dos serviços oferecidos. É um valor entre cerca de 210 e 725 vezes os R$ 51 mil do novo limite de comunicação.As empresas se enquadram em três tipos: intermediárias, que apenas conectam negócios; custodiantes, que guardam os ativos; e corretoras, que acumulam as duas funções. Pela norma de 2025, elas devem informar riscos, taxas e políticas de segurança com clareza. Também precisam avaliar o perfil de risco de cada cliente antes de liberar operações mais complexas, segundo o InfoMoney.

RARafael Albuquerque
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Home office chega a 7,9% dos empregados e segue acima do nível pré-pandemia

7,9% dos brasileiros empregados trabalhavam de casa em 2025. São 6,6 milhões de pessoas de 14 anos ou mais, um contingente do tamanho da população da cidade do Rio de Janeiro. Na prática, em uma equipe de 100 pessoas, cerca de oito seguem no modelo que a pandemia popularizou, duas a mais do que antes de 2020.Os dados são da Pnad Contínua, o principal levantamento de emprego do IBGE, divulgados nesta quarta-feira (23). O percentual ficou estável na comparação com 2024 e segue acima dos 5,8% de 2019, último ano antes da pandemia. O ponto mais alto da série foi em 2022, com 8,4%.Enquanto o trabalho em casa estacionou, o presencial cresceu. A fatia de quem atua em estabelecimentos do próprio empreendimento subiu de 57,9% em 2022 para 60,2% em 2025, o equivalente a seis em cada dez trabalhadores. Outros 13,8% trabalham em locais definidos pelo empregador ou pelo cliente, 8,4% em fazendas e sítios, 5% em veículos e 2,1% em vias ou áreas públicas, segundo o IBGE.Como o IBGE faz a contaEntenda: a Pnad Contínua é a pesquisa que o IBGE aplica todo mês em milhares de domicílios para medir emprego e renda. O módulo divulgado agora registra o local onde a pessoa trabalha com mais frequência, explica o pesquisador do instituto William Araujo Kratochwill. Por isso, um híbrido com três dias de home office e dois no escritório entra na estatística do trabalho em casa, e o contrário também vale.A série mostra uma mudança duradoura. Em 2012, primeiro ano da medição, apenas 3,6% dos ocupados trabalhavam em casa, menos da metade do percentual atual. O IBGE suspendeu a coleta do módulo em 2020 e 2021 por causa das restrições sanitárias, o que impede medir o auge da pandemia.Porto Alegre lidera, e o escritório avançaO mapa do trabalho remoto é desigual. Ceará (10,7%), Distrito Federal (10,6%) e Rio de Janeiro (10,1%) passaram dos 10% em 2025, enquanto Acre (3,6%), Rondônia (4,1%) e Mato Grosso (4,5%) ficaram abaixo de 5%. Entre as capitais, Porto Alegre lidera com 18,7%, quase um trabalhador em casa a cada cinco, e Porto Velho aparece com 4,2%; a capital paulista marca 9,3%, e o estado, 8,1%, segundo a Folha de S.Paulo.O retorno ao presencial tem explicação e custo. Segundo levantamento da consultoria Robert Half citado pelo g1, quem trabalha em construção e engenharia passa em média 4,8 dias por semana no local de trabalho, contra 3,3 dias no setor de serviços. Na pesquisa da WeWork em parceria com a Offerwise, 65% dos trabalhadores presenciais apontam o deslocamento como a principal desvantagem, um gasto de tempo e transporte que a gerente da WeWork Brasil, Beatriz Kawakami, chama de "custo silencioso".

RARafael Albuquerque
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Home office fica em 7,9% e segue acima do nível pré-pandemia, mostra IBGE

7,9% das pessoas ocupadas no Brasil trabalhavam principalmente de casa em 2025, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (23) pelo IBGE. São 6,6 milhões de pessoas com 14 anos ou mais, um contingente do tamanho da população da cidade do Rio de Janeiro, como observa a Folha de S.Paulo. O percentual segue acima do nível pré-pandemia, de 5,8% em 2019.A leitura prática: em uma equipe de 100 pessoas, oito cumprem hoje a maior parte da jornada de casa. Em 2019, eram seis a cada 100, e no início da série histórica, em 2012, menos de quatro (3,6%). Na comparação com 2024, o patamar ficou estável, mostra a Folha.O pico do trabalho em casa veio em 2022, com 8,4%, e a fatia recuou desde então. Ao mesmo tempo, cresceu o trabalho em local fixo: 60,2% atuavam em 2025 em estabelecimentos do próprio empreendimento, contra 57,9% em 2022, conforme o g1. Outras parcelas se dividem entre locais definidos pelo empregador ou cliente (13,8%), fazendas, sítios e chácaras (8,4%), veículos (5%) e vias ou áreas públicas (2,1%).Entenda: a PNAD Contínua é a principal pesquisa de emprego do país; o IBGE visita milhares de domicílios todos os meses e, no módulo anual Características Adicionais do Mercado de Trabalho, divulgado agora, pergunta onde cada pessoa trabalha com mais frequência. Pela regra, um profissional híbrido com três dias em casa e dois na empresa entra na conta do trabalho remoto. O módulo não foi aplicado em 2020 e 2021, no auge da pandemia, por isso o pico real do fenômeno não pode ser medido com precisão.Onde o trabalho remoto avançaO mapa por estados mostra contrastes fortes. Ceará (10,7%), Distrito Federal (10,6%) e Rio de Janeiro (10,1%) têm mais de 10% da força de trabalho em casa. No outro extremo, Acre (3,6%), Rondônia (4,1%) e Mato Grosso (4,5%) não chegam a 5%, e São Paulo, o estado, registra 8,1%, praticamente a média nacional.Entre as capitais, a distância é ainda maior. Porto Alegre lidera, com 18,7% dos trabalhadores atuando de casa, quase um em cada cinco. Porto Velho tem o menor índice, 4,2%, e a cidade de São Paulo marca 9,3%, aponta a Folha.A volta ao escritórioOutras pesquisas citadas pelo g1 mostram que o retorno ao presencial tem sido, em geral, decisão da empresa. Em levantamento da WeWork com a Offerwise, 63% dos trabalhadores atuam presencialmente e, entre eles, 79% seguem o modelo por determinação da companhia. O trajeto virou o incômodo principal: 65% apontam o deslocamento como a maior desvantagem, e mais da metade diz gastar mais com transporte desde a volta.A gerente de negócios da WeWork Brasil, Beatriz Kawakami, chama esse efeito de "custo silencioso": o gasto não aparece no contracheque, mas corrói tempo livre e orçamento doméstico. As vagas 100% remotas também perderam espaço nas plataformas de contratação, segundo a Gupy, e as ofertas presenciais e híbridas passaram a dominar. Na construção civil e engenharia, a média é de 4,8 dias presenciais por semana, contra 3,3 no setor de serviços, aponta a consultoria Robert Half.

RARafael Albuquerque
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Receita corta estimativa de arrecadação com dividendos a R$ 10,5 bi em 2026

R$ 10,5 bilhões. É quanto a Receita Federal agora espera arrecadar em 2026 com o imposto sobre dividendos, menos da metade dos R$ 29 bilhões previstos quando o tributo foi criado. Para o contribuinte, nada muda de imediato: o imposto segue cobrado como está, e a diferença fica com o caixa do governo, que contava com essa receita para compensar a ampliação da faixa isenta do Imposto de Renda.O corte foi anunciado nesta terça-feira (22) por Claudemir Malaquias, chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita, segundo a Folha de S.Paulo. A estimativa anterior, de R$ 17,2 bilhões, tinha sido divulgada há cerca de dois meses. Em oito semanas, a projeção caiu R$ 6,7 bilhões.Em valores do dia a dia, os R$ 10,5 bilhões equivalem a pouco mais de R$ 50 por habitante. De janeiro a agosto, o imposto rendeu R$ 4,03 bilhões, segundo a Receita. É pouco mais de R$ 2 para cada R$ 1.000 arrecadados pelo governo federal no período, que somou R$ 2,019 trilhões.Por que a estimativa caiuEntenda: dividendos são a fatia do lucro que as empresas distribuem a sócios e acionistas. Desde o início do ano, esses pagamentos acima de R$ 50 mil pagam 10% de Imposto de Renda, e a mesma alíquota incide sobre lucros remetidos ao exterior. Antes disso, os dividendos eram isentos.Do total recolhido até agosto, R$ 2,615 bilhões vieram de dividendos acima de R$ 50 mil distribuídos no país, e R$ 1,415 bilhão, da cobrança de 10% sobre dividendos remetidos para fora. A queda da projeção tem explicação que a própria Receita já conhecia: muitas empresas anteciparam a distribuição de lucros em 2025, antes de o imposto valer, para escapar da cobrança. "A cada mês os valores (arrecadados) foram crescendo. Estatisticamente, estamos fazendo uma inferência de que continuará crescendo até o final do ano, isso dá os R$ 10 bilhões", disse Malaquias.A diferença em relação à estimativa original soma R$ 18,5 bilhões que não entrarão no orçamento deste ano como planejado. Segundo Malaquias, os novos números serão incorporados às projeções fiscais que o governo apresenta nesta semana. O ajuste chega na mesma semana de um recorde: em agosto, a arrecadação federal somou R$ 235,5 bilhões, alta real de 8,25% sobre o mesmo mês de 2025, informou a Agência Brasil.

RARafael Albuquerque
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Fazenda corta previsão de crescimento da economia para 2% em 2026

O Ministério da Fazenda agora espera que a economia brasileira cresça 2% neste ano, e não os 2,3% previstos em julho. A diferença aparece no bolso: sobre um salário de R$ 3.000, um reajuste de 2% rende R$ 60 a mais por mês, contra os R$ 69 do cálculo antigo. São R$ 108 a menos no ano, e um crescimento menor costuma vir com menos vagas novas e negociações salariais mais apertadas.A revisão está no Boletim Macrofiscal, divulgado nesta terça-feira (22). Segundo o governo, os serviços, o setor que vai do barbeiro ao aplicativo de entrega, perderam força, com projeção cortada de 2,4% para 1,8%. A indústria recuou de 2,1% para 1,7%, e só o agro subiu, de 1,8% para 2,8%.O peso das dívidas das famíliasA dívida das famílias é o motivo central do corte. "Ainda que o endividamento das famílias siga estável em proporção da renda, o comprometimento com o serviço da dívida atingiu o maior nível da série histórica no segundo trimestre", explica o ministério. Ou seja: a fatia do salário comprometida com parcelas nunca foi tão grande, e sobra menos para o mercado, os restaurantes e o lazer.Nem tudo piora: o documento cita o mercado de trabalho ainda firme e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, que deixa mais dinheiro no bolso no segundo semestre, como travas da desaceleração.Entenda: o Boletim Macrofiscal sai a cada dois meses, pela Secretaria de Política Econômica, e reúne as projeções oficiais de crescimento e inflação que guiam o orçamento da União. O PIB é a soma de tudo o que o país produz em um ano. Crescer 2% equivale a produzir R$ 20 a mais para cada R$ 1.000 gerados no ano anterior.Inflação e 2027A inflação também mudou de rumo: a projeção para o IPCA, o índice oficial de preços, caiu de 5,1% para 4,9% neste ano. É pouco na conta: uma cesta de compras de R$ 500 terminaria o ano custando R$ 524,50, um real a menos que os R$ 525,50 da projeção antiga. Pesaram o IPCA de julho, abaixo do esperado, e os preços mais calmos da alimentação em casa.Para 2027, o crescimento esperado caiu de 2,5% para 2,3%, e a inflação subiu de 3,6% para 3,8%, com o El Niño pressionando a safra. Segundo a Reuters, a Fazenda passou a trabalhar com uma Selic, a taxa básica de juros que define o preço das parcelas e do crédito, um pouco mais alta, com cortes mais graduais. O petróleo também pesa: a previsão do barril subiu de US$ 79,2 para US$ 87,7 neste ano, reflexo do conflito entre Estados Unidos e Irã.

RARafael Albuquerque
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Arrecadação federal bate recorde de agosto com R$ 235,6 bilhões, diz Receita

O governo federal arrecadou R$ 235,6 bilhões em impostos e contribuições em agosto, o maior valor para o mês desde o início da série histórica da Receita Federal, em 1995. O G1 informa R$ 235,6 bilhões, enquanto a Agência Brasil contabiliza R$ 235,5 bilhões. Para o cidadão, o número significa que o caixa que paga o Bolsa Família e o sistema público de saúde recebeu mais dinheiro num ano em que as contas do governo continuam no vermelho.O resultado representa alta real de 8,25% sobre agosto do ano passado, quando o caixa somou R$ 217,6 bilhões já corrigidos pela inflação. Na comparação do dia a dia: de cada R$ 100 que entraram há um ano, entraram R$ 108,25 agora. Os cerca de R$ 18 bilhões extras equivalem a mais da metade do superávit de R$ 34,3 bilhões que o governo quer apresentar no ano inteiro.A Receita credita o desempenho ao crescimento da economia, segundo a Agência Brasil: mais vendas elevaram o PIS e a Cofins, tributos sobre o faturamento, e mais salários e lucros engordaram o Imposto de Renda retido na fonte e os impostos das empresas (IRPJ e CSLL). Pesaram também os aumentos aprovados no governo Lula, como a taxação de offshores e fundos exclusivos, a reoneração da folha de pagamento e o início do cobro sobre as bets, as casas de apostas online. O petróleo deu empurrão extra: com o barril mais caro por causa da guerra entre Estados Unidos e Irã, só o imposto sobre a exportação de óleo bruto rendeu R$ 1,9 bilhão no mês.Entenda: a arrecadação federal é a soma de tudo que o governo central recolhe de impostos, contribuições e outras receitas, do Imposto de Renda ao IOF, o tributo sobre operações financeiras. Não entram nessa conta os tributos de estados e municípios. Dizer que houve "alta real" significa que o valor cresceu mesmo depois de descontar a inflação: o caixa ganhou poder de compra, não só números maiores.No acumulado de janeiro a agosto, a arrecadação somou R$ 2,11 trilhões sem correção pela inflação, e R$ 2,13 trilhões em valores deflacionados, alta real de 7,12% sobre o mesmo período de 2025, quando chegou a R$ 1,98 trilhão, segundo o G1. Também é recorde para o período. A Agência Brasil, contando apenas as receitas administradas pela Receita, aponta R$ 2,019 trilhão.Por que o recorde ainda não fecha as contasMesmo com o caixa cheio, o governo deve fechar 2026 no vermelho. A meta oficial é um superávit de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34,3 bilhões, mas a regra do arcabouço fiscal permite tirar do cálculo R$ 57,8 bilhões em despesas, como precatórios, os pagamentos de sentenças judiciais. Com essa conta feita, a previsão é um rombo real de R$ 23,3 bilhões, e as contas seguem negativas ao longo de todo o terceiro mandato do presidente Lula (PT), segundo o G1.Um alerta veio junto com o recorde. O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita, Claudemir Malaquias, disse que a estimativa de arrecadação com o imposto sobre quem ganha mais de R$ 600 mil por ano caiu para R$ 10,5 bilhões neste ano, contra R$ 29 bilhões previstos inicialmente. Esse dinheiro devia bancar a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, e o governo terá de anunciar outra fonte de recursos no relatório de orçamento previsto para quinta-feira (24).

RARafael Albuquerque
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Ata do Copom: economia perde força com juros altos e inflação segue em queda

A Selic está em 13,75% ao ano, e é esse nível de juros que aparece mordendo a economia: na ata divulgada nesta terça-feira (22), o Copom avaliou que a atividade econômica perdeu força sob efeito da política monetária, enquanto a inflação cai. Para a família, o saldo é duplo. O crédito e os parcelamentos seguem caros, mas a conta do supermercado sobe em ritmo menor.O documento é da reunião realizada na semana passada, quando o comitê cortou a taxa de 14% para 13,75%, o quinto corte seguido. A prova mais clara da freada é o PIB (soma dos bens e serviços produzidos no país) do segundo trimestre: alta de 0,5% frente aos três meses anteriores, menos da metade dos 1,1% do início do ano, segundo o IBGE. O recuo do consumo das famílias puxou o indicador para baixo."A leitura mais recente do PIB, referente ao segundo trimestre de 2026, confirmou a desaceleração apontada por outros indicadores e revelou que o movimento foi mais intenso nas atividades econômicas e nos componentes da demanda mais sensíveis ao ciclo econômico", diz a ata.Crédito caro freia consumoO crédito mostra a mesma freada. Nas linhas de recursos livres, em que bancos e clientes negociam taxas livremente, a ata registra desaceleração nas modalidades de prazo mais longo, como o financiamento de veículos. A exceção é o crédito direcionado, que tem regras e juros menores por decisão do governo e segue em expansão, sobretudo no imobiliário, depois de medidas do governo Lula para estimular o consumo em ano eleitoral.Entenda: o Copom é o comitê de diretores do Banco Central que define a Selic, a taxa básica de juros da economia. Quando a Selic sobe, o crédito fica mais caro, empréstimos, investimentos e consumo esfriam, e a pressão sobre os preços cai; é assim que o BC persegue a meta de inflação. A ata, divulgada dias depois de cada reunião, mostra como os diretores chegaram à decisão.Inflação cai, mas com ajuda temporáriaNo campo dos preços, a ata aponta queda da inflação ao consumidor, tanto no índice cheio quanto nas medidas subjacentes, que filtram itens voláteis para mostrar a tendência. O IPCA (índice oficial de preços ao consumidor) acumula 4,22% em 12 meses até agosto: a cesta que custava R$ 100 em agosto do ano passado custa hoje R$ 104,22. O número segue acima da meta de 3%, mas está dentro do intervalo de tolerância, que vai de 1,5% a 4,5%.A queda, porém, tem um empurrão temporário: a conta de luz caiu com o bônus de Itaipu, que não se repete. "Embora a política monetária esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo", diz a ata. O documento ainda alerta que o relaxamento fiscal e a expansão do crédito direcionado podem elevar o juro necessário para conter os preços.As projeções seguem acima da meta em todos os horizontes, aponta a ata: o mercado financeiro estima 4,92% para 2026, 4,3% para 2027 e 3,80% para 2028, segundo o G1. Diante disso, o BC promete "perseverança, firmeza e serenidade" e evita antecipar o próximo passo. O mercado, porém, já aposta em mais um corte neste ano, com a Selic fechando 2026 em 13,50% ao ano.

RARafael Albuquerque
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Selic em 13,75%: BC promete 'restrição adequada' e não antecipa novos cortes

A Selic caiu para 13,75% ao ano na semana passada, o quinto corte seguido do Comitê de Política Monetária (Copom), e a ata da reunião, divulgada nesta terça-feira (22), não dá pistas sobre o que vem depois. Para quem paga parcela de casa, carro ou cartão, a mensagem é de alívio lento: o crédito continua caro enquanto a inflação não voltar à meta. O Banco Central reafirmou que vai conduzir a política de juros com "perseverança, firmeza e serenidade".Na prática, o comitê assumiu o compromisso de manter a "restrição adequada", o economês para juros ainda altos o bastante para frear consumo e preços. Ao não sinalizar cortes futuros, o BC deixou a porta aberta para decidir conforme o cenário em cada reunião, e o mercado financeiro já aposta em mais um corte neste ano, com a Selic terminando 2026 em 13,50% ao ano, segundo o G1. O trecho-chave da ata é este:"No contexto atual de incerteza em níveis historicamente elevados, com riscos assimétricos na direção altista para os preços, o Comitê reitera que a magnitude do ciclo de calibração [definição dos juros] será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta"Preços sobem mais que a metaA inflação oficial, medida pelo IPCA, está em 4,22% no acumulado de 12 meses até agosto, segundo dados do IBGE citados pela Folha de S.Paulo, com ajuda temporária do bônus de Itaipu na conta de luz. Na prática, a cesta de compras de uma família que gasta R$ 500 por mês no supermercado ficou cerca de R$ 21 mais cara em um ano. O número é mais de 40% acima do centro da meta, fixado em 3%, ainda que dentro do teto de 4,5%.Entenda: a Selic é o preço do dinheiro na economia, a referência que os bancos usam para definir os juros de empréstimos e financiamentos. Mantê-la em 13,75% ao ano significa que cada R$ 1.000 emprestados nessa condição custam cerca de R$ 137,50 em doze meses, sem contar tarifas e spread bancário. O efeito de uma mudança na taxa demora de seis a 18 meses para chegar por completo à economia e recai sobretudo sobre as famílias mais pobres, como lembra o G1.Economia esfria, expectativas nãoOs juros altos já freiam a atividade: o PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre, menos da metade dos 1,1% do primeiro, puxado para baixo pelo consumo das famílias, e as linhas de crédito de prazo mais longo desaceleraram, segundo a Folha. Mesmo assim, as projeções de inflação seguem acima da meta em todos os horizontes: o mercado estima 4,92% para 2026, 4,3% para 2027 e 3,80% para 2028. A ata também cita a alta do petróleo por causa do conflito no Oriente Médio: o Copom não vai reagir ao efeito primário do choque, mas reagirá "com firmeza" se surgirem efeitos de segunda ordem nos preços.O recado final é para o governo: o comitê defende "políticas fiscal e monetária harmoniosas" e alerta que a ampliação do crédito direcionado e a incerteza sobre a estabilização da dívida pública podem elevar os juros da economia. O BC mantém ainda a "firme convicção de que as políticas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas".

RARafael Albuquerque
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JBS aprova fechamento de capital e pede cancelamento de registro na CVM

Com 100% dos acionistas a favor e o aval de credores que somam R$ 400 milhões, a JBS aprovou nesta segunda-feira (21) o fechamento do capital da JBS S.A. no Brasil e pediu à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a autarquia que regula o mercado de capitais do país, o cancelamento de seu registro de companhia aberta. Para quem investe em bolsa, o efeito prático é pequeno: os papéis continuam negociados na B3, agora emitidos pela JBS N.V., sediada nos Países Baixos, e lastreados em ações da Bolsa de Nova York.Os R$ 400 milhões que destravaram a decisão correspondem a debêntures em circulação, títulos de dívida que empresas vendem a investidores. Segundo a Folha de S.Paulo, os 400 mil votos favoráveis vieram todos do Itaú Unibanco, dono da totalidade dessas debêntures, sem votos contrários nem abstenções. O valor é pequeno para o padrão da maior processadora de carnes do mundo, dona das marcas Friboi, Seara e Swift, que opera em 17 países e atende 300 mil clientes em quase 200 nações, segundo o InvestNews.Entenda: o registro na categoria A permite a uma empresa vender ações e outros títulos em mercados regulamentados brasileiros, e a categoria B cobre emissões de dívida, como as debêntures que a JBS seguirá oferecendo apenas a investidores profissionais. Com o cancelamento, a JBS S.A. deixa de ser a emissora listada no país, papel que passa a ser da JBS N.V., que já negocia BDRs na B3 sob o código JBSS32. BDR é um recibo negociado em reais que representa uma ação listada no exterior, no caso na Bolsa de Nova York.Duas décadas até a saídaA decisão chega quase duas décadas depois da estreia da JBS na bolsa brasileira, tempo em que uma criança nascida naquele ano já teria chegado à maioridade. O caminho começou em junho do ano passado, quando a companhia concluiu a dupla listagem, estrutura em que as mesmas ações circulam em duas bolsas ao mesmo tempo. Desde então, os papéis que rodavam na B3 pelo código JBSS3 viraram BDRs atrelados às ações da Bolsa de Nova York.A saída ainda depende de análise formal da CVM, embasada na Resolução 80 de 2022, que define as regras de registro e cancelamento de emissores. Até a decisão final, a companhia segue obrigada a divulgar informações ao mercado, como fatos relevantes, segundo o Poder360. A JBS afirma que o aval dos credores não é uma renegociação de dívida e que direitos, obrigações e garantias da escritura de emissão continuam válidos.A mudança coincide com a troca de comando marcada para janeiro de 2027, quando Wesley Batista Filho assume o posto de CEO no lugar de Gilberto Tomazoni. Na semana passada, o conglomerado da família Batista, a J&F, pediu à CVM registro na categoria B, que permite emitir dívida sem abrir capital para ações, segundo o InvestNews. Para o mesmo veículo, o cancelamento não altera os papéis negociados na B3 e na Bolsa de Nova York, já que a emissora das ações é a JBS N.V. desde a dupla listagem.

RARafael Albuquerque
Economy

Lula chama Trump de 'imperador' e estuda sobretaxa de resposta ao tarifaço de até 37,5%

Até 37,5%. É a sobretaxa máxima que os Estados Unidos cobram hoje sobre produtos brasileiros, e foi o tema central da entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à CNN, nesta segunda-feira (21), em Nova York. Na conversa com a jornalista Christiane Amanpour, o petista disse que o americano Donald Trump "age como um imperador" e que avalia como aplicar a reciprocidade, caso a negociação do tarifaço não avance.O número pesa no bolso antes de chegar à mesa. Para cada US$ 1.000 em mercadorias vendidas aos EUA, até US$ 375 ficam retidos como imposto na fronteira americana, o que encarece o produto diante de concorrentes de outros países. Fábricas e fazendas que exportam sentem o efeito em encomendas, produção e empregos.Lula voltou a uma crítica que já fez em outras viagens. Segundo o G1, ele classificou a postura de Trump como a "lei do mais forte"; para a Folha de S.Paulo, disse que o republicano "tem o direito de governar os Estados Unidos, mas não direito de governar outros países". À CNN, chamou o unilateralismo de "muito perigoso" e defendeu o multilateralismo, com comércio equilibrado entre países."Ele age como imperador. É um jeito de governar que eu não concordo. Quando você diz: 'Eu sou forte, eu sou o maior, eu sou o mais rico, eu posso tudo e o restante tem que obedecer'... É a chamada lei do mais forte, eu não concordo com esse tipo de lei."Apesar da crítica, Lula disse que vai esgotar a negociação antes de qualquer represália. "Eu não pretendo entrar em guerra tarifária nem com os EUA e nem com ninguém, eu quero negociar", declarou, lembrando que aprendeu a negociar na vida sindical. Ele lembrou ainda que o Brasil tem déficit na balança comercial com os EUA, ou seja, compra mais dos americanos do que lhes vende, e que por isso considera as tarifas injustas.EntendaO tarifaço americano soma duas cobranças: uma taxa de 25% ancorada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, motivada por disputas envolvendo o Pix, a regulação de plataformas digitais e o etanol, e mais 12,5% sob a alegação de falhas na fiscalização contra o trabalho forçado. A Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso, autoriza o governo brasileiro a sobretaxar produtos americanos em resposta a barreiras consideradas injustas. O Brasil já a acionou formalmente e abriu consultas na OMC (Organização Mundial do Comércio), mas nenhuma retaliação prática foi aplicada até agora.Na prática, carne bovina, café e celulose entraram na lista de isenções americanas, enquanto etanol e maquinário agrícola passaram a ser atingidos diretamente. Lula disse que o governo precisa definir quais produtos de interesse dos EUA entrariam na Lei de Reciprocidade. "Caso não seja possível porque os EUA não querem, a gente vai ter que tomar atitudes", afirmou.Lula está em Nova York para o discurso de abertura do Brasil na Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22), e não há encontro bilateral confirmado com Trump. Em ano de eleição presidencial, com o petista candidato à reeleição, ele também disse à CNN que Trump afirmou a interlocutores que não interferirá no pleito brasileiro, segundo o InfoMoney. E classificou como "grave" a ação militar americana na Venezuela, que capturou Nicolás Maduro em janeiro, defendendo eleições no país vizinho.

RARafael Albuquerque
Petrobras

CVM aprova OPA da Braskem: fundo da IG4 poderá comprar 100% das ações em Bolsa

100% das ações da Braskem que circulam na Bolsa poderão ser vendidas ao fundo Shine I, da gestora IG4 Capital. A liberação veio nesta segunda-feira (21), quando a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que fiscaliza o mercado de capitais, deferiu o registro da oferta pública de aquisição (OPA) da petroquímica. Para quem tem os papéis na corretora, isso significa poder escolher, publicada a oferta, entre vender ao fundo ou seguir como sócio minoritário.A oferta, detalhada em comunicado da própria Braskem, alcança todas as ações ordinárias e preferenciais em circulação que não entraram no acordo de acionistas firmado com a Petrobras. A B3, bolsa de valores de São Paulo, já autorizou a realização do leilão da operação em seus ambientes de negociação. A data do leilão e as regras de participação só serão conhecidas com a publicação do edital, que ainda está pendente.Entenda: a OPA funciona como um leilão aberto a todos os donos de ações de uma empresa. Quem lança a oferta se compromete a comprar os papéis de quem quiser vender, todos sob as mesmas regras. No Brasil, a CVM precisa registrar a operação antes, e a compra acontece em leilão único na bolsa.Como será o pagamentoO pagamento aos que aderirem será feito com debêntures, títulos de dívida emitidos pela NSP Investimentos, holding não financeira controlada pela Novonor, antiga Odebrecht, segundo o Valor Econômico. A Braskem informou que a oferta reproduzirá, por ação, a mesma contraprestação entregue pelo fundo à Novonor quando assumiu o controle. Em junho, essa contraprestação somou cerca de 547 milhões de debêntures da primeira série e 273 milhões da segunda, mais de 820 milhões de títulos no total, quase quatro para cada habitante do Brasil.Esses títulos nasceram de uma dívida antiga: a IG4 assumiu cerca de R$ 20 bilhões em compromissos que a Odebrecht tinha com grandes bancos, conforme a Folha. É um valor equivalente a praticamente R$ 100 por brasileiro, contando os mais de 200 milhões de habitantes do país. A mesma estrutura de junho será agora oferecida ao mercado.Quem controla a BraskemEm junho, o Shine I virou controlador com 50,11% do capital votante, contra 47,03% da Petrobras, substituindo a Novonor como sócia da estatal, uma diferença de pouco mais de 3 pontos. No capital total, que inclui as ações preferenciais, a estatal segue maior: 36,15% contra 34,32%. A oferta não vale para investidores residentes nos Estados Unidos e não inclui os ADSs, recibos de ações da Braskem negociados em Nova York.

RARafael Albuquerque
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Apostadores do Sicredi têm inadimplência 40% maior que a de não apostadores

40% maior: é a inadimplência registrada entre os associados do sistema Sicredi que apostaram em bets durante o ano de 2025, na comparação com os associados que não apostaram. Para o bolso, isso significa que quem aposta online fica mais vezes sem dinheiro na hora de pagar a parcela do carro, a conta de luz ou o cartão de crédito. O levantamento é da própria instituição financeira e foi divulgado no domingo (20) pelo jornal Folha de S.Paulo.O Sicredi, um dos maiores sistemas de banca cooperativa do país, reúne mais de 90 cooperativas de crédito, com 10,5 milhões de associados em todos os estados, mais gente que a população de Portugal. O estudo olhou para 1,3 milhão de associados que apostaram no ano passado, um contingente comparável ao da população de Porto Alegre. O critério: pessoas físicas com operações de crédito vigentes em julho de 2026, com verificação de quem havia feito apostas online entre janeiro e dezembro de 2025.Mais frequência, mais atrasoA pesquisa identificou uma correlação entre a inadimplência e a frequência e o montante das apostas: quanto mais vezes e quanto maior o valor apostado, maior o atraso nos pagamentos. Entre os próprios apostadores, os que jogam com mais frequência têm inadimplência 40% maior do que os que apostam apenas ocasionalmente. "Foi uma surpresa [negativa]. Nossos achados aqui em relação a esse projeto são importantíssimos", disse o diretor-presidente do banco cooperativo, César Gioda Bochi, à Folha.Entenda: inadimplência é o nome técnico para contas vencidas, em geral após 30 dias de atraso, como uma parcela de empréstimo ou a fatura do cartão. O nome do devedor costuma ir para os registros de proteção ao crédito, o famoso "nome sujo", o que encarece ou até bloqueia um novo crédito. O levantamento do Sicredi mostra uma correlação estatística entre apostar e atrasar, não uma causalidade comprovada.O número é o dobro do encontrado no estudo do Insper e da empresa de pagamentos Stone, divulgado no início de setembro, segundo o qual as pessoas com pagamentos em atraso são, em média, 20% mais frequentes entre os apostadores; no cartão de crédito, o atraso chega a quase 40%. Segundo esse trabalho, cerca de 25 milhões de pessoas apostaram em plataformas reguladas em 2025, mais que a população do estado do Rio de Janeiro. "O que o estudo confirma é que as bets têm provocado um efeito deletério sobre o endividamento", disse o economista da StoneCo Rômullo Carvalho, citado pela CNN Brasil."O que está disponível para pagar as parcelas de crédito fica menor e leva a uma maior inadimplência. Então é algo relevante no processo de recuperação econômica", diz Bochi.Segundo o executivo, 50% da renda anual das famílias já está comprometida com dívidas, o equivalente a seis meses de trabalho por ano só para cobrir parcelas. A inadimplência maior entre apostadores retira capacidade de pagamento e dificulta a recuperação econômica. "Não é somente na pessoa física urbana, mas também no contexto do produtor rural", afirma.Banco Central acompanha o impactoOs resultados preliminares foram levados à diretoria do Banco Central, que analisa o efeito das apostas online, reguladas no país desde janeiro de 2025, sobre o endividamento para adotar eventuais medidas corretivas. A preocupação atual da autoridade é a correlação entre apostas e inadimplência no Pronaf, programa federal que concede crédito rural barato a pequenos produtores familiares. Procurado, o BC não comentou.Há cerca de 20 dias, em evento do setor bancário, o diretor de Fiscalização do BC, Aílton de Aquino, disse que as apostas são um "elemento central" no endividamento das famílias e classificou de "fake news" a visão de que as casas de apostas não contribuem para a dívida. Ele também questionou a publicidade de apostas dentro de aplicativos financeiros. Bochi defende seguir experiências internacionais, com restrições mais duras à publicidade e ao patrocínio.A análise do Sicredi ainda é preliminar: não desdobra os apostadores por faixa de renda, localização, atividade econômica ou tipo de crédito. Segundo a Folha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vem prometendo medidas contra os sites de apostas.

RARafael Albuquerque
Economy

Selic a 13,75%: BC pesa novo corte entre inflação perto do teto e economia fraca

A taxa Selic caiu para 13,75% ao ano, o quinto corte seguido de juros no país, decidido na quarta-feira (16) pelo Copom, o comitê do Banco Central que define o custo do dinheiro no Brasil. Para o bolso, o efeito ainda é discreto: as parcelas dos financiamentos continuam caras e a poupança passa a render um pouco menos. O passo seguinte do BC virou a decisão mais incerta do ano, com a inflação correndo perto do teto da meta e a economia perdendo fôlego.O corte de 0,25 ponto percentual, aprovado por unanimidade, era esperado pelo mercado financeiro. A Selic deixou para trás o pico de 15%, mantido entre junho de 2025 e março deste ano, o maior nível em quase 20 anos. O comitê decide desfalcado: os mandatos dos diretores Renato Gomes e Diego Guillen terminaram no fim de 2025 e o presidente Lula ainda não encaminhou substitutos ao Congresso.Inflação aliviou em agosto, mas o teto da meta segue pertoA inflação oficial, medida pelo IPCA, caiu 0,32% em agosto, a maior deflação mensal em quatro anos, com empurrão do bônus de Itaipu nas contas de luz, um alívio pontual. Num carrinho de supermercado de R$ 500, a queda equivale a cerca de R$ 1,60 no mês. Os alimentos também ficaram 0,34% mais baratos.No acumulado de 12 meses, o IPCA recuou para 4,22%, abaixo do teto de 4,5%, mas bem acima do centro da meta, de 3%: um carrinho que custava R$ 500 há um ano sai hoje por cerca de R$ 521. O mercado não está tranquilo com 2026: a pesquisa Focus, sondagem semanal de analistas feita pelo próprio BC, projeta inflação de 4,9% no fim do ano, acima do teto. Antes da guerra no Oriente Médio a estimativa era de 3,95%, e o relatório de junho do próprio banco chegou a prever 5,2%.Entenda: a Selic é o principal instrumento do Banco Central para segurar os preços. Com o juro alto, o crédito fica caro, o consumo esfria e a inflação desacelera; com o corte, ocorre o contrário. O dilema agora é dosar novos cortes para socorrer uma economia fraca sem destravar a inflação que já corre perto do teto.Os sinais de fraqueza se acumulam: o PIB caiu 0,4% em julho e 1% em junho, na estimativa mensal da FGV, e cresce 1,8% em 12 meses, abaixo dos 2,2% acumulados até junho. O consumo das famílias subiu 0,4% no trimestre até julho, o menor ritmo desde outubro de 2025. Os analistas do Focus cortaram a projeção de crescimento deste ano para 1,89%, menos da metade da inflação de 4,9% que eles mesmos esperam para 2026."O conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião mostra uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos, embora ainda em patamar resiliente, e mercado de trabalho aquecido. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram, situando-se abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, porém ainda acima da meta."O próximo passo passa pela eleição de outubroNo comunicado, o comitê afirma que a indefinição da guerra no Oriente Médio e a incerteza sobre os juros nas economias avançadas "exigem cautela por parte de países emergentes". Mesmo assim, o BC não sinalizou intenção de interromper os cortes, avalia a economista-chefe do Andbank Brasil, Silvia Ludmer. Para ela, o banco vive um "ciclo de calibragem", o mais conservador e gradual desde pelo menos 2003: "ele está se movendo bem devagar".A eleição presidencial de outubro entrou na conta dos riscos. Se o resultado pressionar o câmbio, o BC pode ter de parar de cortar, alerta Ludmer, que também cita a PEC 6x1, a reforma tributária e o El Niño como riscos de alta para o IPCA de 2027, cuja projeção já subiu de 3,8% para 4,3% desde março: "esses números estão se afastando do centro da meta", disse. Enquanto o Brasil reduz juros, os bancos centrais dos Estados Unidos e da Europa sinalizam altas, o que pode pesar sobre o real. "O Brasil está indo meio que numa contramão", resumiu a economista.

RARafael Albuquerque
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Gastos do Judiciário batem recorde e chegam a R$ 164,6 bilhões em 2025

O Poder Judiciário gastou R$ 164,6 bilhões em 2025, o maior valor da série histórica do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), iniciada em 2009. Para quem paga impostos, a conta chega inteira: a arrecadação própria dos tribunais somou R$ 68,2 bilhões, o que cobre 41% do gasto e representa queda de 8,9% ante 2024. Ou seja, de cada real gasto, cerca de 59 centavos saem do orçamento público, segundo dados do relatório Justiça em Números citados pela Folha de S.Paulo.O motor do recorde é a folha de pagamento. As despesas com pessoal somaram R$ 148,5 bilhões, ou 90,2% do gasto total, e subiram 9% sobre 2024, segundo a Folha. Na prática, de cada R$ 10 que os tribunais desembolsam, cerca de R$ 9 vão para salários e benefícios.Entenda: o CNJ é o órgão de controle do próprio Judiciário, e o Justiça em Números é seu levantamento anual sobre orçamento, pessoal e produtividade de todos os tribunais do país. Os dados de 2025 foram apresentados ao conselho em junho. Como a série comparável só começa em 2009, todo recorde citado aqui se refere a esse período.Um dos itens mais criticados são as verbas indenizatórias, benefícios pagos além do salário, como diárias, passagens e auxílio-moradia. Elas consumiram R$ 9,8 bilhões no ano, quase o dobro do que os tribunais investiram em tecnologia, segundo a Folha. Em muitos casos, esses adicionais fazem os contracheques ultrapassarem o teto constitucional, o limite máximo de remuneração no serviço público.Em março, o STF (Supremo Tribunal Federal) limitou esses pagamentos extras acima do teto. Ainda assim, segundo levantamento do Poder360, a decisão manteve adicionais de até R$ 421,9 mil por ano para cada magistrado.O peso nos estadosNos orçamentos estaduais, o recorde também veio: os tribunais consumiram R$ 95,9 bilhões em 2025, ou 6,53% das despesas das unidades da Federação, contra 4,66% em 2013, aponta o Poder360 com dados do Tesouro Nacional. O avanço equivale a cerca de R$ 28 bilhões, o suficiente para construir mais de 1.400 UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) ou até 3.400 escolas. Corrigido pela inflação, o gasto subiu 61,6% entre 2021 e 2025.Demanda recorde e imagem desgastadaO relatório do CNJ mostra a outra ponta da balança. Os tribunais receberam 40,9 milhões de processos novos em 2025, recorde da série, e encerraram mais do que receberam: para cada 100 casos que entraram, cerca de 110 foram baixados. A produtividade média, de 2.366 processos baixados por magistrado, supera a média dos países europeus acompanhados pela Cepej, que foi de 252.O gasto total equivaleu a 1,3% do PIB (Produto Interno Bruto) e a 2,7% de tudo o que União, estados, Distrito Federal e municípios gastaram no ano, segundo o relatório. As cifras saem em meio ao debate sobre supersalários e ao envolvimento de magistrados de cortes superiores no caso Banco Master, contexto descrito pela Folha. Pesquisa Datafolha citada pelo jornal mostra que 38% dos brasileiros dizem não confiar no Judiciário, 43% confiam pouco e 17%, muito.

RARafael Albuquerque
Economy

Governo projeta dívida pública perto de 90% do PIB em 2029

A dívida pública brasileira deve alcançar 89,6% do PIB em 2029, segundo projeções revisadas do Tesouro Nacional reportadas pela Folha de S.Paulo. Traduzindo: de cada R$ 100 de riqueza que o Brasil produz em um ano, quase R$ 90 estarão comprometidos com o que os governos devem. Para o contribuinte, a conta tende a chegar como mais espaço do Orçamento consumido por juros e menos sobrando para saúde e educação.Os números constam das informações complementares ao PLOA, o projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027 que organiza as contas do ano seguinte, encaminhadas ao Congresso na sexta-feira (18). No novo cenário, a dívida bruta fecha 2026 em 83,7% do PIB e chega a 89,7% em 2030. Em escala doméstica, é como se uma pessoa que ganha R$ 5 mil por mês, ou R$ 60 mil por ano, passasse a dever R$ 53,8 mil.Entenda: a DBGG, sigla de dívida bruta do governo geral, soma tudo o que a União, os estados, os municípios e a Previdência devem, sem descontar os ativos. Ela é medida como proporção do PIB, o valor de todos os bens e serviços produzidos no país em um ano. Quanto maior a proporção, mais risco enxergam os credores e mais caro fica ao governo tomar dinheiro no mercado.Por que a dívida cresceSegundo a Folha, a equipe econômica atribui a alta a dois fatores: a regularização de despesas represadas no governo de Jair Bolsonaro (PL), como os precatórios, as dívidas judiciais que a União paga após sentença da Justiça, e o nível da Selic, a taxa básica de juros definida pelo Banco Central. A Selic afeta diretamente a remuneração de metade dos títulos da dívida emitidos pelo Tesouro. Com juro maior, renovar a dívida fica mais caro a cada ano.Herança para o próximo presidentePelas contas do Tesouro, o próximo mandato presidencial também terá alta do endividamento, só que mais lenta: 6 pontos percentuais em quatro anos, contra os 12 pontos do mandato de Lula, que começou com a dívida em 71,7% do PIB. Há uma condição de piora. Se o resultado das contas ficar no piso da meta fiscal, o limite mais frouxo da faixa de resultado que o governo se compromete a entregar, a dívida passa dos 90% do PIB em 2029.O ritmo de expansão dos gastos federais e o uso de recursos financeiros para ampliar o crédito subsidiado já vinham sendo criticados por especialistas e agentes do mercado financeiro. Agora, segundo o jornal, a trajetória da dívida virou tema central do debate econômico da campanha eleitoral. Até este domingo (20), os números do Tesouro haviam sido detalhados apenas pela reportagem da Folha.

RARafael Albuquerque
Economy

Subsídio ao diesel chega a R$ 2,12 por litro com adesão da Petrobras a novo programa

O subsídio do governo federal ao diesel chegou a R$ 2,12 por litro. O conselho de administração da Petrobras aprovou neste sábado (19) a adesão a um novo programa, de R$ 1 por litro, que se soma ao de R$ 1,12 já em vigor. Na prática, a estatal ganha mais margem para segurar o preço do combustível que move caminhões e ônibus e, por consequência, o custo do frete que chega ao supermercado.O novo benefício vale por 30 dias e pode ser prorrogado por mais 30, segundo a estatal. Ele foi criado pela Medida Provisória 1.391, de 11 de setembro, e regulamentado pela Portaria MF 2.813, publicada na quarta-feira (16), que fixou o valor em R$ 1 por litro do diesel A, o de uso rodoviário. Em comunicado ao mercado, a Petrobras afirmou que a adesão "é compatível com o interesse da companhia" e que a assinatura do termo depende da publicação do regulamento do programa.Entenda a subvenção econômicaA subvenção econômica é um pagamento que o Tesouro Nacional faz a produtores e importadores quando os preços internacionais do petróleo e o câmbio sobem. A ideia é que o aumento não chegue inteiro à bomba: parte do custo sai do Orçamento federal e entra no caixa da Petrobras. Para dar uma escala, os R$ 2,12 por litro equivalem a cerca de 30% do preço médio do diesel nas bombas, que fechou a semana em R$ 7,13 por litro, o maior desde maio, segundo a ANP, agência que monitora os preços de combustíveis.No início da semana, a estatal anunciou um aumento médio de R$ 1 por litro no diesel vendido às distribuidoras e, ao mesmo tempo, um desconto de igual valor. As duas medidas se cancelaram e o preço cobrado pela companhia permaneceu o mesmo, segundo o G1. No comunicado, a Petrobras disse que mantém sua estratégia comercial, "evitando o repasse imediato aos preços internos da volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio".Já são R$ 9,9 bilhões pagos à estatalTambém no sábado, a Petrobras informou ter recebido R$ 448 milhões do programa de subvenção à gasolina (Medida Provisória 1.358), referentes às vendas de 16 a 31 de julho. Com esse pagamento, o total acumulado dos programas de diesel, gasolina e GLP (o gás de botijão de cozinha) chegou a R$ 9,9 bilhões. É dinheiro do Orçamento federal, pago pelo Tesouro à estatal.Segundo o G1, com informações da Reuters, os pagamentos fazem parte do esforço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para amenizar os efeitos da alta dos preços do petróleo desde o início da guerra no Irã, às vésperas das eleições presidenciais de outubro. O diesel domina o transporte de carga no país, e é por isso que o governo mira o produto ao tentar conter a alta dos preços. A Petrobras afirmou que segue comprometida com uma "atuação responsável, equilibrada e transparente".

RARafael Albuquerque
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Diesel sobe a R$ 7,13 por litro e tem maior preço desde maio, aponta ANP

O litro do diesel S-10, o combustível de caminhões, ônibus e pickups, custou em média R$ 7,13 nos postos brasileiros nesta semana, alta de 2,3% sobre a semana anterior. É o maior preço desde o fim de maio, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgado nesta sexta-feira (18). Para o motorista, a conta é simples: uns R$ 0,16 a mais por litro.Encher o tanque de 40 litros de uma pickup saiu por quase R$ 285. No caso de um caminhão com tanque de 300 litros, o abastecimento chega a R$ 2.139, cerca de R$ 48 mais caro que na semana passada. Como o diesel movimenta o transporte de cargas no país, o repasse tende a aparecer no custo do frete e, depois, nos preços das mercadorias.Por que o preço subiuA alta chega junto com o início da retirada do subsídio federal ao diesel, que começou a valer nesta semana, e com a disparada do petróleo e dos derivados no mercado internacional, segundo o g1. O benefício em vigor, de R$ 1,12 por litro, vale até 26 de setembro. Entre 2 de agosto e 12 de setembro o diesel chegou a ficar mais barato que a gasolina, condição que perdeu.Entenda: o subsídio, chamado no jargão oficial de "subvenção econômica", é um repasse do governo a produtores e importadores para segurar o preço na bomba; o motorista não recebe nada na hora de pagar, o dinheiro chega antes, ao produtor. Além do benefício que termina em 26 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória que autoriza mais R$ 1 por litro, com validade de 30 dias. Com as duas medidas valendo ao mesmo tempo, o socorro total chega a R$ 2,12 por litro, quase 30% do preço atual do combustível nos postos.O socorro do governoA Petrobras informou que aumentou em R$ 1 o preço do diesel A vendido às distribuidoras, mas que um novo subsídio federal do mesmo valor neutraliza o reajuste, e o preço de venda segue inalterado. O governo também publicou no Diário Oficial uma medida provisória que libera R$ 6,6 bilhões para subsídios à produção e importação de combustíveis, dos quais R$ 5,6 bilhões vão ao diesel. Os recursos saem por crédito extraordinário, fora dos limites de gastos do arcabouço fiscal, a regra que controla as contas públicas.Segundo o g1, o governo descreve o benefício como uma espécie de "cashback", para compensar a retomada da cobrança de tributos federais sobre o diesel, e atribui a pressão dos preços à guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, além do conflito entre Rússia e Ucrânia. O subsídio de R$ 1,12 expira em 26 de setembro e o novo vale por 30 dias, o que deixa o preço das próximas semanas dependente do barril de petróleo no mercado internacional.

RARafael Albuquerque
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Ibovespa oscila 3,6 mil pontos com Bolsa Família, fecha em alta; dólar cai a R$ 5,13

O Ibovespa fechou em alta de 0,24%, a 185.992 pontos, nesta quinta-feira (17), depois de uma manhã de susto: entre a máxima e a mínima do dia, o índice perdeu cerca de 3,6 mil pontos quando o mercado digeriu o anúncio do reajuste de 15% do Bolsa Família. O vaivém equivaleu a quase 2% do valor da Bolsa em poucas horas, algo como R$ 20 de oscilação para quem tem R$ 1.000 num fundo que segue o índice. A queda rápida resumiu a dúvida que mais pesa no bolso: até onde vão os gastos do governo, que pressionam juros e inflação.Segundo o InfoMoney, o reajuste foi anunciado pouco depois das 10h30 (horário de Brasília), e por volta das 10h45 o índice tocava a mínima de 183.242 pontos, queda de 1,24%. Investidores exigiram prêmios maiores para manter ativos brasileiros, e o Tesouro Direto chegou a sair do ar em meio à volatilidade, relata a mesma reportagem. A recuperação veio à tarde, puxada pela Vale, que subiu cerca de 2% acompanhando as mineradoras do exterior.O dólar percorreu caminho parecido: chegou a subir 0,5%, a R$ 5,17, logo após o anúncio, mas fechou em queda de 0,24%, a R$ 5,13, segundo o Brasil61. Os R$ 0,04 de diferença entre o pico e o fechamento equivalem a R$ 40 em cada US$ 1.000, valor que pesa em viagem ao exterior e em produtos importados. O alívio veio de fora, com queda do petróleo e dos juros dos títulos do Tesouro americano, reportou o Money Times.Custo fiscal volta ao centroEntenda: o prêmio de risco é o juro extra que investidores cobram para aplicar dinheiro num país que consideram incerto. Quando cresce a desconfiança sobre o Orçamento, esse prêmio sobe, e ações e títulos caem até a remuneração voltar a ficar atraente. Foi esse mecanismo que derrubou a Bolsa pela manhã, segundo o InfoMoney.O Ministério do Planejamento calcula o reajuste em R$ 5,8 bilhões ainda em 2026 e cerca de R$ 22,7 bilhões por ano em 2027 e 2028. Em comparação, o custo anual quase quadruplica a partir do ano que vem. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o aumento "cabe no Orçamento".Para Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, o mercado ponderou que o benefício pode ter efeito eleitoral limitado: ele lembrou que o aumento expressivo pago em 2022, pela chamada "PEC Kamikaze", não reverteu o resultado daquele ano. "Medidas como essa em período eleitoral não são novidade no Brasil. Elas apenas indicam aprofundamento ou continuidade de uma política fiscal expansionista", disse João Ferreira, sócio da corretora One.O pregão ainda digeriu a "Super Quarta": o Federal Reserve dos EUA subiu os juros em 0,25 ponto, enquanto o Copom cortou a Selic de 14% para 13,75%, decisão esperada e já precificada, na avaliação do analista João Daronco, da Suno Research. O piso do Bolsa Família passa de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro, um acréscimo de R$ 91 por mês, cerca de R$ 3 por dia para a família mais pobre. O mercado segue atento às pesquisas: a Datafolha estava prevista para as 19h15 desta quinta.

RARafael Albuquerque
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Economistas questionam timing eleitoral e risco fiscal do reajuste do Bolsa Família

R$ 22,7 bilhões. Esse é o custo anual extra que o reajuste do Bolsa Família impõe às contas públicas a partir de 2027, e é o número que preocupa economistas consultados nesta quinta-feira (17). Para as 19,3 milhões de famílias atendidas, o efeito é mais imediato: o piso sobe de R$ 600 para R$ 691 em outubro, R$ 91 a mais por mês, cerca de R$ 3 por dia. O anúncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) veio a 17 dias do primeiro turno da eleição presidencial, em 4 de outubro.Nenhum dos especialistas contesta o tamanho do aumento, de cerca de 15%: desde o relançamento do programa, em março de 2023, a inflação acumulada chegou a 17% até agosto, e os R$ 600 de hoje compram menos do que compravam no início do governo. O alvo da crítica é o calendário. "O problema é que isso está sendo feito às vésperas das eleições, então fica difícil não interpretar o movimento como eleitoreiro", diz André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica.O governo rejeita a leitura eleitoral. "Creio que não [tem relação com as eleições]. Ficou claro que foi feito pelo esforço de cadastro", disse o ministro do Planejamento, Bruno Moretti. No mercado, o ceticismo é maior: o economista-chefe da Genial Investimentos, José Márcio Camargo, disse à Folha que duvida da garantia do ministro da Fazenda, Dario Durigan, de que a medida não afetará o Orçamento.O custo para as contas públicasEm 2026, a conta é menor, R$ 5,8 bilhões, porque o novo valor vale só de outubro a dezembro. De 2027 em diante, a despesa extra anual é de R$ 22,7 bilhões, quase quatro vezes o custo deste ano, e o gasto total com o programa passa de R$ 157,1 bilhões para R$ 179 bilhões no orçamento de 2027, alta de 13,9%, segundo o Ministério do Planejamento. "Em um cenário em que já temos uma questão fiscal importante, esse reajuste acaba contribuindo para o problema", diz Juliana Inhasz, professora do Insper.Entenda o "risco fiscal": é o receio de investidores de o governo gastar mais do que arrecada e precisar se endividar. Quando esse medo cresce, eles cobram juros mais altos para emprestar ao país, a dívida fica mais cara e o crédito para famílias e empresas tende a encarecer, o que freia consumo e investimento. Para Inhasz, mais dinheiro na mão dos mais pobres também pode pressionar a inflação, na direção contrária à do Banco Central, que nesta semana cortou a taxa básica de juros para 13,75% ao ano.A comunidade econômica se divide sobre o tamanho do problema. A consultoria Warren defende o reajuste: "Não se trata de conceder benefício novo, mas de neutralizar a perda nominal. O resto é fantasia ou desconhecimento", afirmou o economista-chefe Felipe Salto, citado pela Folha. Mas, no relatório da própria Warren, fechar 2027 com superávit primário de ao menos R$ 36,6 bilhões fica "bastante desafiador" com o impacto anual de R$ 23,2 bilhões do reajuste, quase dois terços da meta.O precedente de 2022O programa não era reajustado desde 2022, quando ainda se chamava Auxílio Brasil e o roteiro foi parecido. Dois meses antes do primeiro turno daquele ano, o Congresso aprovou a Emenda Constitucional 123, a "PEC Kamikaze", que liberou verbas fora do teto de gastos e permitiu ao governo Jair Bolsonaro (PL) elevar o piso de R$ 400 para R$ 600. Em um mês, o benefício médio saltou de R$ 408 para R$ 607, alta de quase 50%, e o programa passou de 18,1 milhões para 20,2 milhões de famílias, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social.À época, a própria campanha de Lula recorreu ao TSE contra o aumento e pediu a inelegibilidade de Bolsonaro, argumentando que ele "concedeu ilegais benefícios financeiros aos cidadãos brasileiros" durante o período eleitoral, reporta a Folha. "Isso revela uma deterioração das instituições brasileiras, com decisões que deveriam ser técnicas e automáticas virando instrumento de calendário eleitoral", diz o professor da Universidade de Brasília José Luis Oreiro. Para Daniel Duque, pesquisador do Ibre/FGV, o benefício praticamente triplicou desde 2021, e os beneficiários não estão hoje em situação pior do que naquela época.O mercado financeiro recebeu a notícia com calma: o dólar caiu 0,24%, a R$ 5,1386, e a bolsa de São Paulo subiu 0,24%, enquanto investidores avaliavam os efeitos fiscais ao lado do corte de juros do Banco Central. O novo piso começa a ser pago em 19 de outubro, menos de uma semana antes de um possível segundo turno, em 25 de outubro. Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário de Lula nas pesquisas, já anunciaram que vão acionar a Justiça Eleitoral contra o reajuste.

RARafael Albuquerque
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Selic em 14% e recorde de dívidas: o que presidenciáveis propõem para derrubar juros

A taxa básica de juros do Brasil está em 14% ao ano, e é dela que deriva boa parte do que as famílias pagam no parcelamento da geladeira, no rotativo do cartão e no empréstimo do carro. Para dar uma régua: a 14% ao ano, os juros de referência consomem R$ 140 sobre cada R$ 1.000 de dívida em um ano. Nesta quarta-feira (16), o comitê do Banco Central (Copom) anuncia a nova decisão sobre a taxa, e, na véspera, o g1 reuniu, com base nos planos de governo, o que os candidatos à Presidência propõem para reduzir juros, endividamento e gastos.Os números explicam por que o tema virou pauta de campanha. A Selic fechou 2025 em 15% ao ano, o maior nível em duas décadas, e segue hoje um ponto abaixo disso. O endividamento das famílias bateu recorde em julho, com oito em cada dez domicílios com algum tipo de dívida, segundo levantamento da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), o equivalente a oito casas endividadas em cada rua de dez.Na pesquisa Quaest citada pela BBC News Brasil, a economia é hoje o segundo problema mais citado pelos eleitores, com 16%, quase uma em cada seis pessoas ouvidas, atrás apenas da violência, com 31%. O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre 30 de agosto e 1º de setembro. São 12 as chapas que disputam a Presidência na eleição de outubro.Entenda: a Selic é a taxa básica de juros da economia, definida pelo Copom, o comitê de diretores do Banco Central que decide, a cada reunião, subir, cortar ou manter o patamar. Juros altos encarecem o crédito e esfriam o consumo, o que ajuda a conter a inflação, mas dificulta o pagamento de dívidas. Já o arcabouço fiscal é a regra que limita o crescimento dos gastos públicos: quando o mercado desconfia das contas, pressiona os juros para cima.Do Desenrola ao "tesouraço"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, reconhece no plano de governo que a Selic elevada "desorganiza a economia e concentra renda". Para derrubá-la, promete controlar a inflação, manter a regra do arcabouço fiscal e continuar o Desenrola Brasil, programa que renegocia dívidas de famílias e pequenos negócios. O plano prevê ainda ampliar o acesso ao crédito para pequenas e médias empresas e regular as apostas online para evitar o comprometimento da renda.Em entrevista à Globo, no fim de agosto, Lula disse que a dívida pública "não preocupa" e apostou no crescimento para reduzi-la em relação ao PIB, a soma das riquezas produzidas pelo país em um ano:"Na medida em que você começa a crescer a economia, a dívida começa a cair em relação ao PIB. 80% de dívida, em um país, não é muito. Olhe para os Estados Unidos, o Japão, a Itália. Sabe quanto é a dívida dos Estados Unidos? 120% do PIB"O senador Flávio Bolsonaro (PL) aposta num "tesouraço" nos gastos públicos como caminho para reduzir a Selic e quer mudar a regra do arcabouço fiscal. Também propõe rever a reforma tributária, com menos impostos e desoneração de exportações e investimentos. Contra o endividamento, defende regular as apostas online, proibir o uso de verbas de programas sociais nas plataformas de bets e criar o "Empréstimo Contingente à Renda", voltado a estudantes universitários."Só com a minha eleição e com a equipe, a taxa de juros já vai cair na reunião seguinte do Copom", declarou o candidato à Globo, prometendo economia por meio do corte de corrupção e burocracia. O g1 lembra que a Selic é definida pelo Banco Central, mas que o presidente da República pode tomar atitudes que pesam na decisão e nos rumos da economia.O escritor Augusto Cury (Avante) promete criar o "Banco do Empreendedor", com juros de 5% a 6% ao ano em créditos de até R$ 20 mil, menos da metade da Selic atual. Ele propõe ainda revisar as matrizes de risco dos bancos para conter a alta da taxa e taxar as apostas online em 40%. "Entrássemos com inteligência artificial e digitalizássemos toda a máquina pública, nós certamente conseguiríamos economizar o suficiente", afirmou, em entrevista à Globo.A regulação das apostas online é o ponto em que os planos se cruzam: Lula quer regular o setor para proteger a renda, Flávio quer proibir o uso de dinheiro de programas sociais nas plataformas e Cury propõe taxá-lo em 40%. Nas contas públicas, os caminhos se separam, com o petista mantendo o arcabouço atual, o candidato do PL querendo trocar a regra e Cury apostando na digitalização. A decisão desta quarta é do Banco Central; a dos eleitores, em outubro.

RARafael Albuquerque
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Ministro promete anúncios de investimentos em minerais estratégicos para a próxima semana

Uma semana. É o prazo que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, fixou nesta quarta-feira (16) para o Brasil ver os primeiros "resultados concretos" da nova lei de minerais críticos e estratégicos, segundo o g1. Na prática, o governo se compromete a anunciar investimentos de empresas em refino e processamento no país, etapas hoje feitas quase todas no exterior e que concentram os empregos mais qualificados da cadeia.A declaração foi feita na cerimônia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. O Congresso tinha fechado o texto no início do mês: o Senado aprovou o projeto em 2 de setembro, por votação simbólica e com apoio da oposição, segundo a Agência Brasil. A lei autoriza um fundo garantidor (que oferece lastro para empresas tomarem crédito) com aporte da União limitado a R$ 2 bilhões e um crédito tributário (desconto no imposto devido) de até R$ 5 bilhões, pago em cotas anuais de R$ 1 bilhão entre 2030 e 2034.Para dimensionar os valores: o teto anual do benefício fiscal equivale a cerca de R$ 5 por brasileiro por ano. Já o orçamento para mapear o solo brasileiro, hoje de R$ 8 milhões na Agência Nacional de Mineração (ANM), subirá para R$ 300 milhões no ano que vem, quase 38 vezes mais, segundo Silveira. É esse mapeamento que revela onde há minério economicamente viável, informação que ainda falta para boa parte do território.Entenda: o que são minerais críticosAs terras raras são um grupo de 17 elementos químicos usados nos ímãs permanentes de motores elétricos, smartphones e turbinas eólicas. Elas integram o grupo maior dos minerais críticos, que inclui lítio, cobalto, níquel, grafite e cobre, matérias-primas de baterias, painéis solares e equipamentos de defesa. Apesar do nome, não são exatamente raras: existem espalhadas pelo mundo, mas em concentrações baixas, o que encarece a extração.O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do planeta, cerca de 21 milhões de toneladas, atrás apenas da China, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos. A disputa global pelo setor esquentou no último mês, quando a americana USA Rare Earth avançou na compra da Serra Verde, única mineradora de terras raras em operação no país. Na sanção, Lula disse que "a riqueza do Brasil tem um único dono: o povo brasileiro".Há ceticismo. A associação dos municípios mineradores, AMIG Brasil, teme que os investimentos sejam levados para outras regiões, deixando nos territórios apenas os impactos da mineração. O professor Bruno Milanez, da Universidade Federal de Juiz de Fora, avaliou à Agência Brasil que os incentivos são insuficientes para industrializar as terras raras no país.

RARafael Albuquerque
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Ibovespa cai 0,51% após alta de juros do Fed; dólar fecha em R$ 5,15

A B3, a bolsa de valores de São Paulo, caiu 0,51% nesta quarta-feira (16), com as ações da Petrobras entre os maiores pesos do índice, segundo a InfoMoney. Na prática, uma carteira de R$ 1.000 que acompanhasse o índice perdeu cerca de R$ 5 no dia. A queda seguiu a reação dos mercados globais à decisão do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, que subiu os juros americanos e sinalizou mais aperto monetário pela frente.O dólar comercial fechou praticamente estável, a R$ 5,15, de acordo com a InfoMoney. Para o bolso, isso significa que cada US$ 100, o preço de um tênis importado antes de impostos, custa cerca de R$ 515. A moeda americana ganhou força contra a maioria das divisas depois da decisão do Fed, mas o real se segurou com o mercado à espera do Banco Central.Por que a bolsa caiuEm Nova York, o índice Dow Jones caiu 1,21%, o S&P 500 perdeu 0,44% e o Nasdaq ficou praticamente estável. O setor de energia foi o que mais recuou, porque o barril de Brent caiu 2,69%, a US$ 105,83, após relatos de que a Arábia Saudita ofereceria cargas extras de petróleo. Mesmo assim, o petróleo acumula alta de mais de 20% em cerca de duas semanas e meia por causa da guerra no Oriente Médio, um encarecimento que já pesa na gasolina das bombas.Entenda: o Federal Reserve define a taxa básica de juros dos Estados Unidos, a referência do crédito na maior economia do mundo. Quando o Fed sobe os juros, os títulos do governo americano pagam mais e atraem dinheiro estrangeiro, o que fortalece o dólar frente a moedas como o real, explica o g1. Juros americanos mais altos também pressionam o Brasil a manter a Selic elevada para não perder investidores.Fed sobe juros e Copom corta a SelicO Fed elevou a taxa em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, a primeira alta desde julho de 2023, e a decisão foi unânime. A maioria dos integrantes do comitê projeta pelo menos mais uma alta de 0,25 ponto ainda neste ano, segundo o g1, enquanto a inflação americana fechou agosto em 3,4% em 12 meses, bem acima da meta de 2%. "O fato é que a inflação está alta demais e está assim há tempo demais", disse o presidente do Fed, Kevin Warsh, em coletiva de imprensa.No Brasil, o pregão terminou com o mercado à espera do Copom, o comitê do Banco Central que define a Selic, a taxa básica que influencia o preço de empréstimos e financiamentos. As apostas eram de um corte de 14% para 13,75% ao ano, e o comitê confirmou o movimento depois do fechamento da bolsa: foi o quinto corte seguido, segundo o g1. O crédito segue caro: sobre uma dívida de R$ 10.000, a Selic anterior de 14% representava cerca de R$ 1.400 de juros por ano, e o juro real brasileiro, de 8,45%, segue o maior do mundo, segundo levantamento do MoneYou.

RARafael Albuquerque
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Lula torna o Move Brasil permanente e corta exigências a 20 dias do 1º turno

R$ 30 bilhões. É o volume de crédito que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assegurou nesta segunda-feira (14) ao sancionar a lei que transforma o Move Brasil, o programa de financiamento de veículos para motoristas de aplicativo e taxistas, em política permanente, sem prazo para acabar. Para um motorista de aplicativo, isso significa que a linha subsidiada para comprar carro zero continua aberta enquanto houver recursos no BNDES.A cerimônia foi no Palácio do Planalto, com Lula recebendo motoristas, a 20 dias do 1º turno da eleição presidencial, marcado para 4 de outubro. Foi no mesmo dia em que a pesquisa Quaest mostrou Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente de Lula em cenário de 2º turno, como registra o Poder360. A lei nasceu de uma medida provisória editada em junho, alterada pela Câmara no fim de agosto e aprovada pelo Senado no dia seguinte; a MP perderia a validade um dia depois da sanção, em 15 de setembro.As regras ficaram mais leves: o tempo mínimo cadastrado em aplicativo cai de 12 para 6 meses, e o motorista precisa ter feito pelo menos 100 corridas na mesma plataforma nesse período. O financiamento passa a durar até 84 meses, sete anos, contra 72 antes. O teto do veículo segue em R$ 200 mil, valor que já havia sido elevado de R$ 150 mil em agosto, depois de uma adesão abaixo do esperado.Os juros são de 12,6% ao ano para homens e de 11,5% ao ano para mulheres, para carros e motos, já incluindo tarifas bancárias, segundo o G1. Cada trabalhador pode financiar um veículo, e a lei estende o crédito a taxistas, transportadores escolares, utilitários de carga e adaptações de acessibilidade para pessoas com deficiência. Segundo o governo, os ajustes de agosto já haviam ampliado o alcance potencial do programa de 63% para 88% do mercado de veículos, quase nove em cada dez modelos à venda.Entenda a prestação balãoO contrato usa o sistema de amortização variável, apelidado de prestação balão: as parcelas começam menores e crescem ao longo dos anos, na medida em que a renda e a produtividade do trabalhador aumentam. A lógica é aliviar o orçamento no começo, quando o carro zero acabou de sair da concessionária. Quem fatura mais no fim do contrato paga parcelas maiores.Custos para o TesouroSegundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, R$ 25 bilhões seguem disponíveis para a continuidade do programa, conforme a demanda. O BNDES coordena a execução, e Caixa e Banco do Brasil operam os empréstimos, com um fundo público, o FGO (Fundo Garantidor de Operações), cobrindo 80% de cada financiamento. Segundo a R7, o programa já financiou 48 mil veículos desde o lançamento; os R$ 25 bilhões restantes dariam para até 125 mil carros no teto de R$ 200 mil, mais que o dobro do entregue até agora.Os R$ 30 bilhões citados pelo governo formam o volume de crédito que o BNDES pode emprestar ao longo do tempo. Na linha para motoristas de aplicativo e taxistas, o dinheiro sai do Tesouro Nacional, que banca a diferença entre os juros de mercado e a taxa do programa. Segundo o Poder360, o governo ainda não divulgou uma projeção do custo total da medida em caráter permanente.

RARafael Albuquerque
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Mais de mil normas na mira: equipe de Flávio promete reverter impostos de Haddad

Mais de mil normas já estão mapeadas para revogação pela equipe econômica de Flávio Bolsonaro (PL). A meta foi anunciada nesta segunda-feira (14) por Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha e ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Jair Bolsonaro, durante evento em São Paulo. Para o bolso do contribuinte, a promessa significa reverter impostos criados ou elevados durante a gestão de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda.Em seminário do Grupo Esfera, na Casa Fasano, ela disse que a ordem partiu do próprio candidato. Entre as medidas citadas à Folha de S.Paulo estão devolver o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras, que incide sobre transferências e aplicações bancárias) ao patamar cobrado em 2022 e acabar com o imposto sobre a exportação de petróleo. Segundo O Globo, o alvo inclui obrigações acessórias, burocracias e normas infralegais."Flávio fez uma orientação para a equipe, para a gente trabalhar na revogação e voltar atrás em todos os impostos criados ou elevados pelo Haddad. Já temos mais de mil normas mapeadas para revogar, usando um pouco de inspiração no que foi feito no governo Milei na Argentina", afirmou.EntendaA maior parte das regras no radar é infralegal: portarias e resoluções de ministérios e agências, que não passam pelo Congresso e podem cair por decreto. Também estão na lista as obrigações acessórias, os formulários e relatórios que empresas precisam entregar ao fisco. Para dimensionar, revogar mil normas equivale a cancelar cerca de uma por dia útil ao longo de um mandato de quatro anos.O exemplo de MileiA inspiração declarada é o argentino Javier Milei, presidente desde dezembro de 2023. "Milei é um ótimo exemplo em termos de voltar a ter capacidade de investimento e redução de burocracia e impostos", completou a coordenadora. Conforme a Folha, na Argentina a pobreza caiu de 42% para 32%, o que tirou cerca de 10 em cada 100 habitantes da condição, mas a economia estagnou, o desemprego aumentou e a indústria local sofre com a concorrência internacional.O caminho anunciado para derrubar os juros passa pelo ajuste fiscal. "Quem não cuida das contas não cuida das pessoas. Então a gente vai focar em botar as contas no azul, para que se permita que haja redução de juros no Brasil", afirmou, defendendo a autonomia do Banco Central. Segundo ela, os cortes viriam de privilégios tributários e do enxugamento da máquina pública, sem mexer em programas sociais.Daniella também criticou o presidente Lula pela gestão das contas públicas: o petista "tem sido muito irresponsável, principalmente com as pessoas mais simples, ao negar que existe um problema que é matemático". E lembrou que boa parte do plano depende do Legislativo: "Os técnicos vão levar um cardápio para que haja discussão com o Congresso. O Congresso é soberano nessa decisão". O anúncio vem em campanha apertada: a Quaest divulgada na segunda, noticiada pelo G1, mostra Flávio numericamente à frente de Lula no 2º turno pela primeira vez, por 42% a 40%.

RARafael Albuquerque
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Estudo da USP: bets tiraram até R$ 141 bilhões do PIB e viram tema de campanha

As apostas online, as chamadas bets, tiraram entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da economia brasileira em 2025, o equivalente a 0,9% a 1,1% do PIB, segundo estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da USP (FEA/USP), divulgado nesta terça-feira (15). Na prática, é renda que deixou os lares e deixou de girar em mercados, lojas e serviços. Só de transferência líquida dos orçamentos das famílias para as plataformas foram R$ 62,5 bilhões, cerca de R$ 300 por habitante se o valor fosse dividido igualmente entre todos os brasileiros.Para dimensionar o tamanho do prejuízo, os pesquisadores comparam a perda com o desempenho do próprio país no mesmo ano. A estimativa equivale a quase metade de tudo o que a economia cresceu em 2025 e supera em cerca de cinco vezes as projeções do impacto do tarifaço americano sobre o PIB brasileiro. Os cálculos consideram ainda os empregos diretos e indiretos criados pelo setor, e o quadro praticamente não muda."Para dimensionar essa magnitude, a perda estimada corresponde a algo entre 40% e 50% de todo o crescimento da economia em 2025 e é cerca de cinco vezes maior que estimativas do impacto do tarifaço americano sobre o PIB brasileiro", conclui a pesquisa.Entenda: o PIB (Produto Interno Bruto) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país em um ano e funciona como o termômetro do tamanho da economia. Quando até R$ 141 bilhões são retirados dessa circulação, o efeito aparece em vendas mais fracas, menos contratações e arrecadação menor para o governo.Impacto nas contas públicasA queda de atividade reduziria a arrecadação entre R$ 31,1 bilhões e R$ 54,8 bilhões, calculam os pesquisadores. Mesmo descontados os cerca de R$ 9 bilhões arrecadados diretamente com as plataformas, o efeito líquido para as contas públicas seria negativo em ao menos R$ 22 bilhões, podendo chegar a R$ 46 bilhões. Segundo o estudo, esse rombo equivale a 10% a 20% de todo o orçamento de saúde pública de São Paulo em 2025.O levantamento também mede o efeito sobre as dívidas das famílias. Se os R$ 62,5 bilhões transferidos às casas de aposta tivessem sido financiados integralmente por empréstimos, uma hipótese que os próprios autores chamam de extrema, as bets responderiam por cerca de 14% do aumento do endividamento das famílias em 2025, ano em que o saldo do crédito a pessoa física subiu cerca de R$ 450 bilhões. Há ainda risco de concentração de renda: o 1% mais rico, que já fica com cerca de 24% da renda do país, poderia ver essa fatia subir entre 0,5% e 2,1%, dependendo de quem embolsa os lucros das casas."Mesmo no caso mais conservador, é um efeito significativo em um país em que a concentração de renda já é extremamente elevada", dizem os pesquisadores.Bets na campanhaO estudo chega em plena reta final da campanha presidencial, com o tema das apostas em evidência. A coluna de Carlos Juliano Barros no UOL, que repercutiu a pesquisa, aponta que as bets viraram alvo na disputa eleitoral. O Estadão noticiou no fim de agosto que as campanhas miram o combate às apostas de olho nas pesquisas e com discurso de proteção ao bolso do eleitor.Para os pesquisadores do Made, os efeitos vão além das perdas individuais de quem aposta. Ao retirar renda principalmente das famílias mais pobres, as bets reduzem a demanda, derrubam o PIB, cortam a arrecadação e ampliam as desigualdades, conclui o estudo.

RARafael Albuquerque
Economy

Lula sanciona crédito de R$ 30 bi para motoristas de app, táxi e vans escolares

São R$ 30 bilhões em crédito subsidiado para financiar carros e motos, o equivalente a cem vezes o prêmio da Lotofácil da Independência, estimado em R$ 300 milhões. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou nesta segunda-feira (14) a lei que prorroga o programa Move Brasil Táxi e Aplicativos, voltado a taxistas, motoristas de aplicativo e entregadores. Pela primeira vez, as vans escolares entram no programa, mas as regras para esse grupo ainda precisam ser definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), o órgão que dita as normas do crédito no país.O programa foi criado por medida provisória em maio, segundo a Folha de S.Paulo, que informa que ele perderia a validade nesta terça-feira (15) sem a sanção (o G1 registra a edição de uma medida de continuidade em junho). A Câmara aprovou o texto no fim de agosto com mudanças e o Senado no dia seguinte. Com a sanção, o crédito segue disponível até os recursos se esgotarem, e o ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos, passou a chamar o programa de política pública permanente.O que muda na práticaSegundo o G1, a lei permite financiar carros de até R$ 200 mil movidos a etanol, flex, elétricos ou híbridos, em até 84 parcelas, ou seja, sete anos pagando; a Folha informa que a lei alcança também veículos seminovos. Os juros são de 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres. Para se habilitar, o motorista de aplicativo precisa de seis meses de cadastro ativo na plataforma e de 100 corridas nesse período, menos de quatro corridas por semana na média, já que antes o cadastro exigido era de 12 meses.Entenda: o crédito é subsidiado porque o governo assume parte do risco da operação. A lei autoriza o Fundo de Garantia de Operações (FGO) a cobrir até 100% de cada financiamento em caso de calote, o que permite ao BNDES, ao Banco do Brasil e à Caixa oferecer juros mais baixos a trabalhadores sem renda fixa comprovada. Para quem vive do volante, o efeito aparece na parcela mensal.Cerimônia e próximos passosNa cerimônia, Boulos disse que os motoristas "estão pagando menos na prestação do que pagavam no aluguel dos veículos". Lula afirmou que, no setor de entregas, "no fundo, no fundo, quem ganha menos é quem trabalha", e disse que a política ajuda o país a "deixar de ser um país em desenvolvimento e se tornar um país desenvolvido". A entregadora Evelin Samanta de Souza Cornia, conhecida como Likinha e ligada ao Movimento dos Trabalhadores Sem Direitos, agradeceu o programa, mas cobrou a taxa mínima de R$ 10 por entrega, demanda antiga da categoria que ainda não foi implantada.Ainda faltam definições: os ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços vão estabelecer os critérios de elegibilidade dos veículos, e o CMN detalha as condições das vans escolares. A lei prevê ainda a prestação balão (amortização variável, com parcelas menores ao longo do contrato e um valor maior no fim), financiamento de adaptações para motoristas com deficiência e teto de um veículo por motorista. O seguro do carro pode entrar no financiamento.

RARafael Albuquerque
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'Superquarta': mercado espera corte da Selic a 13,75% e alta de juros no Fed

A Selic deve cair de 14% para 13,75% ao ano na quarta-feira (16), pela quinta vez no atual ciclo de cortes, segundo o O Globo. Para o consumidor, a queda chega devagar, mas na direção certa: parcelas do financiamento do carro e da casa mais baratas, e rendimento menor nas aplicações atreladas à taxa, como o CDB. Uma pesquisa do Banco Central citada pela Agência Brasil mostra a mesma projeção do mercado.No mesmo dia, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, deve andar na direção contrária: alta de 0,25 ponto na taxa básica, hoje entre 3,5% e 3,75%. O juro americano ficaria em menos de um terço do brasileiro. A coincidência valeu à data o apelido de "superquarta", que reúne a decisão do Copom, o comitê de juros do Banco Central, e a do Fomc, comitê equivalente da Fed.O motivo do corte brasileiro está na conta de luz e no carrinho de compras. O IPCA, índice oficial de inflação medido pelo IBGE, teve deflação de 0,32% em agosto, o melhor resultado para o mês desde 2022, puxado pela queda da tarifa de energia elétrica residencial. Numa compra de supermercado de R$ 500, o recuo equivale a pagar cerca de R$ 1,60 a menos que em julho.O número superou a expectativa dos economistas ouvidos pela Reuters, de queda de 0,29%, e reforçou as apostas de corte, informou a CNN Brasil. No ano, a inflação acumula alta de 3,11%; em 12 meses, chega a 4,22%. "O resultado abre espaço para uma redução de 0,25 ponto percentual", disse à CNN o economista Julio Barros, do Banco Daycoval.Entenda: a Selic é a taxa básica de juros do Brasil, definida pelo Copom, o comitê que reúne a diretoria do Banco Central. Ela funciona como o preço do dinheiro: alta, encarece o crédito e esfria a inflação; baixa, barateia parcelas e anima a economia. Um corte de 0,25 ponto equivale a 25 pontos-base, a menor fatia usada pelo comitê.O mercado já precifica quedas futuras: o contrato DI de janeiro de 2028, aposta sobre a Selic daquela data, opera a 13,555%, abaixo da taxa atual, e há quem veja novo corte já em novembro, segundo a CNN Brasil. Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime Investimentos, diz que o BC "deve manter a postura conservadora com ritmo lento de cortes", por causa das expectativas de inflação ainda descoladas da meta e das pressões fiscais sobre os preços.Nos EUA, aposta é em altaO problema americano é o inverso do brasileiro: inflação forte demais. O CPI, equivalente do IPCA nos Estados Unidos, subiu 0,4% em agosto, e o núcleo, que exclui alimentos e energia, avançou 0,3%; os preços ao produtor acumulam alta de 5,4% em 12 meses, mais que o dobro da meta de 2% da Fed.Depois desses números, divulgados na sexta-feira (11), as apostas em alta saltaram de 70% para 90%, nove de cada dez operadores, segundo o gestor Vinicius Flores, da Stratton Capital. "A inflação americana ainda não entrou em uma trajetória suficientemente confortável para o Fed", avalia Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos. O PCE, índice preferido da Fed, só sai depois da reunião, o que deixa CPI e preços ao produtor como referências da decisão.Flores ainda vê chance de a Fed segurar a taxa, citando revisões metodológicas no PCE e o custo político de subir juros antes das eleições de meio de mandato. A semana também traz o Boletim Focus, pesquisa semanal de expectativas do Banco Central, e dados da China no radar dos mercados, segundo o UOL. As duas decisões saem na quarta-feira (16).

RARafael Albuquerque
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Reajuste de 15,04% leva piso do Bolsa Família a R$ 691 e custará R$ 22 bi em 2027

R$ 691. Esse é o novo piso do Bolsa Família com o reajuste de 15,04% anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira (17), no Palácio do Planalto. Para a família que recebe o valor mínimo, são R$ 91 a mais por mês.O benefício médio sai de R$ 675 para R$ 777, um ganho de R$ 102. Cerca de 19,3 milhões de famílias foram pagas em agosto, segundo dados do governo. O Executivo ainda não informou a partir de quando os novos valores entram no pagamento.Entenda: o percentual de 15,04% vem do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), o índice de inflação que mede o custo de vida de famílias de baixa renda e serve de referência para o programa. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, disse que ele acumulou exatamente essa alta entre o relançamento do Bolsa Família, em março de 2023, e agosto. Na prática, os R$ 691 compram, em média, o que os R$ 600 compravam em 2023.Quem recebe e o que mais mudaTem direito ao programa a família com renda mensal de até R$ 218 por pessoa, cadastro atualizado no CadÚnico e compromissos cumpridos de escola e saúde. Sobre o piso incidem pagamentos extras, listados abaixo. O governo ainda não detalhou como esses adicionais serão reajustados.R$ 150 por criança de até 6 anosR$ 50 por gestanteR$ 50 por jovem de 7 a 17 anosR$ 50 por bebê de até 6 mesesCusto e contexto eleitoralO reajuste foi feito por decreto e dispensa votação no Congresso, informou o InfoMoney. Moretti calculou o custo em R$ 5,8 bilhões nos meses que restam de 2026 e em cerca de R$ 22 bilhões em 2027, o primeiro ano cheio, quase quatro vezes a despesa deste ano. Na proposta de Orçamento de 2027, enviada ao Congresso sem o aumento, a verba do programa passa de R$ 157,1 bilhões para cerca de R$ 179 bilhões, segundo o g1.O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu a medida e disse que as metas fiscais seguem iguais:"A gente está fazendo isso de uma maneira muito responsável e muito diferente do que já se viu no país em outros tempos... Não tem solavanco, não tem mudança de rumo."O anúncio ocorre a menos de 20 dias do primeiro turno, em 4 de outubro, quando Lula tenta a reeleição. O piso de R$ 600 estava em vigor desde 2022, quando foi criado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), também às vésperas de uma eleição, lembra a Folha de S.Paulo. É o primeiro reajuste desde o relançamento do programa, em 2023; a lei autoriza correção dos valores em intervalo de até dois anos, mas não obriga o governo a fazê-la, segundo o g1.

RARafael Albuquerque
Economy

Copom corta Selic para 13,75% ao ano e deixa novos cortes em aberto

A Selic, a taxa que define o custo do dinheiro no Brasil, caiu de 14% para 13,75% ao ano na noite de quarta-feira (16). O corte de 0,25 ponto percentual, aprovado por unanimidade pelo Copom, comitê de juros do Banco Central, é o quinto seguido desde que o ciclo foi retomado em abril e era esperado pelo mercado. Para o bolso, o efeito chega devagar: juros de financiamentos, cartões e empréstimos tendem a cair aos poucos.Um ano atrás, a Selic estava em 15% ao ano, patamar mantido de junho de 2025 a março deste ano e o mais alto em quase duas décadas, segundo a Agência Brasil. Mesmo assim, o crédito continua caro: a Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula que o juro real, o que sobra depois de descontar a inflação, está em torno de 9% ao ano, uns 4 pontos acima da taxa neutra de 5% estimada pelo próprio BC, o nível que nem acelera nem esfria a economia. Na avaliação da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a Selic segue entre as mais altas do mundo.A inflação ajuda; o mundo, atrapalha. Os preços medidos pelo IPCA, o índice oficial, caíram 0,32% em agosto, o menor nível em quatro anos, puxados pelo bônus de Itaipu nas contas de luz e pela queda de 0,34% nos alimentos, o equivalente a R$ 99,66 numa compra de R$ 100. Em 12 meses, a inflação recuou para 4,22%, de 4,44% em julho, mas a guerra no Oriente Médio e o início do fenômeno climático El Niño, que tende a encarecer a comida, mantêm o BC em cautela."O ambiente externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities", diz o comunicado do Copom, citado pela Agência Brasil.Entenda: a Selic é a taxa básica de juros da economia, usada nas negociações de títulos públicos e referência para todo o resto, do cheque especial ao financiamento imobiliário. O Copom, comitê de diretores do Banco Central, a define em reuniões periódicas: subir a taxa encarece o crédito e esfria o consumo, o que ajuda a derrubar a inflação, e cortar faz o contrário. A meta de inflação é de 3%, com intervalo entre 1,5% e 4,5%, e desde janeiro de 2025 é verificada mês a mês pela inflação acumulada em 12 meses, no sistema de meta contínua.O que vem depoisO comunicado mudou pouco em relação ao anterior, e o Valor Econômico resume o recado: o BC deixou a porta aberta para novos cortes, sem compromisso, e o mercado se divide entre prever uma pausa e apostar em mais uma redução na reunião de novembro. A inflação projetada segue acima do teto da meta: o Focus, pesquisa semanal do BC com instituições financeiras, estima 4,9% em 2026, contra 5,2% previstos pelo próprio banco, número que será revisado no fim do mês. Depois da decisão, o dólar caiu 0,06%, para R$ 5,1512, e a bolsa brasileira recuou 0,51%, para 185.548 pontos, segundo o G1.O comitê decidiu desfalcado: os mandatos dos diretores Renato Gomes e Diego Guillen expiraram no fim de 2025, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não encaminhou substitutos ao Congresso. Indústria e centrais sindicais receberam o corte como insuficiente. "É essencial que o Banco Central dê continuidade ao ciclo de redução da Selic", disse Ricardo Alban, presidente da CNI; a CUT classificou a queda de "um passo importante, mas insuficiente", e a Força Sindical falou em "balde de água fria" para o último trimestre do ano.

RARafael Albuquerque
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Fazenda estuda comprar dívidas antigas com deságio para limpar o nome dos brasileiros

Quase 19 milhões de pessoas, praticamente uma em cada dez no país, já receberam algum alívio de dívida nas duas edições do Desenrola Brasil, hoje encerradas. O Ministério da Fazenda prepara agora um novo modelo, desta vez para recomprar dívidas antigas que os credores já consideram perdidas, informou o InfoMoney nesta quinta-feira (17), com base em entrevista do ministro Dario Durigan ao EXTRA. A proposta será levada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva "nos próximos dias".A diferença em relação ao Desenrola é que o devedor não precisaria aceitar mais uma renegociação. A ideia é fazer um leilão e comprar, com deságio grande, débitos contraídos sobretudo entre 2020 e 2022, os anos da pandemia de covid. Para Durigan, o alvo são dívidas que "os próprios bancos, as próprias empresas já perderam a esperança de receber", e que mantêm milhões de nomes negativados até hoje.Entenda: deságio é o desconto que faz uma dívida circular no mercado por muito menos do que o valor de face, como uma conta de cartão de R$ 1.000 da época da pandemia mudando de dono por uma fração disso. Quanto mais velho e mais improvável de receber é um débito, menor fica o preço dele. A Fazenda quer usar esse mecanismo para limpar o registro dos inadimplentes sem custo alto para as contas públicas.Durigan comparou as iniciativas a vacinas contra um "problema crônico" de endividamento herdado da pandemia e disse que dar vacina para esse problema "tem que seguir acontecendo". O ministro confirmou ainda o calendário político do anúncio: "Estamos apresentando (a proposta) para o presidente levar para a campanha.", afirmou, em ano de eleição presidencial."As próximas vacinas serão vacinas mais amplas e vão na linha de recomprar as dívidas mais antigas que as pessoas têm. É isso que estamos levando para o presidente Lula: um novo programa em que a gente consiga, com deságio grande, recomprar a dívida das pessoas sem que elas tenham que fazer novas renegociações."O que ainda não está definidoQuem compraria essas dívidas e qual seria o percentual de deságio seguem sem resposta, e o modelo ainda está em elaboração, segundo o ministro. Também está em estudo se o programa alcança dívidas não bancárias, como contas de luz e gás. O O Globo e o Brasil 247 também noticiaram o plano, e Durigan citou o caso de motoristas negativados que ficam de fora do Move Brasil, o programa federal de financiamento de veículos a juros menores.O estudo chega um dia depois o Banco Central cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto, para 13,75% ao ano. A essa taxa, quem financia R$ 1.000 paga cerca de R$ 137,50 de juros por ano, antes de tarifas e impostos. Para a equipe econômica, juros ainda altos somados a dívidas velhas explicam por que tanta gente segue com o nome sujo mesmo depois de dois programas de renegociação.

RARafael Albuquerque
Petrobras

Petrobras sobe diesel em R$ 1 por litro, mas subsídio segura preço nas bombas

A Petrobras vai elevar o preço do diesel A em R$ 1 por litro a partir desta quinta-feira (17). Para o consumidor, porém, a bomba continua igual: um subsídio do governo federal, aprovado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anula o reajuste no mesmo valor, segundo a própria estatal.O subsídio vale por 30 dias e mantém inalterado o preço de venda da Petrobras para as distribuidoras, informou o G1. Se a alta chegasse ao posto, encher o tanque de 80 litros de uma caminhonete ficaria R$ 80 mais caro. O aumento anunciado é mais que o dobro dos R$ 0,44 por litro envolvidos no fim do desconto da gasolina, na semana passada.Por que a alta veio agoraO movimento já era esperado pelo mercado, que alertava para risco de desabastecimento, segundo a Folha de S.Paulo. A retomada da guerra no Irã levou o barril de petróleo de volta aos US$ 100, e a estatal vinha vendendo diesel por menos da metade do preço de paridade de importação, a referência que simula o custo de trazer o produto de fora. Nas últimas semanas, produtores rurais do Rio Grande do Sul já relatavam dificuldade para encontrar o combustível.O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome, quase um litro em cada três. Analistas avaliavam risco de aperto em outubro, quando o escoamento da safra eleva o consumo. O subsídio foi aprovado por Lula na semana passada justamente para enfrentar o encarecimento internacional.Entenda: o diesel A é o produto vendido pela refinaria às distribuidoras, antes da mistura obrigatória com biodiesel que chega às bombas. A subvenção é um pagamento do Tesouro por litro vendido, dado a produtores e importadores para cobrir parte da diferença entre o preço interno e o custo internacional. Essa diferença, a defasagem, hoje está acima de R$ 3 por litro.Como o subsídio anula o aumentoAo aderir ao novo programa, a Petrobras passa a receber R$ 1 extras por litro de diesel vendido, o que compensa o reajuste anunciado. Somado ao programa anterior, o ressarcimento chega a R$ 2,12 por litro, valor ainda insuficiente para cobrir toda a defasagem, segundo a Folha. Em nota divulgada nesta quarta, a empresa afirmou que o programa é "compatível com os interesses da companhia, preservando sua flexibilidade na implementação da estratégia comercial".A estatal disse ainda seguir uma política guiada pela participação de mercado, pela otimização do refino e pela rentabilidade, e que evita repasse imediato por causa da volatilidade das cotações internacionais e do câmbio, segundo o G1. É o segundo movimento de preços em uma semana: na quinta-feira passada, a empresa encerrou o desconto de R$ 0,44 por litro na gasolina e elevou o preço médio às distribuidoras para R$ 3,05, mas um corte de R$ 0,63 nos tributos federais deve deixar o combustível R$ 0,19 por litro mais barato nas bombas. Como o subsídio do diesel vale 30 dias, o tema volta à mesa do governo em meados de outubro, no auge da demanda da safra.

RARafael Albuquerque
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Brasil mantém maior juro real do mundo, de 8,45%, mesmo após corte da Selic

8,45% ao ano descontada a inflação prevista: mesmo após o corte da Selic nesta quarta-feira (16), o Brasil mantém o maior juro real do mundo entre as 40 economias monitoradas, segundo o ranking da consultoria MoneYou e da Lev Intelligence noticiado pela Folha, pelo G1 e pelo InfoMoney. Para quem tem R$ 10.000 aplicados, o ganho equivale a R$ 845 acima da inflação em um ano. Para quem paga prestações ou empréstimos, o efeito é o oposto: o crédito segue caro.O Copom, comitê que define a taxa básica do Banco Central, cortou a Selic em 0,25 ponto, de 14% para 13,75% ao ano, a quinta redução seguida, segundo o G1. O juro real caiu de 9,30%, no levantamento de agosto, para 8,45%, mas o país seguiu no topo da lista, cuja média é de apenas 1,62%. O poupador brasileiro recebe um retorno real mais de cinco vezes maior que a média do grupo.O segundo colocado é a Rússia, com 6,79%, seguida de Colômbia (6,33%) e Turquia (6,25%), segundo a Folha. Em agosto, a vantagem brasileira sobre os russos era de apenas 0,21 ponto (9,30% contra 9,09%); agora é de 1,66 ponto. Já a inflação oficial, que encerrou agosto em 4,22% em 12 meses, faz a compra de R$ 100 de um ano atrás custar hoje R$ 104,22.Entenda: o que é o juro realO juro real mostra quanto o dinheiro rende depois de descontar a inflação esperada. O ranking combina a inflação projetada para os próximos 12 meses, hoje em 4,71% segundo o boletim Focus do Banco Central, com a taxa de juro praticada no mercado para o prazo de um ano, explica a Folha. Na prática, R$ 100 aplicados hoje virariam R$ 108,45 de poder de compra em um ano.Por que o topo não mudouA escalada do conflito no Oriente Médio elevou o petróleo e levou analistas da maioria dos países a subir as projeções de inflação, o que reduziu os juros reais ao redor do mundo, segundo o relatório da MoneYou. O corte cauteloso do Copom veio apesar desse risco, que pode pressionar os preços dos combustíveis no Brasil, segundo o G1. O economista-chefe Jason Vieira, que coordena o levantamento, explicou em relatório citado pelo InfoMoney que nem uma decisão diferente do comitê mudaria o topo do ranking."As perspectivas inflacionárias para os próximos 12 meses foram majoritariamente revisadas para cima nos países do ranking, criando uma série significativa de juros reais mais baixos e negativos, em meio ao cenário adverso e ainda em aberto com o conflito no Oriente Médio.", escreveu Jason Vieira.Em termos nominais, sem descontar a inflação, o Brasil caiu da terceira para a quarta posição, atrás de Turquia (37%), Argentina (29%) e Rússia (14%). No mesmo dia, o Federal Reserve dos Estados Unidos subiu os juros americanos pela primeira vez desde 2023, segundo o InfoMoney, enquanto 72,56% dos 164 países analisados mantiveram suas taxas. Para o bolso, o efeito é duplo: a renda fixa paga bem acima da inflação, mas parcelas e empréstimos seguem entre os mais caros do planeta.

RARafael Albuquerque
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Lula sanciona Redata e reduz impostos para instalação de data centers no Brasil

60% dos dados dos brasileiros, de fotos de família a extratos bancários, estão hoje armazenados fora do país, segundo números apresentados pelo governo. Para tentar mudar isso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta terça-feira (15) o Redata, sigla de Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter. Na prática, quem instalar ou ampliar centros de dados no Brasil vai pagar menos impostos para comprar os equipamentos.O desconto vale por cinco anos, até 2031. Em troca, cada empresa que aderir terá de destinar ao mercado brasileiro pelo menos 10% da capacidade de processamento e armazenamento instalada com o benefício: de cada dez unidades de capacidade, uma precisa atender clientes no país. As companhias também vão investir 2% do valor dos equipamentos comprados com desconto em pesquisa e inovação, o equivalente a R$ 2 em cada R$ 100 gastos.Entenda: um datacenter é um complexo de servidores, computadores que guardam e processam grandes volumes de informação. É a casa física da internet e da inteligência artificial: o que chamamos de "nuvem" fica em prédios como esses, que trabalham 24 horas por dia e exigem refrigeração constante.O dinheiro em jogo é bilionário. O vice-presidente Geraldo Alckmin disse na cerimônia de sanção que um empreendimento de 100 megawatts exige pelo menos R$ 1 bilhão em construção civil e entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões em equipamentos, segundo a TeleSíntese. Só a parte dos equipamentos equivale a mais de 40 vezes o prêmio estimado da Mega-Sena desta terça-feira, de R$ 95 milhões.Quais impostos caemO regime suspende o PIS/Cofins (contribuições federais sobre faturamento e importação) e o IPI (imposto sobre produtos industrializados) na compra de componentes eletrônicos, reportam o G1 e a TeleSíntese. Quando não existe produção nacional equivalente, o Imposto de Importação pode ser zerado. A lei também cria benefícios para a exportação de serviços do setor.O texto é o PL 278/2026, apresentado neste ano pelo então deputado José Guimarães (PT-CE), hoje ministro, e aprovado pelo Senado em 1º de setembro, segundo o G1. Ele substitui uma medida provisória editada em setembro de 2025, que perdeu a validade em fevereiro sem ser votada. O lastro fiscal do programa veio do PLP 74/2026, projeto de lei complementar aprovado neste mês, segundo a TeleSíntese.Gás e água no centro da discussãoA sanção não encerra a disputa, porque falta a regulamentação por decreto e portaria. O ponto mais sensível é definir o que conta como energia de baixo carbono: o G1 reporta que o governo ainda avalia se o gás natural entra nessa lista. O Brazil Journal noticiou que o lobby das renováveis trabalha para excluir o gás, enquanto um artigo da Agência eixos defende que o governo não pode "fechar a porta aberta" pelo Congresso.Os ambientalistas criticam o alto consumo de água dessas estruturas, relata o G1. A lei exige relatórios com o Índice de Eficiência Hídrica (WUE, na sigla em inglês), limitado a 0,05 litro de água por quilowatt-hora, cerca de um copo para cada 4 quilowatts-hora usados. "O Redata trata da base fundamental dessa economia digital", afirmou Affonso Nina, presidente executivo da Brasscom, entidade do setor de tecnologia, na cerimônia.Sobre a regulamentação, Ceron, secretário-executivo da Fazenda, disse ao G1: "é natural que a regulamentação venha depois... não temos posição fechada ainda sobre compensação, estamos discutindo". O programa também destina recursos ao desenvolvimento industrial e tecnológico das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

RARafael Albuquerque
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Servidores do BC orientaram Vorcaro antes de reunião com Campos Neto, diz PF

R$ 800 milhões. Esse é o valor que o banqueiro Daniel Vorcaro foi orientado a defender diante do então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em 21 de dezembro de 2023, segundo reportagem do jornal O Globo com base no inquérito da Polícia Federal. A orientação não partiu de assessores do próprio Vorcaro: saiu de servidores da autarquia, o órgão que fiscaliza os bancos onde os brasileiros guardam dinheiro.De acordo com perícia no celular do banqueiro, Paulo Sérgio Neves de Souza, então chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup), enviou naquele mesmo dia uma lista de pontos para a reunião com o "Presi". Em depoimento à PF, ele confirmou que o apelido se referia a Campos Neto, relata o Diário de São Paulo. Um dos argumentos era que a venda do banco Voiter ao ex-sócio Augusto Lima formaria um patrimônio líquido de R$ 800 milhões, mais de 43 mil anos de um salário mínimo.A lista pedia que Vorcaro defendesse a capitalização do Master com créditos tributários do Banif, banco português, citasse pressões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para reduzir garantias e prometesse um aumento de capital. Paulo Sérgio também sugeriu destacar que a compra do Will Bank, digital com forte atuação no Nordeste, permitiria oferecer conta e serviços de pagamento à base de cerca de 4 milhões de clientes do Credicesta, braço de consignado do Master. São mais pessoas do que vivem em qualquer capital brasileira, exceto São Paulo e Rio.Entenda: o Desup é a área do Banco Central que supervisiona os bancos, examina balanços e pode restringir operações. Já o FGC é o fundo mantido pelas próprias instituições financeiras para cobrir até R$ 250 mil por correntista caso um banco quebre; com o Master em liquidação extrajudicial, é essa trava que protege o pequeno poupador.O aval e o que veio depoisMeses depois do encontro, ainda sob o comando de Campos Neto, o BC autorizou a transferência do controle da Will Financeira, dona do Will Bank, para o Grupo Master; o negócio foi fechado em 2024. Campos Neto foi convocado a depor como testemunha na investigação, que também examina a atuação de outros diretores da autarquia. O Banco Master e o Will Bank foram levados à liquidação extrajudicial no início de 2026.Consultoria paralelaO episódio não foi isolado, segundo a PF. Em 5 de fevereiro de 2024, Paulo Sérgio repassou outra lista de argumentos para um encontro com o diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino dos Santos, e os dois servidores revisavam ofícios do Master antes do protocolo no regulador e no FGC. Em 2 de outubro de 2025, o chefe do Desup, Belline Santana, criou um grupo de WhatsApp chamado "Master", com ele, Paulo Sérgio e Vorcaro, para agilizar a troca de minutas; em abril daquele ano, Paulo Sérgio havia alterado trechos de uma resposta do banco ao próprio Desup, onde trabalhava.Para os investigadores, os servidores sabiam da "gravidade e do caráter criminoso" de suas condutas e tentavam esconder o teor das conversas com mensagens simplificadas e ligações de voz, segundo o SBT News. O inquérito mapeou indícios de repasses mensais e de vantagens custeadas por Vorcaro, como uma viagem internacional à Disney com a família de Paulo Sérgio. O relatório da PF resume a leitura dos investigadores:"Por óbvio, não é razoável que servidor público da área de fiscalização bancária demonstre empenho em negócios privados dos fiscalizados, ou parabenize um dos banqueiros por se tornar dono de outra instituição financeira."

RARafael Albuquerque
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Mercado corta projeção de inflação para 4,9% e de PIB para 1,89% em 2026, diz Focus

A inflação deve fechar 2026 em 4,9%, segundo os economistas do mercado financeiro. A estimativa, divulgada nesta segunda-feira (14) pelo Boletim Focus, caiu dos 5% da semana anterior e marca a terceira redução seguida. Na prática, uma cesta de compras que custava R$ 100 no fim de 2025 deve custar cerca de R$ 104,90 no fim deste ano.O alívio ainda é tímido diante da meta do Banco Central: a inflação objetivo é de 3%, com tolerância entre 1,5% e 4,5%, e os 4,9% projetados seguem acima do teto. Segundo a Folha, é a primeira vez desde 18 de maio que o Focus aponta o índice abaixo de 5%. O pico da estimativa foi de 5,33%, em 22 de junho, e dali em diante a projeção só caiu.Entenda: o Boletim Focus é uma pesquisa semanal em que o Banco Central ouve mais de 100 instituições financeiras, como bancos e consultorias, e publica a mediana das apostas delas sobre inflação, juros, câmbio e crescimento. Funciona como o termômetro mais acompanhado das expectativas do mercado para a economia brasileira.Economia mais lentaPara o crescimento do PIB (a soma de tudo o que o país produz em bens e serviços), a projeção de 2026 recuou de 1,93% para 1,89%, o menor nível desde 25 de maio, segundo a Folha. Em 2025, a economia havia crescido 2,3%, conforme o IBGE, e o ritmo mais fraco deste ano costuma chegar ao bolso na forma de menos contratações e aumentos menores. Para 2027, a estimativa caiu de 1,5% para 1,45%, e a projeção de 2028 recuou de 1,96% para 1,87%, segundo a InfoMoney.A queda na projeção de inflação tem explicação na conta de luz e na bomba de combustível. O índice oficial de preços (IPCA, medido pelo IBGE) registrou deflação de 0,32% em agosto, divulgada na sexta-feira (11), puxada pelo recuo da tarifa de energia, com o alívio temporário do bônus de Itaipu, além de quedas em passagens aéreas, parte dos alimentos e combustíveis. A melhora acontece apesar da guerra no Oriente Médio, que mantém o petróleo caro, e depois que o governo cortou impostos e manteve subsídios aos combustíveis na semana passada, segundo o G1.Juros e dólarNa taxa básica de juros, a Selic, hoje em 14% ao ano após quatro cortes em 2026, os economistas apostam em mais uma redução de 0,25 ponto, para 13,75%, na reunião do Copom desta semana, o comitê do Banco Central que define a taxa. Segundo a Folha, deve ser o último corte do ano. Para quem parcela compras ou financia um carro, é essa taxa que define o tamanho da parcela, e o alívio ainda é pequeno.Para os anos seguintes, o mercado aposta em Selic de 12% no fim de 2027, de 10,5% em 2028 e de 10% em 2029. O dólar deve fechar 2026 a R$ 5,20, previsão repetida há 13 semanas, e a estimativa para o fim de 2027 caiu de R$ 5,30 para R$ 5,28. A inflação projetada para 2027 subiu de 4,29% para 4,30%, e as de 2028 e 2029 ficaram estáveis, em 3,8% e 3,5%.O Banco Central avalia que um crescimento menor faz parte da estratégia de conter a inflação, já que uma economia mais fria reduz a pressão sobre os preços. Em ano eleitoral, porém, o governo tem estimulado o consumo e cortado impostos, o que, segundo o G1, dificulta esse controle.

RARafael Albuquerque
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Petróleo sobe quase 3% e Brent supera US$ 107 após novos ataques no Golfo

O barril de Brent, a principal referência internacional do petróleo, subia 2,8% nesta segunda-feira (14), a US$ 107,54. Para quem abastece o carro, é o tipo de notícia que costuma virar preço na bomba: petróleo mais caro encarece com o tempo gasolina, diesel e passagens aéreas, e alimenta a inflação. O WTI, referência do mercado americano, subia 2,9%, a US$ 102,93.A alta vem de novos ataques a instalações de energia da Arábia Saudita e a navios no Golfo, segundo o G1. Autoridades sauditas disseram que o oleoduto Leste-Oeste, que atravessa o reino e permite exportar petróleo sem passar pelo Estreito de Ormuz, foi fechado temporariamente após ataque com drones. A paralisação ameaça até 4% do abastecimento global, ou até 1 de cada 25 barris consumidos no mundo.Com o oleoduto parado, o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, tem estoque para manter as exportações por apenas cinco a sete dias, segundo a InfoMoney, que citou três fontes do setor. Depois desse prazo, os embarques ficam em risco. É um relógio de cerca de uma semana para o mercado acompanhar.Entenda: Brent e WTI são contratos futuros, acordos para comprar ou vender petróleo em uma data futura, e funcionam como os preços de referência do mercado. O Brent orienta boa parte das negociações fora dos Estados Unidos; o WTI é o termômetro do petróleo americano.Ataques no mar e no arUma embarcação foi atingida por um projétil no Estreito de Ormuz, o que provocou um incêndio e levou a tripulação a abandonar o navio, informou no domingo a agência britânica de segurança marítima UKMTO. Segundo o Irã, uma pessoa morreu e quatro tripulantes ficaram feridos a bordo de um navio comercial iraniano atingido na costa do país. Na terra, a mídia estatal saudita divulgou vídeos de danos a casas e a uma mesquita na província de Jazan, atribuídos a um ataque houthi.Os houthis, grupo iemenita alinhado ao Irã, afirmaram ter atacado também uma base militar saudita em província vizinha. Na sexta-feira, eles chegaram à ilha de Perim, avançando para reforçar o controle sobre o estreito de Bab el-Mandeb, por onde passaram de 4% a 5% do abastecimento global nos últimos meses.Sem negociação de paz à vista"Isso ocorre após uma intensificação dos ataques à infraestrutura energética da Arábia Saudita, incluindo o oleoduto Leste-Oeste, de crucial importância", disseram os estrategistas de commodities do banco ING, citados pela InfoMoney. Eles observaram que ainda não está claro por quanto tempo o oleoduto ficará fora de operação.O petróleo já tinha subido 8% na semana passada e superado os US$ 100 pela primeira vez desde julho. Uma reunião entre países do Golfo e o Irã para discutir o Estreito de Ormuz estava marcada para esta segunda em Omã, mas o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, anunciou que foi adiada. Segundo as reportagens, a guerra começou há seis meses, iniciada pelos Estados Unidos e por Israel, e não houve negociações de paz desde que um acordo provisório fracassou em junho.

RARafael Albuquerque
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Sindicância do BC aponta R$ 12 milhões em propina do Master a dois servidores

R$ 12 milhões é o valor em propinas que uma sindicância do Banco Central aponta ter sido pago pelo Banco Master a dois servidores da própria instituição, segundo reportagem do G1 publicada neste domingo (13). Os dois trabalhavam na área que verifica se os bancos cumprem as regras e pode punir as instituições. É esse trabalho que protege quem tem conta, poupança ou empréstimo em um banco no país.Segundo o relatório da sindicância, Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização, teria recebido R$ 8 milhões, parte enquanto ainda ocupava o cargo, e Belline Santana, ex-chefe de supervisão bancária, cerca de R$ 4 milhões. A fiscalização é a área do BC que examina o funcionamento dos bancos e aplica multas. Somados, os valores equivalem a 200 anos de salário para quem ganha R$ 5 mil por mês.Entenda: a sindicância é uma apuração interna conduzida pelo próprio órgão, sem poder de prender ou de punir criminalmente. Ela pode resultar em processo administrativo e demissão, e seus achados são repassados à Polícia Federal, que apura o crime. Neste caso, o material também foi encaminhado à Controladoria-Geral da União.Como o dinheiro teria chegado aos servidoresOs repasses teriam sido disfarçados de negócios comuns com empresas ligadas a Daniel Vorcaro, banqueiro controlador do Master, segundo a apuração. Paulo Sérgio alega que o dinheiro veio da venda de um sítio em Minas Gerais à Pipe Participações, empresa de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e do arrendamento posterior das mesmas terras. Para o BC, esses negócios também podem ser propina."Há fortes indícios de que o contrato de compra e venda celebrado entre Paulo Sérgio e a Pipe Participações constituiu mero artifício para dissimular o recebimento de propina", afirma o relatório do Banco Central.Belline, por sua vez, diz que recebeu por consultoria prestada à empresa Varajo, de Leonardo Palhares, apontado por investigadores como um dos operadores de Vorcaro. Segundo sua versão, o trabalho era um projeto de educação financeira para jovens da periferia, cobrado depois por sua empresa, a Inspiração Projetos Educacionais. A comissão do BC avaliou que os relatórios entregues não explicam um pagamento de R$ 4 milhões, o equivalente a mais de 66 anos de salário de R$ 5 mil, e concluiu que os contratos foram "mera simulação para ocultar o recebimento indevido de recursos".Como a suspeita começou e o que vem agoraColegas relataram despesas dos dois acima da renda da carreira pública, e uma denúncia anônima reforçou o alerta, segundo integrantes do BC ouvidos pela GloboNews. A sindicância comparou o patrimônio dos servidores com seus salários e constatou que os bens cresceram bem mais do que a renda permitia. Os dois estão afastados desde janeiro, sem acesso ao prédio e aos sistemas do Banco Central.Em março, a Controladoria-Geral da União (CGU), órgão que apura irregularidades no serviço público, abriu processo administrativo que pode levar à demissão dos dois. As informações também foram enviadas à Polícia Federal, responsável pela investigação criminal. Na sexta-feira (11), as defesas afirmaram que os servidores sempre atuaram dentro de suas atribuições e que os contatos com o Master foram estritamente institucionais, sem interferência na fiscalização.

RARafael Albuquerque
Economy

IPCA tem deflação de 0,32% em agosto, a maior queda em quatro anos

A inflação oficial caiu 0,32% em agosto, após alta de 0,07% em julho, informou o IBGE nesta sexta-feira (11). É a maior deflação mensal desde agosto de 2022, quando os preços caíram 0,36%. Para o bolso, significa que uma cesta de consumo de R$ 1.000 por mês ficou cerca de R$ 3 mais barata em agosto.O que puxou a quedaA conta de luz fez o trabalho pesado: a energia elétrica residencial ficou 7,63% mais barata com o Bônus de Itaipu, o desconto que devolveu aos consumidores o excedente da operação da hidrelétrica estatal, o que equivale a cerca de R$ 15 numa fatura de R$ 200. Com isso, o grupo Habitação caiu 1,87%. "Esse resultado para o grupo de Habitação é o menor para um mês de agosto desde o Plano Real", disse o pesquisador do IBGE José Fernando Pereira Gonçalves.Alimentação e bebidas (-0,34%) caíram pelo terceiro mês seguido: a batata ficou quase 20% mais barata, e tomate, cebola e cenoura recuaram mais de 10%. O ovo baixou 4,15% e o café moído, 1,86%. Em Transportes (-0,86%), as passagens aéreas caíram 13,17%, o etanol 3,95% e a gasolina 0,59%.No ano, a inflação acumula alta de 3,11%; em 12 meses, de 4,22%, abaixo dos 4,44% até julho e dentro da banda de tolerância da meta. A meta é de 3%, com margem que vai de 1,5% a 4,5%. Na prática, a compra de supermercado que custava R$ 500 há um ano custa hoje cerca de R$ 521.Entenda: o IPCA mede a variação de preços de 377 produtos e serviços consumidos por famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos, em dez regiões metropolitanas, Brasília e cinco capitais. Deflação significa que caiu a média da cesta, e não que tudo barateou: segundo a Agência Brasil, 54% dos itens pesquisados subiram em agosto, contra 50% em julho.Juros no horizonteO número veio abaixo do previsto: o Boletim Focus, a sondagem do Banco Central com analistas do mercado, estimava queda de 0,23%. Segundo o jornal O Globo, a deflação aumenta as apostas em mais um corte da Selic, a taxa básica de juros que orienta empréstimos e financiamentos, na semana que vem. Mesmo assim, o mercado ainda projeta inflação de 5% no fim de 2026, acima do teto de 4,5% da meta.O alívio pode ser breve: o bônus de Itaipu valeu apenas para as faturas de agosto. "Não sabemos como ficará o resultado final, mas sabemos que o índice tende a subir", disse o analista do IBGE Fernando Gonçalves.

RARafael Albuquerque
Elections

Lula chama superávit de 'babaquice' e defende investimento público

R$ 1,3 trilhão: é o valor dos juros que o Brasil paga, na conta citada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O número interessa a quem paga prestação porque a taxa básica da economia, a Selic, está em 14% ao ano, a referência usada para precificar crédito, o equivalente a R$ 114 sobre cada R$ 100 emprestados em um ano. Foi para defender juros menores que Lula pediu, em comício, o fim da "babaquice de fazer superávit".As declarações foram dadas neste sábado (12), em ato de campanha em Curitiba, cidade onde o presidente disputa a reeleição nas eleições de outubro. Segundo o G1, Lula afirmou que a economia precisa crescer para gerar empregos e que, para isso, o governo precisa investir. Na avaliação dele, isso exige abrir mão da meta de saldo positivo nas contas."Pra gerar emprego, a economia tem que crescer, e para economia crescer, o governo tem que investir. E para governo investir, é preciso parar com essa babaquice de fazer superávit, fazer superávit, de ter controle fiscal. Porque a grande dívida do Brasil é a taxa de juros que nós pagamos, R$ 1,3 trilhão. O restante é investimento", disse Lula.O que é superávitEntenda: superávit primário é o resultado positivo das contas do governo, quando ele arrecada mais do que gasta em um ano, sem contar os juros da dívida. O contrário é o déficit, e as projeções oficiais apontam contas no vermelho durante todo o mandato atual. Em anos de déficit, a dívida pública cresce.A promessa que ficou para trásA fala de sábado contraria o plano de governo protocolado pelo PT no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que promete "política fiscal responsável". Também diverge do que o próprio Lula disse no fim de agosto, em entrevista à TV Globo: "Nós vamos fazer superávit". Na ocasião, ele lembrou que o déficit era de 2,8% quando reassumiu o cargo, que o último resultado foi de 0,8% e que agora "vai ser positivo".O ministro da Fazenda, Dario Durigan, que tem falado em nome da campanha, reiterou nas últimas semanas que o governo buscará retomar o superávit a partir de 2027, caso Lula seja reeleito, segundo o G1. A proposta de orçamento enviada ao Congresso prevê saldo positivo de R$ 18,6 bilhões, depois de um mandato inteiro projetado no vermelho. O objetivo é abrir espaço para cortes na Selic, que em termos reais está entre os maiores juros do mundo.A dívida pública chegou a 82% do PIB em junho, o maior nível desde a pandemia, com alta de mais de 10 pontos na parcial do atual governo, segundo o G1. Em termos simples: para cada R$ 100 de bens e serviços que o país produz em um ano, R$ 82 correspondem à dívida acumulada do setor público. Analistas ouvidos pelo G1 avaliam que os déficits seguidos pressionam os juros e o endividamento, e economistas lembram que baixar a Selic por decisão do governo não garante crédito mais barato, porque os juros de longo prazo são definidos pelo mercado.

RARafael Albuquerque
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Governo já abriu R$ 27,1 bilhões em créditos para segurar gasolina e diesel em 2026

O governo federal já abriu R$ 27,1 bilhões em créditos extraordinários em 2026 para impedir que a disparada internacional do petróleo chegue por inteiro ao preço da gasolina e do diesel no Brasil, segundo a coluna de Paula Gama no UOL, publicada neste sábado (12). É esse dinheiro público que vem segurando o litro na bomba desde março, mesmo com o barril Brent de volta ao patamar dos US$ 100. A conta cresceu dias depois de a Petrobras cancelar um aumento de gasolina que havia anunciado para as refinarias; o jornal O Globo, que noticiou o recuo, projeta queda de até 2% no preço da bomba.Desde março, foram seis créditos abertos para essas políticas: R$ 10 bilhões, R$ 550 milhões, R$ 3,33 bilhões, R$ 3,473 bilhões, R$ 3,152 bilhões e, agora, R$ 6,605 bilhões. O último veio numa medida provisória (MP, norma com força de lei que depende do aval do Congresso) que destinou R$ 5,607 bilhões ao diesel rodoviário e R$ 998 milhões ao programa de subvenção à produção e importação de gasolina e diesel. O dinheiro, porém, não saiu todo do caixa: dados públicos da ANP, a agência que regula combustíveis, mostram que até 31 de agosto só R$ 7,79 bilhões foram efetivamente pagos.Entenda: o que é um crédito extraordinárioCrédito extraordinário é a autorização para o governo gastar além do previsto na lei orçamentária do ano, usada em emergências. Funciona como um limite pré-aprovado de cartão: autoriza a despesa antes de ela ser paga. Por isso a diferença entre os R$ 27,1 bilhões liberados e os R$ 7,79 bilhões desembolsados, como explica a coluna: parte dos recursos cobre períodos futuros e parte caducou quando MPs anteriores perderam validade.O que muda na bombaDesde maio, o modelo era a subvenção: o governo pagava produtores e importadores, obrigados a descontar o valor no preço de venda e comprovar a redução à ANP. Na gasolina, o repasse era de cerca de R$ 0,44 por litro, com custo estimado em R$ 1,2 bilhão por mês; no diesel, a previsão era de R$ 1,7 bilhão mensal. Nesta semana o desenho mudou: a gasolina trocou a subvenção por um corte de R$ 0,63 por litro nos tributos federais, o etanol ficou com esses impostos zerados e o diesel ganhou mais R$ 1 por litro, somados aos R$ 1,12 válidos até 26 de setembro.Num tanque de carro de 40 litros, o corte da gasolina significa R$ 25,20 a menos por abastecimento. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou as medidas na quarta (9), a menos de um mês da eleição presidencial, e o governo estima o custo do pacote novo em cerca de R$ 7 bilhões por mês, segundo o UOL. Os ministros calculam que as medidas sobre combustíveis já custaram R$ 25 bilhões desde o anúncio, e o secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que a renúncia de R$ 2 bilhões com gasolina e etanol será compensada por mais de R$ 10 bilhões em receitas extras do petróleo neste mês, informa o G1.O motor da conta é o choque do petróleo provocado pelo conflito no Oriente Médio, que levou o Brent de novo acima dos US$ 100 nesta semana. Mais de 25% do diesel consumido no Brasil é importado, então câmbio e cotação internacional entram no custo do frete e, de lá, no preço dos alimentos, lembra a coluna do UOL. "Não vamos permitir que essa guerra irresponsável chegue no seu bolso e muito menos no prato de comida do povo brasileiro", disse Lula em vídeo divulgado na quarta.A receita é diferente da de 2022, quando Jair Bolsonaro, também em ano eleitoral, aliviou o preço cortando impostos: a Lei Complementar 194 limitou o ICMS estadual e o governo federal zerou PIS/Cofins e Cide. Agora a despesa aparece direto nas contas da União, que paga a conta em vez de abrir mão de arrecadação. O economista Rodrigo Provazzi, ouvido pela coluna, avaliou que a subvenção é "mais complexa de operacionalizar, menos transparente para o público e mais suscetível a riscos de ineficiência".O consultor tributário Francisco Arrighi aponta que o custo apenas muda de lugar: "No fim, quem paga é sempre o contribuinte, seja via impostos futuros ou pela desvalorização da moeda". Provazzi chama de "efeito rebote" o risco de retirar o benefício com o petróleo ainda caro, entre gastar mais para manter o alívio e ver os preços subirem rápido. Os R$ 27,1 bilhões já autorizados neste ano mostram até onde o governo foi na primeira alternativa.

RARafael Albuquerque
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Coaf aponta TED de R$ 700 mil do presidente da Febraban a firma de Vorcaro e Zettel

R$ 700 mil, quase 30 anos de salário para um trabalhador que ganha R$ 2 mil por mês. É o valor que um relatório do Coaf atribui a uma transferência do presidente da Febraban, Isaac Sidney, para a conta de uma empresa ligada a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. A Febraban é a federação que representa os principais bancos do país, as instituições onde a maioria dos brasileiros recebe o salário e guarda a poupança, e a reportagem é exclusiva da Folha de S.Paulo, publicada na noite de sexta (11).Segundo o documento, citado pela Folha, o dinheiro saiu da conta de Sidney em 8 de junho de 2022 via Ted (transferência eletrônica disponível, o sistema de envio de valores entre contas de bancos diferentes). A transferência aconteceu um dia depois de a conta da empresa Super Empreendimentos ser aberta na unidade de Formiga (MG) da cooperativa de crédito Sicoob Credifor.O valor de Sidney é uma fração do que entrou na conta naquele mês: R$ 9,9 milhões no total, mais do que uma pessoa juntaria poupando R$ 2 mil por mês durante 400 anos. Desse montante, R$ 9,2 milhões, cerca de 13 vezes o valor de Sidney, vieram de Zettel, descrito pela Folha como operador financeiro do esquema do Master, em cinco transferências por Ted e Pix. No mesmo período, saíram R$ 9,8 milhões, principalmente para empresas do setor imobiliário.Entenda: o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) é o órgão do governo federal que recebe dos bancos os relatórios de operações com valores atípicos. Esses relatórios sinalizam movimentações fora do padrão; eles não provam crime e costumam alimentar investigações da Polícia Federal e do Ministério Público.Antecedente com o MasterNão é a primeira vez que Sidney aparece ligado ao banco. Em julho, tornou-se público que ele contratou em 2020 um empréstimo de R$ 5,5 milhões com o Master, quase oito vezes a transferência agora apontada, para a compra de um apartamento duplex. À época, Sidney afirmou que documentos comprovavam o uso do dinheiro na compra do imóvel e a quitação do empréstimo em dezembro de 2021, e chamou a divulgação de retaliação às críticas públicas que fazia ao Master e à atuação da Febraban.Procurado pela Folha nesta sexta, Sidney disse que a operação na conta da Super se refere à compra de direitos creditórios, isto é, direitos de receber pagamentos futuros que podem ser negociados, "mediante instrumento de cessão devidamente formalizado há mais de quatro anos e registrado na declaração de Imposto de Renda". Segundo ele, a operação tem natureza privada e regular e foi integralmente paga com recursos próprios, de origem lícita.O caso MasterO Banco Master é alvo de investigação da Polícia Federal. Segundo o G1, que teve acesso a um relatório da PF, o banco usou uma empresa criada com R$ 100 de capital para simular R$ 7,155 bilhões em empréstimos consignados depois vendidos ao Banco de Brasília (BRB).

RARafael Albuquerque
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Menos de 24 horas depois, BB encerra greve; Caixa mantém paralisação

Em menos de 24 horas, a greve dos funcionários do Banco do Brasil chegou ao fim na maior parte do país. Nas assembleias desta sexta-feira (11), a maioria das bases sindicais aprovou o acordo com a direção, e as agências do banco devem voltar ao atendimento normal nas regiões que aceitaram a proposta. Na Caixa Econômica Federal, a paralisação nacional iniciada na quinta (10) segue sem data para acabar.O que o acordo do BB prevêO acordo prevê o crédito da PLR, a Participação nos Lucros e Resultados, bônus anual ligado ao desempenho do banco, em até 72 horas depois da assinatura por todas as bases. Há ainda um reconhecimento financeiro de R$ 3 mil, quase dois terços de um salário de R$ 5 mil, para o grupo definido na Campanha de Adimplência 2026, além de licença-paternidade de 35 dias, avanços no plano de carreira e o abono da paralisação de 20 de agosto. Em Belo Horizonte, a proposta passou com 64,7% dos votos, dois em cada três participantes, segundo o Sindicato dos Bancários de BH.Entenda: a negociação dos bancários acontece em dois níveis. A CCT, convenção nacional assinada na quarta (9) entre a Fenaban, entidade que representa os bancos, e 245 sindicatos, cobre cerca de 414 mil bancários de 171 bancos até 31 de agosto de 2028. Já o ACT é o acordo específico de cada banco, como o do BB, e cada base sindical decide sozinha se aceita a proposta ou segue em greve.A CCT repõe integralmente o INPC, índice oficial usado para reajustar salários, e acrescenta 0,6 ponto percentual de aumento real em 2026 e 2027. Com o INPC em 3,98% em 12 meses, segundo o IBGE, o reajuste total fica perto de 4,6%: em um salário de R$ 5 mil, a diferença entre apenas repor a inflação e o que foi acordado é de cerca de R$ 30 por mês. O reajuste vale também para tíquetes, auxílios e a própria PLR, e a convenção adiciona regras de saúde mental, combate ao assédio e direito à desconexão fora do horário.Nem todo o BB aprovou o acordo. Segundo o G1, cerca de 18 bases rejeitaram a proposta e seguem paradas, entre elas Angra dos Reis e bases da Bahia; na primeira rodada de assembleias, eram 60 entidades, incluindo Brasília e Rio, que mudaram de posição em menos de um dia. "O resultado foi fruto de um ciclo de negociação marcado por participação e mobilização dos trabalhadores", disse Fernanda Lopes, coordenadora da CEBB, comissão dos funcionários do banco.Por que a Caixa segue paradaNa Caixa, mais de 90% das bases sindicais, nove em cada dez, rejeitaram na véspera a proposta de renovação do acordo específico, e o ponto central é o Saúde Caixa, plano de saúde dos empregados. O banco apresentou nesta sexta uma proposta final: pagamento do salário reajustado, da PLR e de um prêmio de R$ 3 mil no dia 18, além da elevação do seu teto de custeio do plano de 6,5% para 8%. Segundo a Folhapress, a Caixa ameaçou recorrer à Justiça do Trabalho caso não haja acordo.Os sindicatos pedem o fim do teto de custeio, o retorno da divisão histórica de 70% paga pelo banco e 30% pelos beneficiários, e o fim da cobrança por faixa etária. Em nota, a Caixa afirmou manter "o diálogo aberto" com as entidades representativas dos empregados. Enquanto as agências seguem fechadas, os dois bancos orientam os clientes a usar aplicativos, internet banking, caixas eletrônicos, lotéricas e correspondentes.

RARafael Albuquerque
Lula

Alckmin promete superávit de 0,5% e defende corte de privilégios no Judiciário

Superávit primário de pelo menos 0,5% do PIB em 2027: essa é a promessa que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) fez a empresários para um eventual segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em tamanho de família, é como quem recebe R$ 5 mil por mês passar a guardar R$ 25 em vez de gastar tudo. Na leitura de Alckmin, o esforço abre caminho para juros menores e crédito mais barato.Promessa em jantar com empresáriosAlckmin falou na noite de quarta-feira (9), em um jantar com empresários em Brasília, segundo a Folha de S.Paulo. O encontro busca reeditar o pacto costurado com setores empresariais em 2022, quando Lula reuniu apoio para vencer Jair Bolsonaro (PL). Hoje, o principal adversário do petista na eleição de outubro é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente.No jantar, o vice defendeu o corte de privilégios de integrantes do Judiciário e do Legislativo como forma de conter o desperdício de recursos públicos. Segundo relatos ouvidos pela Folha, ele afirmou que o brasileiro está revoltado com os altos salários e benefícios dessas carreiras. Para Alckmin, é preciso deixar claro que Lula é quem pode combatê-los.Entenda: o superávit primário compara o que o governo arrecada com o que gasta em um ano, sem contar os juros da dívida. É como o saldo da família antes de pagar as faturas com juros do cartão. Quando o resultado fica positivo, o país sinaliza que vive dentro do orçamento, o que costuma ajudar a derrubar os juros.Juros no centro da conversaDepois de ouvir críticas aos juros, Alckmin comparou o momento atual com 2020. Segundo ele, o governo Jair Bolsonaro gastou naquele ano 10% do PIB a mais do que arrecadou e não pagou um centavo da dívida. Na régua doméstica, seria como a família de R$ 5 mil mensais gastar R$ 500 a mais todos os meses, sem quitar nenhuma fatura.Em defesa do governo Lula, o vice destacou que o déficit primário foi zerado no mandato atual. A meta de superávit de ao menos 0,5% do PIB para o ano que vem foi registrada também pelo Brasil 247. Alckmin defendeu avançar ainda mais no ajuste fiscal, com o argumento de que contas equilibradas pressionam os juros para baixo.

RARafael Albuquerque
Elections

'Trade Flávio': apostas em ETF de Brasil em NY disparam 86% em duas semanas

Um salto de 86% em duas semanas mede a onda de apostas estrangeiras em uma alta da bolsa brasileira depois da eleição de outubro. O movimento está nas opções de compra do EWZ, principal fundo de ações brasileiras negociado em Nova York, que saltaram de 2,8 milhões de contratos em aberto em 24 de agosto para 5,2 milhões na sexta-feira (4), segundo dados da Bloomberg compilados pelo Valor Investe. Para quem investe no Brasil, o volume importa porque parte do seu efeito pode transbordar para as ações negociadas na B3.O salto dá para sentir no bolso: um item que custasse R$ 100 no dia 24 de agosto chegaria ao caixa por R$ 186 na sexta (4), se repetisse a variação do número de contratos. É o maior estoque dessas apostas desde 2007, ano do primeiro iPhone, segundo a Bloomberg. O movimento acompanha o aperto nas pesquisas: em 24 de agosto, quando o levantamento BTG/Nexus mostrou o presidente Lula (PT) com 46% e o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 45% em um eventual segundo turno, o EWZ tinha cerca de 2,8 milhões de calls em aberto.A Bloomberg já havia identificado, no fim de agosto, o aumento das apostas em opções de Ibovespa e EWZ para capturar uma eventual valorização dos ativos brasileiros caso Flávio vença, relata a VEJA. O próprio fundo subiu cerca de 15% nas últimas três semanas, ao maior nível desde meados de maio, segundo a publicação financeira The Kobeissi Letter. Parte do mercado enxerga uma mudança de governo como potencialmente positiva para os papéis, diante da expectativa de maior compromisso com as contas públicas e de uma agenda mais favorável a privatizações, anota o Valor Investe.Entenda a apostaEntenda: o EWZ, de nome oficial iShares MSCI Brazil ETF, funciona como um "Brasil na bolsa americana", pois reúne ações de Vale, Petrobras e Itaú, entre outras, e permite ao investidor estrangeiro expor-se ao país sem precisar operar na B3. A opção de compra, a call, funciona como um sinal de reserva num imóvel: paga-se hoje uma fração do valor pelo direito de fechar negócio por um preço fixo até uma data futura. Se o preço sobe, o comprador lucra; se não sobe, perde apenas o sinal.As maiores posições do mercado estão nos preços de exercício de US$ 43 e US$ 45, com vencimento em 20 de novembro, quase um mês depois do eventual segundo turno, marcado para 25 de outubro. Juntas, somam cerca de 1,4 milhão de contratos, segundo levantamento da CryptoBriefing citado pelo Valor Investe. Com o EWZ negociado entre US$ 38 e US$ 39, os contratos apostam em ganhos de 10% a 19% sobre a cotação, conforme o nível e o dia de referência.Enquanto as calls quase dobraram desde o fim de agosto, as puts, opções ligadas à proteção ou à aposta em queda, ficaram estacionadas perto de 1,5 milhão de contratos, segundo a VEJA. A relação entre umas e outras caiu para perto de 0,3: em linguagem de feira, cerca de três apostas em queda para cada dez em alta. É um desequilíbrio incomum no mercado de opções do ETF brasileiro.O que muda para o Brasil"O que está por trás desse movimento é principalmente o posicionamento do investidor estrangeiro para o cenário eleitoral brasileiro", afirma Heitor de Nicola, especialista em renda variável da AVIN, ao Valor Investe."O resultado acaba acionando o que o mercado chama de 'trade eleitoral', com investidores estrangeiros montando posições no EWZ de olho em uma possível alternância de poder", diz Juliana Benvenuto, coordenadora de alocação e inteligência da Avenue.O efeito pode chegar à B3 pelos bastidores do mercado. "Conforme essas posições são montadas e o EWZ sobe, os formadores de mercado precisam ajustar seus hedges, o que pode aumentar a demanda pelas ações brasileiras", explica Nicola. As instituições que vendem as opções compram os ativos ligados ao fundo para se proteger, e essa demanda extra reforça a alta.A eleição não explica o movimento sozinha. O índice DXY, que mede o dólar contra uma cesta de divisas fortes, está abaixo dos 100 pontos, cenário que tende a favorecer mercados emergentes, e o petróleo se aproximou dos US$ 100 o barrim com as tensões no Oriente Médio, o que ajuda a Petrobras, que responde por cerca de 14% da carteira do EWZ, segundo Benvenuto.Nem todos os 5,2 milhões de contratos representam apostas puras numa vitória de Flávio, já que opções também servem para proteção e estratégias combinadas, alerta a VEJA. Alexandre Pletes, chefe de renda variável da Faz Capital, lembra que parte dos papéis ligados ao mercado doméstico ainda negocia com desconto e que o Bank of America recomendou recentemente a compra de ações brasileiras, embora não haja consenso entre as grandes instituições internacionais. Para a Kobeissi Letter, uma recuperação do dólar seria o teste decisivo para essas apostas.

RARafael Albuquerque
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PF: Vorcaro mantinha grupo de WhatsApp com chefes de supervisão do Banco Central

R$ 1,87 bilhão. É quanto 18 fundos de pensão de servidores públicos aplicaram em letras financeiras do Banco Master, dinheiro que deveria bancar aposentadorias no futuro. Documentos da Polícia Federal tornados públicos na quinta-feira (10) mostram que o dono do banco, Daniel Vorcaro, mantinha um grupo de WhatsApp com os dois chefes do departamento do Banco Central responsável por fiscalizar sua instituição, e que chegou a pedir a um deles ajuda contra uma mudança de regra que ameaçava essas vendas.O grupo, chamado "Master", foi criado em 2 de outubro de 2025 por Belline Santana, então chefe do Desup, o Departamento de Supervisão Bancária, a área do Banco Central que fiscaliza os bancos do país. "Boa tarde. Criei esse grupo, no intuito de facilitar nossa interlocução", escreveu Belline, segundo imagem de conversa reproduzida no documento da PF. O terceiro integrante era Paulo Sérgio Neves de Souza, à época chefe-adjunto do Desup e ex-diretor de Fiscalização da autarquia.Na avaliação dos investigadores, os dois servidores, hoje fora dos cargos, se comportavam em várias ocasiões como "empregados" do banqueiro e recebiam vantagens em contrapartida. A peça foi assinada em 27 de fevereiro de 2026 e interpreta mensagens extraídas do celular de Vorcaro junto a documentos do próprio BC. Os arquivos foram liberados depois que o ministro André Mendonça, do STF, retirou o sigilo dos procedimentos ligados ao Master; segundo a Folha, a decisão atendeu a pedido do presidente da corte, Edson Fachin.Minutas revisadas por quem devia fiscalizarEm 27 de outubro de 2025, Vorcaro enviou ao grupo a minuta de um ofício endereçado ao próprio Desup, o departamento comandado por seus interlocutores. "Segue minuta para avaliação", escreveu; após uma chamada de voz de Belline, mandou nova versão com o pedido "Por favor, vejam se atende", relata a BBC News Brasil.Em 25 de abril de 2025, Paulo Sérgio revisou a resposta do Master a um termo de comparecimento do BC. Entre as sugestões, trocar "captação de receitas" por "captação de recursos" e corrigir uma data. Ao final, escreveu: "Importante protocolar rapidamente".Segundo a CNN Brasil, em 13 de outubro de 2025 Vorcaro cogitou no grupo que o Desup retirasse restrições à compra de carteiras de consignado pelo BRB, o Banco de Brasília, controlado pelo governo do Distrito Federal. Paulo Sérgio avaliou a decisão como difícil, por ser tema da Procuradoria-Geral do BC, mas sugeriu elaborar um ofício alegando que todo o recebimento das carteiras estaria em poder do BRB.A PF aponta ainda que Paulo Sérgio enviava tópicos para Vorcaro destacar em reuniões com a cúpula do BC e que, antes de um encontro com o então diretor de Fiscalização, Ailton Aquino, em fevereiro de 2024, alertou o banqueiro de que poderia ser questionado sobre suas relações com a gestora Reag e seu fundador, João Carlos Mansur.Entenda: letras financeiras são títulos emitidos por bancos para captar dinheiro, sem a garantia do FGC, o fundo que reembolsa até R$ 250 mil por cliente quando uma instituição quebra. Fundos de pensão de servidores as compravam porque os títulos deveriam gerar rendimento para bancar aposentadorias e pensões no futuro.Pedido contra mudança em regra de pensãoEm 24 de maio de 2024, Vorcaro pediu a Paulo Sérgio "ajuda do Bacen num tema", segundo a Folha. Ele dizia que grandes bancos atuavam na Previc, a Superintendência Nacional de Previdência Complementar, para retirar da lista de investimentos institucionais as instituições classificadas como S3, faixa de bancos de pequeno porte, com ativos entre 0,1% e 1% do PIB. O Master se enquadrava no S3: detinha 0,57% do ativo total do sistema financeiro, menos de 1% do dinheiro movimentado pelos bancos do país.Na avaliação do banquero, a mudança, somada a uma nova regra do FGC, prejudicaria os negócios. A Folha apurou que regimes de previdência de estados e municípios chegaram a concentrar até 20% do patrimônio em títulos sem garantia do Master, com 18 entidades aplicando R$ 1,87 bilhão. O maior valor partiu do Rioprevidência, fundo dos servidores do Rio: R$ 970 milhões, mais da metade do total, seguido do Amprev, do Amapá, com R$ 400 milhões.O Master atravessava dificuldades quando, em 28 de março de 2025, o BRB anunciou acordo para comprar 58% do capital do banco. Segundo a PF, o BRB aportou cerca de R$ 12 bilhões na compra de carteiras de consignado de origem "altamente duvidosa", que se mostraram "inexistentes ou inadimplentes", mais de seis vezes o total aplicado pelos fundos de pensão.As conclusões constam de uma representação da PF ao STF e ainda não foram julgadas pela corte. A Folha diz ter procurado os advogados dos dois ex-gestores do BC e não ter obtido retorno até a publicação.

RARafael Albuquerque
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Petrobras retira alta da gasolina; litro sai R$ 0,19 mais barato e bomba pode cair 2%

R$ 0,19 por litro mais barato: esse é o efeito líquido, a partir desta quinta-feira (10), da correção que a Petrobras publicou para o preço da gasolina vendida às distribuidoras. Para o motorista, equivale a cerca de R$ 9,50 a menos em um tanque de 50 litros, caso o repasse seja integral. Segundo estimativas obtidas pelo jornal O Globo, o preço nas bombas pode ficar 2% menor, a menos de um mês do primeiro turno das eleições.Na noite de quarta-feira (9), às 20h44, a estatal anunciara um reajuste de R$ 0,19 por litro nas refinarias, seguindo a prática de usar os subsídios federais para absorver a disparada do petróleo desde que Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, segundo o jornal. Às 0h53 de quinta, porém, distribuiu uma correção e informou que não haveria aumento. Com isso, o preço médio da gasolina A (a gasolina pura, antes da mistura obrigatória com etanol) vendida às distribuidoras passou a ser de R$ 3,05 por litro, valor ao qual ainda se somam impostos estaduais e margens até chegar à bomba.Por que o preço caiuEntenda: desde maio, a gasolina tinha um desconto de R$ 0,44 por litro pago pelo governo federal à Petrobras, mecanismo chamado subvenção econômica e criado pela Medida Provisória 1.358/2026, norma editada pelo presidente com força de lei. Essa medida perdeu a vigência e o desconto deixou de ser aplicado. No lugar dele, o novo pacote do governo cortou R$ 0,63 por litro de PIS e Cofins, tributos federais embutidos no preço, e, como o corte supera o desconto extinto, sobrou uma redução líquida de R$ 0,19 por litro.A correção da madrugada não explica o motivo do recuo e diz apenas o seguinte:"Diferentemente do informado anteriormente, a alteração no preço da gasolina da Petrobras nos pontos de venda corresponderá apenas à suspensão do desconto"Questionada se consultou o conselho de administração ou representantes do governo, a companhia respondeu que as decisões de preço "são tomadas exclusivamente no âmbito do Grupo Executivo de Mercado e Preços (Gemp)", formado por diretores. Uma explicação ouvida por O Globo é a de um mal-entendido: o decreto da desoneração "foi complexo de entender", segundo uma fonte que pediu anonimato. Integrantes do governo, por sua vez, avaliam que a empresa errou os cálculos, porque todo o movimento em torno do subsídio havia sido combinado para evitar efeitos ao consumidor.Eleição no centro do debateRelatórios dos bancos Itaú BBA e BTG Pactual apontaram que o recuo levantou desconfianças sobre a independência da política de preços da estatal. "Sem a menor sombra de dúvida", a decisão se deve à eleição, disse Vitor Sousa, analista da Genial Investimentos, para quem a defasagem entre os preços externos e os praticados pela Petrobras está elevada. O analista compara o momento com o período de 2010 a 2014, quando o governo Dilma Rousseff usou a estatal para conter a inflação e ela "virou ferramenta de política monetária".Nas bolsas, a disparada do petróleo a US$ 107,63 o barril falou mais alto: as ações preferenciais (sem voto) da Petrobras fecharam em alta de 1,45%, a R$ 49,12, e as ordinárias (com voto) subiram 1,77%, a R$ 54,64, já que cerca de 80% dos resultados da companhia vêm da exploração e produção.O diesel segue pressionado: importações cobrem de 25% a 30% da demanda, o combustível acumula alta de 13% desde o início da guerra no Irã e não há espaço político para reajuste antes da eleição, na avaliação de Sérgio Araujo, presidente da Abicom, entidade que representa os importadores. Segundo O Globo, o custo dos subsídios aos combustíveis já chega a R$ 37,5 bilhões, e estimativas citadas pelo jornal indicam que o pacote pode reduzir o IPCA, o índice oficial de inflação, em 0,15 ponto percentual.

RARafael Albuquerque
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IPCA recua 0,32% em agosto com bônus de Itaipu e tem maior deflação em quatro anos

O IPCA, índice que mede a inflação oficial do Brasil, caiu 0,32% em agosto, divulgou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (11). Foi a primeira deflação em um ano, desde agosto de 2025 (-0,11%), e a maior desde agosto de 2022 (-0,36%). Na prática, um conjunto de contas e compras que custava R$ 500 em julho saiu por cerca de R$ 498 em agosto.O motor da queda foi a energia elétrica residencial, que ficou 7,63% mais barata com o crédito do bônus de Itaipu nas faturas emitidas no mês. Sozinha, a conta de luz tirou 0,33 ponto percentual do índice. Sem ela, o IPCA teria subido 0,01%, segundo Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa no IBGE.Com isso, o grupo Habitação recuou 1,87%, a maior queda em mais de 30 anos; em julho, o índice ainda havia subido 0,07%. "Esse resultado para o grupo de Habitação é o menor para um mês de agosto desde o Plano Real", informou o pesquisador do IBGE José Fernando Pereira Gonçalves ao g1.Entenda: deflação é a queda generalizada dos preços, o oposto da inflação. O bônus de Itaipu devolve aos consumidores parte do excedente da comercialização de energia da usina que o Brasil divide com o Paraguai, entra na fatura uma vez por ano e, segundo a Folha, tende a desaparecer das contas já a partir de setembro. Também seguiu em vigor a bandeira tarifária amarela, um recargo que acrescenta R$ 1,885 à conta a cada 100 kWh consumidos.O que mais barateouPassagens aéreas caíram 13,17% e o transporte por aplicativo ficou 4,57% mais barato. Nos postos, o etanol caiu 3,95%, o diesel 0,80% e a gasolina 0,59%. No supermercado, a alimentação em casa recuou 0,61%, com destaque para a batata-inglesa, 19,89% mais barata: o quilo que custava R$ 5 em julho saiu por cerca de R$ 4 em agosto.Nem tudo caiu. Despesas pessoais subiram 1,30%, o gás encanado 1,74% e os artigos de residência 0,64%. O grupo Alimentação e bebidas fechou o mês em queda de 0,34%, e Transportes, de 0,86%.O retrato de 12 mesesNo acumulado em 12 meses, a inflação caiu para 4,22%, contra 4,44% em julho: os preços seguem subindo para quem vive de salário, só que mais devagar. No ano, o IPCA acumula alta de 3,11%. Pelo segundo mês seguido, o índice ficou abaixo do teto de 4,5% da meta perseguida pelo Banco Central, de 3%, com tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos.A queda veio mais forte que a esperada pelo mercado financeiro, que previa deflação de 0,28%, segundo a agência Bloomberg. Depois da divulgação, o dólar abriu em queda de 0,29%, a R$ 5,086, às 9h54, informa a Folha. A expectativa, segundo o jornal, é de que o efeito do bônus some das contas de luz já em setembro.

RARafael Albuquerque
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Petrobras cancela aumento de R$ 0,19 na gasolina anunciado horas antes

R$ 0,19 por litro: esse foi o aumento da gasolina que a Petrobras anunciou na noite de quarta-feira (9) e cancelou cerca de quatro horas depois, na madrugada de quinta (10). Na prática, o movimento ficou ao contrário do divulgado, e as distribuidoras vão comprar o combustível da estatal pagando R$ 0,19 a menos por litro. Segundo a InfoMoney, o reajuste foi comunicado à imprensa às 20h44 de quarta e a correção saiu às 0h53 de quinta.A nota original informava que o preço médio da gasolina A passaria a R$ 3,24 o litro a partir desta quinta. Na correção, também publicada no site da Agência Petrobras de Notícias, o valor ficou em R$ 3,05. A diferença entre os dois números é exatamente o aumento cancelado."Diferentemente do informado anteriormente, a alteração no preço da gasolina da Petrobras nos pontos de venda corresponderá apenas à suspensão do desconto. Para as distribuidoras, o efeito será de redução de R$ 0,19 no preço percebido com tributos", diz a nota de correção da estatal.Entenda: a gasolina A é o produto vendido nas refinarias às distribuidoras, antes de tributos, da mistura com etanol e das margens de revenda. Por isso a Petrobras fala em R$ 3,05 enquanto o litro custa, em média, R$ 6,51 na bomba, segundo a ANP, agência que monitora preços de combustíveis. Cada R$ 0,19 por litro equivale a R$ 9,50 num tanque de 50 litros.Por que a alta virou quedaA correção veio depois de uma troca de benefícios. Com o fim da Medida Provisória 1.358/2026, a Petrobras deixou de aplicar, desde esta quinta, um desconto de R$ 0,44 por litro na gasolina A, concedido no âmbito de uma subvenção do governo federal. Como o governo também cortou R$ 0,63 por litro em PIS/Cofins, tributos federais, a conta líquida para as distribuidoras é de queda: a desoneração supera o desconto extinto em R$ 0,19.Na quarta, o governo ainda zerou o imposto sobre o etanol; os dois benefícios valem de 10 de setembro a 9 de outubro. Para o diesel, o presidente Lula assinou uma medida provisória que cria uma subvenção de R$ 1 por litro, que se somará ao subsídio atual de R$ 1,12, válido até 26 de setembro, nos períodos em que coincidirem. A Petrobras informou que aguarda a publicação dos atos necessários para revisar o preço do diesel.Nos postos, os preços seguem subindo desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, em 28 de fevereiro, segundo dados da ANP. A gasolina está 3,6% mais cara e chegou a R$ 6,51 o litro no início de setembro; o diesel S10 subiu 13%, a R$ 6,88. O etanol foi na direção contrária, com queda de 14,7%, a R$ 3,95, cerca de 60% do preço da gasolina.

RARafael Albuquerque
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Petrobras reajusta gasolina em R$ 0,63, mas corte de imposto evita alta na bomba

R$ 0,63 por litro. Esse é o reajuste que a Petrobras aplicou, na noite desta terça-feira (9), no preço médio da gasolina vendida às distribuidoras, com efeito a partir desta quinta (10), segundo o UOL. Para quem abastece, a expectativa é de que nada mude: o aumento não deve chegar às bombas.O movimento soma duas mudanças: um aumento direto de R$ 0,19 e o fim de um desconto de R$ 0,44 que a estatal dava às distribuidoras. Com isso, o preço médio de venda sobe para R$ 3,24 por litro. Repassado ao consumidor, o reajuste encareceria um tanque de 50 litros em R$ 31,50.Entenda a conta da gasolinaEntenda: a Petrobras não vende combustível direto ao motorista. Ela vende às distribuidoras, que repassam aos postos, e cada etapa soma tributos e margens ao preço final. PIS/Cofins são contribuições federais cobradas por litro, e o governo cortou R$ 0,63 desse encargo sobre a gasolina, o que anula o reajuste da estatal antes da bomba, segundo a Folha de S.Paulo.O fim do desconto tem causa legal. A Medida Provisória 1.358/2026, que desde maio permitia ao governo custear um apoio de R$ 0,44 por litro a produtores e importadores, perdeu a validade nesta quarta (9), e a Petrobras comunicou o encerramento do abatimento, informou o ND Mais. No diesel, a companhia disse que aguarda a publicação das novas regras para rever preços.No mesmo dia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou decreto e medida provisória que reduzem R$ 0,63 de PIS/Cofins na gasolina e R$ 0,19 no etanol hidratado, além de autorizar até R$ 1,00 a mais de subvenção por litro de diesel. Segundo a Folha, o custo mensal é estimado em cerca de R$ 7 bilhões, mais de R$ 200 milhões por dia nos cofres públicos. As medidas valem de 10 de setembro a 9 de outubro, pouco depois do primeiro turno das eleições.Com o corte, a carga federal restante sobre a gasolina cai para R$ 0,16 por litro, e a do etanol é zerada. No diesel, somada à subvenção de R$ 1,12 já em vigor até 26 de setembro, a ajuda pode chegar a R$ 2,12 por litro até aquela data. Se o petróleo seguir caro por causa do conflito entre Estados Unidos e Irã, segurar as bombas fica cada vez mais caro para o Tesouro.

RARafael Albuquerque
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BC prepara normas contra ofertas agressivas de crédito pré-aprovado em apps

80,4% das famílias brasileiras estavam endividadas, o maior nível já registrado, segundo dados da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) divulgados pelo G1 em abril. Em uma rua de dez casas, oito teriam contas a pagar além do orçamento, do cartão ao carnê. É esse cenário que levou o Banco Central a preparar normas para coibir abusos na oferta digital de crédito, segundo apurou a Folha de S.Paulo.As regras ainda estão sendo desenhadas e devem ser divulgadas nos próximos meses, disseram à Folha pessoas próximas às conversas. Procurado, o BC não se pronunciou sobre o tema. Um dos alvos é a oferta de crédito pré-aprovado de valor elevado, exibida em cores chamativas na tela inicial dos aplicativos financeiros.Entenda: crédito pré-aprovado é uma proposta que o banco já avaliou antes de o cliente pedir qualquer coisa. Não é dinheiro na conta, e sim um convite que pode virar dívida em poucos toques na tela, com juros e encargos que nem sempre são lidos. O BC avalia quais limites e condições esse tipo de oferta deve ter.O pacote também deve criar regras específicas para consumidores vulneráveis, segundo pessoas com conhecimento das discussões. A definição não se restringe à baixa renda: abrange quem tem pouca familiaridade digital ou financeira, mais propenso a aceitar propostas sem entender as cláusulas de juros e encargos.Há preocupação também com o desenho dos aplicativos. Técnicos do BC identificaram que o fluxo de telas pode induzir o usuário ao erro pela rapidez ou pela diagramação agressiva, mesmo quando o banco afirma cumprir as regras de transparência. Outra distorção apontada é a publicidade de plataformas de apostas dentro de apps bancários, tida como incoerente porque as regras vigentes exigem que o banco zele pela saúde financeira do correntista.Um aperto que já começouAs normas se somam a medidas sobre reconhecimento de riscos e exigência de capital anunciadas na semana passada pelo BC para cartão de crédito e crédito não consignado (empréstimo pessoal sem desconto em folha), as modalidades mais caras para o cliente. Segundo a Folha, o BC estuda alterar o FPR (Fator de Ponderação de Risco), o multiplicador que define quanto capital próprio o banco precisa reservar por real emprestado. É como se a instituição tivesse de guardar mais dinheiro do próprio bolso para cada empréstimo, o que tende a encarecer o crédito ou reduzir o volume ofertado.A ata do Comef (Comitê de Estabilidade Financeira), divulgada em 2 de setembro, avisou que medidas específicas para o mercado de crédito estão em preparo, sem datas. Na véspera, o diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino, afirmou que as medidas viriam em breve para combater o endividamento e defendeu um olhar "macroprudencial, principalmente nas linhas mais caras".

RARafael Albuquerque
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Governo libera R$ 6,6 bilhões para segurar preço do diesel e da gasolina

O governo federal liberou R$ 6,6 bilhões para segurar o preço dos combustíveis, segundo a CNN Brasil. A medida foi publicada nesta quarta-feira (9) no Diário Oficial da União, o jornal das leis, por meio de uma medida provisória. Na prática, o dinheiro paga produtores e importadores para que o petróleo, que voltou a US$ 100 o barril, não chegue ao posto.Do total, R$ 5,6 bilhões vão para o diesel de uso rodoviário, com subsídio de R$ 1,12 por litro vendido, e R$ 998 milhões cobrem outros derivados de petróleo. Em um tanque de caminhão de 200 litros, o subsídio soma R$ 224. O pacote equivale a mais de quatro vezes os R$ 1,6 bilhão que o próprio governo reservou para 2027 para ampliar o teto de faturamento do MEI, o microempreendedor individual, segundo o O Globo.Entenda: a subvenção econômica é o pagamento que o governo faz a produtoras e importadoras para que elas repassem menos da alta de custo ao consumidor. O crédito extraordinário autoriza esse gasto fora do orçamento previsto. Já a medida provisória vale na hora, com força de lei, mas precisa de aprovação do Congresso para continuar em vigor.Por que agoraO barril de Brent, a referência mundial do preço do petróleo, subiu 2,3% na manhã desta quarta e tocou US$ 100 pela primeira vez desde julho, antes de recuar um pouco. No ano, o petróleo já acumula alta de mais de 60%. Um barril que custava US$ 72 em junho, quando EUA e Irã falavam em acordo, hoje custa cerca de 40% a mais.O motivo é a guerra entre Estados Unidos e Irã. Na terça-feira (8), os americanos atacaram quatro petroleiros iranianos no Golfo de Omã e um perto da ilha de Kharg, e os hutis, aliados de Teerã, atingiram instalações de petróleo na Arábia Saudita, com dezenas de feridos, segundo a CNN Brasil. A alta já encarece derivados, da gasolina ao diesel, e colocou a inflação de novo no radar dos bancos centrais, na avaliação de Ole Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank: "A combinação de diesel caro, combustível de aviação, combustível marítimo e gás natural é particularmente desconfortável para consumidores em todo o mundo, que veem sua renda disponível diminuir".Gasolina e contas públicasA resposta do Planalto não para no diesel. Segundo o O Globo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve assinar nesta quarta um decreto que reduz tributos sobre a gasolina, justamente para cortar o repasse da alta aos preços dos postos.Do lado fiscal, os R$ 6,6 bilhões não entram na conta do Arcabouço Fiscal, a regra que limita o crescimento das despesas públicas, e ficam fora da meta de resultado primário, a economia que o governo precisa fazer para pagar os juros da dívida. Para 2026, a meta é superávit primário de 0,25% do PIB. Ou seja: o subsídio é pago, mas não aparece na contabilidade usada para medir a meta fiscal deste ano.

RARafael Albuquerque
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Petróleo volta a custar mais de US$ 100 pela 1ª vez desde maio

US$ 100,94 era o preço do barril de petróleo Brent, a referência mundial, perto das 9h desta quarta-feira (9), em alta de 3,08%, segundo o G1. Era a primeira vez desde 25 de maio que o petróleo voltava aos três dígitos. Para o dia a dia, o patamar importa: o G1 projeta que a alta provoque novos aumentos nos custos de energia e pressione a inflação global, o que encarece combustíveis e pode manter juros altos por mais tempo.Como um barril tem 159 litros, cada unidade a US$ 100,94 equivale a mais de US$ 0,63 por litro de óleo cru, antes de refino, frete e impostos. O WTI, o tipo de petróleo usado como referência nos Estados Unidos, subia 2,79%, a US$ 95,63, no mesmo horário. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o ápice do dia veio às 6h45, quando o Brent tocou US$ 100,95, o maior valor desde 22 de maio, quando custava US$ 102,77.Por que o preço subiuA guerra entre Estados Unidos e Irã completa seis meses e passou por dois episódios de escalada esta semana. Segundo o G1, ataques dos Houthis, grupo apoiado pelo Irã, atingiram instalações de energia da Arábia Saudita e provocaram incêndios em estruturas ligadas à produção de petróleo; o Ministério da Energia saudita disse que unidades no sul suspenderam as operações e que "as autoridades competentes estão lidando com as repercussões dos ataques". Na terça-feira (8), os EUA destruíram cinco petroleiros iranianos ligados à Guarda Revolucionária, e o Irã respondeu nesta quarta afirmando ter atacado dez navios e disparado mísseis balísticos contra uma base americana na Jordânia, reporta a Folha.Entenda: o Estreito de Ormuz é o canal entre Irã e Omã por onde passava cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo antes da guerra. Na semana encerrada em 30 de agosto, entre 8 e 9 milhões de barris por dia atravessaram o estreito, o dobro da semana anterior, segundo o economista-chefe da Rystad Energy, Claudio Galimberti, em dados divulgados pela Reuters. O fluxo caiu agora para menos de 2 milhões de barris por dia, menos de um quarto do volume de duas semanas atrás, e os ataques dos Houthis ameaçam ainda os embarques pelo Mar Vermelho, que virou rota alternativa ao estreito.O que muda para o bolsoOs grandes bancos já reagiram: Goldman Sachs, Bank of America e HSBC elevaram as projeções para o preço do petróleo, segundo o G1. A Agência Internacional de Energia (AIE), entidade que reúne países consumidores, espera que a oferta global caia 4,3 milhões de barris por dia neste ano, cerca de 4% do total, mesmo com Estados Unidos, Canadá e Guiana produzindo mais. Menos petróleo à venda e preço mais alto alimentam a inflação, o que pode levar bancos centrais a manter ou elevar os juros, encarecendo crédito e prestações em vários países."O patamar de US$ 100 é um nível psicológico que tem peso nos mercados. Uma vez superado, muitos bancos centrais não terão outra opção exceto elevar as taxas de juros para controlar a inflação", avaliou Kathleen Brooks, analista da corretora XTB.O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, prometeu mais retaliação: "O Irã continua tentando atacar navios da Marinha dos EUA e, cada vez que fizerem isso ou tentarem fazer isso, perderão petroleiros", disse, segundo a Folha, durante visita à Colômbia. Um porta-voz militar dos Houthis afirmou que o grupo anunciará uma ampla operação em território saudita, segundo o G1. Os dois avisos apontam que a escalada tende a continuar.

RARafael Albuquerque
polls

Dólar cai a R$ 5,08, menor valor em um mês, com avanço de Flávio em pesquisas

O dólar fechou esta terça-feira (8) cotado a R$ 5,089, queda de 0,79% e a menor cotação de fechamento desde 7 de agosto. Para quem compra moeda, US$ 100 custaram R$ 508,90 no fim do pregão. Com a queda acumulada de 7,28% no ano apurada pela Agência Brasil, essa mesma compra custava cerca de R$ 40 a mais no início de 2026.A bolsa seguiu na direção contrária da moeda: o Ibovespa, índice principal da B3, subiu 1,20%, a 187.366 pontos, o maior fechamento desde 4 de maio. O volume do dia somou R$ 29,76 bilhões. Os papéis da Petrobras, os mais negociados do índice, valorizaram 2,08% (preferenciais) e 2,36% (ordinárias), puxados pelo petróleo no mercado externo.No exterior, o barril Brent, referência internacional do petróleo, fechou a US$ 97,92 (+0,9%), e o WTI, referência nos Estados Unidos, a US$ 93,03 (+1,7%). Segundo a Agência Brasil, os preços subiram com ataques a cidades no sul da Arábia Saudita e a instalações de energia, em meio a tensões no Golfo Pérsico. O Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de 20% do petróleo consumido no mundo antes da escalada do conflito, segue no centro das preocupações.Entenda: por que pesquisas mexem com o câmbioO dólar à vista é o preço, em reais, de um dólar entregue na hora, e oscila com as apostas dos investidores sobre juros, inflação e contas públicas, temas que mudam conforme o vencedor da eleição. Por isso o mercado acompanha as pesquisas de intenção de voto. Nesta terça, o InfoMoney associou a queda da moeda ao avanço do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas, e o G1 listou o cenário eleitoral e o petróleo entre os fatores do pregão.Levantamentos divulgados nos últimos dias mostraram Flávio numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cenários de segundo turno, como a pesquisa BTG/Nexus, que apontou 46% a 45%. Em setembro, o dólar já caiu 1,82% em cinco pregões, depois de subir 2,16% em agosto. O investidor estrangeiro segue comprando ações brasileiras: a entrada líquida somou R$ 3,9 bilhões nos três primeiros pregões do mês, segundo dados da B3.Para o bolso, dólar mais barato alivia o custo de produtos importados, de eletrônicos a trigo e fertilizantes. O petróleo caro trabalha na direção oposta: os contratos reduziram parte da alta durante o dia, com receio de que combustíveis mais caros pesem sobre a inflação e o crescimento global, segundo a Agência Brasil. Ao longo da sessão, a moeda americana oscilou entre R$ 5,1289 e R$ 5,0713.

RARafael Albuquerque
INSS

Receita barra R$ 1 bilhão em pedidos fraudulentos de salário-maternidade

Mais de R$ 1 bilhão em pedidos fraudulentos de reembolso do salário-maternidade foram barrados pela Receita Federal, informaram a Folha de S.Paulo e o G1 nesta terça-feira (8). O benefício é pago pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), e os pedidos vinham de empresas de fachada e outras organizações. Na prática, a operação do fisco (nome dado à Receita) impediu que o dinheiro saísse dos cofres públicos.A análise de dados do órgão encontrou um padrão incompatível com as regras do benefício. Os sinais de irregularidade incluíam empresas com apenas um funcionário, faturamento perto de zero e ausência de registros compatíveis nos documentos fiscais. Pesaram também pedidos em valores considerados fora do padrão.Entre os casos identificados estão pedidos em nome de seguradas (contribuintes do INSS) sem filhos registrados e empresários que figuravam ao mesmo tempo como donos e funcionários da própria empresa. Houve ainda situações em que uma mesma pessoa teria recebido vários benefícios por empresas diferentes em curto período. Segundo o G1, várias dessas empresas tinham ligação com procuradores que atuavam para dezenas de outras em situação semelhante.Um caso chama atenção pelo tamanho: um MEI (microempreendedor individual) do setor de entregas rápidas pediu R$ 500 mil de reembolso. Como o benefício dura 120 dias, cerca de quatro meses de salário, para somar esse valor o trabalhador precisaria ganhar R$ 125 mil por mês. Segundo a Receita, a legislação não permite esse tipo de compensação para a categoria.Entenda o golpeO salário-maternidade é pago pelo INSS por ocasião de nascimento, adoção, aborto espontâneo ou legal e parto de natimorto, a quem contribui para a Previdência Social como autônomo, contribuinte individual ou MEI, desde que comprove pagamentos mínimos. O benefício dura 120 dias, é liberado inclusive em união homoafetiva e, em situações previstas em lei, também pode ir para homens, como na adoção ou na morte da mãe durante o parto.O reembolso que motivou os pedidos barrados funciona assim: quando uma empresa antecipa o pagamento do benefício a uma funcionária, ela pode pedir ao fisco a compensação desse valor. Quando o INSS paga o benefício direto ao segurado, a empresa não pode pedir o dinheiro de volta pelos sistemas de restituição. Era por essa via que as empresas de fachada tentavam retirar o equivalente a 2 mil pedidos iguais ao do entregador.As tentativas de fraude no benefício se repetem há mais de dois anos. Segundo a Folha, os golpes cresceram desde 2024, quando o STF (Supremo Tribunal Federal) mudou a regra de acesso. A Receita também citou pessoas e empresas que ofereciam supostas soluções tributárias com promessa de créditos ou restituições rápidas, e orientou o cidadão a conhecer os direitos que tem antes de pedir qualquer valor ao governo.

RARafael Albuquerque
Economy

Focus corta projeção de inflação para 2026 a 5% e sobe estimativa do PIB

O mercado financeiro cortou a projeção de inflação para 2026 a 5%, contra 5,01% na semana passada, no Boletim Focus divulgado nesta terça-feira (8) pelo Banco Central. Para o bolso, o número significa que o carrinho de compras que custa R$ 100 hoje deve custar cerca de R$ 105 no fim do ano. A estimativa vale para o IPCA, índice que mede a inflação oficial do país.Ainda assim, a previsão segue acima do compromisso do governo. A meta de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com teto de 4,5% e piso de 1,5%. Para 2027, a projeção subiu um pouco, de 4,28% para 4,29%.PIB e jurosNo mesmo levantamento, a estimativa de crescimento da economia em 2026 subiu de 1,92% para 1,93%. Segundo o InfoMoney, foi a primeira alta da projeção em mais de dois meses. O avanço é modesto perto dos 2,3% de 2025, quinto ano seguido de crescimento.Entenda: o Boletim Focus é uma pesquisa semanal do Banco Central com mais de 100 instituições financeiras, entre bancos e consultorias. Os números divulgados são a mediana das apostas desses economistas para inflação, juros, PIB e câmbio. O BC usa o documento para acompanhar as expectativas do mercado.A taxa básica de juros, a Selic, está em 14% ao ano, após quatro cortes seguidos do Copom, o comitê que define os juros no Banco Central. Até março, ela estava em 15%, o maior nível em quase 20 anos. O mercado aposta em queda para 13,75% no fim deste ano e para 12% em 2027; enquanto isso, empréstimos, financiamentos e parcelamentos seguem caros.O próximo teste chega sexta-feira (11), quando o IBGE divulga a inflação de agosto. Em julho, o IPCA acumulou alta de 4,44% em 12 meses, de volta para dentro da meta do governo. Para o câmbio, a aposta do mercado é de dólar a R$ 5,20 no fim do ano.

RARafael Albuquerque
banking

STF mantém INSS no controle do teto de juros do consignado; taxa segue em 1,85% ao mês

O teto de juros do empréstimo consignado pago por aposentados e pensionistas segue limitado a 1,85% ao mês, e o controle do limite continua com o INSS, o instituto que paga os benefícios da Previdência. Por decisão unânime do STF (Supremo Tribunal Federal), em sessão virtual encerrada em 28 de agosto, o órgão continua autorizado a definir o teto dessa modalidade de crédito. Na prática, nada muda no bolso do segurado por agora: o tribunal apenas confirmou quem pode mexer no limite.O julgamento encerrou a ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) 7759, proposta em 2024 pela ABBC (Associação Brasileira de Bancos). A ação questionava trecho do artigo 6º da lei 10.820, de 2003, que criou o consignado e autoriza o INSS, ouvido o CNPS (Conselho Nacional de Previdência Social), a estabelecer o teto. Para os bancos, a taxa deveria ser fixada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), o colegiado que regula o sistema financeiro nacional, e a regra violaria os princípios da legalidade, da livre iniciativa e da livre concorrência.O voto vencedor foi o do relator, ministro Kassio Nunes Marques, e os demais ministros o acompanharam. No voto, resumido pela assessoria do tribunal, a limitação dos juros aparece como "mecanismo de proteção do consumidor vulnerável", e não como ingerência arbitrária na atividade econômica. O ministro também afastou a exigência de lei complementar e a alegada violação à livre iniciativa, já que a norma não proíbe a atividade dos bancos nem dá exclusividade a nenhum agente.Entenda: o crédito consignado é um empréstimo cujas parcelas são descontadas direto da aposentadoria ou da pensão, antes de o dinheiro chegar à conta do segurado. Como o risco de calote é quase zero, ele tem as taxas mais baixas do mercado: no teto atual, um saldo de R$ 1.000 gera R$ 18,50 de juros por mês. O cartão consignado tem limite de 2,46% ao mês, e quem recebe o BPC, benefício assistencial de até um salário mínimo, também tem direito à modalidade, segundo a Folha de S.Paulo.Como a disputa começouA disputa começou em 2024, quando o então ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, passou a reduzir o teto todas as vezes que a taxa Selic, a taxa básica da economia, caía, segundo a Folha. Na ocasião, os bancos chegaram a parar de oferecer o empréstimo, e o presidente Lula teve de intervir na decisão.Com o julgamento, o INSS, ouvido o CNPS, segue autorizado a rever os tetos, hoje em 1,85% ao mês no empréstimo e 2,46% no cartão. A diferença entre os dois limites, 0,61 ponto porcentual, equivale a R$ 61 por mês em um saldo de R$ 10.000. A decisão encerra, por ora, a tentativa judicial dos bancos de transferir o controle das taxas ao CMN.

RARafael Albuquerque
Economy

Para 33% dos brasileiros, renda da família não cresceu no último ano, diz Quaest

Um terço dos brasileiros (33%) diz que a renda da família não aumentou nada no último ano, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (7). Na prática, para uma em cada três famílias, o dinheiro que entra em casa hoje é o mesmo de doze meses atrás, enquanto os preços nas prateleiras seguiram subindo. Somados, os que não viram a renda crescer (33%) e os que viram ela subir menos que o custo de vida (21%) chegam a 54% dos entrevistados: mais da metade do país diz que o salário compra menos do que comprava há um ano.A pergunta foi direta: "Pensando no que sua família ganha e no aumento dos preços no último ano, você diria que...". Outros 33% responderam que renda e custo de vida subiram no mesmo ritmo, e apenas 10% disseram que a renda aumentou mais que os preços, ou seja, menos de um em cada dez brasileiros sente que o dinheiro rende mais que há um ano. Os percentuais repetem exatamente os da rodada anterior, de 2 de setembro.Como a pesquisa foi feitaA Quaest, contratada pela Globo e pelo jornal O Globo, ouviu 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em todo o país entre os dias 3 e 6 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01720/2026.Entenda: a margem de erro mostra que cada número pode variar dois pontos para cima ou para baixo. Se a pesquisa aponta 33%, o valor real na população está entre 31% e 35%, com 95% de confiança. Por isso, diferenças de um ou dois pontos entre rodadas não indicam mudança.Percepção de renda separa Lula e FlávioA resposta sobre a renda familiar separa os dois principais candidatos na disputa presidencial. Entre quem diz que a renda aumentou mais que o custo de vida, o presidente Lula (PT) tem 76% das intenções de voto no 1º turno, contra 11% do senador Flávio Bolsonaro (PL), grupo com margem de erro de 7 pontos. Entre quem diz que a renda não aumentou, Flávio aparece na frente, com 34%, contra 23% de Lula, com margem de 4 pontos.Foi a primeira rodada da Quaest feita depois da divulgação de novos elementos da investigação do Banco Master, que envolve o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo o InfoMoney. No cenário completo de primeiro turno, sem Pablo Marçal, Lula tem 36% e Flávio, 29%. A Folha de S.Paulo e o G1 também mostram os dois empatados numericamente em 41% na simulação de segundo turno.

RARafael Albuquerque
Economy

Empresas pagam R$ 99,4 bilhões em juros no 2º trimestre e lucro cresce só 3,9%

As empresas brasileiras listadas em bolsa gastaram R$ 99,4 bilhões com despesas financeiras, o nome contábil dos juros e encargos das dívidas, entre abril e junho. Foram 12% a mais que no mesmo trimestre de 2025, ou R$ 10,7 bilhões extras, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta encomendado pelo jornal O Globo. O número equivale a mais de R$ 1 bilhão por dia saindo do caixa das companhias para pagar credores, em vez de financiar expansão ou contratações.O aperto aparece no lucro líquido, o que sobra depois de juros e impostos: ele cresceu apenas 3,9%, de R$ 48,9 bilhões para R$ 50,8 bilhões, na amostra de 268 empresas da B3, a bolsa brasileira (ficaram de fora Petrobras, Casas Bahia e os bancos). O ganho operacional, antes dessa conta, tinha subido quase 25%, para R$ 123,9 bilhões. Segundo o O Globo, os juros altos pressionam as companhias, limitam os lucros e reduzem investimentos, leitura confirmada pela UOL Economia ao revisar relatórios de cinco bancos sobre a temporada de balanços.Entenda: a Selic é a taxa básica de juros da economia, definida pelo Banco Central para conter a inflação, e hoje está em 14% ao ano. Ela serve de piso para todo o crédito do país, do parcelamento da loja ao financiamento imobiliário. Na prática, cada R$ 1.000 de dívida custa R$ 140 por ano só nessa taxa, antes do spread cobrado pelo banco."O lucro Ebit (que é o ganho obtido pelas empresas antes de se descontar o pagamento de juros das dívidas e os impostos) subiu quase 25%, totalizando R$ 123,9 bilhões. Mas quando se considera o que as empresas pagaram de juros e impostos, um desembolso de R$ 99,4 bilhões, o lucro líquido cai para R$ 50,8 bilhões. É um crescimento no lucro de apenas R$ 1,9 bilhão na comparação anual", explica Einar Rivero, CEO da Elos Ayta.Empresas trocam dívida por caixaA saída encontrada por muitas companhias foi pagar dívida. Segundo um levantamento da XP citado pelo O Globo, a alavancagem média, medida pela dívida líquida sobre o lucro operacional, caiu de 1,7 para 1,4 nos últimos quatro trimestres entre 135 empresas acompanhadas por seus analistas. O preço de não fazer essa lição aparece dentro do mesmo setor: as construtoras Cury e Direcional lucraram R$ 311 milhões e R$ 202 milhões, enquanto a MRV&CO pagou R$ 393,2 milhões de despesa financeira líquida, 60% mais que um ano antes, e amargou prejuízo de R$ 626 milhões.Os casos extremosDois casos ficaram fora da conta para não distorcer a média. A varejista Casas Bahia registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões, fechou 298 lojas e pediu recuperação judicial, processo que permite renegociar dívidas na Justiça para evitar a falência, com R$ 17,3 bilhões a renegociar. Na petição, a empresa disse ter sido "impactada pelo ambiente macroeconômico desafiador, marcado por patamares elevados de taxas de juros, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro".A Petrobras ficou fora pelo motivo oposto: lucrou R$ 52,4 bilhões, alta de 96,8% sobre o segundo trimestre do ano passado, puxada pelo petróleo caro no mercado internacional, aquecido pelas tensões entre Irã e Estados Unidos. Sem esses extremos, o retrato do trimestre é o de empresas que vendem mais, mas veem a maior parte do ganho extra ir para juros e impostos.

RARafael Albuquerque
inflation

Barril do Brent supera US$ 97 após ataques a petroleiros e refinaria no Oriente Médio

O barril de petróleo Brent, a principal referência de preço do óleo no mundo, passou dos US$ 97 nesta segunda-feira (7), o maior nível em quase sete semanas, segundo a Folha de S.Paulo. Para quem abastece o carro, a conta costuma chegar depois: barril mais caro pressiona o preço da gasolina, do diesel e das passagens aéreas. A alta vem dos novos ataques dos Estados Unidos e do Irã contra navios petroleiros e uma refinaria na região do Golfo.Por volta das 9h, o Brent avançava 1,28%, a US$ 97,49, e chegou a US$ 97,94 na máxima do dia. O WTI, a referência de preço usada dentro dos Estados Unidos, subia 0,99%, a US$ 92,37. O Valor Econômico reportou o mesmo movimento, com o Brent acima de US$ 97 por causa dos riscos de abastecimento no estreito de Hormuz, também grafado Ormuz.Um barril guarda 159 litros, então US$ 97,49 equivalem a cerca de US$ 0,61 por litro só do petróleo bruto. Refino, transporte e impostos entram por cima desse valor. O litro na bomba, portanto, começa mais caro antes mesmo de qualquer reajuste de posto.Por que o preço subiuNo sábado (5), forças dos EUA atacaram três petroleiros iranianos, segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), o comando militar americano para o Oriente Médio. Um dos navios estava perto da Ilha Kharg, o principal ponto de exportação de petróleo do Irã. Segundo a Folha, os três petroleiros eram Downy, Stark I e Kylo, também conhecido como Noxen.Os ataques americanos vieram depois de ações do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, o braço militar do Irã, contra navios de guerra dos EUA na região. Em retaliação, a Marinha da Guarda Revolucionária disse no mesmo dia ter atacado três petroleiros que navegavam por rotas não autorizadas no estreito, além de três outras embarcações americanas em áreas diferentes. Nesta segunda de manhã, as instalações da estatal saudita Saudi Aramco em Jizan voltaram a ser atingidas.A refinaria de Jizan, uma das maiores da Arábia Saudita, processa 400 mil barris por dia. Os houthis, grupo aliado do Irã no Iêmen, já haviam atacado a unidade no começo de agosto, e uma pessoa a par do episódio disse à Folha que o ataque desta segunda teve proporção semelhante. A Saudi Aramco não respondeu a pedido de informações, e os houthis não reivindicaram a ação até agora.Entenda: o estreito de Hormuz é a passagem estreita de mar entre Irã e Omã por onde circula cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo. Quando há confronto na região, navios deixam de cruzar a área por medo de ataque, a oferta de óleo cai e o preço sobe. A Folha reportou que o tráfego no estreito caiu ao menor nível desde maio.Para o consumidor brasileiro, o barril caro pressiona os preços da gasolina e do diesel, que pesam no IPCA, o índice oficial de inflação do país. As bolsas dos EUA ficaram fechadas nesta segunda por causa do feriado do Labor Day, segundo a Exame, enquanto o Brasil também vivia feriado, o 7 de Setembro. A próxima referência de preço deve chegar na terça (8), quando os mercados americanos reabrem.

RARafael Albuquerque
banking

Cartão consignado: ações paradas há seis meses aguardam resposta única do STJ

Há cerca de seis meses, as ações que discutem o cartão de crédito consignado estão paradas em todo o país. Na prática, é meio ano sem decisão para aposentados, pensionistas e servidores que pediram na Justiça a anulação do contrato, o equivalente a seis benefícios ou salários recebidos desde então. O congelamento foi determinado pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), que agora tenta dar uma resposta única a essa leva de processos.Segundo a Folha de S.Paulo, a Segunda Seção do tribunal vai discutir dois pontos: se houve abuso na concessão do cartão e se a anulação do contrato gera condenação automática por dano moral. O caso tramita como Tema 1.414, sob a relatoria do ministro Raul Araújo, e ainda não tem data marcada para julgamento. Em nota publicada em março, o próprio STJ diz que a decisão vai definir "parâmetros objetivos" para avaliar a validade e o possível caráter abusivo desses contratos.Entenda: o cartão consignado é um cartão de crédito em que parte da fatura é descontada direto da folha, do salário de servidor público ou do benefício do INSS, dentro de um limite chamado margem consignável. Os juros costumam ser menores que os do cartão comum porque o banco tem garantia de cobrança. Já o "recurso repetitivo" é o rito em que o STJ julga um caso-modelo e a resposta vale para todos os processos iguais no país.Por que a fila é tão grandeAs ações se multiplicaram nos últimos anos, segundo os advogados Carlos Antônio Harten e Renato Dowsley. Em artigo no Poder360, eles dizem que o Judiciário foi "inundado" por pedidos que alegam informações pouco claras na contratação e que tribunais estaduais proferem decisões divergentes sobre situações idênticas. A questão da indenização automática tem até tema próprio no STJ, o Tema 1.328, ligado ao recurso REsp 2.145.244, originário de Santa Catarina.No caso catarinense, o tribunal estadual firmou que a anulação de um contrato efetivamente celebrado não gera, por si só, dano moral presumido. Dano moral presumido é a indenização paga de forma automática ao consumidor quando o contrato é anulado, sem que ele precise provar sofrimento. Enquanto o STJ não decide, os processos ficam parados, e só o cumprimento definitivo de sentenças já encerradas continua, segundo o artigo do Poder360.As consequências alcançam as duas partes. Se o tribunal confirmar o dano automático, bancos podem ser condenados em série nos contratos anulados; se seguir a linha de Santa Catarina, cada consumidor terá de provar o prejuízo caso a caso. O julgamento do Tema 1.414, junto com o da indenização, vai definir o rumo dos processos que esperam desde março.

RARafael Albuquerque
Elections

Contas públicas: propostas de Lula e Flávio chegam com dívida em 82,5% do PIB

A dívida do governo federal chegou a 82,5% do PIB (a soma das riquezas que o país produz em um ano) em julho, o maior patamar desde abril de 2021, segundo dados do Banco Central citados pelo Poder360 e confirmados por O Globo e CNN Brasil. Para o bolso, isso significa juro mais alto: analistas ouvidos pelo g1 avaliam que os déficits seguidos pressionam a taxa de juros, que define o preço das parcelas de casa, carro e cartão. É com esse número na mesa que os dois líderes das pesquisas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), apresentam planos diferentes para as contas públicas, a quatro semanas do primeiro turno.Para dimensionar a dívida, imagine uma família que ganha R$ 5.000 por mês, ou R$ 60 mil por ano: ela deveria R$ 49,5 mil. Desde o início do atual governo, em 2023, o endividamento subiu 10,8 pontos porcentuais, o equivalente, nessa conta caseira, a cerca de R$ 6,5 mil de dívida extra em menos de quatro anos. Um levantamento do Poder360 publicado neste domingo (6.set.2026) compara o que cada candidato propõe, e economistas ouvidos pelo site avaliam que nenhum dos dois planos basta para mudar a trajetória da dívida.O plano de cada candidatoLula quer manter o arcabouço fiscal, a regra que limita o crescimento das despesas, e fazer o ajuste pelo lado da arrecadação, contando com crescimento da economia, eficiência do gasto e mais tributos. O programa promete manter e ampliar a proteção social (Bolsa Família, BPC, habitação e Pé-de-Meia) e elevar os investimentos públicos. O ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman resume a crítica ao chamar o conjunto de "Orçamento frouxo", com pouca preocupação em conter as despesas."O arcabouço implementado, além de insuficiente, não traz consequências quando desrespeitado. É como se não existisse", disse o economista-chefe da Forum Investimentos, Bruno Perri.Flávio Bolsonaro parte para o lado oposto: uma nova regra fiscal, superávits primários (arrecadar mais do que gastar, antes de pagar juros) e um "tesouraço" na máquina, com pelo menos 10 ministérios a menos, corte de cargos comissionados (postos de confiança sem concurso) e combate aos penduricalhos, as vantagens extras no salário de servidores. O plano ainda retomaria privatizações e a reforma administrativa. Segundo o Poder360, o documento não diz quanto seria economizado e ainda promete dobrar os investimentos em segurança pública e reduzir impostos, o que aumenta as dúvidas sobre a efetividade dos cortes.Entenda: a dívida bruta soma tudo o que o governo federal deve, e o arcabouço fiscal é a regra criada para segurar o crescimento das despesas dentro de um limite. Nos últimos anos, o governo abriu espaço para gastos fora desse limite, o que fragilizou a credibilidade da regra. Perri acrescenta outro problema nas contas de Flávio: privatizações são receitas não recorrentes, porque os ativos são vendidos uma vez só.Receita recorde e dívida em altaO aperto convive com arrecadação recorde: o governo federal deve arrecadar R$ 3,24 trilhões neste ano, 23,7% do PIB, o maior patamar da série histórica do Tesouro Nacional, iniciada em 1997, superando o recorde de 2010 (23,6% do PIB), do 2º mandato do próprio Lula. Na tradução do dia a dia, para cada R$ 100 de riqueza produzida no país, R$ 23,70 vão ao caixa federal, contra uma média de R$ 21,40 nos 29 anos anteriores, segundo o g1. Mesmo assim, a economista-chefe do banco Inter, Rafaela Vitória, avaliou que 2026 deve fechar com déficit primário perto de 0,5% do PIB, pior que 2025; o orçamento proposto para 2027 prevê superávit de R$ 18,6 bilhões, menos de 1% da receita anual.

RARafael Albuquerque
Economy

Greve na Caixa começa dia 10; privados e BB aprovam acordos salariais

Bancários da Caixa rejeitaram por 90% dos votos a proposta de acordo coletivo do banco e aprovaram uma greve que começa na quinta-feira, 10 de setembro. O resultado da assembleia nacional, encerrada às 19h de sexta-feira (4), foi divulgado pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo. Para o cliente comum, a decisão pode significar atendimento reduzido justamente no banco que paga FGTS, PIS e benefícios sociais do governo federal.Em Belo Horizonte, a rejeição chegou a 93,5% e a greve venceu com 68,2% dos votos. A Contec, confederação nacional da categoria, registrou rejeição superior a 90% em assembleias pelo país e formalizou a paralisação por tempo indeterminado a partir do dia 10. O centro da crise é o Saúde Caixa, plano de saúde de empregados, aposentados e dependentes.Pela proposta do banco, as mensalidades passariam a custar entre 2,7% e 4,5% da remuneração-base do titular, conforme a idade, e cada dependente teria cobrança entre R$ 480 e R$ 660 por pessoa. Segundo a Contec, em alguns casos a conta pode subir cerca de 50% sobre os valores atuais. O teto de gasto da família subiria de 7% para 9% da remuneração-base, o que, para efeito de comparação, equivale a R$ 450 por mês para quem ganha R$ 5 mil.Outros números também pesaram na rejeição: o limite anual de coparticipação, a parte das consultas e exames paga pelo beneficiário, subiria de R$ 3,6 mil para R$ 4,8 mil, um acréscimo de um terço. Uma ida ao pronto-socorro passaria a custar R$ 150. O plano tem déficit de cerca de R$ 410 milhões, com projeção de R$ 734 milhões para 2026, e a Caixa ofereceu um aporte de R$ 536 milhões dentro do mesmo pacote que encarece as mensalidades, segundo a Contec.A confederação pediu que o Saúde Caixa saísse do acordo e fosse negociado à parte até o fim do ano, mas o banco manteve a proposta. As mudanças chegaram na reta final das tratativas, sem tempo para avaliar impactos, segundo a entidade. Alguns sindicatos filiados ainda votam a proposta na terça-feira (8).Entenda: bancários de bancos privados são regidos pela CCT, convenção nacional negociada com a Fenaban, a federação que representa os bancos. Caixa e Banco do Brasil, por serem estatais, fecham acordos próprios, os ACTs, votados em assembleias da categoria. O INPC é o índice de inflação usado como referência nas negociações; repor o INPC apenas mantém o poder de compra dos salários, sem ganho real.Privados e BB fecham acordosOs trabalhadores dos bancos privados aprovaram a renovação da CCT com 66,1% dos votos válidos, após 13 rodadas de negociação com a Fenaban. O acordo dá INPC mais 0,6% de ganho real em 2026 e 2027 sobre salários, participação nos lucros e demais verbas. A assinatura está marcada para 9 de setembro.Para efeito de comparação, os 0,6% representam cerca de R$ 30 por mês num salário de R$ 5 mil. Entre as novas cláusulas estão o direito à desconexão fora da jornada, sem obrigação de responder mensagens de clientes e chefias, e limites ao monitoramento digital no trabalho.No Banco do Brasil, o ACT foi aprovado com 51,65% dos votos válidos. O pacote inclui um abono de R$ 3 mil para cerca de 71,5 mil funcionários, atrelado a meta coletiva da campanha de recuperação de crédito de 2026 e previsto para depois da divulgação dos resultados do quarto trimestre, e um aporte de R$ 360 milhões ao plano de saúde Cassi.A aprovação no BB foi apertada. Em Belo Horizonte, 81% dos funcionários rejeitaram a proposta, e a greve venceu por 47,1% a 43,9% na disputa com a retomada das negociações sem paralisação. A votação nacional, no entanto, selou o acordo.O que vem até o dia 10A Contec comunicou formalmente a greve à Caixa com base na Lei 7.783/1989, que rege as paralisações no país e exige aviso prévio ao empregador. O Sindicato dos Bancários de São Paulo notificará o banco sobre a decisão da assembleia na terça-feira (8). Sem um novo acordo, a greve começa na quinta e não tem data para terminar."A Contec, nos termos da Lei de Greve e tendo em vista a rejeição da proposta patronal pelas assembleias gerais, comunica que haverá greve dos funcionários da Caixa a partir de 10 de setembro de 2026 e por tempo indeterminado", afirmou o presidente da entidade, Lourenço Prado.Prado afirmou que a porta da negociação segue aberta. "Permanecemos à disposição da Caixa para novas tratativas e para a construção de uma proposta que possa impedir a paralisação", disse, em nota. O acordo em disputa vale para o ciclo 2026/2028.

RARafael Albuquerque
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Receita recorde: governo projeta R$ 3,24 trilhões em 2026, ou 23,7% do PIB

O número é R$ 3,24 trilhões: é quanto o governo federal estima arrecadar em 2026, um recorde histórico. Para quem paga contas no fim do mês, o jeito mais simples de entender é assim: de cada R$ 100 de riqueza produzida no Brasil este ano, R$ 23,70 devem parar nos cofres da União. Na média, dá cerca de R$ 270 bilhões entrando por mês.Se confirmado, o patamar de 23,7% do PIB (a soma dos bens e serviços produzidos no país no ano) será o maior da série histórica do Tesouro Nacional, iniciada em 1997, segundo o G1. O recorde anterior é de 2010, último ano do segundo mandato do presidente Lula, com 23,6% do PIB, e a média entre 1997 e 2025 ficou em 21,4%. A estimativa está na proposta de orçamento de 2027 enviada nesta semana ao Congresso, que prevê queda para 23,4% do PIB no ano que vem (R$ 3,46 trilhões) e superávit primário de R$ 18,6 bilhões, contas no azul antes do pagamento dos juros da dívida.O que é a receita totalEntenda: a receita total reúne os tributos do governo federal e outras entradas, como royalties do petróleo, concessões e dividendos de estatais, sem contar estados e municípios. O número não deve ser confundido com a carga tributária da economia, que soma também os impostos de estados e prefeituras e chegou a 32,1% do PIB em 2024, segundo a Receita Federal.Parte da explicação está na sequência de aumentos de impostos do terceiro mandato de Lula: o IOF (que incide sobre crédito e câmbio), a taxação de offshores (patrimônio no exterior), a reoneração gradual da folha de pagamentos, o imposto de importação sobre mais de mil produtos e a cobrança sobre as apostas, entre outras medidas listadas no orçamento. "A reversão do processo de deterioração da base arrecadatória federal tem sido um grande desafio, embora alguns avanços já possam ser detectados", diz o documento. Em contrapartida, o governo ampliou a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, mudança que vale a partir da declaração de 2027.O petróleo também ajuda a bater o recorde. A expectativa é arrecadar R$ 172,1 bilhões com a exploração em 2026, cerca de R$ 33 bilhões a mais que os R$ 139,3 bilhões de 2025, puxada pela alta do preço do barril no exterior por causa da guerra no Oriente Médio, segundo o G1. Tudo isso com a economia mais devagar: o PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre, abaixo dos 1,1% de janeiro a março.Receita recorde, contas no vermelhoPara Rafaela Vitória, economista-chefe do banco Inter, os tributos e o petróleo sustentam a arrecadação mesmo com a perda de ritmo da atividade. Ela pondera que o caixa reforçado ainda não fecha as contas no azul. Déficit primário significa gastar mais do que se arrecada, sem contar os juros da dívida.O governo tem uma forte alta na arrecadação esse ano e ainda vai gerar um déficit primário próximo de 0,5% do PIB, resultado que deve ser pior que o de 2025.O pesquisador do FGV IBRE Rafael Barros Barbosa lembra que as despesas cresceram forte no terceiro mandato de Lula, turbinadas pela PEC da transição, que ampliou os gastos anuais em cerca de R$ 170 bilhões. Segundo a SpaceMoney, a dívida pública atingiu 82,5% do PIB em agosto, o maior nível desde abril de 2021. Analistas citados pelo G1 avaliam que esse descompasso entre gastos e receitas é o que pressiona os juros e o avanço do endividamento.

RARafael Albuquerque
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Quase 2 milhões trabalham por app no Brasil e ganham 12% menos por hora, diz IBGE

Quase 2 milhões de brasileiros trabalhavam por aplicativos em 2025, segundo dados da PNAD Contínua divulgados nesta sexta-feira (4) pelo IBGE. O salário médio mensal é praticamente igual ao dos demais trabalhadores, mas a jornada é mais longa e cada hora vale 12% menos. Na prática, o motorista ou entregador só chega ao mesmo salário trabalhando mais por ele.Do total, 1,805 milhão de pessoas tinham os aplicativos como trabalho principal e 182 mil como renda extra, segundo o G1. O grupo equivale a 1,9% dos 102,4 milhões de ocupados no país. O Sudeste concentra 55,3% desses trabalhadores, ou 1,083 milhão de pessoas.Carona é o grosso: 1,2 milhão de pessoas, ou 58,9%, dirigem para apps de transporte particular de passageiros, como Uber e 99. Em seguida vêm os apps de entrega, usados por 29,9%, grupo que inclui desde entregadores até quem vende o próprio produto. Uma fatia menor, de 313 mil pessoas (16%), presta serviços gerais ou profissionais por app, de faxina a telemedicina, segundo a Agência Brasil.O contingente cresce rápido. Contando só quem tem o app como ocupação principal, a única forma comparável com anos anteriores, eram 1,3 milhão em 2022 e chegaram a 1,8 milhão em 2025, alta de 36,8% em três anos e de 9,1% no último. Mesmo assim, são apenas 2% dos ocupados do setor privado, embora em transporte, armazenagem e correios três em cada quatro trabalhadores já usem app.Entenda: a PNAD Contínua é a maior pesquisa de emprego do país, feita pelo IBGE em entrevistas domiciliares. Trabalhador plataformizado é quem presta serviço por um app que conecta trabalhador e cliente, e esse app pode definir preço, cliente, prazo e até a jornada, como explica o G1. Nesta pesquisa, WhatsApp, Instagram e o Marketplace do Facebook não contam como plataforma, e a série ainda é experimental, por isso o IBGE avisa que o total de 2 milhões não é comparável às edições de 2022 e 2024.Ganham igual, trabalham maisO rendimento médio mensal do trabalho principal foi de R$ 3.147 em 2025, praticamente igual ao dos demais trabalhadores do setor privado (R$ 3.148) e um pouco acima de dois salários mínimos. A diferença está nas horas: 44,7 por semana, contra 39,3 dos demais, segundo o G1. São 5,4 horas a mais por semana, quase 24 horas extras por mês, o equivalente a quase três dias de trabalho.Por hora, o trabalho por app rendia R$ 16,20, contra R$ 18,40 dos demais: 12% menos. Segundo a Agência Brasil, os valores representam o que efetivamente sobra depois de custos como gasolina e manutenção do carro. De 2022 a 2025, o rendimento dos plataformizados variou só 1%, enquanto o dos demais cresceu 10,6%, segundo o G1.Quem são e por que trabalham por appQuem trabalha por app é, na maioria, homem (84,4%) e tem entre 25 e 39 anos (47%). Quase 9 em cada 10 (86,8%) são trabalhadores por conta própria, e só 4,5% têm carteira assinada. A informalidade, ou seja, sem carteira nem CNPJ, atinge 72,1% deles, quase o dobro dos demais (42,7%), e só 34% contribuem para a Previdência, contra 63%.Os motivos mais citados para trabalhar por app foram flexibilidade de horários (26,8%), não conseguir encontrar outro trabalho (24,6%) e rendimento maior que as alternativas (20,8%). Entre motoristas de transporte e entregadores, não achar outro emprego foi o motivo principal. A dependência é alta: 62,7% trabalham exclusivamente por plataformas e 38,8%, ou 701 mil pessoas, quase 4 em cada 10, dependem de um único aplicativo.Para o IBGE, o retrato tem dois lados, como resumiu o analista do instituto Gustavo Geaquinto Fontes."As plataformas têm oferecido oportunidades de geração de renda para muitos trabalhadores e permitido que as empresas alcancem novos mercados e reduzam custos. Por outro lado, representam um importante desafio para as condições de trabalho", afirmou Fontes.

RARafael Albuquerque
Economy

BC decreta liquidação extrajudicial de corretoras de ex-sócio do Banco Master

Menos de 0,001% dos ativos do sistema financeiro brasileiro. É esse o peso conjunto da Trustee e da Banvox, duas corretoras ligadas a um ex-sócio do Banco Master que o Banco Central (BC) mandou encerrar nesta quinta-feira (3), por liquidação extrajudicial. Para o resto do sistema, o efeito é desprezível: o próprio BC classificou a participação das duas empresas como muito pequena, e a justificativa da medida, em nota, foi a existência de "graves violações às normas legais".As duas distribuidoras têm sede em São Paulo e ligação com Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master, banco que o próprio BC já tinha colocado em liquidação extrajudicial em novembro do ano passado, segundo a Folha. Segundo o G1, depois do rompimento com Daniel Vorcaro, controlador do banco e preso no âmbito das investigações sobre supostas fraudes, Quadrado assumiu o controle da Trustee, que prestava serviços à instituição. A Banvox, fundada em 1984 e também ligada a Quadrado, concentra desde 2016 a administração e a custódia de fundos próprios.Em julho, as duas respondiam, juntas, por menos de R$ 1 de cada R$ 100 mil em ativos do sistema financeiro e por cerca de 76 centavos de cada R$ 100 de recursos de terceiros administrados no país, segundo o BC. É o equivalente a uma loja de bairro dentro de um shopping gigante. As duas casas integram um conglomerado do segmento S4, a faixa da regulação prudencial reservada a grupos de menor porte, segundo a InfoMoney.Entenda a medidaEntenda: a liquidação extrajudicial permite ao BC encerrar as atividades de uma instituição financeira sem autorização da Justiça, quando identifica irregularidades graves; um liquidante nomeado pela autoridade assume a casa, vende os ativos e paga os credores na ordem definida em lei. A sigla DTVM, presente no nome das duas empresas, significa distribuidora de títulos e valores mobiliários, o nome técnico das corretoras que negociam investimentos para clientes.Quem assinou e o que vem agoraO ato foi assinado por Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização, que responde pela presidência do BC durante a viagem de Gabriel Galípolo a Basileia, na Suíça, segundo a InfoMoney. A liquidante indicada é Marilena Simões Valentim. Os bens dos controladores e dos ex-administradores ficam indisponíveis desde esta quinta, e o BC informou que continuará apurando responsabilidades, o que pode gerar sanções administrativas e comunicações a outras autoridades.A medida se soma a investigações em andamento. Segundo o G1, a Banvox administrava ao menos um fundo citado na Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que apura suposta lavagem de dinheiro e suspeita de ligação com o crime organizado. Um levantamento interno da CVM, revelado pela colunista Malu Gaspar, do O Globo, apontava 126 processos administrativos contra o Banco Master, a gestora Reag e a Trustee até fevereiro, sendo o mais antigo de 2017.

RARafael Albuquerque
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Ibovespa sobe 3% e dólar cai a R$ 5,10 após pesquisa apontar empate entre Lula e Flávio

A bolsa brasileira subiu 3% nesta quarta-feira (2) e o dólar fechou em queda acentuada, a R$ 5,10. Quem tem R$ 1.000 aplicados em um fundo que segue o Ibovespa, principal índice de ações do país, viu o saldo crescer cerca de R$ 30 em um único pregão. O motor do movimento foi político: a pesquisa Quaest, divulgada na quarta (2), apontou o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) tecnicamente empatados, dentro da margem de erro, em um eventual segundo turno.Segundo o g1, a Quaest, contratada pela Globo e pelo jornal O Globo, mostra Lula com 37% das intenções de voto no primeiro turno, pouco mais de um eleitor a cada três, contra 29% de Flávio Bolsonaro. O escritor Augusto Cury (Avante) aparece em terceiro, com 10%. Em simulação de segundo turno, Lula tem 42% e Flávio, 41%, empate técnico porque a margem de erro é de dois pontos percentuais; a distância era de três pontos em meados de agosto.Foi a 11ª alta seguida do Ibovespa, que fechou no maior patamar desde maio, informou a Agência Brasil. A CNN Brasil registrou alta de 3%, e a Bloomberg Línea, de 3,1%. O dólar caiu 0,91%, para R$ 5,10, queda de quase 5 centavos.No dia a dia, uma queda de quase 5 centavos no câmbio poupa cerca de R$ 47 em uma compra de US$ 1.000, o tamanho típico de um orçamento de viagem. Entre as ações, o Banco do Brasil subiu quase 6%, puxado pela pesquisa e por um novo valor de JCP (juros sobre capital próprio, uma forma de repasse de lucro aos acionistas), apurou o InfoMoney.Por que uma pesquisa mexe com os preçosEntenda: o mercado chama de "trade eleitoral" as compras e vendas guiadas pelas chances de cada candidato vencer a eleição de outubro. Quando um levantamento mostra a disputa mais apertada, investidores pagam mais por ações de empresas vistas como beneficiadas por uma eventual mudança de governo e recuam em papéis atrelados ao atual. Como ninguém sabe o resultado, a aposta pode se reverter em dias, se a pesquisa seguinte mostrar outro quadro.No Valor Econômico, a leitura do dia falou em "euforia" na bolsa, com agentes apostando em alternância de poder, mas lembrou que o mercado ainda não precifica uma eleição equilibrada, de 50/50. O Estadão aponta que novas pesquisas, entre elas a Datafolha, testam nesta quinta (3) a força do chamado trade. O primeiro turno está a cerca de um mês, segundo o g1.

RARafael Albuquerque
Augusto Cury

Pesquisa Real Time Big Data: Lula tem 38%, Flávio 29% e Cury 10%

38% dos eleitores dizem que pretendem votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, no primeiro turno de 4 de outubro, segundo a pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira (1º). Para quem ainda decide o voto, o número significa que Lula lidera com folga e fica longe dos mais de 50% dos votos válidos que dariam a vitória em uma única rodada. Vêm em seguida o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com 29%, e o escritor Augusto Cury (Avante), com 10%.A vantagem do presidente sobre Flávio é de 9 pontos. Em um universo de 2.000 pessoas ouvidas, isso equivale a cerca de 180 entrevistados a mais escolhendo o petista. No levantamento estimulado, em que os nomes dos candidatos são lidos ao eleitor, ainda aparecem Renan Santos (Missão) com 6%, o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) com 4%, Pablo Marçal (PRTB) com 3% e o ex-governador Romeu Zema (Novo) com 2%, segundo a CNN Brasil.Em um segundo cenário, sem o nome de Marçal, hoje inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conforme a InfoMoney, quase nada muda. Lula repete os 38%, Flávio sobe um ponto, para 30%, e Cury chega a 11%. Votos brancos, nulos e indecisos somam 3% cada.Empate no segundo turnoA disputa muda de figura quando resta um adversário só: Lula e Flávio empatam em 44% das intenções de voto em um eventual segundo turno, resultado que compara a corrida a uma moeda jogada ao ar. Em 21 de julho, o mesmo instituto dava 45% ao presidente e 42% ao candidato do PL. O levantamento não testou um desempate entre Lula e Cury.Em outro cenário, Caiado chega a 45%, contra 43% de Lula, diferença dentro da margem de erro. Contra Zema, Renan Santos e Marçal, o presidente fica à frente, com 43% a 40%, 44% a 37% e 44% a 40%, respectivamente. Para a InfoMoney, os cenários indicam avanço da candidatura do Partido Liberal desde o levantamento de julho.Entenda: toda pesquisa trabalha com uma margem de erro, neste caso de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Nas 2.000 entrevistas, dois pontos equivalem a cerca de 40 pessoas, e diferenças desse tamanho não permitem declarar um vencedor, situação chamada de empate técnico. É por isso que o 45% a 43% entre Caiado e Lula não dá liderança a nenhum dos dois.Rejeição empatada e avaliação ruim do governoLula e Flávio têm a mesma rejeição: 50%, o equivalente a um em cada dois eleitores dizendo que não votaria neles. Cury registra a menor taxa da lista, 28%. Na avaliação do governo, 51% desaprovam o trabalho do presidente e 45% aprovam.O Real Time Big Data ouviu 2.000 eleitores em todo o país entre os dias 27 e 31 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, e o registro no TSE é o BR-03490/2026. Segundo a CNN Brasil, o levantamento foi contratado pelo próprio instituto.

RARafael Albuquerque
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PIB desacelera para 0,5% no 2º trimestre, e consumo das famílias recua 0,4%

A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, informou o IBGE nesta terça-feira (1º). O ritmo é menos da metade do registrado no primeiro trimestre, quando o crescimento havia sido de 1,1%. Na prática, o país segue crescendo, mas o motor mais ligado ao bolso, o consumo das famílias, andou para trás: os gastos caíram 0,4%.Para dimensionar, uma queda de 0,4% no orçamento de uma família que gasta R$ 3.000 por mês equivale a cortar cerca de R$ 12 em um mês. O recuo veio após alta de 0,8% no primeiro trimestre e segue o roteiro esperado com o dinheiro caro: segundo a Folha de S.Paulo, analistas já aguardavam a perda de ritmo por causa dos juros altos.Entenda: o PIB (Produto Interno Bruto) soma o valor de todos os bens e serviços produzidos no país em um período, do pão da padaria à assinatura de streaming. No segundo trimestre, essa produção somou R$ 3,4 trilhões em valores correntes, diz o IBGE. Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, o crescimento foi de 2%.O que cresceu e o que travouQuem segurou o resultado foi o campo. A agropecuária cresceu 2,8% no trimestre, o melhor desempenho entre os grandes setores, com destaque anual para a soja (+5,3%) e o café (+15,1%). Já os serviços, que reúnem comércio, transportes e restaurantes, avançaram apenas 0,2%, e a indústria, 0,1%.Dentro da indústria, a extração de petróleo e gás cresceu 3,4%, enquanto a manufatura recuou 0,4%. Como o IBGE não faz ajuste sazonal lavoura por lavoura, não é possível dizer com certeza quanto cada cultura contribuiu para os 2,8% do trimestre, disse o coordenador de Contas Nacionais do instituto, Ricardo Montes de Moraes.Juros altos e ano eleitoralO custo do dinheiro é o principal freio. A Selic, taxa básica de juros definida pelo Banco Central, caiu de 15% para 14% ao ano entre março e agosto, após quatro cortes seguidos de 0,25 ponto, mas segue em dois dígitos: um empréstimo de R$ 1.000 acumula mais de R$ 140 de juros em um ano só pela taxa básica. A Folha também aponta o endividamento das famílias como trava adicional ao consumo.Há pontos positivos: o consumo do governo subiu 0,4% e os investimentos cresceram 1,2%; as exportações caíram 0,8% e as importações subiram 1,8%. O resultado de 0,5% ficou levemente acima da mediana das projeções do mercado, de 0,4%, conforme a agência Bloomberg. Para o ano, o boletim Focus, do Banco Central, projeta alta de 1,92% no PIB, e o mercado de trabalho seguiu forte no trimestre, segundo a Folha.A divulgação desta terça é a última antes das eleições de outubro, e os dados do terceiro trimestre só chegam em 2 de dezembro. O governo do presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, apostou em medidas de estímulo à economia nos últimos meses. A conta do aperto monetário, porém, já apareceu no número que mais afeta o dia a dia: o quanto as famílias conseguem comprar.

RARafael Albuquerque
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Governo reserva R$ 97,9 bi para crédito subsidiado em 2027 e custo de até R$ 20,5 bi

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva reservou R$ 97,9 bilhões para seis linhas de crédito subsidiado em 2027, de acordo com a proposta de Orçamento enviada ao Congresso nesta segunda-feira (31). Na prática, é dinheiro para empréstimos com juros abaixo do mercado, mais baratos do que os cobrados pelos bancos. Quem paga a diferença, no fim da conta, é o contribuinte: se os recursos forem usados por inteiro, o custo pode chegar a R$ 20,5 bilhões, pagos com o aumento da dívida pública ao longo dos contratos, segundo a Folha de S.Paulo.Para dar uma ideia do tamanho, o valor é mais que o dobro dos R$ 44,8 bilhões reservados às emendas parlamentares no mesmo Orçamento. Na média, cada real emprestado embute cerca de 20 centavos de subsídio durante a vida do contrato. As linhas subsidiadas cresceram no terceiro mandato de Lula e viraram vitrine do governo; em ano eleitoral, chegaram a novas frentes, como carros para taxistas e motoristas de aplicativo e motos para entregadores.Entenda: o custo vem do subsídio implícito, a diferença entre a taxa que o Tesouro paga para se financiar no mercado e a taxa menor que recebe ao emprestar o dinheiro aos programas. O cálculo entrou no PLOA (projeto de Lei Orçamentária Anual) por meio de um anexo inédito, criado depois de críticas de especialistas e do TCU (Tribunal de Contas da União) à falta de transparência nesses gastos.Na apresentação da proposta, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, explicou o mecanismo:"Quando você empresta esse recurso a uma taxa tal, abaixo daquela taxa pela qual os outros financiam, isso gera um subsídio implícito. Estamos mostrando o impacto pelas principais áreas que têm despesa financeira, qual é o subsídio implícito projetado para cada um deles."O custo fora da meta fiscalEspecialistas criticam o modelo, que enxergam como um jeito de contornar as regras fiscais: como o repasse é uma despesa financeira, ele não entra no limite de gastos do arcabouço fiscal nem no resultado primário, a diferença entre receitas e despesas do governo, fora os juros da dívida. Os R$ 20,5 bilhões equivalem a quase 12 milhões de salários mínimos mensais, já que o mesmo Orçamento prevê piso de R$ 1.741 para 2027.A proposta também projeta superávit primário de R$ 18,6 bilhões em 2027, segundo a InfoMoney. Como o subsídio implícito fica fora dessa conta, o custo só aparece na dívida pública. O projeto segue agora para o Congresso, que pode mudar os valores até a aprovação da Lei Orçamentária.

RARafael Albuquerque
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Governo estima arrecadar R$ 636 bilhões com a CBS, novo imposto federal, em 2027

R$ 636 bilhões: é o que o governo federal espera arrecadar em 2027 com a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), o novo imposto federal sobre consumo que substitui PIS, Cofins e parte do IPI a partir de janeiro. Como todo tributo sobre consumo, o dinheiro sai do bolso de quem compra, embutido nos preços. Repartido ao longo do ano, seriam cerca de R$ 20 mil por segundo.A estimativa está no projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, entregue ao Congresso nesta segunda-feira (31), segundo o G1. Somando o Imposto Seletivo, o "imposto do pecado" que incidirá sobre cigarros, bebidas e apostas, os novos tributos da reforma devem render R$ 677,9 bilhões no ano que vem, de acordo com a Folha de S.Paulo. Só a CBS equivale a mais de 15 vezes os R$ 41,9 bilhões previstos com o imposto do pecado e a 14 vezes os R$ 44,8 bilhões reservados, no mesmo Orçamento, para emendas parlamentares.A CBS substitui o PIS, a Cofins e parte do IPI. PIS e Cofins, dois tributos federais que hoje incidem sobre o faturamento das empresas e estão entre os que mais geram disputas judiciais no país, serão extintos no fim deste ano, informa o G1. O IPI, imposto sobre produtos industrializados, sobrevive apenas para itens produzidos na Zona Franca de Manaus.Entenda: o que é a CBSA CBS é um imposto sobre o valor agregado (IVA), modelo usado no resto do mundo: incide em cada etapa da produção, mas a empresa desconta o tributo já pago na etapa anterior. No exemplo do G1, com alíquota de 20%, um produto vendido ao consumidor final por R$ 100 carrega R$ 20 de imposto no total da cadeia. A diferença para hoje é que o valor passará a aparecer destacado na nota, separado do preço do produto.Alíquota só em dezembroO Orçamento traz os valores a arrecadar, mas não a alíquota da CBS. Pelo calendário da reforma, aprovada pelo Congresso em 2023, a Receita Federal tem até 14 de setembro para enviar ao TCU (Tribunal de Contas da União, órgão que audita as contas federais) a proposta de cálculo; o tribunal tem até 30 de outubro para homologar os números, e o Senado fixa a alíquota de referência até 15 de dezembro. "Nem é papel da Fazenda fechar alíquota", disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan, segundo a Folha.Sobre o tamanho dos impostos, o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS) estimou em agosto que a soma de CBS, IBS (a versão do imposto para estados e municípios) e Imposto Seletivo chegará a cerca de 28% em 2033, primeiro ano de cobrança plena. Seriam R$ 28 de imposto em cada R$ 100 de compra, acima dos 19,4% da média dos países da OCDE, o fórum das economias desenvolvidas. O governo argumenta que a tributação atual sobre o consumo já estaria em torno de 34%, e o G1 lembra que tributos altos sobre consumo penalizam as famílias de baixa renda, que gastam proporção maior da renda em compras.

RARafael Albuquerque
Lula

Governo projeta superávit de R$ 18,6 bilhões em 2027 após quatro anos no vermelho

R$ 18,6 bilhões: é o superávit que o governo federal projeta para as próprias contas em 2027, o primeiro saldo positivo após quatro anos seguidos de déficit, segundo a proposta de Orçamento enviada ao Congresso nesta segunda-feira (31). Para o bolso das famílias, o número importa porque gastar mais do que se arrecada pressiona os juros e a dívida pública, e juros altos encarecem o crédito e o consumo, aponta o G1. A promessa é modesta: equivale a 0,13% do PIB, pouco mais de um centavo em cada R$ 10 que o país produz em um ano.A meta está no projeto de lei orçamentária anual (PLOA) de 2027, entregue ao Congresso nesta segunda-feira (31). É a última peça orçamentária do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e valerá para o primeiro ano do sucessor eleito em outubro, embora o Congresso e o próximo governo possam alterá-la. Ao apresentar o texto, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, disse confiar na entrega do "resultado cheio", o superávit integral:"Temos toda confiança que somos capazes de entregar esse resultado cheio. Há um peso menor das despesas obrigatórias. Não estamos prevendo receitas que dependam de aprovação do Congresso, porque, em outros exercícios, encaminhamos o PLOA e outras medidas de arrecadação. Aqui não contamos com nenhuma medida nova."Meta no azul, exceções que autorizam vermelhoA meta aceita atalhos. Segundo o G1, há banda de tolerância de 0,25 ponto percentual do PIB para cima ou para baixo, e R$ 65,7 bilhões em precatórios, as dívidas que a União perdeu na Justiça e precisa pagar, além de projetos de defesa, saúde e educação, podem ficar fora do limite de gastos. Na prática, o governo poderia fechar 2027 com rombo de até R$ 29,1 bilhões, maior que o próprio superávit prometido, sem descumprir formalmente a meta.Entenda: o indicador em disputa é o resultado primário, a diferença entre o que o governo arrecada e o que gasta, sem contar os juros da dívida. Quando entra mais do que sai, há superávit primário, o azul das contas; quando sai mais, há déficit. Os juros da dívida somaram R$ 1,16 trilhão em doze meses até junho, mais de R$ 3 bilhões por dia, segundo dados do Banco Central citados pela CNN Brasil; todo o superávit prometido para 2027 cobriria menos de seis dias dessa conta.Um histórico de rombos e a conta da dívidaO vermelho é a regra recente das contas federais. O último ano no azul foi 2022, resultado que analistas consideram pontual, sustentado por uma emenda que adiou precatórios e por dividendos extraordinários das estatais, segundo o G1. A regra fiscal aprovada em 2023 prometia equilíbrio a partir de 2024, mas as metas foram afrouxadas em 2024, a projeção oficial ainda aponta rombo em 2026 e a PEC da Transição, de 2022, incorporou cerca de R$ 170 bilhões em despesas anuais.Para a Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão do Senado que audita as contas, seriam necessários superávits de 2,1% do PIB por ano, cerca de 16 vezes o valor prometido, apenas para a dívida parar de crescer. A dívida bruta está perto de 82% do PIB, o maior nível desde a pandemia, após subir mais de 10 pontos percentuais desde 2023, segundo a CNN Brasil. É por isso que, na campanha de outubro, os planos de governo dos candidatos à Presidência defendem ajuste e retorno dos superávits, resume o G1.

RARafael Albuquerque
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Com Selic a 14%, Durigan lista sete frentes para levar juros a patamar 'civilizado'

A Selic está em 14% ao ano, e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse nesta segunda-feira (31) que derrubá-la é o principal desafio econômico do país. Em conversa com investidores no Macro Day 26, evento do banco BTG Pactual, ele prometeu uma agenda fiscal de sete frentes para levar os juros ao que chamou de patamar "civilizado". A taxa é o ponto de partida do crédito que a família paga no parcelamento da geladeira e a empresa paga para financiar a produção.Segundo a Folha de S.Paulo, as sete frentes incluem cumprir as metas de resultado primário, reforçar o arcabouço fiscal, controlar o gasto obrigatório e revisar benefícios tributários. Durigan prometeu "superávits primários crescentes e recorrentes" a partir de 2027. O superávit de 0,1% do PIB previsto para o ano que vem deve ser o patamar mínimo dos anos seguintes, disse o ministro ao Exame, em referência a um eventual novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Por que as contas públicas seguram os jurosEntenda: a Selic é a taxa básica que o Banco Central define para conter a inflação, e ela serve de referência para todo o crédito do país, do rotativo do cartão ao financiamento do agronegócio. Superávit primário é quando o governo arrecada mais do que gasta, sem contar os juros da dívida. Quando o mercado confia que as contas estão controladas, a pressão inflacionária cai e o Banco Central ganha espaço para cortar a taxa.A urgência vem do tamanho da dívida: ela chegou a 82,5% do PIB em julho, o maior nível em mais de cinco anos, segundo o G1. É o mesmo que dizer que o governo deve mais de quatro quintos de tudo o que o país produz em um ano. Durigan defendeu manter o arcabouço, que limita o crescimento dos gastos a, no máximo, 2,5% acima da inflação, e aprimorá-lo em vez de trocá-lo; o orçamento de 2027, enviado ao Congresso nesta segunda, prevê o gasto obrigatório crescendo menos que o limite geral."É o custo do dinheiro no país. Nós temos que fazer avançar uma agenda olhando para essa milha final, que é como que a gente traz os juros... com patamar civilizado."A frase foi dita no painel "Cenário Econômico", em conversa com o economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida. O público era a Faria Lima, como o mercado financeiro brasileiro é chamado por causa da avenida paulistana. Na avaliação de Durigan, o dinheiro caro prejudica o Tesouro Nacional, as famílias, as empresas e os agricultores.Onde o ajuste vai morderO alvo principal é o que o orçamento paga por obrigação, sem votação anual. Neste ano, o governo cortou 10% dos benefícios tributários não constitucionais, o que deve render cerca de R$ 20 bilhões, segundo o Exame. "Se neste ano estamos fazendo 10% de revisão, vamos fazer mais 10% ou 5% que seja no ano que vem", afirmou o ministro, que defendeu novos cortes lineares a cada exercício.Segundo a Folha, Durigan afirmou que o governo quer chegar ao resultado mantendo as políticas sociais e ganhando eficiência na concessão e no acompanhamento dos benefícios. No mesmo evento, André Esteves, do BTG Pactual, disse que o Brasil tem uma "oportunidade de ouro" para chegar a juros civilizados e que a Selic poderia estar em 7%, segundo o Valor Econômico, menos da metade dos 14% atuais. O NeoFeed classificou as sete frentes como as prioridades de uma eventual próxima gestão, a um mês das eleições de outubro.

RARafael Albuquerque
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Dívida pública sobe a 82,5% do PIB, maior nível em mais de cinco anos

A dívida bruta do setor público chegou a 82,5% do PIB em julho, o maior nível em mais de cinco anos, informou o Banco Central nesta segunda-feira (31). Em prática, para quitar tudo o que o setor público deve seria preciso quase dez meses de tudo o que o país produz em um ano. Em valores, o endividamento soma R$ 10,95 trilhões.No mesmo mês, as contas públicas registraram superávit primário de R$ 1,4 bilhão, contra déficit de R$ 66,6 bilhões em julho de 2025, mês afetado pelo pagamento de precatórios, as dívidas do governo reconhecidas pela Justiça. A sobra veio do governo federal, com R$ 11 bilhões positivos; estados e municípios tiveram déficit de R$ 8,5 bilhões, e as estatais, de R$ 1,1 bilhão. Ainda assim, o resultado do mês não cobre nem meio dia dos juros pagos em julho, que somaram R$ 99 bilhões.Entenda: o superávit primário é a diferença entre o que o governo arrecada e o que gasta, sem contar os juros da dívida. A dívida bruta reúne os débitos de União, estados, municípios e estatais, e é medida em proporção ao PIB, tudo o que o Brasil produz em um ano. Quando os juros superam a sobra das contas, o endividamento cresce mesmo em mês de superávit.Contas do ano seguem no vermelhoNo acumulado até julho, as contas públicas têm déficit primário de R$ 78,8 bilhões, o equivalente a 1% do PIB, ante R$ 44,5 bilhões (0,61% do PIB) no mesmo período de 2025. O número supera a meta central do ano, que admite um rombo de R$ 34,3 bilhões, embora a regra permita excluir do cálculo até R$ 63,5 bilhões em despesas. Só o governo central acumula déficit de R$ 82,4 bilhões no ano.Juros empurram a dívida para cimaOs juros são o principal motor da alta: somaram R$ 1,15 trilhão em 12 meses, ou 8,67% do PIB, cerca de R$ 3 bilhões por dia. A taxa básica, a Selic, está em 14% ao ano para conter a inflação, e encarece o custo de rolar a dívida. Segundo o Poder360, os juros nominais sozinhos adicionaram 0,8 ponto percentual à dívida em julho, enquanto o crescimento da economia ajudou a reduzir o indicador em 0,5 ponto.Sob o governo Lula, a dívida subiu 10,8 pontos percentuais em pouco mais de três anos, segundo o G1. Pelo critério do FMI, que soma os títulos públicos na carteira do próprio Banco Central, o endividamento chega a 95,4% do PIB, acima da média da Zona do Euro. O arcabouço fiscal, aprovado em 2023 para substituir o teto de gastos, prevê despesas crescendo abaixo das receitas, mas gastos fora do limite continuam pressionando o endividamento, e analistas defendem cortes maiores para permitir a queda dos juros.

RARafael Albuquerque
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Orçamento de 2027 prevê salário mínimo de R$ 1.741 e aporte de R$ 6 bi aos Correios

R$ 1.741 é o salário mínimo estimado pelo governo federal para 2027, valor incluído na proposta de Orçamento que o Planalto encaminha ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (31). Para quem recebe o piso, a conta é simples: R$ 120 a mais por mês a partir de janeiro, frente aos R$ 1.621 atuais. Em um ano, o ganho soma R$ 1.440, quase um salário mínimo extra.O reajuste projetado é de 7,4% e supera em R$ 24 a estimativa anterior, de R$ 1.717, divulgada em abril. O número é do ministro da Fazenda, Dario Durigan. O mesmo projeto reserva um item de peso: R$ 6 bilhões para socorrer os Correios.O aporte foi anunciado no domingo (30) pelos ministros Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento), Esther Dweck (Gestão e Inovação) e Frederico Siqueira (Comunicações), segundo o InfoMoney. Na nota, eles dizem que a cifra dará estabilidade à negociação de dívidas e ao plano de reestruturação da estatal. O valor é próximo dos R$ 7,6 bilhões que a empresa gastou com serviços no primeiro semestre, período em que acumulou prejuízo de R$ 5,5 bilhões, conforme o balanço divulgado no sábado (29).Entenda o PLOAEntenda: o documento é o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), que estima as receitas e autoriza as despesas do governo federal para o ano seguinte. O salário mínimo que ele traz é um número de trabalho, usado para calcular benefícios e obrigações fiscais. O valor definitivo do piso só sai no fim de 2026, com o INPC acumulado até novembro somado ao ganho real de 2,5% previsto em lei.O piso é um termômetro do bolso porque orienta uma fatia grande da renda do país. Cerca de 45% dos pagamentos do Regime Geral de Previdência Social correspondem a benefícios de um salário mínimo, segundo o ContilNet. O reajuste move ainda o BPC, o seguro-desemprego, o abono salarial e a contribuição do MEI."Cumprindo a legislação brasileira, dentro do nosso espírito de privilegiar a população mais carente, vai também para a Previdência e para os benefícios sociais que têm indexação no salário mínimo", disse Durigan.Espaço nas contasPara caber no Orçamento, o governo encontrou folga na Previdência. Na terça-feira (25), o Conselho Nacional de Previdência Social aprovou redução de R$ 5 bilhões na previsão de gastos do INSS para 2027, que caiu para R$ 1,218 trilhão, segundo a Agência Brasil. A economia abre espaço quase do mesmo tamanho do socorro aos Correios.A Previdência é mesmo o maior item das contas federais: os benefícios previdenciários respondem por cerca de 43% da despesa primária da União, segundo dados apresentados ao conselho. Mesmo revisada para baixo, a despesa de 2027 cresce 7,9% sobre a estimativa deste ano. Nos Correios, os ministros afirmam que a dívida já foi alongada de 18 para 180 meses, sem empréstimos vencendo no curto prazo.De agora em diante, a proposta depende do Congresso, que pode mudar os valores até a votação. E o mínimo de R$ 1.741 segue sob revisão: se a inflação medida até novembro surpreender, o piso final pode ficar acima ou abaixo da estimativa.

RARafael Albuquerque
Economy

Receita adia split payment obrigatório para 2028; uso opcional começa em 2027

2028: é só a partir daquele ano que o chamado split payment deve se tornar obrigatório nas vendas entre empresas, o chamado B2B, informou a Receita Federal ao g1 neste domingo (30). Para quem compra no balcão, nada muda: o imposto segue embutido no preço, como sempre esteve. Para as empresas, a decisão dá um ano inteiro a mais de adaptação antes de o novo sistema de cobrança virar regra.A expectativa inicial era de que o mecanismo estivesse disponível já no início de 2027, quando começa a valer a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), o novo tributo federal da reforma sobre o consumo. Segundo Juliano Neves, subsecretário de Gestão Corporativa da Receita, o sistema do governo ficará pronto no início do próximo ano. A exigência, porém, só chega depois que mais de 200 instituições financeiras estiverem integradas à plataforma, adesão prevista para ocorrer de forma gradual ao longo de 2027.Em 2027, portanto, a regra será outra: uso opcional, meio de pagamento a meio de pagamento, começando pela transferência eletrônica financeira e pelo Pix estático. "A gente vai começar de forma opcional, meio de pagamento a meio de pagamento... e a gente vai subindo modelos ao longo do ano", disse Neves. Em cada transação, a empresa poderá escolher vender com ou sem o mecanismo."Para as empresas que vão estar afetadas, a primeira coisa é: calma, que o 'split payment' não vai ser obrigatório instantâneo de uma vez... Ninguém vai ser obrigado enquanto não estiver disponível para todos os meios de pagamento. Provavelmente, em 2027 não vai dar tempo", acrescentou o subsecretário.Entenda o split paymentHoje, a empresa recebe o valor integral da venda, separa a parte do imposto e repassa ao Fisco no fim do mês, por meio de um documento de arrecadação, o Darf. No split payment (pagamento dividido, em tradução livre), o banco divide o dinheiro no instante da transação: a fatia do tributo vai direto para União, estados e municípios, e o vendedor recebe o resto. Num exemplo com alíquota de 20%, uma venda de R$ 100, mais ou menos uma compra básica de supermercado, geraria R$ 20 recolhidos na hora e R$ 80 para o vendedor.O objetivo do modelo é reduzir a sonegação e permitir o ressarcimento de créditos tributários no mesmo dia. Sem a exigência em 2027, as empresas seguem emitindo nota fiscal normalmente e pagando os tributos no fim do mês, como fazem hoje. O ressarcimento do imposto pago em outras etapas da produção levará até dois meses, o equivalente a esperar dois salários para ver o dinheiro de volta.Há um atalho, o Recolhimento pelo Adquirente (RAD): a empresa que compra recolhe ela mesma o tributo da operação e consegue o crédito mais rápido, enquanto a vendedora recebe o valor já líquido. A data de 2028, porém, ainda não está em norma. Segundo o InfoMoney, que relata confirmação da Receita ao jornal O Estado de S. Paulo, o cronograma depende da adaptação dos bancos e dos operadores de pagamento, e a exigência formal só sai quando todos os meios estiverem prontos.

RARafael Albuquerque
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Justiça suspende cobranças contra a Casas Bahia por 180 dias; ação cai 56% em agosto

São 180 dias de trégua judicial para a Casas Bahia. Na sexta-feira (28), a juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, suspendeu todas as ações de cobrança e execuções contra o grupo, com efeitos até 15 de fevereiro de 2027. Para o consumidor, a leitura é simples: lojas, site e compras parceladas seguem funcionando enquanto a varejista tenta renegociar R$ 17,3 bilhões em dívidas.O pedido de recuperação judicial foi apresentado em 16 de agosto e alcança a Casas Bahia e outras nove empresas do grupo. A dívida sob negociação é grande até para padrões corporativos: daria para comprar quase 35 mil casas de R$ 500 mil cada. A contagem dos 180 dias começou em 19 de agosto, quando a juíza já havia antecipado parte das proteções.O que é a recuperação judicialEntenda: a recuperação judicial permite a uma empresa endividada renegociar prazos, juros e descontos com credores sob supervisão da Justiça, em vez de declarar falência. A proteção concedida agora é o chamado stay period, uma trégua legal em que as cobranças ficam suspensas para o caixa da empresa respirar. No caso da Casas Bahia, a suspensão vale para a maioria das ações, mas não alcança execuções fiscais, as cobranças de tributos feitas pelo poder público, nem créditos que a lei mantém fora do processo.Corrida de credores motivou a decisãoA decisão acolheu um alerta feito pela própria companhia à Justiça. Segundo a empresa, bloqueios judiciais atingiram cerca de R$ 9 milhões em poucos dias, valor menor que 0,1% da dívida total, mas tratado como sinal de risco iminente de desfalque patrimonial."A notícia do ajuizamento recuperacional deflagrou corrida de credores contra o patrimônio do Grupo, com bloqueios judiciais que alcançaram cerca de R$ 9 milhões em poucos dias e risco iminente de desfalque patrimonial", escreveu a juíza, para quem o perigo de dano é "concreto e atual".Antes de decidir se aceita o pedido em definitivo, a Justiça determinou uma constatação prévia: uma empresa especializada vai examinar a documentação e as finanças do grupo, com laudo em até 30 dias. A magistrada citou que a lei permite suspender execuções mesmo antes da decisão formal de processamento, noticiou o InfoMoney.A decisão também obriga bancos e credenciadoras a liberar o dinheiro da varejista. O BTG Pactual deve restabelecer em 24 horas o acesso da empresa às contas bancárias, e as credenciadoras Cielo, Getnet e Redecard devem deixar de reter recebíveis de vendas apenas por causa do processo. O descumprimento gera multa diária de R$ 100 mil, o bastante para comprar um carro popular com folga.A Casas Bahia retirou da ação os pedidos contra o Banco do Brasil, com o qual negocia uma solução consensual, segundo o g1. Na petição inicial, a empresa afirmou que o banco, garantidor de contratos com a Apple e a seguradora Mapfre, debitou cerca de R$ 422 milhões das contas do grupo após as garantias serem acionadas. O montante equivale a quase 50 vezes os R$ 9 milhões bloqueados na corrida inicial.No mercado de ações, o castigo continua: os papéis da varejista (BHIA3) caíram 56% em agosto, aponta o Estadão. Quem aplicou R$ 1.000 na ação no início do mês tinha cerca de R$ 440 no fechamento de sexta. A companhia culpa juros altos, crédito caro e consumo fraco pela crise.É a segunda tentativa da varejista de renegociar com credores: em 2024, ela já havia renegociado R$ 4,1 bilhões em uma recuperação extrajudicial, um acordo fechado sem passar pela Justiça. Em agosto, anunciou o fechamento de quase 300 lojas e a demissão de cerca de 3 mil funcionários, e diz que o processo atual busca preservar mais de 20 mil empregos. Segundo a empresa, lojas físicas, e-commerce e demais canais seguem operando normalmente.

RARafael Albuquerque
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BC injeta US$ 2 bilhões no câmbio em meio à saída de recursos estrangeiros

US$ 4,055 bilhões. Foi o que saiu do Brasil, em saldo líquido, só na semana passada, segundo dados do Banco Central divulgados na quarta-feira (26). Em resposta à saída de dólares, a autoridade monetária fez na manhã desta quinta-feira (27) dois leilões simultâneos de US$ 1 bilhão cada para dar liquidez ao mercado de câmbio, ou seja, garantir que não falte moeda americana para quem precisa comprar.Para o cidadão, o movimento importa porque a saída de capital pressiona o dólar. A moeda americana fechou a quarta-feira em R$ 5,1533, alta de 0,23%, e cada centavo a mais na cotação encarece produtos importados, combustíveis e viagens ao exterior. Os US$ 4 bilhões que deixaram o país em sete dias valem cerca de R$ 21 bilhões na cotação atual.Na primeira operação, o BC vendeu US$ 1 bilhão em dólares à vista, com 12 propostas aceitas. Na segunda, ofertou 20 mil contratos de swap cambial reverso, também no valor de US$ 1 bilhão, com vencimento em 1º de outubro, segundo a Reuters. A última operação desse tipo havia sido em 22 de junho.EntendaOs dois leilões juntos formam o que o mercado chama de "casadão". O swap cambial é um contrato que funciona como uma venda de dólares no futuro, e o swap reverso faz o caminho contrário, equivalendo a uma compra. Como o BC vendeu US$ 1 bilhão na ponta à vista e comprou o mesmo valor na ponta futura, o efeito sobre a cotação é, em tese, nulo: o objetivo é dar liquidez ao mercado, sem interferir na direção do preço.O fluxo cambial de agosto está negativo em US$ 2,55 bilhões do início do mês até sexta-feira (21). Operadores de câmbio ouvidos pela Folha de S.Paulo afirmam que os leilões desta quinta provavelmente foram motivados por esse fluxo. Eles lembram que o BC só intervém quando detecta desequilíbrio entre oferta e demanda de dólares."A premissa é que enfrentamos saídas financeiras pesadas na sessão desta quinta e por isso houve necessidade de realizar a operação", disse à Folha Leonel de Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX. Segundo ele, o BC monitora a demanda por dólares para agir de forma preventiva e também vem reduzindo seu estoque de contratos de swap.A saída de recursos ocorre em um momento de contas externas fracas. O BC informou esta semana que a conta corrente, o balanço das transações do Brasil com o exterior, teve déficit de US$ 8,11 bilhões em julho, acima do previsto por analistas ouvidos pela Reuters.

RARafael Albuquerque
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Minerais críticos são o novo petróleo e Brasil fica para trás, diz CEO da Vale

Seis vezes mais. É o quanto o mundo vai precisar ampliar a oferta de minerais críticos nos próximos 20 anos, segundo estimativa da Agência Internacional de Energia citada pelo presidente da Vale, Gustavo Pimenta. Na prática, isso significa uma disputa global pelos materiais que entram na bateria do celular, no carro elétrico e no chip de computador, e uma chance de gerar empregos e exportações que o Brasil corre o risco de deixar escapar.Em discurso nesta sexta-feira (28) no Fórum Lide de Mineração, em São Paulo, Pimenta afirmou que esses minerais serão o "novo petróleo" das próximas gerações e que o país está ficando para trás na corrida. A fala foi coberta por Folha de S.Paulo, Poder360 e CNN Brasil."Os minerais críticos vão ter um papel geopolítico e econômico muito importante nos próximos cem anos. É o novo combustível, o novo petróleo das próximas gerações", declarou o executivo no evento.Para mostrar a perda de terreno, Pimenta comparou o Brasil à Austrália no minério de ferro. Em 2010, os dois países produziam volumes parecidos, cerca de 380 milhões e 400 milhões de toneladas, respectivamente. Quinze anos depois, a Austrália chegou a 1 bilhão de toneladas por ano, enquanto o Brasil continuou no mesmo patamar, segundo os dados apresentados. Segundo ele, movimento semelhante ocorreu com níquel e cobre.A distância também aparece no peso da mineração na economia. O setor responde por 14% do PIB (Produto Interno Bruto, a soma de tudo o que um país produz) da Austrália e 12% do Chile, contra apenas 4% no Brasil. É como se dois vizinhos tivessem quintais igualmente ricos, mas só um deles tivesse investido para colher os frutos.EntendaMinerais críticos são matérias-primas essenciais para a indústria moderna, como lítio, níquel, cobre e cobalto. Sem eles, não há baterias, turbinas de energia eólica nem equipamentos de inteligência artificial, o que explica por que os países disputam reservas e investimentos nesse setor.Na visão do executivo, o principal gargalo brasileiro é a lentidão. Um projeto de mineração leva hoje em média 15 anos da exploração à operação, tempo suficiente para uma criança sair do berçário e chegar ao ensino médio. Pimenta defendeu um licenciamento ambiental mais rápido, porém sem perda de rigor, além de mudanças na legislação de cavidades e a ampliação do mapeamento geológico do país.Só 28% do território brasileiro é conhecido do ponto de vista minerário, ante mais de 70% na Austrália e no Chile, segundo os números apresentados. O CEO da Vale também defendeu a aprovação do projeto de lei sobre minerais críticos que tramita no Congresso. "O Brasil é um país abençoado. Nós temos a tabela periódica no nosso território, todos os minerais em abundância. No entanto, apesar de todo esse potencial, estamos ficando para trás na corrida", afirmou, segundo a CNN Brasil.

RARafael Albuquerque
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Desemprego cai a 5,3% no trimestre até julho, mas renda perde força

O desemprego no Brasil caiu para 5,3% no trimestre encerrado em julho, o menor nível para o período desde o início da série histórica do IBGE, em 2012. Na prática, ainda há 5,8 milhões de pessoas procurando trabalho, mas são 503 mil a menos que no trimestre encerrado em abril, quando a taxa era de 5,8%. Os dados são da Pnad Contínua, divulgados nesta quinta-feira (27).O mercado de trabalho segue criando vagas apesar dos juros altos, que encarecem o crédito e costumam frear a economia. A população ocupada bateu recorde de 103,3 milhões de pessoas, com cerca de 1 milhão de trabalhadores a mais no trimestre, segundo levantamento do Ponta Negra News sobre os dados do IBGE. O resultado veio em linha com a mediana das projeções coletadas pela Reuters.O sinal de alerta está no bolso. O rendimento médio real, já descontada a inflação, ficou em R$ 3.762 por mês e recuou 0,7% no trimestre, variação que o IBGE considera estável. Na comparação com o mesmo período de 2025, quando a média era de R$ 3.642, o trabalhador leva hoje R$ 120 a mais por mês, algo como uma compra a mais no supermercado.EntendaA Pnad Contínua mede o desemprego por trimestres móveis, períodos de três meses que se sobrepõem para dar mais precisão aos números. Rendimento real é quanto o salário efetivamente compra depois de descontada a alta dos preços. Quando o IBGE diz que um dado ficou estável, a variação foi pequena demais para ser considerada mudança de fato.A soma de todos os salários do país, a chamada massa de rendimento real, chegou ao recorde de R$ 383,5 bilhões, alta de 4,1% em um ano, ou R$ 15,1 bilhões a mais circulando na economia. No trimestre, porém, o avanço foi de apenas 0,2%, praticamente parado. É essa perda de força da renda que sustenta a leitura de um mercado ainda aquecido, mas com ganhos menores para o trabalhador, como apontou o UOL Economia.Quem puxou a ocupação no trimestre foi a construção civil, com a entrada de 371 mil trabalhadores, alta de 5,1%. Segundo William Kratochwill, analista da pesquisa do IBGE, o avanço veio sobretudo de pedreiros e serventes de obras, conforme o Jornal Grande Bahia. Em um ano, também cresceram transporte, armazenagem e correio (5,4%), setor que inclui entregadores de aplicativo.Nem todo número é positivo. A informalidade subiu de 37,2% para 37,5% dos ocupados, com 13,8 milhões de empregados sem carteira assinada, 477 mil a mais no trimestre. Sem carteira, o trabalhador fica sem seguro-desemprego, férias e 13º salário. Já o desalento, que reúne quem desistiu de procurar emprego por achar que não encontraria vaga, caiu 9,7% e ficou em 2,3 milhões de pessoas.

RARafael Albuquerque
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IBGE estima população do Brasil em 214,2 milhões em 2026, com crescimento menor

O Brasil tinha 214,2 milhões de habitantes em 1º de julho de 2026, segundo estimativa divulgada nesta sexta-feira (28) pelo IBGE, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O número não fica só no papel: ele define quanto dinheiro federal cada prefeitura vai receber, porque orienta o cálculo dos repasses do FPM, o Fundo de Participação dos Municípios.O crescimento em relação a 2025, quando o país tinha 213,4 milhões de pessoas, foi de 0,37%. Isso significa que, para cada grupo de 1.000 brasileiros, menos de quatro pessoas se somaram ao total em um ano. Em 2025, a variação tinha sido um pouco maior, de 0,39%.Em números absolutos, o país ganhou 790,9 mil habitantes em um ano, segundo o IBGE. É como se dez estádios do Maracanã lotados entrassem para a contagem, na comparação feita pela Folha de S.Paulo.Entenda como a conta é feitaComo o Censo demográfico não é realizado todos os anos, o IBGE projeta a população de cada município usando sempre 1º de julho como data de referência. O TCU (Tribunal de Contas da União) usa essas estimativas para distribuir o FPM e o FPE, o fundo equivalente para estados e o Distrito Federal. Para municípios pequenos, esses repasses costumam ser a principal fonte de receita, então cada habitante a mais ou a menos muda o orçamento da cidade.O país tem agora 15 municípios com mais de 1 milhão de habitantes, incluindo Brasília na contagem. Juntos, eles concentram 42,9 milhões de pessoas, ou 20% da população nacional. São Paulo segue como a maior cidade, com 11,9 milhões de moradores; apenas Guarulhos e Campinas, ambas no interior paulista, não são capitais estaduais.No extremo oposto, Serra da Saudade (MG) é o menor município do Brasil, com apenas 857 moradores. Anhanguera (GO), Borá (SP) e Araguainha (MT) também têm menos de mil habitantes cada, segundo o IBGE.Rumo a um crescimento cada vez menorNo início dos anos 2000, a população brasileira crescia mais de 1% ao ano, quase o triplo do ritmo atual, segundo as estimativas revisadas pelo IBGE em 2024. Pesquisadores do instituto apontam a queda do número de filhos por mulher e o envelhecimento acelerado como motores dessa desaceleração.As projeções indicam que o país deve chegar ao pico populacional de 220,43 milhões de pessoas em 2041. A partir de 2042, a tendência é de queda, que deve se intensificar nas décadas seguintes.Entre os estados, Mato Grosso do Sul viu sua população subir 0,74%, para 2.946.273 habitantes, o dobro do ritmo nacional, segundo o Campo Grande News.

RARafael Albuquerque
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Durigan diz que Lula quer desonerar folha para todos os setores em eventual 4º mandato

R$ 10 bilhões. É o que o governo federal já cortou de despesas obrigatórias no Orçamento de 2027, aprovado pelo Congresso há duas semanas, segundo o ministro da Fazenda. Na prática, são cerca de R$ 47 por brasileiro que deixariam de sair dos cofres públicos no ano que vem.A promessa de ir além nesse ajuste foi feita nesta sexta-feira (28) por Dario Durigan, ministro da Fazenda e porta-voz econômico da campanha de Lula à reeleição. Em entrevista ao C-Level, videocast da Folha de S.Paulo, ele disse que o presidente, se reeleito, quer desonerar a folha de pagamentos de todos os setores para baratear o custo de contratar no Brasil. A proposta prevê migrar a cobrança que hoje incide sobre os salários para o faturamento das empresas.EntendaDesonerar a folha é livrar as empresas da contribuição previdenciária que elas pagam sobre os salários. Hoje, para cada R$ 1.000 de folha, o empregador recolhe R$ 200 ao INSS, além de outros encargos. A ideia do governo é trocar esse imposto por uma alíquota sobre o faturamento, que é a receita bruta da empresa com vendas e serviços.Durigan afirmou que a versão anterior da desoneração, extinta pelo próprio governo, tinha um defeito: favorecia setores escolhidos. O novo modelo, disse, seria geral e igual para todos, dentro de uma discussão maior de reforma tributária corporativa."Estou disposto a discutir a questão da migração da tributação da folha para algum outro parâmetro, como faturamento. Qual é o problema da desoneração da folha que a gente lutou para acabar e conseguimos? Ela escolheu os setores. Está na hora de fazer uma discussão de reforma tributária mais geral da tributação corporativa", disse o ministro.No lado dos gastos, Durigan garantiu que Lula se comprometeu a rever as despesas obrigatórias, que são as despesas com reajuste garantido por lei, incluindo benefícios sociais, e a criar novas travas de contenção. Segundo o Brasil 247, o plano prevê gatilhos para conter gastos de pessoal já a partir do próximo ano. "O trabalho do ministro da Fazenda de um próximo governo Lula é todos os dias melhorar a condição fiscal reduzindo gasto obrigatório", afirmou.O ministro também defendeu o arcabouço fiscal, a regra que hoje permite ao gasto público crescer até 2,5% acima da inflação. "O arcabouço fiscal funcionou. Crescemos os gastos no país, mas num ritmo menor do que a arrecadação", disse, ao admitir que os parâmetros podem ser ajustados para garantir a queda da dívida pública.Entre os exemplos de contenção, Durigan citou o BPC, benefício pago a idosos e pessoas com deficiência em situação de pobreza: segundo ele, entre 25% e 30% das concessões vinham sendo feitas pela Justiça, sem padronização, e o governo fechou parceria com o Conselho Nacional de Justiça e adotou a identificação biométrica para organizar o cadastro.O ministro ainda rejeitou a tese de que a economia vive uma crise, apesar dos pedidos de recuperação judicial de empresas como Casas Bahia e Habib's, e acusou a oposição de explorar os casos politicamente. Segundo o Brasil 247, ele também cobrou cortes na Selic, a taxa básica de juros, que encarece o crédito para quem financia carro, casa ou capital de giro.

RARafael Albuquerque
Economy

Dólar sobe a R$ 5,20 após discurso duro de Warsh em Jackson Hole

R$ 5,20. Esse foi o valor alcançado pelo dólar nesta sexta-feira (28), depois que o presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, Kevin Warsh, sinalizou que os juros americanos podem voltar a subir, segundo o InfoMoney. Para o bolso do brasileiro, o recado é direto: a R$ 5,20, cada US$ 100 em compras internacionais ou em uma viagem custa R$ 520, e a alta costuma chegar depois ao combustível e ao supermercado, porque petróleo e muitos produtos são cotados em dólar.Segundo o InfoMoney, Warsh afirmou no simpósio de Jackson Hole, encontro anual de banqueiros centrais nos Estados Unidos, que a economia americana segue crescendo, mas que os sinais de convergência da inflação para a meta de 2% ainda são fracos. "É nossa responsabilidade assegurar a estabilidade de preços", declarou. De acordo com a CNN Brasil, ele disse ainda que, sem a certeza de que a inflação caminha para a meta com velocidade suficiente, o Fed tem "mais trabalho a fazer".O mercado tratou o discurso como aviso de alta de juros. As apostas em um aumento da taxa americana na reunião de 18 de setembro saltaram de 35,4% para 59,7%, segundo dados da ferramenta FedWatch, do CME Group, citados pelo InfoMoney. Os juros dos Estados Unidos estão hoje na faixa de 3,5% a 3,75% ao ano, e os investidores passaram a ver como provável um aumento para entre 3,75% e 4%.EntendaJuros mais altos nos Estados Unidos funcionam como um ímã para o dinheiro do mundo. Quando a taxa americana sobe, investidores tendem a tirar recursos de países como o Brasil para aplicar em títulos do Tesouro dos EUA, vistos como o investimento mais seguro do planeta. Com menos dólares circulando no mercado brasileiro, a moeda fica mais cara em reais.A Bolsa brasileira também sentiu. O Ibovespa, principal índice da B3, caía 0,60% por volta das 12h45, aos 174.084 pontos, interrompendo uma sequência de sete pregões de alta. "Ele deu todas as pistas, embora não tenha dito com todas as letras, de que vai aumentar os juros", resumiu ao InfoMoney o economista Marcelo Fonseca, da CVPAR.Agosto tem sido um mês de vaivém para o investidor brasileiro. Em certo momento, o Ibovespa acumulava queda de quase 7% no mês; uma recuperação posterior reduziu as perdas para cerca de 1%, segundo Eduardo Carlier, codiretor de investimentos da Azimut Brasil. Para ele, a gestora segue conservadora e com mais recursos em renda fixa, aguardando a definição do cenário eleitoral e dos juros americanos.

RARafael Albuquerque
Economy

Brasil cria 58,5 mil empregos formais em julho, pior julho desde 2020

O Brasil criou 58.568 empregos formais em julho, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (28) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. É uma queda de 56,3% em relação ao mesmo mês de 2025, quando foram abertas 133,9 mil vagas com carteira assinada. Para quem procura trabalho, o recado é direto: neste ano sobraram menos da metade das vagas formais que sobraram em julho do ano passado.O saldo resulta de 2,26 milhões de contratações contra 2,2 milhões de demissões no mês, informou o G1. Foi o pior desempenho para meses de julho desde 2020, quando o país fechou 108,5 mil vagas em meio à pandemia. Segundo pesquisa da Reuters, economistas esperavam um número bem maior, de cerca de 112 mil vagas.Entenda: o que mede o CagedOs números vêm do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o registro oficial de contratações e demissões de trabalhadores com carteira assinada. O saldo divulgado é a diferença entre quem entrou e quem saiu. Como o levantamento não inclui informais e autônomos, ele não pode ser comparado diretamente à taxa de desemprego do IBGE, que foi de 5,3% no trimestre encerrado em julho, a menor para o período desde 2012.Ano acumula pior resultado desde 2020De janeiro a julho, o país criou 972,2 mil empregos formais, de acordo com o ministério. O total fica 21% abaixo do mesmo período de 2025, quando foram abertas 1,23 milhão de vagas. Também é o menor acumulado para os sete primeiros meses de um ano desde 2020.Mesmo com o ritmo mais fraco, o estoque de empregos com carteira assinada continuou a crescer e chegou a 48,08 milhões ao fim de julho, ante 47,2 milhões um ano antes. Quatro dos cinco setores da economia abriram vagas no mês, e quatro das cinco regiões do país tiveram saldo positivo.O salário médio de admissão foi de R$ 2.419,23, com alta real, já descontada a inflação, tanto em relação a junho (R$ 2.404,10) quanto a julho de 2025 (R$ 2.370,85). Na prática, quem conseguiu uma vaga formal entrou ganhando um pouco mais, em poder de compra, do que quem foi contratado um ano antes.

RARafael Albuquerque
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Orçamento de 2027 vai incluir aporte de R$ 6 bilhões nos Correios

R$ 6 bilhões. É esse o valor que o governo Lula vai reservar no Orçamento de 2027 para socorrer os Correios, estatal em crise financeira. Diluído pela população do país, estimada pelo IBGE em 214,2 milhões de pessoas, o aporte equivale a cerca de R$ 28 por brasileiro. A informação foi confirmada à Folha de S.Paulo por dois integrantes da equipe econômica e pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti. Ao Valor Econômico, Moretti afirmou que o "mais provável" é incluir o valor integral no projeto de lei orçamentária de 2027, que o governo precisa enviar ao Congresso até o fim de agosto. A promessa de colocar dinheiro na estatal não surgiu por acaso. Ela foi exigida pelos cinco bancos que emprestaram R$ 12 bilhões aos Correios no fim do ano passado: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander. Para fechar a operação, o Ministério da Fazenda deu garantia ao empréstimo e acenou com recursos da União no caixa da empresa, e os bancos pediram que a promessa virasse cláusula do contrato. Entenda: o aporte é uma capitalização, ou seja, a União, dona dos Correios, injeta dinheiro próprio para reforçar o caixa da empresa. Até agora, o governo federal não transferiu nenhum recurso à estatal: apenas garantiu o empréstimo, o que obriga o Tesouro a pagar os bancos se a companhia não honrar as parcelas. O contrato exige que o repasse dos R$ 6 bilhões, metade do valor do empréstimo, aconteça até o fim de 2027, mas a data exata fica a critério da União. "Nós vamos cumprir religiosamente a obrigação contratual que nós temos. Vamos cumprir dentro das regras fiscais", afirmou Moretti à Folha. Até o mês passado, o governo ainda cogitava prever um valor menor no Orçamento e ampliá-lo ao longo de 2027, por meio de créditos adicionais. Também chegou a discutir antecipar parte do aporte para este ano. Segundo Moretti, um repasse ainda em 2026 é "muito difícil", porque há R$ 17,9 bilhões bloqueados no Orçamento atual para compensar o crescimento de gastos obrigatórios, como aposentadorias e pensões.

RARafael Albuquerque
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Inadimplência bancária bate recorde de 4,9% em julho, mesmo com Desenrola 2.0

De cada R$ 100 emprestados pelos bancos no Brasil, quase R$ 5 estavam atrasados há mais de 90 dias em julho. A taxa média de inadimplência subiu de 4,6% em junho para 4,9% em julho, o maior nível desde março de 2011, início da série revisada do Banco Central, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (28) e reportados pelo G1. Na prática, isso significa que mais famílias e empresas estão sem pagar as parcelas em dia, e que o crédito pode ficar ainda mais caro para todo mundo.Entre as pessoas físicas, o aperto é maior: a inadimplência passou de 5,4% para 5,8%, também recorde da série. Nas empresas, subiu de 3,2% para 3,3%, o maior valor desde outubro de 2017, quando chegou a 3,4%.EntendaO Banco Central considera inadimplente toda operação de crédito com atraso superior a 90 dias, incluindo empréstimos, financiamentos e cartões de famílias e empresas. Quando essa taxa sobe, os bancos tendem a emprestar menos e a cobrar juros mais altos para compensar o risco. É por isso que o indicador afeta até quem paga as contas em dia.O recorde veio mesmo com o Novo Desenrola Brasil, chamado de Desenrola 2.0, em vigor desde maio. Segundo o Ministério da Fazenda, o programa já renegociou mais de R$ 22 bilhões em cerca de 3,6 milhões de acordos até o fim de junho. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou nesta semana que a adesão ao programa foi prorrogada até 31 de agosto.O endividamento das famílias também segue alto. O saldo das dívidas das famílias equivalia a 49,8% da renda acumulada em 12 meses em junho, estável na comparação com o mês anterior, segundo o Banco Central. Para uma família que ganha R$ 3.000 por mês, isso equivale a cerca de R$ 18 mil em dívidas.Dados da Serasa Experian citados pelo G1 mostram que 82,8 milhões de brasileiros estavam endividados em março, o equivalente a 49% da população, com débitos que somavam R$ 557,7 bilhões. Desse total, 47% estavam concentrados em instituições financeiras, justamente o foco do Desenrola 2.0.

RARafael Albuquerque
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Aneel mantém bandeira amarela em setembro, e conta de luz segue com adicional

R$ 1,885 a cada 100 kWh. É esse o adicional que vai continuar pesando na conta de luz em setembro, depois que a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) confirmou nesta sexta-feira (28) a manutenção da bandeira tarifária amarela. Para uma família que consome 200 kWh por mês, o custo extra fica em R$ 3,77, o preço de um cafezinho com pão de queijo na padaria.O adicional já virou rotina. A bandeira amarela está em vigor desde maio, segundo o G1, depois de quatro meses seguidos de bandeira verde, quando a conta não tem cobrança extra.Entenda: o que são as bandeiras tarifáriasAs bandeiras funcionam como um sinal de trânsito na conta de luz: indicam quanto custa gerar energia no país naquele mês. Quando chove pouco e os reservatórios das hidrelétricas baixam, é preciso ligar usinas termelétricas, que produzem energia mais cara. O sistema foi adotado pela Aneel em 2015 para dar transparência a esse custo.Os valores de cada cor são os seguintes:Verde (condições favoráveis): sem adicional;Amarela (condições menos favoráveis): R$ 1,885 a cada 100 kWh;Vermelha patamar 1 (condições desfavoráveis): R$ 4,463 a cada 100 kWh;Vermelha patamar 2 (condições muito desfavoráveis): R$ 7,877 a cada 100 kWh.Segundo a Aneel, a manutenção da amarela reflete o período seco, com níveis mais baixos nos reservatórios e necessidade de acionar as térmicas, de geração mais custosa. Em nota, a agência afirmou que "pequenas mudanças de hábito podem contribuir para reduzir o consumo e ajudar no controle dos gastos com a conta de luz".A cobrança vale para todos os consumidores atendidos pelas distribuidoras, com exceção dos localizados em sistemas isolados, informa o InfoMoney. O valor do adicional aparece discriminado na fatura de cada mês.

RARafael Albuquerque
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Flávio diz que ajuste fiscal não mexerá em aposentadorias nem no salário mínimo

A Previdência Social já consome 8% de tudo o que a economia brasileira produz em um ano, como se a cada R$ 100 gerados pelo país, R$ 8 fossem direto para aposentadorias e pensões. É sobre esse gasto que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) prometeu não mexer. Em entrevista à TV Globo nesta sexta-feira (28), ele afirmou que, se eleito, fará o ajuste fiscal sem alterar as aposentadorias nem a política de valorização do salário mínimo. "Não precisa fazer economia em cima dos aposentados", disse o senador, segundo a Folha de S.Paulo. "Não farei economia com quem ganha salário mínimo", completou. Na prática, isso significa manter os reajustes anuais que reposêm a inflação para milhões de beneficiários do INSS, o Instituto Nacional do Seguro Social. Em vez disso, Flávio disse que o ajuste viria do combate a fraudes na Previdência, do corte de ministérios, de cargos comissionados e de impostos. "Vou fazer um governo enxuto, reduzir a quantidade de ministérios, cortar a burocracia, tesouraço nos impostos", afirmou. Ao G1, ele acrescentou que pretende revogar mais de mil atos normativos no início do governo, sem detalhar o tamanho do corte em reais nem um prazo para a meta. Entenda O salário mínimo funciona como uma régua para o Orçamento federal: aposentadorias do INSS e o BPC, benefício pago a idosos e pessoas com deficiência em situação de pobreza, são corrigidos pelo mesmo índice. Hoje, a fórmula soma a inflação de 12 meses até novembro do ano anterior e a variação do PIB de dois anos antes. Por isso, qualquer mudança na regra afeta diretamente algumas das maiores despesas do governo, e também o bolso de quem recebe um mínimo por mês. Apesar da promessa, Flávio não disse se manteria a fórmula atual de correção, observaram tanto a Folha quanto o G1. Ele também evitou responder qual seria o patamar da dívida pública em seu governo. A dívida bruta fechou maio em 81,1% do PIB, contra 80,2% no mês anterior, uma proporção parecida com a de uma família que deve 81% de tudo o que ganha no ano. A declaração acontece na mesma semana em que economistas liderados por Paulo Tafner, referência no debate previdenciário desde os anos 1990, preparam uma nova proposta de reforma da Previdência para apresentar aos candidatos. Pelos cálculos dos autores, sem mudanças a despesa saltaria de 8% para 17% do PIB até 2100, ou R$ 17 de cada R$ 100 produzidos, enquanto a proposta deles estabilizaria o gasto em cerca de 10%. "A Previdência como está não para de pé", afirmou Tafner à Folha.

RARafael Albuquerque
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Dólar fecha a R$ 5,196 após Warsh endurecer tom e elevar aposta de alta de juros nos EUA

R$ 5,196. Esse foi o preço de cada dólar no fechamento desta sexta-feira (28), alta de 0,62% no dia. Para quem planeja uma viagem ou uma compra em site internacional, US$ 100 passaram a custar R$ 519,60, cerca de R$ 3,20 a mais do que na véspera.A alta veio de fora. O presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, Kevin Warsh, disse em discurso que a instituição "terá trabalho a fazer" se a inflação americana não voltar de forma clara à meta de 2% ao ano, segundo a CNN Brasil. A fala foi lida pelo mercado como um aviso de que os juros nos EUA podem subir já em setembro.O discurso aconteceu no simpósio de Jackson Hole, encontro anual de bancos centrais nos Estados Unidos. A inflação medida pelo PCE, índice de preços ao consumidor preferido do Fed, está em 3,7% em 12 meses até julho, quase o dobro da meta, de acordo com a CNN Brasil.EntendaJuro mais alto nos Estados Unidos funciona como um ímã para o dinheiro do mundo. Quando o Tesouro americano paga mais, investidores tiram recursos de países como o Brasil para aplicar lá, o que reduz a oferta de dólares por aqui e encarece a moeda.Antes da fala de Warsh, os investidores viam uma chance de uma em três de alta de juros em setembro, segundo dados do CME Group. Depois do discurso, o rendimento do título de dois anos do Tesouro americano, o mais sensível às apostas sobre juros, subiu para 4,35%, informou a Agência Brasil. Os juros básicos dos EUA estão parados na faixa de 3,50% a 3,75% desde dezembro, e a próxima decisão do Fed sai nos dias 15 e 16 de setembro.No intraday, o dólar chegou a cair a R$ 5,1581 na abertura, mas ganhou força e bateu R$ 5,23 por volta das 13h18, a máxima do dia. No fim do pregão, recuou até os R$ 5,196. Na semana, a moeda acumulou alta de 1,06%; no ano, ainda cai 5,34%, o que significa que o real segue mais valorizado do que em janeiro.O dia também foi mexido por números do Brasil. O país criou 58.568 vagas formais em julho, o pior resultado para o mês desde 2020, segundo o Caged, o cadastro oficial de empregos com carteira assinada. O dado fraco reforçou as apostas de que o Banco Central vai cortar a Selic, hoje em 14% ao ano, em 0,25 ponto percentual na reunião de setembro, para 13,75%.A Bolsa de Valores resistiu ao mau humor externo. O Ibovespa, principal índice da B3, subiu 0,30%, aos 175.664 pontos, e fechou a semana com ganho de 2,71%, na oitava alta seguida. Em Nova York foi o contrário: Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq caíram, com o índice de tecnologia recuando 0,52%, segundo a Agência Brasil.

RARafael Albuquerque
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Lula diz que dívida de R$ 10 trilhões não o preocupa e descarta privatizar Correios

A dívida pública brasileira passou de R$ 10 trilhões e já equivale a 82% do PIB, quase tudo o que o país produz em um ano inteiro. Mesmo assim, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quinta-feira (27) que o endividamento não o preocupa e que a saída é fazer a economia crescer. Para o trabalhador, o tamanho da dívida importa porque o governo paga juros altos sobre ela, um custo que disputa espaço no Orçamento com saúde e educação. Em entrevista à TV Globo, a quarta de uma série com presidenciáveis, Lula foi questionado sobre para qual nível pretende reduzir a dívida em um eventual novo mandato. Ele não apresentou meta e comparou o Brasil a países mais endividados. "80% de dívida, em um país, não é muito. Olhe para os Estados Unidos, o Japão, a Itália. Sabe quanto é a dívida dos Estados Unidos? 120% do PIB", afirmou, segundo o G1. Entenda: o que é a dívida em relação ao PIB O PIB é a soma de tudo o que o país produz em bens e serviços em um ano. Dizer que a dívida vale 82% do PIB é como uma família que deve 82% de tudo o que ganha em doze meses. Se a renda cresce mais rápido que a dívida, o peso diminui, e é essa a aposta de Lula ao falar em crescimento. O presidente atribuiu a alta de 10 pontos percentuais da dívida em seu governo à taxa de juros de 14% ao ano e ao déficit de 2,8% que diz ter herdado de Jair Bolsonaro (PL). Na prática, um juro de 14% faz cada R$ 100 devidos virarem R$ 114 em um ano, só com o custo do empréstimo. Segundo o InfoMoney, Lula também lembrou os superávits primários dos dois primeiros mandatos e afirmou: "Se tem uma coisa que baliza a minha vida, chama-se responsabilidade fiscal". Superávit primário é quando o governo arrecada mais do que gasta, antes de pagar os juros. O Orçamento de 2027 está sendo preparado com meta de superávit de 0,2% do PIB, e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, defende conter as despesas obrigatórias. Pressionado sobre quais gastos cortaria, Lula não assumiu nenhum compromisso específico, enquanto economistas ouvidos pelo InfoMoney apontam que estabilizar a dívida exigirá melhora persistente do resultado primário nos próximos anos. Correios: rombo de R$ 15 bilhões e veto à privatização Na mesma entrevista, Lula descartou privatizar os Correios, que acumulam quatro anos seguidos de prejuízo e um rombo histórico de R$ 15 bilhões. "Não considero vender os Correios, não considero. Quero recuperar os Correios", disse. O presidente afirmou que, desde 1985, a estatal vive em crise e alguém propõe privatizá-la. Lula reconheceu que a empresa "não se adaptou a um novo tempo" com o avanço das concorrentes privadas de entrega e disse que a nova administração fará "o enxugamento que for necessário". Ele citou a presença dos Correios em todos os municípios como razão estratégica para manter a empresa pública e admitiu buscar associações com empresas brasileiras ou estrangeiras. O primeiro turno da eleição será em 4 de outubro.

RARafael Albuquerque
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Gastos de brasileiros no exterior batem recorde de US$ 2,45 bi em julho

Os brasileiros gastaram US$ 2,45 bilhões em viagens ao exterior em julho, o maior valor da série histórica do Banco Central, iniciada em janeiro de 1995. Pela cotação de fechamento do mês, são cerca de R$ 12,4 bilhões que saíram do país em passagens, hotéis e compras.O número, divulgado nesta quinta-feira (27) pelo BC e reportado pelo G1 e pela CNN Brasil, supera o recorde anterior, registrado em julho de 2014, quando os gastos chegaram a US$ 2,41 bilhões. No acumulado de janeiro a julho, as despesas somam US$ 15,1 bilhões, também a maior marca para o período.Dois fatores explicam o salto. O primeiro é o dólar mais barato: a moeda fechou julho em R$ 5,0696, com queda de 7,64% no ano, o que deixa passagens e hospedagem mais baratas para quem paga em reais. O segundo é o calendário: julho é mês de férias escolares no Brasil, quando as viagens em família aumentam.EntendaO Banco Central registra esses gastos na conta de viagens internacionais, que faz parte das transações correntes, o balanço de tudo o que o Brasil paga e recebe do exterior. Quando o dólar cai, o mesmo orçamento em reais compra mais moeda americana, e as famílias conseguem viajar mais ou gastar mais lá fora.Na prática, uma viagem orçada em US$ 2.000 saiu cerca de R$ 800 mais barata em julho do que custaria com o dólar do fim de 2025, quando a moeda estava perto de R$ 5,49. A diferença equivale a algumas diárias de hotel ou a parte das passagens.Do outro lado do balcão, os estrangeiros gastaram US$ 899 milhões no Brasil em julho, segundo a CNN Brasil. Com isso, a conta de viagens fechou o mês negativa em US$ 1,6 bilhão, valor 7,9% maior que o de julho de 2025.Contas externas e investimentoO déficit das transações correntes, ou seja, o quanto o país gastou a mais do que recebeu do exterior, somou US$ 8,11 bilhões em julho, contra US$ 6,94 bilhões um ano antes. De janeiro a julho, o rombo é de US$ 35,97 bilhões, recuo de 9,6% na comparação com o mesmo período de 2025.O dinheiro que entra como investimento produtivo segue cobrindo esse buraco. Os estrangeiros aplicaram US$ 54,44 bilhões em investimento direto no Brasil de janeiro a julho, contra US$ 43,74 bilhões um ano antes, mais que o suficiente para financiar o déficit. Só em julho, foram US$ 7,46 bilhões, abaixo dos US$ 8,4 bilhões de julho de 2025.

RARafael Albuquerque
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Governo central fecha julho com superávit de R$ 10,8 bi, melhor para o mês desde 2022

R$ 10,78 bilhões. Foi esse o superávit primário do governo central em julho, informou o Tesouro Nacional nesta quinta-feira (27). Na prática, o governo arrecadou mais do que gastou no mês, sem contar os juros da dívida, uma sobra equivalente a cerca de R$ 50 por habitante do país.A virada é grande na comparação com o ano passado. Em julho de 2025, as contas haviam fechado no vermelho em R$ 59,1 bilhões, segundo a Agência Brasil. É como uma família que, um ano depois de estourar o orçamento, consegue terminar o mês com dinheiro na conta. Foi o melhor resultado para meses de julho desde 2022.O número também veio melhor do que o mercado previa, embora as estimativas variassem bastante. Economistas ouvidos pela Reuters esperavam superávit de R$ 10,68 bilhões, segundo a Folha. Já a pesquisa Prisma Fiscal, do Ministério da Fazenda, apontava déficit de R$ 5,5 bilhões para o mês.EntendaO resultado primário mede a diferença entre o que o governo arrecada e o que gasta, sem incluir os juros da dívida pública. Quando sobra dinheiro, há superávit; quando falta, déficit. O chamado governo central reúne Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central.O resultado de julho nasceu dos dois lados do balanço. A receita líquida somou R$ 226,3 bilhões, alta real de 7,7% sobre julho de 2025, puxada pelo Imposto de Renda, pelas contribuições previdenciárias em meio ao recorde de emprego formal e pela exploração de recursos naturais, favorecida pela alta do petróleo. As despesas caíram 20,7% em termos reais, para R$ 215,5 bilhões.Boa parte da queda dos gastos veio dos precatórios, dívidas do governo reconhecidas em decisões judiciais definitivas. Neste ano, os pagamentos foram antecipados para março; em 2025, concentraram-se em julho. Segundo a Folha, o desembolso com sentenças judiciais caiu 99% na comparação anual, R$ 37,1 bilhões a menos, o que também derrubou em 17,7% os gastos com benefícios previdenciários.O pé no freioO mês positivo não apaga o acumulado do ano. De janeiro a julho, o governo central tem déficit de R$ 81,3 bilhões, e em 12 meses o rombo chega a R$ 71,6 bilhões, ou 0,55% do PIB (a soma de tudo o que o país produz).A meta fiscal de 2026 prevê superávit de R$ 34,3 bilhões, com margem de tolerância que permite fechar o ano no zero. Os investimentos, por sua vez, caíram 29,9% em julho na comparação real com o ano passado, mas acumulam alta real de 42,7% de janeiro a julho, segundo o Tesouro.

RARafael Albuquerque
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Deflação de 0,40% em agosto alivia o bolso, mas luz sem desconto e El Niño preocupam

Os preços ao consumidor caíram 0,40% em agosto, a maior deflação em quatro anos, de acordo com o Jornal do Comércio. O número é do IPCA-15, a prévia da inflação oficial medida pelo IBGE. Na prática, uma cesta de produtos que custava R$ 1.000 ficou cerca de R$ 4 mais barata em um mês.O alívio veio principalmente da conta de luz, da gasolina e dos alimentos, informou o G1. A energia elétrica residencial ficou 6,25% mais barata: para uma família com conta de R$ 200, foram cerca de R$ 12 a menos no mês. Só esse desconto respondeu por 0,22 ponto percentual da deflação, segundo análise do Valor.EntendaO desconto é o chamado bônus de Itaipu, a devolução ao consumidor de saldos da conta que comercializa a energia gerada pela hidrelétrica de Itaipu. O efeito é temporário: sem o bônus, a inflação de setembro deve voltar a subir, aponta o UOL. Mesmo sem o abatimento, agosto ainda teria deflação, porque os alimentos, item de maior peso no índice, recuaram 0,12%, segundo o Valor.O que preocupa é o que vem pela frente. O fim do desconto na tarifa de energia e a chegada de um El Niño forte podem limitar o alívio da inflação, segundo o UOL. O El Niño, fenômeno que esquenta as águas do Pacífico e altera o regime de chuvas no Brasil, tende a encarecer os alimentos, a energia ou ambos.Em questionário respondido por 171 economistas antes da última reunião de juros do Banco Central, a mediana das respostas apontou impacto de 0,4 ponto percentual na inflação deste ano e de 0,3 ponto em 2027, reporta o Valor. As estimativas usam como referência o El Niño de 2015-2016, de intensidade parecida. O boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com analistas de mercado, já projeta inflação de 5,02% em 2026 e de 4,25% no ano que vem.Se as projeções se confirmarem, a inflação estoura o teto da meta este ano e pode repetir a dose em 2027, avalia o Valor. Há outros focos de pressão: a gasolina mais barata, que derrubou o grupo de transportes em 1% em agosto, tem preços contidos por subsídios que devem terminar. Para a consultoria Oxford Economics, esse é o principal motivo para a inflação deixar de desacelerar neste ano.A inflação de serviços, que acompanha o ritmo de salários e de emprego, segue como a principal barreira à queda dos preços: subiu 5,9% em 12 meses até julho, segundo o Valor. Em agosto, os grupos de saúde e cuidados pessoais e de despesas pessoais tiveram as maiores altas do índice.Para o bolso do consumidor, o cenário é de alívio real, mas passageiro. Analistas esperam mais um corte da Selic, a taxa básica de juros, para 13,75%. Se os alimentos dispararem com o El Niño, o Banco Central pode interromper o ciclo de cortes de juros, segundo o Valor.

RARafael Albuquerque
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Teto de 12% no juro habitacional é 'desafiador', diz Caixa

12% ao ano. É esse o teto do juro do financiamento imobiliário enquadrado no SFH (Sistema Financeiro de Habitação), e a Caixa Econômica Federal, maior financiadora da casa própria no país, admitiu nesta quinta-feira (27) que operar dentro desse limite ficou difícil. Para quem quer sair do aluguel, o recado é direto: o crédito imobiliário tende a seguir caro e escasso enquanto a Selic, a taxa básica de juros da economia, estiver em 14% ao ano."Nós estamos num momento muito difícil, o teto de 12% é desafiador", afirmou Inês Magalhães, vice-presidente de Habitação da Caixa, ao comentar os resultados do banco no segundo trimestre, segundo a Folha de S.Paulo."Agora, temos que lembrar que o SBPE [Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo] tem origem na poupança, e ele é um subsídio. Num país com uma pirâmide de renda como o Brasil tem, é muito razoável que nós tenhamos uma diretriz para que esse recurso atenda um certo perfil de imóvel e de população."O problema, explicou a executiva, não é o teto em si, mas a conta que ele impõe com a Selic em 14%. Na prática, o banco paga algo perto de 14% ao ano para captar dinheiro e recebe no máximo 12% ao emprestar. É como comprar cada cesta básica por R$ 14 e ser obrigado a revendê-la por R$ 12: o caixa, literalmente, não fecha.Esse descasamento, segundo a Folha, alimenta a pressão das instituições financeiras sobre o Banco Central para que o limite seja revisto. Pela regra atual, a taxa do crédito enquadrado no SFH não pode ultrapassar 12% até janeiro.Entenda o que é o SFHO SFH é o sistema que organiza o crédito imobiliário no Brasil. Historicamente, o dinheiro dos financiamentos sai da caderneta de poupança, captada pelo SBPE, e por isso o juro funciona como um subsídio, mais barato que o de mercado. O teto existe para garantir que esse recurso mais barato chegue a imóveis e famílias de um perfil definido por renda.O nó começou quando a Selic alta esvaziou a poupança. Com a taxa básica em dois dígitos, o poupador migrou para CDBs e Tesouro Direto, aplicações que rendem mais, e o dinheiro barato do financiamento minguou.Para recompor o fluxo, o governo autorizou os bancos a captar no mercado de capitais, com instrumentos como as LCIs (Letras de Crédito Imobiliário), títulos que o investidor compra para financiar o setor. Esse dinheiro, porém, custa bem mais que o da poupança e oscila com o humor dos investidores, segundo a Folha.O novo modelo de financiamento habitacional, anunciado no fim de 2025 e implementado de forma gradual, entra em vigor pleno em janeiro de 2027. O objetivo é reduzir a dependência histórica da poupança, que tem cada vez menos recursos.A pressão sobre o teto vem num momento de recorde do banco: a carteira de crédito habitacional da Caixa superou R$ 1 trilhão pela primeira vez, alta de 15% em 12 meses, segundo O Globo e o UOL. No segundo trimestre, a estatal lucrou R$ 3,9 bilhões, avanço de 5,9%, de acordo com o G1.

RARafael Albuquerque
credit

Prazo para renegociação de dívidas pelo Desenrola termina nesta segunda-feira

Cinco milhões de contratos de dívida já foram renegociados com desconto pelo Novo Desenrola Brasil, que chega ao último dia nesta segunda-feira (31). O encerramento do programa significa que famílias com renda de até R$ 8.105 (o equivalente a cinco salários mínimos) têm poucas horas para limpar o nome antes que as condições normais de cobrança voltem a vigorar.O volume total de dívidas renegociadas caiu de R$ 26,33 bilhões para R$ 5,27 bilhões, segundo dados compilados pelo InfoMoney com o Ministério do Empreendedorismo. Esse abatimento médio de cerca de 80% representa uma economia que supera o orçamento anual de muitas cidades médias brasileiras, permitindo que débitos de cartão de crédito e cheque especial recebam descontos de até 90%.EntendaEntenda: O crédito rotativo do cartão e o cheque especial funcionam como linhas emergenciais automáticas, mas cobram as taxas mais caras do mercado financeiro quando o cliente não paga a fatura total. No Desenrola, essa bola de neve é trocada por um novo financiamento com juros limitados a 1,99% ao mês e prazo de até 48 meses, com parcelas a partir de R$ 50 (menos do que o custo de um almoço simples na rua).Para participar, o consumidor deve procurar diretamente os canais de atendimento do seu banco (aplicativo, site, telefone ou agência física), já que não existe uma plataforma centralizada do governo nesta fase. Instituições financeiras como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander e Nubank aderiram voluntariamente à iniciativa.Os trabalhadores também podem utilizar até 20% do saldo disponível no FGTS, ou o valor fixo de até R$ 1 mil (o que for maior), para abater o saldo devedor. A retirada do nome dos cadastros de inadimplência, como SPC e Serasa, ocorre logo após o pagamento da primeira parcela do acordo.

RARafael Albuquerque
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Receita suspende CNPJ de 1.283 postos para 'asfixiar' lavagem do crime organizado

1.283 postos de combustíveis tiveram o CNPJ suspenso pela Receita Federal nesta sexta-feira (28), na Operação Bomba Oculta. O CNPJ funciona como o CPF de uma empresa: sem ele, o negócio não abre conta em banco, não usa fintech e não emite nota fiscal eletrônica. Para o motorista, a medida tira de circulação bombas que, segundo os investigadores, serviam de porta de entrada para o dinheiro do crime organizado. O secretário especial da Receita, Robinson Barreirinhas, afirmou que a intenção é "asfixiar" financeiramente as organizações criminosas, segundo o G1. A operação acontece exatamente um ano depois da Operação Carbono Oculto, que revelou a infiltração de facções em toda a cadeia de combustíveis, da importação ao posto revendedor. "Quando você suspende ou torna inapto o CNPJ de 1.283 empresas claramente irregulares, muitas delas envolvidas diretamente com organizações criminosas, você asfixia financeiramente essas organizações, você asfixia o ponto de entrada da lavagem de dinheiro delas", disse Barreirinhas. Na prática, um CNPJ declarado inapto é como uma pessoa que perde o RG, a conta no banco e o Pix no mesmo dia. A empresa some do sistema financeiro formal e não consegue mais movimentar dinheiro com aparência legal. "Sem CNPJ você não consegue emitir os documentos, não consegue ter conta bancária, conta em fintech, nada disso", explicou o secretário. Entenda: como um posto vira lavanderia de dinheiro Lavagem de dinheiro é o processo de dar aparência legal a recursos vindos do crime. Segundo a Receita, o esquema descoberto pela Carbono Oculto funcionava em três passos: o posto recebia o dinheiro, inclusive em espécie; os valores passavam por contas concentradoras de fintechs, as empresas de pagamento digital; e, no fim, eram direcionados a fundos de investimento. Desde 2019, a Agência Nacional do Petróleo (ANP), que regula o setor, revogou a autorização de mais de 10 mil postos, informou a Receita. Mesmo sem o aval da agência, muitos continuaram vendendo combustível porque o CNPJ seguia ativo. É essa brecha que a Bomba Oculta fecha agora, em um setor que reúne mais de 130 mil empresas no país. Em São Paulo, seis postos clandestinos foram lacrados nesta sexta por uma força-tarefa com cerca de 60 agentes. Um deles, na Marginal Tietê, foi abandonado às pressas pelos funcionários durante a ação, segundo investigadores ouvidos pelo G1. No estado, 910 postos já têm as inscrições estaduais suspensas: 682 antes e mais 228 incluídos nesta sexta. Segundo os investigadores, a maioria dos estabelecimentos está registrada em nome de laranjas, as chamadas "interpostas pessoas", que emprestam o nome para esconder os donos reais. O posto da Marginal Tietê consta em nome de Amine Mourad, irmã de Mohamad Mourad, conhecido como "Primo" e alvo da Carbono Oculto. A operação reúne Receita, Sefaz-SP, ANP, Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo, Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e Polícia Civil. Uma nova instrução normativa da Receita, publicada nesta semana, agilizou a suspensão cautelar dos cadastros. Segundo Barreirinhas, os lacres físicos começam pela capital paulista e serão estendidos ao resto do país. Para o secretário, o efeito vai além do papel: sem canal para movimentar recursos, os lavadores serão forçados a buscar novas rotas e a se expor. "Eles vão ter que aparecer em algum outro lugar para lavar esse dinheiro. E nós estamos atentos a isso", afirmou.

RARafael Albuquerque
Economy

Inadimplência bancária sobe a 4,9% e bate recorde em julho, apesar do Desenrola 2.0

4,9%. Essa é a fatia de todo o crédito do sistema financeiro que estava atrasada em julho, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (28) pelo Banco Central. É o maior nível desde março de 2011, início da série revisada do indicador. Na prática, de cada R$ 100 que os bancos emprestaram no país, quase R$ 5 não voltaram no prazo.A taxa subiu de 4,6% em junho, uma alta de 0,3 ponto percentual em um mês. Em 12 meses, o avanço é de 0,9 ponto, segundo a CNN Brasil. O recorde foi registrado apesar do Novo Desenrola Brasil, o programa de renegociação de dívidas que o governo lançou em maio.Entenda o indicadorO Banco Central considera inadimplente toda operação de crédito com mais de 90 dias de atraso, tanto de pessoas físicas quanto de empresas. Na leitura dos bancos, é a dívida que já ficou para trás no calendário de pagamento e se aproxima do prejuízo.Entre as pessoas físicas, a situação é ainda mais apertada: a inadimplência passou de 5,4% em junho para 5,8% em julho, também recorde da série. Entre as empresas, a taxa foi de 3,2% para 3,3%, o maior valor desde outubro de 2017, quando chegou a 3,4%, de acordo com o G1.O dado preocupa porque chega depois do esforço do governo para limpar o nome dos endividados. Segundo o Ministério da Fazenda, o Desenrola 2.0 já havia renegociado mais de R$ 22 bilhões em cerca de 3,6 milhões de acordos até o fim de junho. Nesta semana, o ministro Dario Durigan anunciou que a adesão ao programa foi prorrogada até 31 de agosto.Metade da renda comprometidaO endividamento das famílias segue em patamar alto. Em junho, último dado disponível, as dívidas somavam 49,8% de tudo o que as famílias ganham em um ano, índice estável em relação ao mês anterior. Em outras palavras, quase metade da renda anual do brasileiro já tem dono antes mesmo de cair na conta.Levantamento da Serasa Experian ajuda a dimensionar o problema: em março, 82,8 milhões de brasileiros estavam endividados, o equivalente a 49% da população. As dívidas somavam R$ 557,7 bilhões, e quase metade delas, 47%, estava concentrada em instituições financeiras, justamente o alvo do Desenrola 2.0.

RARafael Albuquerque
labor

Desemprego cai a 5,3% no trimestre até julho, o menor para o período desde 2012

5,3%. Essa foi a taxa de desemprego no trimestre encerrado em julho, a menor já registrada para esse período desde que o IBGE começou a medição, em 2012. Na prática, significa menos brasileiros procurando vaga e mais famílias com salário entrando todo mês. Os dados são da PNAD Contínua, divulgada nesta quinta-feira (27).Um ano atrás, a taxa era de 5,6%. No trimestre anterior, encerrado em abril, era de 5,8%. Ao todo, 5,8 milhões de pessoas seguiam desempregadas, 503 mil a menos do que três meses antes, segundo o IBGE.Do outro lado da conta, o país alcançou 103,3 milhões de pessoas ocupadas, um recorde histórico. O emprego com carteira assinada no setor privado também bateu recorde, com 39,4 milhões de trabalhadores. É gente com direito a férias, 13º salário e seguro-desemprego.EntendaA PNAD Contínua, pesquisa do IBGE, visita 211 mil domicílios em todo o país e mede o mercado de trabalho em trimestres móveis. Por isso o resultado de hoje cobre maio, junho e julho. Só entra na estatística de desempregado quem procurou trabalho nos 30 dias anteriores à entrevista.Carteira avança, mas informalidade resisteNem todo emprego novo veio com proteção. Os trabalhadores sem carteira assinada somaram 13,8 milhões, alta de 477 mil no trimestre, e a informalidade ficou em 37,5% dos ocupados, ou 38,8 milhões de pessoas. Segundo a Agência Brasil, esses trabalhadores ficam sem coberturas como seguro-desemprego, férias e 13º salário.O rendimento médio foi de R$ 3.762 por mês, estável ante o trimestre anterior e 3,3% acima do registrado no ano passado, cerca de R$ 120 a mais por mês. Somando todos os salários do país, a renda total chegou a R$ 383,5 bilhões, o maior valor da série histórica. A construção civil puxou o trimestre, com 371 mil vagas a mais."A maioria aconteceu entre pedreiros e trabalhadores elementares da construção de edifícios", disse William Kratochwill, analista da pesquisa, à Agência Brasil. Ele notou ainda que a tecnologia abre portas no mercado de trabalho: "Hoje em dia, com telefone e bicicleta, você consegue trabalhar".

RARafael Albuquerque
argentina

Câmara da Argentina aprova reforma do Banco Central que veda emissão para o Tesouro

33,8% em 12 meses. Essa é a inflação que ainda pesa no bolso do argentino: um produto que custava 1.000 pesos um ano atrás saía, em julho, por cerca de 1.338. Para tentar domar esse número de vez, a Câmara dos Deputados da Argentina aprovou na quarta-feira (26) o projeto do presidente Javier Milei que reforma a Carta Orgânica do Banco Central do país, o estatuto que define o que a instituição pode ou não fazer.O texto teve 144 votos a favor e 9 abstenções. As fontes divergem sobre os votos contrários: a agência AFP contabilizou 109, enquanto o site argentino Infobae registrou 102. O projeto agora segue para o Senado, onde o governo não tem maioria.O ponto central da reforma é proibir que o Banco Central financie o Tesouro com emissão de dinheiro. Ficam vetados os chamados adelantos transitorios (adiantamentos emergenciais que o BC fazia ao governo) e a compra direta de títulos públicos no mercado primário.Entenda: imprimir dinheiro para pagar conta de governo é o atalho clássico que alimenta a inflação. Com mais pesos circulando do que a economia produz, cada nota vale menos, e o salário compra menos no fim do mês. Era esse mecanismo em pleno funcionamento quando Milei assumiu, em dezembro de 2023, com a inflação anual na casa dos três dígitos, segundo a AFP.O que mudaO texto também elimina outros objetivos do Banco Central, como promover o emprego e o desenvolvimento econômico "com equidade social", metas incluídas em 2012, durante o governo de Cristina Kirchner. A missão declarada da instituição passa a ser única: "preservar o valor da moeda". Para o economista Martín Kalos, ouvido pela AFP, isso significa, em resumo, "tentar evitar que haja muita inflação".Outras normas reforçam o desenho. Os resultados do BC deverão ser usados primeiro para absorver perdas acumuladas e recompor o patrimônio, e a remoção do presidente da instituição exigirá uma "causal grave" e dois terços dos votos no Congresso. O artigo que autoriza usar as reservas internacionais como garantia em operações de dívida passou por 138 votos, apesar do protesto da oposição, segundo o Infobae.Milei comemorou no X (ex-Twitter): "Um passo fundamental para erradicar a inflação da vida dos argentinos de bem", escreveu. Os deputados governistas argumentam que a reforma dá segurança aos mercados e ajuda a derrubar o riesgo país, a taxa extra que investidores cobram para emprestar dinheiro à Argentina.A oposição peronista vê outra coisa. O deputado Agustín Rossi disse que o objetivo real é manter a atual diretoria do BC conduzindo a política monetária "independentemente de o governo perder as eleições no ano que vem". Miguel Ángel Pichetto criticou a "rigidez" do modelo e afirmou que o Banco Central deveria estar subordinado ao crescimento e ao desenvolvimento do país.Na mesma sessão, os deputados aprovaram a chamada Lei de Inocência Fiscal 2, que complementa o programa de regularização de capitais regulamentado em abril e também depende do Senado. A vitória na Câmara teve apoio de blocos aliados, como o PRO, partido do ex-presidente Mauricio Macri, e a centrista UCR.

RARafael Albuquerque
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Déficit nas contas externas atinge US$ 8,11 bilhões em julho e bate recorde de 7 anos

O Brasil fechou o mês de julho com um saldo negativo de US$ 8,11 bilhões (cerca de R$ 41,7 bilhões) em suas contas externas, o que encarece a moeda estrangeira e pode pressionar o preço de itens importados nas prateleiras dos supermercados. O resultado divulgado pelo Banco Central nesta quinta-feira (27) superou a projeção de economistas consultados pela Reuters, que esperavam um rombo menor, de US$ 6,6 bilhões. Trata-se do pior resultado para o mês em sete anos, superando com folga o déficit de US$ 6,94 bilhões registrado em julho do ano passado.Entenda: as transações correntes funcionam como o extrato bancário do país com o exterior, somando o comércio de mercadorias, a contratação de serviços e o envio de lucros para fora. Quando o resultado fica no vermelho, significa que saiu mais moeda forte do país do que entrou por meio de vendas e investimentos rotineiros.A deterioração das contas no mês ocorreu em várias frentes. O rombo na conta de serviços chegou a US$ 5,27 bilhões, impulsionado por viagens internacionais que somaram o equivalente a centenas de milhares de passagens de férias no exterior. Ao mesmo tempo, a remessa de lucros e dividendos de empresas multinacionais para suas matrizes consumiu US$ 9,39 bilhões, acima dos US$ 8,96 bilhões enviados em julho de 2025.O superávit da balança comercial brasileira, de US$ 6,15 bilhões, não foi suficiente para cobrir essas saídas e ficou abaixo dos US$ 6,39 bilhões obtidos no mesmo mês do ano anterior. Além disso, a entrada de investimento estrangeiro direto no setor produtivo somou US$ 7,46 bilhões, volume menor do que os US$ 8,4 bilhões que ingressaram na economia no ano passado.Com esse resultado mensal, o déficit acumulado em 12 meses atingiu 2,49% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, segundo dados do Banco Central repercutidos pela Folha de S.Paulo e pelo G1. Esse patamar acende um alerta sobre a necessidade de atração de capital produtivo para equilibrar o fluxo de dólares e manter o câmbio estável.

RARafael Albuquerque
Economy

Desemprego cai para 5,3% em julho e atinge mínima histórica no Brasil

Apenas 5,3% dos trabalhadores brasileiros estavam sem ocupação no trimestre encerrado em julho. O resultado significa que mais pessoas conseguiram renda para pagar as contas básicas e fazer as compras do mês, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa recuou em relação aos 5,8% registrados no trimestre anterior encerrado em abril, atingindo a mínima histórica para o período na série iniciada em 2012.O contingente de pessoas sem trabalho caiu para 5,8 milhões, uma redução de 503 mil pessoas em três meses. Ao mesmo tempo, o total de brasileiros trabalhando alcançou o recorde de 103,3 milhões, um acréscimo de 1 milhão de trabalhadores, o equivalente à população inteira de uma capital de médio porte. O principal motor dessa expansão foi a construção civil, setor que abriu 371 mil vagas no trimestre e contratou principalmente pedreiros e ajudantes de obra.EntendaO IBGE calcula esses dados por meio de trimestres móveis na Pnad Contínua, uma pesquisa que mede o mercado de trabalho a cada mês usando a média dos três meses anteriores. Esse modelo suaviza variações pontuais e ajuda a enxergar a tendência real das contratações no país, como um painel contínuo da economia familiar.Apesar do avanço no número de vagas, o rendimento médio do trabalhador ficou estável em R$ 3.762 por mês, com leve oscilação frente aos R$ 3.786 apurados em abril. Na prática, o valor é suficiente para comprar cerca de quatro cestas básicas em capitais como São Paulo. Segundo analistas do IBGE citados pela Folha de S.Paulo, a estabilidade salarial reflete a entrada de novos trabalhadores na construção civil, um setor onde os salários de entrada costumam ser menores do que a média geral da economia.

RARafael Albuquerque
Economy

Gastos de brasileiros no exterior somam US$ 2,45 bilhões em julho e batem recorde em 30 anos

US$ 2,45 bilhões: esse foi o valor gasto por turistas brasileiros no exterior em julho de 2026, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Banco Central. Na prática, a cifra mostra como a queda recente na cotação da moeda americana barateou hotéis e passagens aéreas, estimulando o turismo internacional durante o recesso escolar.O montante equivale a mais de R$ 12,4 bilhões, soma suficiente para pagar mais de oito milhões de salários mínimos mensais. O resultado representa a maior despesa para um mês de julho desde o início da série histórica do BC em 1995, superando a marca anterior de US$ 2,41 bilhões registrada em 2014.Com o dólar cotado a R$ 5,06 no encerramento de julho, após recuar 7,64% no ano, a fatura do cartão e os custos de viagem diminuíram em comparação com o ano passado. No acumulado dos sete primeiros meses de 2026, as despesas de brasileiros lá fora somaram US$ 15,1 bilhões, outro recorde histórico para o período.Entenda: esses gastos integram o cálculo das transações correntes, o indicador oficial que acompanha todo o dinheiro que entra e sai da economia em comércio, serviços e remessas financeiras. Quando brasileiros gastam em outros países, o país registra uma saída líquida de moeda estrangeira, saldo que afeta o balanço de pagamentos nacional.Apesar da saída maior com viagens, o déficit acumulado nas contas externas caiu 9,6% entre janeiro e julho de 2026, somando US$ 35,97 bilhões. Além disso, a entrada de US$ 54,44 bilhões em investimentos estrangeiros diretos no mesmo período cobriu esse saldo negativo, garantindo equilíbrio financeiro ao país.

RARafael Albuquerque
Economy

BC prepara medidas contra endividamento recorde das famílias; UBS vê risco para bancos

O número da semana é 49,8%. Essa é a fatia da renda anual das famílias brasileiras comprometida com dívidas em 2026, o maior nível da série histórica do Banco Central. Na prática, uma família que ganha R$ 60 mil por ano deve, em média, quase R$ 30 mil.O quadro é dissonante. A renda disponível das famílias atingiu o recorde de R$ 822 bilhões em maio, e o desemprego recuou a 5,4%, perto da mínima histórica. Ainda assim, endividamento e inadimplência seguem em alta, segundo o BC.Foi contra esse cenário que o Banco Central informou nesta quarta-feira (26), em comunicado do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef), que prepara medidas para mitigar os riscos do crédito. O texto aponta o peso das modalidades mais caras na dívida das famílias e diz que a meta é "fortalecer a sustentabilidade do crédito e a resiliência do sistema financeiro".Dois dias antes, na abertura do Febraban Tech, evento do setor bancário em São Paulo, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, já havia dito que estuda ferramentas para conter a alavancagem (o endividamento) das famílias, com mudanças "suaves e progressivas". Ele foi direto: "Não dá pra ficar contente com a notícia de que o crédito cresceu e depois reclamar que o endividamento cresceu".A conta aparece no bolso do consumidor. O país tem 96 milhões de usuários de cartão de crédito, 57% da população adulta, e 52,8 milhões deles pagam juros no rotativo (a parte da fatura que não é quitada) ou no parcelado. A taxa média do rotativo chega a 15,1% ao mês: quem deve R$ 1.000 desembolsa cerca de R$ 151 de juros em um único mês, o preço de uma compra de mercado da semana.Outras linhas correm mais soltas. O consignado privado (empréstimo descontado do salário) cresceu 145% em um ano, para R$ 102 bilhões, e o crédito pessoal sem garantia avançou 188% desde 2020, para R$ 397,2 bilhões, com juros de até 149,5% ao ano. A essa taxa, uma dívida de R$ 1.000 vira quase R$ 2.500 em doze meses.EntendaMedidas macroprudenciais são regras do Banco Central que miram o sistema financeiro como um todo. Na prática, o BC pode obrigar os bancos a deixar mais dinheiro retido (o chamado compulsório), exigir mais capital para empréstimos arriscados ou encarecer o crédito via impostos como o IOF. A ideia é esfriar os empréstimos antes que o calote vire problema para o sistema.É a falta de detalhes que incomoda o mercado. Em relatório, o banco suíço UBS afirma que as falas de Galípolo adicionam incerteza ao setor bancário, porque não está claro qual ferramenta será usada. O UBS lembra que o crédito a pessoas físicas cresce cerca de 11% ao ano, ritmo que não considera exagerado, e que o compulsório está perto das mínimas históricas, o que daria margem para uma alta.O relatório cita o precedente de 2011, quando o BC elevou a exigência de capital para empréstimos de longo prazo e o governo subiu o IOF do crédito a pessoa física de cerca de 1,5% para 3% ao ano. Mesmo cauteloso, o UBS manteve recomendação de compra para Nubank, Bradesco, Itaúsa e Inter.O BC tentou acalmar. Segundo o Comef, os bancos mantêm capital e liquidez acima do exigido, e "as provisões para perdas de crédito e os níveis de liquidez e de capital se mantêm adequados". Para o comitê, o sistema financeiro está preparado para a materialização do risco de crédito.

RARafael Albuquerque
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Lucro da Caixa sobe para R$ 3,9 bilhões no 2º trimestre, puxado pelo crédito

R$ 3,9 bilhões. Esse foi o lucro líquido recorrente da Caixa Econômica Federal no segundo trimestre, 5,9% acima do mesmo período de 2025, informou a estatal nesta quarta-feira (26). Recorrente é o lucro da operação normal do banco, sem eventos pontuais no meio do caminho.Em outras palavras, a Caixa lucrou cerca de R$ 43 milhões por dia entre abril e junho. É como se, a cada 24 horas, entrasse no caixa o equivalente a mais de 26 mil salários mínimos, hoje em R$ 1.621. Um ano atrás, o ganho no trimestre era de cerca de R$ 3,7 bilhões.O motor do resultado foi a carteira de crédito, o conjunto de empréstimos e financiamentos do banco: chegou a R$ 1,4 trilhão, alta de 11,9% em 12 meses, segundo a Folha. Os empréstimos a pessoas físicas subiram 8,7%, a R$ 156,5 bilhões, e os a empresas, 6,5%, a R$ 113,9 bilhões. Com mais dinheiro na rua, a margem financeira (o que sobra entre o juro que o banco cobra e o que paga a quem tem dinheiro aplicado) cresceu 20,2%, para R$ 19,7 bilhões.No financiamento da casa própria, principal negócio da Caixa, o saldo alcançou R$ 1,005 trilhão, avanço de 15% em 12 meses, de acordo com o Valor. O banco responde por 67,7% do mercado habitacional, e 61,5% desses financiamentos usam recursos do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), o dinheiro que o empregador deposita todo mês em nome do trabalhador.Provisão para calotes quase dobraEntenda: todo banco é obrigado a reservar dinheiro para empréstimos que podem virar calote, as chamadas provisões. Uma regra do Banco Central passou a exigir reserva até para perdas que ainda não aconteceram, mas que o banco espera ter. Por causa disso, segundo a Caixa, as provisões saltaram 97,6% em um ano, a R$ 7 bilhões.O efeito aparece na rentabilidade. O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido, quanto o banco rende sobre o capital próprio) recuou 2,7 pontos percentuais, para 9,16%. No crédito imobiliário, a inadimplência acima de 90 dias foi de 1,26% para 1,45%: de cada R$ 100 financiados, R$ 1,45 estão atrasados.Do lado da captação, o dinheiro que banca os empréstimos também cresceu. A poupança da Caixa soma R$ 405,6 bilhões, alta de 3,9% em 12 meses. Já as LCIs (letras de crédito imobiliário, investimento isento de Imposto de Renda para pessoa física) saltaram 21,8%, para R$ 271 bilhões.

RARafael Albuquerque
Economy

Dívida pública federal sobe a R$ 9,28 trilhões em julho, diz Tesouro

A dívida pública federal chegou a R$ 9,28 trilhões em julho, um crescimento de 0,22% sobre os R$ 9,26 trilhões registrados em junho, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (26) pela Secretaria do Tesouro Nacional. Na prática, é o valor que o governo federal deve a quem comprou seus títulos, dívida que todo contribuinte ajuda a pagar com impostos, seja hoje seja nos próximos anos.O aumento de julho veio quase todo do pagamento de juros: R$ 85,53 bilhões foram incorporados à dívida só por causa dos juros que incidem sobre os títulos já emitidos. Parte desse efeito foi compensada pelo chamado resgate líquido de R$ 65,14 bilhões, ou seja, o Tesouro pagou de volta mais títulos do que emitiu de novos no período.Entenda: a dívida pública federal é o dinheiro que o Tesouro Nacional, ligado ao Ministério da Fazenda, toma emprestado para cobrir o rombo entre o que o governo arrecada com impostos e contribuições e o que ele gasta. Quando as despesas superam a arrecadação, o Tesouro emite títulos, vendidos a investidores no Brasil e no exterior, e se compromete a devolver esse dinheiro com juros no futuro.Dois outros indicadores do relatório mostram a saude dessa divida. O prazo médio, tempo que o governo tem até precisar refinanciar os títulos, passou de 4,01 para 4,05 anos, cerca de duas semanas a mais de fôlego. Já o custo médio acumulado nos últimos doze meses caiu de 12,68% ao ano em junho para 12,45% ao ano em julho, uma taxa que ainda pesa no bolso público e lembra o que muita gente paga num financiamento de veículo.A reserva de liquidez, o dinheiro que o Tesouro guarda especificamente para honrar pagamentos futuros da dívida, subiu 1,89% em julho, para R$ 1,37 trilhão, ante R$ 1,34 trilhão em junho. Na comparação com julho de 2025, quando essa reserva estava em R$ 988,35 bilhões, o crescimento nominal chega a 38,74%, um colchão bem mais robusto do que havia um ano atrás.Para o fim de 2026, o Tesouro projeta que a dívida feche entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. O órgão também revisou o Plano Anual de Financiamento (PAF) divulgado no mesmo dia: agora espera que entre 49% e 53% do estoque da dívida seja formado por títulos de taxa flutuante, que têm juros atrelados à Selic e sobem ou caem junto com ela, em detrimento de títulos prefixados ou corrigidos pela inflação.

RARafael Albuquerque
oil

Governo prorroga subsídio de R$ 0,44 na gasolina até 9 de setembro

R$ 0,44 por litro. E esse o valor que o governo federal continuara pagando aos produtores e importadores de gasolina ate 9 de setembro, para segurar o preco do combustivel nas bombas. Na pratica, e dinheiro publico cobrindo parte do que os consumidores pagariam a mais se o subsidio nao existisse.A prorrogacao foi assinada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em portaria publicada no Diario Oficial da Uniao, segundo o G1. O O Globo confirma a informacao e acrescenta que a medida provisoria que sustenta o subsidio perde validade justamente no dia 9 de setembro, quando o governo tera de decidir se estende o beneficio por outro instrumento legal.Entenda: a "subvencao" e um subsidio direto. Quando o preco do petroleo sobe no mercado internacional, a Petrobras e outras distribuidoras repassam parte desse aumento a gasolina vendida nos postos. Para evitar que esse repasse chegue inteiro ao bolso do motorista, o Tesouro paga uma diferenca por litro diretamente a produtores e importadores, segurando o preco final.O subsidio esta em vigor desde 25 de maio e ja custou cerca de R$ 2,4 bilhoes aos cofres publicos em pouco mais de dois meses, segundo o O Globo. Para efeito de comparacao, esse valor equivale a mais de 400 mil salarios minimos atuais. Dias depois do inicio do subsidio, em maio, a Petrobras reajustou o preco da gasolina A repassada as distribuidoras em R$ 0,48 por litro, mas o efeito pratico para o consumidor final ficou em apenas R$ 0,04, justamente por causa da subvencao, segundo o G1.A mesma portaria manteve ate 9 de setembro a subvencao de R$ 1,12 por litro de oleo diesel, tambem usada para conter repasses de preco, de acordo com o O Globo. O governo justifica as duas medidas pela instabilidade do barril de petroleo, hoje na casa de US$ 85, em meio a guerra no Oriente Medio, que segundo o G1 motivou tambem, em julho, a decisao do Conselho Nacional de Politica Energetica de elevar para 32% o percentual de etanol anidro misturado a gasolina, numa tentativa adicional de conter a pressao inflacionaria sobre os combustiveis.

RARafael Albuquerque
Economy

Flávio Bolsonaro promete renegociar dívidas de mais de 100 milhões, diz assessora

Mais de 100 milhões de brasileiros, quase metade da população do país, poderiam ser incluídos num programa de renegociação de dívidas caso Flávio Bolsonaro (PL) vença a eleição presidencial de 2026. A promessa foi feita por Daniella Marques, assessora econômica da campanha e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, em entrevista ao videocast C-Level, da Folha de S.Paulo.Segundo Marques, as famílias brasileiras hoje comprometem cerca de 40% da renda mensal só para pagar dívidas. Na prática, de cada cinco reais que entram no orçamento de uma família, dois já saem antes de cobrir aluguel, comida ou combustível.Entenda: regra fiscal é o conjunto de normas que limita quanto o governo pode gastar a cada ano, para impedir que a dívida pública cresça mais rápido que a economia. O Brasil adotou o teto de gastos em 2016, a regra foi afrouxada no fim do governo de Jair Bolsonaro e, em 2023, já no governo Lula, foi substituída pelo atual arcabouço fiscal.Marques afirma que Flávio se comprometeu a propor uma PEC de transição, reunindo os três Poderes numa autocontenção de gastos capaz de gerar economia equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Ela não detalhou como esse corte seria dividido entre ministérios e programas, e subiu o tom diante de perguntas sobre a viabilidade da proposta."Quem vai fazer esse detalhamento vai ser o Congresso, é o que vai sair de lá e que vai definir. Eu não sou a Mãe Dináh."Sobre a trajetória da dívida pública, Marques comparou as gestões: o governo Bolsonaro assumiu com a relação dívida/PIB em 75,27% e a entregou em 71,67%. Já sob o PT, segundo ela, o indicador chegou a quase 82% em junho de 2026, crescendo mais rápido que a economia, como uma fatura de cartão de crédito que sobe mês a mês mais depressa que o salário de quem a paga.Marques também disse que o Brasil vive hoje "o maior juro real do mundo", o que, segundo ela, ajuda a explicar por que mais de 6 mil empresas entraram em recuperação judicial, extrajudicial ou falência neste semestre, ante menos de 1.500 durante a pandemia, quando boa parte da economia esteve paralisada. Ela rejeitou comparações com o Desenrola, programa de renegociação de dívidas do governo Lula, que classificou como algo que "não funciona".Até o fechamento desta reportagem, a entrevista havia sido divulgada apenas pela Folha de S.Paulo, e as propostas detalhadas por Marques ainda não tinham sido confirmadas por outras fontes independentes.

RARafael Albuquerque
inflation

IPCA-15 tem deflação de 0,4% em agosto, a maior em quatro anos

O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) registrou deflação de 0,4% em agosto, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta quarta-feira (26). É a maior queda do indicador em quatro anos, desde agosto de 2022, quando o índice recuou 0,73%.O resultado foi puxado principalmente pelo desconto temporário na conta de luz proporcionado pelo bônus de Itaipu, que entrou em vigor em agosto. Segundo a Folha de S.Paulo, passagens aéreas, alimentos e combustíveis também caíram de preço no mês e ajudaram a derrubar o índice, que havia subido 0,06% em julho. O G1 confirma que o recuo foi puxado por habitação, transportes e alimentação, com energia elétrica, passagens aéreas e combustíveis mais baratos; entre os alimentos, tomate, batata e cenoura tiveram as maiores quedas de preço.A deflação de agosto é a primeira do índice em um ano, desde agosto de 2025, quando o IPCA-15 havia caído 0,14%. O resultado também surpreendeu o mercado financeiro: a mediana das estimativas era de queda de 0,32%, conforme levantamento da agência Bloomberg citado pela Folha.Acumulado em 12 meses desaceleraApesar da deflação mensal, o IPCA-15 segue acumulando alta em 12 meses, mas em ritmo mais lento: a taxa desacelerou para 4,24% até agosto, ante 4,52% até julho. Com o novo número, o índice ficou abaixo do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo Banco Central para o IPCA, o índice oficial, algo que não ocorria desde abril.O IPCA-15 funciona como uma prévia do IPCA, divulgado depois pelo IBGE, e por isso costuma sinalizar uma tendência para o índice oficial de inflação. Uma das diferenças entre os dois é o período de coleta de preços: a apuração do IPCA-15 de agosto abrangeu o intervalo entre 16 de julho e 14 de agosto, enquanto o levantamento do IPCA ocorre ao longo do próprio mês de referência. O resultado do IPCA de agosto será divulgado pelo IBGE em 11 de setembro.Economistas já esperavam a deflação do IPCA-15 em razão do bônus de Itaipu, segundo a Folha. O alívio é considerado pontual e tende a ser revertido nos próximos meses, quando o efeito do desconto na conta de luz deixar de atuar sobre a base de comparação do índice.

RARafael Albuquerque
Economy

Brasil e EUA marcam nova reunião sobre o tarifaço para segunda-feira

Brasil e Estados Unidos retomarão na próxima segunda-feira, dia 31, as negociações técnicas sobre o tarifaço imposto pelos americanos a produtos brasileiros, segundo a CartaCapital. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, farão uma reunião virtual às 14h30, no horário de Brasília. O encontro foi confirmado pelo próprio ministro e marca a primeira etapa de um novo cronograma de conversas entre os dois governos.A reunião foi acertada depois de uma troca de mensagens entre Rosa e Greer, que ocorreu após um telefonema entre o presidente Lula e o presidente americano Donald Trump na sexta-feira, dia 21. Os dois líderes conversaram por cerca de uma hora e vinte minutos, principalmente sobre as tarifas. Segundo o governo brasileiro, Lula defendeu a retomada das negociações e argumentou que as medidas prejudicam as economias dos dois países. Trump, por sua vez, concordou com a necessidade de preservar as relações comerciais e indicou que as equipes técnicas voltassem a se falar.O primeiro objetivo do Brasil na retomada das conversas será ampliar a quantidade de produtos brasileiros isentos das tarifas adicionais. Somente depois, em uma segunda etapa, o governo pretende discutir a reversão das próprias medidas adotadas pelos Estados Unidos. As duas delegações já haviam se reunido anteriormente, mas não chegaram a um entendimento. Desde o anúncio das tarifas, segundo o governo brasileiro, houve mais de 30 contatos com autoridades norte-americanas em diferentes níveis.Como funciona o tarifaçoOs Estados Unidos aplicaram neste ano dois tarifaços adicionais sobre produtos brasileiros. Uma das tarifas acrescentou 25% sobre parte das exportações, depois de uma investigação comercial americana que apontou práticas brasileiras supostamente prejudiciais ao comércio bilateral, incluindo questões relacionadas ao Pix e à regulação de plataformas digitais. Posteriormente, uma segunda tarifa, de 12,5%, foi anunciada. Com a incidência das duas cobranças, alguns produtos passaram a enfrentar uma tarifa adicional de 37,5% para entrar no mercado americano.A cobrança, porém, não atinge todos os produtos. Petróleo, café e carne bovina estão entre os itens excluídos das tarifas adicionais, enquanto calçados, máquinas, madeira e açúcar permanecem sujeitos à alíquota máxima. A estratégia brasileira, neste momento, é ampliar essa lista de exceções e reduzir o impacto das medidas sobre as exportações do país antes de buscar uma reversão mais ampla do tarifaço.

RARafael Albuquerque
real-estate

TJ-SP julga nesta quarta ação que pode anular novo zoneamento da capital paulista

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) pode decidir na tarde desta quarta-feira (26) sobre a continuidade ou a derrubada do mapa da revisão da Lei de Zoneamento da capital paulista, em vigor desde 2024, segundo apurou a Folha de S.Paulo. A sessão do Órgão Especial começa às 13h30, com o tema na 36ª posição da pauta.A ação direta de inconstitucionalidade foi movida pela Procuradoria-Geral de Justiça do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que questiona a Lei 18.081/2024 desde o início deste ano. Em fevereiro, o desembargador Luis Fernando Nishi já havia concedido liminar suspendendo a emissão de alvarás para demolições, corte de árvores e construção de novos prédios na cidade, ao entender que o processo legislativo não cumpriu requisitos de participação popular e planejamento técnico. Segundo o G1, o magistrado escreveu na decisão que a lei questionada contém vícios que impedem sua existência, dado que inobservadas regras basilares de participação comunitária no processo legislativo.Essa liminar chegou a paralisar milhares de processos na Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL): segundo o Estadão, 4.459 pedidos de alvará ficaram represados, dos quais 1.363 relativos a Habitação de Interesse Social e Habitação de Mercado Popular. Em abril, porém, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liminar favorável à Câmara Municipal e à Prefeitura, restabelecendo a validade da lei até o julgamento final pelo TJ-SP, conforme noticiou a revista Veja São Paulo. A Câmara havia argumentado que a paralisação ameaçava até 197 mil postos de trabalho na construção civil e cerca de R$ 90 bilhões em investimentos.O que está em jogo no julgamento de méritoSegundo a Folha, os desembargadores podem aplicar uma modulação dos efeitos caso julguem procedente a ação do MP-SP. Isso significa que a decisão poderia não retroagir a empreendimentos já aprovados, ou até manter o mapa em vigor até que os vereadores aprovem uma nova lei, em prazo a ser definido. A alternativa foi defendida pela própria Câmara Municipal em documento enviado ao tribunal no fim de março, com base em um julgamento semelhante de 2021 sobre legislação urbanística do município de Louveira, no interior paulista.Dados apresentados pela Prefeitura à Justiça mostram a dimensão da mudança: o mapa da revisão alterou o zoneamento de 293.591 lotes, o equivalente a 7,5% do total da cidade, e impactou 3.992 quadras, ou 6% do total. Entre as alterações questionadas pelo MP-SP, algumas delas com vetos indicados até por área técnica da própria prefeitura, estão a ampliação de eixos de verticalização em quadras que não se encaixam nos critérios da legislação urbanística e a regularização de loteamentos clandestinos em zonas de proteção ambiental, como já havia revelado a Folha.Uma eventual transição na aplicação da decisão buscaria resguardar alvarás, atos administrativos e empreendimentos já concluídos ou em obras desde a mudança na lei, evitando uma onda de litígios com impacto sobre milhares de imóveis na cidade. O desfecho do julgamento desta quarta-feira deve definir se a revisão do zoneamento, que reformulou as regras de uso e ocupação do solo na maior cidade do país, segue valendo como está ou precisa ser refeita pela Câmara Municipal.

RARafael Albuquerque
Economy

Presidenciáveis defendem contas em ordem para baixar juros, mas não detalham propostas

Os cinco candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto à Presidência da República apontam, em seus programas de governo, a taxa de juros elevada como um dos principais obstáculos ao crescimento econômico e defendem o ajuste das contas públicas como caminho para derrubá-la. Um levantamento do G1 com os planos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra, porém, que as propostas trazem as linhas gerais do ajuste, mas poucos detalhes sobre como executá-lo. O primeiro turno da eleição está marcado para 4 de outubro.O diagnóstico das campanhas é parecido com o de analistas do setor privado: a dívida pública brasileira está no maior patamar desde a pandemia, os juros reais são os mais altos do mundo e o país não tem superávits primários de forma recorrente e sustentada desde 2013. Segundo o G1, os programas incluem ainda menções genéricas a reformas de despesas obrigatórias, medidas tradicionalmente impopulares e de implementação politicamente complexa. Foram analisados os programas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo).O que dizem os planosNo programa de Lula, que disputa um quarto mandato, a coligação afirma que a economia cresceu em média 3% ao ano nos últimos anos e avalia que "a taxa de juros é hoje o que a inflação foi no passado no Brasil: promove concentração de renda e desorganiza a nossa economia". O texto diz que, entre 2023 e 2026, o governo fez um "enorme esforço fiscal" de cerca de 2% do PIB, ou R$ 240 bilhões, e sinaliza um ajuste de intensidade semelhante, de forma gradual, em um novo mandato. O plano prevê a manutenção do arcabouço fiscal, a regra de 2023 que impede as despesas de crescer acima das receitas e limita o avanço real dos gastos a 2,5% ao ano. Analistas criticam as exceções à regra, que têm impulsionado os gastos, e apontam que a política de valorização do salário mínimo, mantida no programa, dificulta o ajuste por ser atrelada a gastos previdenciários. O programa promete ainda combater a "pejotização espúria" e atuar no Senado pelo fim da escala 6x1 e pela jornada de 40 horas sem redução salarial, nos termos aprovados na Câmara.A coligação de Flávio Bolsonaro promete um ajuste de maior intensidade, classificado no programa como um "grande tesouraço", com "corte profundo e por todos os lados, que enxuga a máquina". A meta é, "com as contas em ordem", conquistar "juros menores"."Apresentaremos uma reformulação nas atuais regras fiscais, com regras claras focadas na estabilização e na redução da dívida pública conforme determina a Constituição. Vamos construir o equilíbrio fiscal duradouro, entregando superávits primários e limitando o crédito subsidiado com recursos do Tesouro", diz o trecho do programa do PL, que prevê ainda uma regra de controle dos gastos discricionários dos três Poderes.O plano do candidato do PL inclui também a redução de impostos sobre energia e combustíveis "para sobrar dinheiro no fim do mês". O G1 ressalva que uma queda de arrecadação dificulta o ajuste das contas públicas.Caiado, por sua vez, afirmou em entrevista à Globo na terça-feira (25) que, se eleito, enviará ao Congresso no primeiro dia de governo uma proposta de emenda à Constituição limitando o crescimento das despesas federais à inflação mais 50% da expansão do PIB. O ex-governador de Goiás chamou o arcabouço fiscal atual de "grande farsa" e defendeu uma reforma administrativa que corte gastos e "salários extorsivos" no Executivo, no Legislativo, no Judiciário e no TCU. Questionado sobre os cálculos da meta, pediu "calma": "Um paciente foi atropelado por um ônibus. Quais são os pontos que você vai priorizar? Poxa, eu nem examinei o paciente."A Folha de S.Paulo também passou a examinar os programas econômicos dos mesmos cinco candidatos, em uma série de entrevistas com porta-vozes das campanhas, entre eles o ministro da Fazenda, Dario Durigan, da campanha de Lula, e a ex-presidente da Caixa Daniella Marques, assessora de Flávio Bolsonaro. "Os candidatos a presidente apresentam modelos econômicos bastante diferentes para o país. É necessário o escrutínio dessas promessas com dados da realidade, para que o eleitor possa diferenciar o que é mera propaganda do que efetivamente é parte de um projeto político factível", disse Mariana Carneiro, secretária de Redação da sucursal de Brasília do jornal.

RARafael Albuquerque
stock-market

CVM aprova, por unanimidade, oferta publica de acoes da Oncoclinicas e contraria area tecnica

A Comissao de Valores Mobiliarios (CVM) aprovou nesta terca-feira (25) por unanimidade, em votacao de 3 a 0, a obrigatoriedade de uma Oferta Publica de Aquisicao de Acoes (OPA) envolvendo a rede de tratamento de cancer Oncoclinicas. A decisao do colegiado contrariou o parecer tecnico da propria autarquia, que ja havia se manifestado duas vezes contra a necessidade da oferta, segundo apuraram Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo.A disputa envolve a gestora norte-americana Centaurus Capital e a brasileira Latache, socia majoritaria da rede de saude. Pelo estatuto da Oncoclinicas, investidores que ultrapassem uma participacao de 15% do capital apos o IPO da empresa precisam realizar uma OPA para dar aos demais acionistas a opcao de vender suas acoes. A Centaurus, que hoje detem cerca de 16,05% da companhia por meio do fundo Josephina 3, argumenta que sua posicao ja existia desde 2018 e que nao deveria se enquadrar na regra, segundo o Estadao. A Latache, maior acionista individual da Oncoclinicas com 14,6% do capital, e uma das principais defensoras da obrigatoriedade da oferta.Conforme apurou o Estadao/Broadcast, a operacao pode custar a Centaurus ate R$ 6 bilhoes. Votaram a favor da OPA o presidente da CVM, Otto Lobo, e os diretores Joao Accioly e Igor Muniz. A diretora Marina Copola estava impedida de participar do julgamento.Fundo ja recorre a arbitragemHoras depois da decisao, o fundo Josephina 3, veiculo pelo qual a Centaurus detem participacao na Oncoclinicas, divulgou nota discordando do colegiado. O comunicado lembrou que a area tecnica da CVM ja havia recomendado o indeferimento da oferta em duas ocasioes anteriores.O Tribunal Arbitral da Camara de Arbitragem do Mercado (CAM) da B3 e o orgao que detem jurisdicao exclusiva para resolver esta disputa comercial entre socios de uma empresa de capital aberto, motivo pelo qual o fundo Josephina 3 iniciou o procedimento arbitral perante a CAM na semana passada, afirmou o fundo em nota.Segundo o Estadao, procuradas para comentar a decisao, Latache, Centaurus e a propria Oncoclinicas nao se manifestaram. O caso agora deve seguir dois caminhos paralelos: a execucao da OPA determinada pela CVM e o processo de arbitragem ja aberto pelo fundo ligado a Centaurus na camara da B3, antes mesmo do julgamento do colegiado.Origem no desmonte de fundos do Goldman SachsSegundo reconstrucao do Estadao, a origem da disputa remonta a uma reestruturacao de fundos que detinham participacao na Oncoclinicas. O banco americano Goldman Sachs, acionista da rede desde 2015, mantinha o investimento por meio de estruturas chamadas Josephina I e II, nas quais a Centaurus tinha participacao indireta. Por regras internas do banco, que limitam a manutencao de participacoes superiores a 5% em investimentos proprietarios por ate dez anos, o Goldman Sachs decidiu no fim de 2024 reduzir sua exposicao, criando o fundo Josephina 3 e elevando a fatia efetiva da Centaurus na Oncoclinicas para cerca de 16%. O caso e um dos mais acompanhados pelo mercado neste ano e o de maior repercussao ate agora na gestao de Otto Lobo, que assumiu a presidencia da CVM em junho.

RARafael Albuquerque
health

Squadra chama investimento na Hapvida de 'maior erro' de sua história

A gestora de recursos Squadra Investimentos classificou sua aposta nas ações da Hapvida como o maior erro de investimento de toda a sua história, segundo carta enviada a cotistas nesta terça-feira (25) e divulgada por veículos como Valor Econômico, NeoFeed e Estadão. A gestora, conhecida por posições ativistas no mercado de capitais brasileiro, também informou que reduziu sua participação na operadora de planos de saúde.Segundo o NeoFeed, a Squadra cortou cerca de 1,3 ponto percentual de sua fatia na Hapvida, levando a participação a 3,87%. A redução ocorre poucos meses depois de a gestora eleger três conselheiros na companhia, após uma disputa pública por mudanças na governança. Outras publicações, como InfoMoney e o site Analistas LTDA, noticiaram que a posição da Squadra na Hapvida caiu a cerca de 1%, o que sugere que a gestora seguiu vendendo ações nos dias seguintes ao primeiro corte.Na carta a cotistas, segundo trecho reproduzido pelo site BP Money, a Squadra reconheceu o impacto do investimento nos seus resultados. "Arranhou nosso histórico de performance e custou caro ao capital dos investidores", afirmou a gestora, segundo a publicação.Ofensiva por governançaA Squadra vinha atuando de forma ativa na Hapvida havia meses, cobrando mudanças no conselho de administração e na gestão da empresa. Em carta anterior enviada à companhia, a gestora chegou a descrever a queda das ações da Hapvida como uma das maiores destruições de valor da história da bolsa brasileira, segundo o Folha de Pernambuco. O esforço culminou na eleição de três conselheiros indicados pela gestora, uma vitória que, meses depois, não impediu o novo reconhecimento do erro na tese de investimento.As ações da Hapvida (HAPV3) chegaram a cair 4,7% nesta terça-feira, segundo a agência Reuters, em meio à repercussão da carta da Squadra. No acumulado do ano, os papéis da companhia recuam 56,9%, levando o valor de mercado da Hapvida a cerca de R$ 3,16 bilhões, de acordo com o NeoFeed.Após reconhecer o erro, a Squadra redirecionou parte de sua carteira. Segundo o site Seu Dinheiro e o Analistas LTDA, a gestora colocou os recibos de ações da MercadoLibre (MELI34) e do Nubank (ROXO34) entre suas maiores apostas, além de posições em empresas do setor elétrico, como Equatorial e Energisa, e na petroleira PRIO.

RARafael Albuquerque
Economy

Zema promete ajuste para derrubar juros a 6%, sem detalhar, e defende anistia ao 8/1

O candidato do Novo à Presidência da República, Romeu Zema, afirmou nesta segunda-feira (24) que, se eleito, vai promover um ajuste fiscal para derrubar a taxa básica de juros, a Selic, dos atuais 14% para 6% ao ano, sem detalhar as medidas. Em entrevista à TV Globo, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, o ex-governador de Minas Gerais também defendeu anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e chamou o julgamento feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de "nitidamente político", segundo o g1.Zema foi o primeiro entrevistado da série de sabatinas da emissora com presidenciáveis, exibida ao vivo após o Jornal Nacional e conduzida por Renata Vasconcellos e César Tralli. Foram convidados os seis candidatos mais bem colocados na pesquisa Quaest de 14 de agosto, com ordem definida em sorteio.Juros a 6% e salário mínimoAo falar de propostas para a economia, Zema disse que a prioridade de um eventual governo seu é a queda da taxa de juros. "Com um governo sério, com credibilidade, combatendo corrupção e fraudes, essa taxa cai para 6%. Só aí nós vamos ter uma economia de R$ 800 bilhões por ano", afirmou. O candidato não explicou, porém, em que consistiria o ajuste fiscal nem de que forma obteria a redução da Selic, que é definida pelo Banco Central.Sobre o salário mínimo, o candidato garantiu a reposição da inflação. "Garanto que ninguém vai ter perda. Se tiver inflação, nós daremos toda a inflação", disse. Um reajuste com ganho real, porém, estaria condicionado ao bom desempenho da economia.A primeira pergunta da sabatina foi sobre a dívida pública de Minas Gerais, que praticamente dobrou durante os quase oito anos de Zema no governo do estado. Ele respondeu que o problema foi "herdado dos anos 90" e atribuiu o crescimento aos juros cobrados pelo governo federal. "Eu paguei R$ 23 bilhões para aposentado que não recebia aposentadoria. Eu paguei R$ 13 bilhões para o governo federal, funcionários públicos, e hoje a dívida representa muito menos para a economia de Minas do que representava quando eu assumi", disse. Zema afirmou ainda que assumiu com déficit de R$ 11 bilhões em 2018 e deixou o cargo com superávit de R$ 5 bilhões.A checagem do Fato ou Fake, do g1, classificou a declaração sobre o superávit como "não é bem assim". Segundo o levantamento, o saldo positivo de R$ 5,1 bilhões é de 2024 e foi impulsionado por receitas extraordinárias dos acordos de Mariana e Brumadinho. Ao fim de 2025, último ano completo de Zema no cargo, o superávit foi de R$ 1,1 bilhão, e a projeção da Secretaria de Estado da Fazenda para 2026 é de déficit de R$ 5 bilhões.Anistia aos condenados pelo 8/1Zema disse que, se eleito, dará anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília. Na avaliação do candidato, os envolvidos devem ser punidos por vandalismo e depredação, e há tribunais no Brasil "fazendo mais política do que propriamente justiça"."Eu darei anistia ou, pelo menos, no mínimo, um tribunal que não seja político, um tribunal que seja judicial", afirmou Zema.De acordo com O Antagonista, o candidato estendeu a promessa ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo STF. "Não existe na história da humanidade uma tentativa de golpe que tenha sido um movimento de vandalismo como o de janeiro de 2023. O que vimos foi perseguição", disse Zema, que citou o caso de "uma moça que sujou o patrimônio público com batom".Em outros temas, Zema afirmou confiar nas urnas eletrônicas, embora defenda o voto impresso como "melhoria" do sistema, e disse que medidas de segurança do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, podem ser adaptadas ao Brasil "dentro da nossa lei", sem concordar com a suspensão de direitos. Segundo a Revista Oeste, ele também defendeu a privatização de estatais federais, como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa, e se disse contrário à vacinação obrigatória de crianças.A série de entrevistas da Globo segue nesta terça-feira (25) com Ronaldo Caiado (PSD). Renan Santos (Missão) fala na quarta (26), Lula (PT) na quinta (27), Flávio Bolsonaro (PL) na sexta (28) e Augusto Cury (Avante) no sábado (29).

RARafael Albuquerque
Economy

Aluguel comercial sobe 11,26% em 12 meses, quase o triplo do IPCA, diz FipeZap

O preço de locação de imóveis comerciais de até 200 m² subiu 11,26% no Brasil nos últimos 12 meses, segundo o Índice FipeZap Comercial de julho de 2026, divulgado nesta terça-feira (25). A alta supera com folga a inflação oficial medida pelo IPCA (4,44%) no período e equivale a mais de quatro vezes a variação do IGP-M (2,76%), indexador tradicional dos contratos de locação, conforme reportou a Folha de S.Paulo.O movimento não se repetiu no mercado de venda. O preço médio anunciado dessas unidades avançou apenas 2,05% em 12 meses, abaixo da inflação, o que significa perda de valor em termos reais na média nacional. O indicador aponta valor médio de R$ 8.792 por metro quadrado para os imóveis à venda e de R$ 53,68 por metro quadrado para os destinados à locação.Todas as dez cidades acompanhadas pelo índice registraram alta dos aluguéis no período. O Rio de Janeiro lidera, com valorização de 21,34%, seguido por Salvador (18,86%), Curitiba (12,85%), Belo Horizonte (8,79%), São Paulo (7,82%) e Brasília (7,66%). Em São Paulo, principal mercado da amostra, o aluguel médio chegou a R$ 61,74 por metro quadrado em julho, enquanto o preço de venda ficou em R$ 10.602 por metro quadrado, alta de apenas 1,94% em 12 meses."Essas diferenças reforçam a importância de olhar para o mercado local antes de tomar uma decisão de compra, venda ou locação. Mais do que a média nacional, fatores como demanda, disponibilidade de imóveis e dinâmica econômica de cada cidade ajudam a determinar o comportamento dos preços", disse Mariangela Silva, economista do Grupo OLX, à Folha.A distância entre a evolução do aluguel e a do preço de compra elevou a rentabilidade projetada para quem adquire uma sala ou conjunto comercial para obter renda. O chamado rental yield médio do segmento ficou em 7,59% ao ano em julho, acima dos 6,14% estimados para imóveis residenciais, embora ainda abaixo do retorno projetado para aplicações financeiras, segundo a reportagem.Apesar da alta acumulada, o ritmo mensal perdeu força. De acordo com o portal Portas, que também repercutiu o índice, a valorização do aluguel comercial passou de 1,38% em junho para 0,56% em julho, com alta acumulada de 7,42% em 2026.

RARafael Albuquerque
Braskem

Braskem despenca 6,7% e sairá de 18 índices da B3, incluindo o Ibovespa

As ações da Braskem fecharam em queda de 6,71% nesta segunda-feira (24), cotadas a R$ 4,73, no mesmo dia em que a petroquímica protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões (R$ 56 bilhões) em dívidas. A B3 anunciou que os papéis da companhia serão excluídos de 18 índices da Bolsa, entre eles o Ibovespa, principal referência do mercado acionário brasileiro.A exclusão atinge tanto as ações ordinárias (BRKM3) quanto as preferenciais (BRKM5) e ocorrerá após o encerramento do pregão regular desta terça-feira (25), pelo preço de fechamento. Segundo a B3, a medida foi motivada pela negociação dos papéis sob o título de "Recuperação Extrajudicial". Além do Ibovespa (IBOV), a Braskem deixará as carteiras teóricas de IGCX, ICO2, IBXX, IMAT, IGCT, IBRA, INDX, ISEE, ITAG, IBHB, IBEP, IBEW, IBBE, IBBC, SMLL, IBBR e SCSR. A participação da empresa em cada índice será redistribuída proporcionalmente entre os demais ativos.Saída dos índices não tira ações de negociaçãoOs papéis BRKM3 e BRKM5 continuarão listados na B3 e poderão ser negociados normalmente. O que muda é que eles deixam de integrar as carteiras teóricas dos índices, o que obriga fundos de índice e de previdência que replicam essas cestas a vender as ações. "Quando a B3 tira uma empresa dessa cesta, todo mundo que segue o índice precisa vender aquele papel, não porque avaliou a companhia, mas porque o manual do fundo obriga", explicou ao G1 Matheus Matos, sócio da MA7 Capital.Para analistas ouvidos pelo G1, o efeito da exclusão é secundário diante da recuperação extrajudicial em si. "Embora esse movimento seja negativo, seu impacto tende a ser secundário diante do cenário complexo e delicado enfrentado pela empresa", afirmou Rodrigo Boselli, gestor de renda variável da Rio Bravo Investimentos. Na avaliação de Gustavo Assis, CEO da Asset Wealth Management, "a exclusão dos índices é uma consequência desse cenário, e não a origem do problema".O pedido foi protocolado na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital de São Paulo, com o apoio de credores que representam 39,6% dos créditos sujeitos à reestruturação, acima do mínimo de um terço exigido por lei. Com o protocolo, teve início um período de proteção de 90 dias, durante o qual a companhia negociará com os credores para obter a maioria simples necessária à aprovação do plano."A Braskem esclarece que a Recuperação Extrajudicial possui escopo limitado, estritamente financeiro, e não abrange quaisquer obrigações da Companhia com seus fornecedores, clientes e demais stakeholders, as quais permanecem vigentes e seguem sendo cumpridas normalmente", informou a empresa, em nota.Segundo o InfoMoney, o plano prevê o alongamento dos vencimentos da dívida, a capitalização de juros por um período de alívio financeiro e a possibilidade de conversão de parte dos créditos em ações. A iniciativa conta com o apoio dos principais acionistas da Braskem, a Novonor (por meio do fundo Shine) e a Petrobras. A recuperação extrajudicial ocorre em paralelo à reestruturação da subsidiária mexicana Braskem Idesa, que pediu proteção judicial nos Estados Unidos pelo mecanismo conhecido como Chapter 11.

RARafael Albuquerque
credit

Galípolo alerta para crédito caro usado em despesas fixas e endividamento das famílias

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, alertou nesta segunda-feira (24) para o avanço de modalidades de crédito caras e sem garantia em um cenário de endividamento elevado das famílias brasileiras. Segundo o G1, o crescimento recente das dívidas tem sido puxado principalmente por linhas de crédito usadas para consumo e despesas fixas, o que preocupa a autoridade monetária. As declarações foram dadas na abertura do Febraban Tech 2026, evento de tecnologia do setor financeiro promovido pela Federação Brasileira dos Bancos.De acordo com o Valor Econômico, Galípolo afirmou que não foi a alta dos juros básicos, hoje em 14,75% ao ano, que causou o superendividamento das famílias, mas o aumento da oferta de empréstimos, impulsionado entre outros fatores pela política oficial de crédito. A fala responde a setores do governo e do PT que atribuem ao aperto monetário do BC o comprometimento da renda da população com dívidas, apesar do desemprego baixo e dos ganhos reais de salário. Para o presidente do BC, a relação é inversa: com a Selic mais baixa, o endividamento cresce; com juros altos, o crédito é inibido. Ele apresentou um gráfico que associa a alta do endividamento a partir de 2020 à bancarização impulsionada pelo Pix, aos juros historicamente baixos e aos programas de crédito criados na pandemia e mantidos nos anos seguintes. "Não dá para ficar contente porque o crédito cresceu e depois reclamar que o endividamento cresceu", resumiu.O endividamento avançou mesmo com a melhora do mercado de trabalho. Em junho, a taxa de desemprego caiu a 5,4%, o menor nível para o período, e em maio a renda disponível das famílias atingiu o recorde de R$ 822 bilhões, segundo o G1. Galípolo também exibiu trecho do Relatório de Política Monetária que atribui a alta recente ao crédito livre, com aumento dos atrasos no financiamento de veículos, no crédito pessoal não consignado e no consignado privado. Criado para trabalhadores com carteira assinada, o consignado CLT foi o maior fator recente de expansão do crédito às famílias: desde o lançamento, em março de 2025, o saldo saltou de R$ 41 bilhões para R$ 102 bilhões.Para Galípolo, a preocupação não está apenas no tamanho da dívida, mas no tipo de crédito contratado, conforme reportou o G1:"Nem todo tipo de endividamento é um problema. Comprar uma casa, por exemplo, gera um ativo. O problema é quando a dívida é usada para algo que não se transforma em ativo, principalmente quando envolve juros elevados."Cartão de crédito no radar do BCGalípolo defendeu ainda mudanças de regulação para corrigir incentivos que, na avaliação dele, permitiram o crescimento acelerado das operações de cartão de crédito. Os dados apresentados no evento mostram que 37 milhões de brasileiros passaram a usar cartão entre 2020 e 2024. No mesmo período, os usuários com dívida sujeita a juros subiram de 34 milhões para 52,8 milhões, a renda comprometida com o cartão passou de 38,5% para 54% e a inadimplência saltou de 55% para 64,5%. Segundo o Valor, o BC examina regras para promover a oferta responsável de crédito e corrigir distorções do modelo, em que o prazo alongado para compras à vista e o parcelamento sem juros beneficiam clientes de alta renda, enquanto os custos são repassados em juros mais altos à população de baixa renda. Galípolo não detalhou as medidas, mas citou instrumentos macroprudenciais e a experiência internacional.No mesmo evento, o presidente do BC comemorou o alto nível de confiança dos brasileiros no Pix, apontado em pesquisa Quaest citada na apresentação: 80% dizem confiar no sistema de pagamentos, à frente da Igreja Católica (76%) e das Forças Armadas (70%), enquanto 70% afirmam confiar no próprio cônjuge. "Em primeiro, como instituição... e cônjuge em quinto. Isso me preocupa", brincou. Segundo estudo do BC, o Pix já é usado por 148 milhões de pessoas físicas, o equivalente a 86% da população adulta, e por 12,8 milhões de empresas.

RARafael Albuquerque
INSS

INSS libera consignado sem biometria facial mediante validação de dados bancários

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) informou nesta segunda-feira (24) que segurados sem biometria facial cadastrada nas bases do governo poderão contratar empréstimo consignado mediante validação dos dados bancários. A medida consta em instrução normativa do órgão e já está em vigor, de acordo com reportagem do G1, que citou nota oficial do instituto.Na prática, ao acessar o sistema, a Dataprev verifica se o beneficiário possui cadastro biométrico disponível nas bases do governo. Caso não haja, o login é liberado pelo Gov.br para validação por dados bancários, que passam a servir como forma de autenticação no aplicativo Meu INSS e na autorização das operações de crédito. Segundo o órgão, a biometria facial continua sendo a principal forma de acesso ao consignado, e a nova regra deve ampliar o atendimento a quem não tem o cadastro."Na prática, a mudança evita que a ausência de biometria impeça o beneficiário de acessar o consignado. A autenticação por dados bancários passa a ser uma alternativa para essas pessoas, mantendo a necessidade de autorização expressa do titular do benefício", afirmou o INSS, em nota.Exigência surgiu após escândalo de descontosA exigência de biometria para contratar empréstimo consignado entrou em vigor em maio deste ano e está prevista em lei sancionada em 2026. A regra foi adotada para reforçar a segurança de aposentados e pensionistas após o escândalo dos descontos ilegais feitos por entidades e associações em aposentadorias e pensões. O uso da biometria também havia sido recomendado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) como forma de evitar fraudes.PortabilidadeA nova regra também vale para a portabilidade, quando o beneficiário transfere o empréstimo de um banco para outro. Nesse caso, o pedido é feito ao banco de destino e a autorização ocorre pelo Meu INSS, por biometria ou, na falta do cadastro biométrico, pela validação dos dados bancários. A modalidade não dispensa a assinatura do Termo de Autorização de Portabilidade.O banco de origem tem até 20 dias para confirmar a operação. Se a confirmação não acontecer dentro do prazo, a portabilidade é cancelada automaticamente.

RARafael Albuquerque
stock-market

Yduqs, dona da Estácio, confirma conversas com Afya sobre combinação de negócios

A Yduqs, dona da rede Estácio e uma das maiores empresas de educação superior do país, confirmou nesta segunda-feira (24) que mantém conversas com a Afya sobre uma possível combinação dos negócios das duas companhias. A confirmação foi feita em fato relevante divulgado ao mercado, um dia depois de o Valor Econômico noticiar que executivos do grupo alemão Bertelsmann, controlador da Afya, se reuniram com representantes da Yduqs em São Paulo para dar início às tratativas, com um novo encontro já marcado para setembro.No documento, a Yduqs afirma que as conversas "encontram-se em estágio inicial" e que não existe, até o momento, "qualquer acordo, contrato ou compromisso vinculante" entre as companhias, seus acionistas ou administradores. Segundo o Valor, o comunicado ressalva ainda que "não há qualquer garantia de que as tratativas resultarão na celebração de documentos definitivos ou na consumação de qualquer operação".A companhia diz que, no curso normal de seus negócios, avalia continuamente oportunidades estratégicas e que sempre enxergou "méritos estruturais" na consolidação do setor de educação como uma alavanca importante para a geração de valor aos acionistas.A notícia foi bem recebida pelo mercado. As ações da Yduqs (YDUQ3) lideraram as altas do Ibovespa nesta segunda-feira, com salto de cerca de 13%, cotadas a R$ 8,90, de acordo com a Folha. Já os papéis da Afya são negociados na Nasdaq, a bolsa eletrônica de Nova York, sob o código AFYA.A Yduqs, antiga Estácio, reúne as marcas Estácio, Wyden e IBMEC e está entre as principais empresas de ensino superior do Brasil. A Afya, por sua vez, tem foco na educação na área de saúde e adotou uma estratégia de expansão por meio de aquisições, incorporando instituições de ensino e ampliando sua presença no mercado de faculdades de medicina em diferentes regiões do país. Uma eventual combinação uniria um dos maiores grupos de ensino superior do país a uma companhia especializada em cursos de medicina.

RARafael Albuquerque
Environment

Braskem pede recuperação extrajudicial para renegociar dívida de US$ 10,9 bilhões

A Braskem, maior petroquímica da América Latina, confirmou nesta segunda-feira (24) que seu Conselho de Administração aprovou o pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões (aproximadamente R$ 56 bilhões) em obrigações financeiras. Segundo o Brazil Journal, o pedido garante à companhia um prazo de 90 dias para negociar com os credores e afasta, por ora, a ameaça de uma recuperação judicial.Em comunicado aos acionistas e ao mercado, a empresa afirmou que a medida tem escopo limitado e estritamente financeiro e não abrange obrigações com fornecedores, clientes e demais parceiros, cujos contratos seguem em vigor e continuam sendo cumpridos normalmente."Assim que formalizados os documentos pertinentes, fará o protocolo do pedido de Recuperação Extrajudicial, com o objetivo de assegurar um ambiente jurídico estável, protegido e adequado para a negociação e implementação da reestruturação das suas obrigações financeiras quirografárias", afirmou a companhia, em nota reproduzida pela CNN Brasil.Pela lei brasileira, a recuperação extrajudicial permite à empresa negociar diretamente com os credores e levar o acordo à Justiça apenas para homologação. Se não houver adesão suficiente, o processo pode ser convertido em recuperação judicial.Impasse com os bancosO pedido desta segunda-feira encerrou semanas de negociações sem acordo. Segundo a CNN Brasil, a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo havia aprovado uma tutela cautelar que protegeu a petroquímica de execuções de credores por 60 dias, prazo que terminou nesta segunda sem que as partes chegassem a um entendimento. Os bancos exigiram garantias envolvendo ativos da própria Braskem e a contratação de um empréstimo de US$ 700 milhões, recusado pela empresa. A proposta apresentada por uma de suas controladoras, a IG4, prevê o alongamento das linhas atuais por cinco anos e carência de juros por 30 meses, sem corte no principal da dívida nem conversão dos créditos em participação acionária. Em junho, as agências Fitch e S&P Global rebaixaram a nota da companhia, citando o endividamento.O peso de Maceió e a crise do setorComo mostra o g1, a crise da Braskem resulta da combinação dos custos bilionários do desastre geológico em Maceió com um longo período de margens baixas na indústria petroquímica global e o alto nível de endividamento. O afundamento do solo associado à mineração de sal-gema, relacionado à companhia pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) em 2019, provocou um dos maiores deslocamentos urbanos já registrados no país: mais de 14 mil imóveis foram desocupados e cerca de 60 mil pessoas foram afetadas. A Braskem já desembolsou mais de R$ 4,2 bilhões em indenizações e apoio à realocação de moradores e comerciantes, mantém R$ 3,24 bilhões provisionados para custos futuros e assinou acordos de R$ 1,7 bilhão com o município de Maceió, em 2023, e de R$ 1,2 bilhão com o governo de Alagoas, em novembro de 2025. Em junho deste ano, a Justiça Federal aceitou denúncia do Ministério Público Federal no caso, e as ações da empresa caíram quase 15% naquele pregão.O cenário internacional também pesa contra a companhia. Com a expansão industrial da China, que adicionou mais de 18 milhões de toneladas anuais de capacidade produtiva em 2024, segundo a consultoria ICIS, os preços das resinas caíram, e a Fitch projeta spreads petroquímicos baixos pelo menos até 2028. O EBITDA recorrente da Braskem somou US$ 557 milhões em 2025, recuo de 49% em um ano, e a dívida líquida encerrou o ano passado em US$ 7,5 bilhões, equivalente a 14,7 vezes a geração de caixa, de acordo com o g1. A alta da Selic, de 2% em 2020 a 15% em março de 2026, encareceu o serviço de uma dívida em parte denominada em moeda estrangeira. Na semana passada, a Braskem Idesa, joint venture da companhia no México, entrou com pedido de recuperação nos Estados Unidos sob o Chapter 11, a lei de falências americana.

RARafael Albuquerque
Lula

Lula: conversas com Trump são 'civilizadas', e Brasil e EUA marcam reunião sobre tarifaço

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (23) que suas conversas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, são sempre "civilizadas e muito respeitosas", mas criticou o que chamou de "segundo escalão" do governo americano por tomar "atitudes impensáveis". As declarações foram dadas em entrevista à TV Record, gravada no Palácio da Alvorada, dois dias depois de um telefonema entre os dois líderes que destravou uma nova rodada de negociações sobre o tarifaço americano contra produtos brasileiros, segundo o G1."A minha conversa com o Trump é muito civilizada, é muito respeitosa, tanto da minha parte quanto da parte dele. Mas, depois, o segundo escalão toma atitudes que são impensáveis. Aí nós não podemos aceitar intromissão de um país, quem quer que seja, na coisa do Brasil."Lula disse ainda não saber se as medidas partem do próprio Trump ou de seus assessores. "Eu, às vezes, tenho a impressão que o Trump é bem melhor na relação política do que a assessoria", afirmou na entrevista.Telefonema destravou negociaçãoLula telefonou para Trump na manhã de sexta-feira (21). A conversa durou cerca de 1 hora e 20 minutos e teve tom "amistoso e cordial", segundo o Palácio do Planalto. Na ligação, o brasileiro afirmou que as alegações usadas por Washington para justificar as novas tarifas — levantadas em investigações do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que citam temas como desmatamento, trabalho forçado e o Pix — são "infundadas". À Record, Lula foi além e disse ter dito a Trump que as bases das medidas "são mentirosas". "Temos o menor desmatamento da história do Brasil", declarou, acrescentando que, "no fundo", Trump se referia à China ao mencionar produtos feitos com trabalho escravo.O efeito foi imediato. Ainda na sexta-feira, o representante comercial americano, Jamieson Greer, entrou em contato com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e os dois combinaram uma reunião por videoconferência para a próxima semana. "O próprio embaixador Greer fez contato. Falou comigo, mandou mensagem no meu telefone pessoal", confirmou o ministro à CNN Brasil. Em nota, o Planalto informou que Trump concordou com "a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes" e propôs que equipes dos dois países voltassem a se reunir "o mais brevemente possível".Segundo fontes ouvidas pela CNN Brasil, Trump perguntou a Lula sobre as eleições brasileiras, e o petista respondeu que a campanha transcorre com tranquilidade e defendeu a lisura do sistema eleitoral. Nenhuma das partes mencionou integrantes da família Bolsonaro, ministros do Supremo Tribunal Federal ou a possibilidade de nova aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, de acordo com a apuração da emissora."Já deu fruto [a conversa] e espero que seja fruto bem gostoso e saboroso, porque eu quero manter uma relação muito civilizada com os EUA", disse Lula, lembrando que os dois países têm 203 anos de relação diplomática e são "as duas maiores democracias do hemisfério". "Somos dois homens de 80 anos de idade e temos que passar bons exemplos ao resto do mundo", completou.Contexto do tarifaçoEm julho, os Estados Unidos oficializaram uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de produtos brasileiros. Cerca de dois terços dos itens exportados pelo Brasil acabaram incluídos em listas de exceção, mas um terço segue sobretaxado, incluindo setores como madeira e máquinas e equipamentos, segundo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que defendeu neste sábado (22), à CNN, que "a negociação não pode cessar". O chanceler Mauro Vieira afirmou no mês passado que Brasil e EUA já haviam realizado mais de 30 reuniões desde março de 2025 para tratar do tema.

RARafael Albuquerque
Lula

Telefonema entre Lula e Trump mostra que relação não está abalada, avalia Estadão

O telefonema entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na manhã de sexta-feira (21) mostra que a relação entre os dois presidentes não está abalada, apesar das tensões tarifárias entre Brasil e Estados Unidos. A conclusão é de uma análise do Estadão, para a qual a conversa de cerca de 1 hora e 20 minutos — classificada como "amistosa e cordial" pelo Palácio do Planalto — e seus desdobramentos imediatos indicam que o canal direto entre os líderes segue aberto.Na ligação, Lula disse a Trump que as alegações usadas por Washington para justificar as novas tarifas contra produtos brasileiros são "infundadas", segundo o G1. As barreiras foram impostas com base em investigações do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Em ato de campanha em Belo Horizonte no fim de semana, Lula afirmou que Trump reconheceu o tarifaço como "incorreto" durante a conversa e que, a pedido do americano, o secretário de Comércio dos EUA ligou para o ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Marcio Elias Rosa, conforme a CNN Brasil.O efeito prático do telefonema foi confirmado pelo próprio ministro ao blog da jornalista Julia Duailibi: o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, procurou Marcio Elias Rosa logo após a conversa de sexta-feira para propor uma reunião, e Brasil e Estados Unidos retomam nesta semana as negociações técnicas sobre o tarifaço."Segundo escalão" na mira de LulaEm entrevista à TV Record no domingo (23), Lula reforçou a distinção entre o diálogo com Trump e as medidas adotadas pelo governo americano. Segundo o presidente, as conversas são sempre "civilizadas e muito respeitosas", mas os subordinados do republicano agem de forma divergente:"A minha conversa com o Trump é muito civilizada, é muito respeitosa, tanto da minha parte quanto da parte dele. Mas, depois, o segundo escalão toma atitudes que são impensáveis. Aí nós não podemos aceitar intromissão de um país, quem quer que seja, na coisa do Brasil."Lula disse ainda ter "a impressão" de que Trump "é bem melhor na relação política do que a assessoria". A leitura converge com reportagem do Financial Times publicada no sábado (22), segundo a qual o petista passou a apostar no canal direto com Trump para contornar uma "ala ideológica" da Casa Branca liderada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, com quem trocou farpas públicas nas últimas semanas — Rubio acusou Lula de colocar "o próprio ego" à frente dos interesses do povo brasileiro, e o brasileiro chamou o diplomata de "latino-americano frustrado", repercutiu a CNN Brasil. Uma análise da emissora também avalia que "não existe animosidade de Trump em relação a Lula".O jornal britânico ouviu versões divergentes sobre a aproximação: uma autoridade americana afirmou que Lula estaria "fabricando" a briga com Rubio por acreditar que o sentimento antiamericano o ajudaria a derrotar Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições de outubro, enquanto um integrante do governo brasileiro disse haver "uma agenda coordenada da direita do Brasil com a direita no Departamento de Estado dos EUA".Ao comentar o telefonema, Lula citou os 203 anos de relação diplomática entre os dois países e disse que ele e Trump, "dois homens de 80 anos de idade", devem "passar bons exemplos ao resto do mundo" como líderes das duas maiores democracias do hemisfério. Apesar do otimismo do Planalto com a reabertura do canal, a CNN apurou que integrantes do governo ainda não descartam tentativas de interferência eleitoral por parte de setores dos EUA.

RARafael Albuquerque
Economy

Split payment da reforma tributária não ficará pronto em janeiro de 2027

O split payment, sistema de recolhimento automático de tributos criado pela reforma tributária, não entrará em funcionamento em janeiro de 2027, quando começa a cobrança efetiva da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços). O anúncio foi feito por Pricilla Santana, secretária da Fazenda do Rio Grande do Sul e segunda vice-presidente do Comitê Gestor do IBS, após reunião do colegiado realizada na quarta-feira (12), segundo a Folha de S.Paulo. "O split payment é uma das ferramentas mais complexas de ser implementada. Não começará em janeiro", afirmou a secretária, acrescentando que as próprias instituições financeiras pediram mais tempo para se adaptar. No modelo, bancos e demais operadores de pagamento separam o valor do imposto automaticamente no momento da liquidação da transação. A empresa recebe o valor da venda, e os tributos seguem direto para a Receita Federal e para o Comitê Gestor formado por estados e municípios, sem passar pela conta do vendedor. De acordo com a Folha, o uso do split payment será opcional em um primeiro momento e restrito a operações entre empresas. Outra modalidade, também opcional, estará disponível já em 2027: o RAD (Recolhimento pelo Adquirente), em que o comprador quita o imposto que hoje é recolhido pelo fornecedor e tem seu crédito tributário habilitado automaticamente, enquanto o vendedor recebe apenas o valor líquido. A operação do sistema exigirá infraestrutura inédita. Segundo apuração do JOTA, um grupo de trabalho do Ministério da Fazenda com a CGU e os bancos propôs remunerar as instituições financeiras em R$ 0,39 por operação processada. Estima-se que cerca de 229 instituições de pagamento precisarão aderir ao modelo, processando entre 1,3 bilhão e 1,5 bilhão de transações por ano, com movimentação em torno de R$ 6 trilhões. A CGU, porém, questiona a proposta. O órgão aponta falta de metodologia para justificar o valor e lembra que o pagamento dependeria de aprovação de benefício tributário pelo Congresso, algo vedado pelo arcabouço fiscal após o déficit primário registrado em 2025. O mecanismo também virou alvo de críticas políticas. Ainda segundo o JOTA, perfis ligados à oposição, como o do pré-candidato ao Senado Carlos Bolsonaro, afirmam que o split payment reduzirá o fluxo de caixa das empresas, já que o dinheiro do tributo deixará de transitar pela conta das companhias — o fim do chamado "float tributário", prazo entre a venda e o recolhimento que hoje ajuda a financiar o capital de giro. O Comitê Gestor, por sua vez, anunciou que vai intensificar a comunicação com a sociedade para combater o que classifica como desinformação sobre a reforma. A reforma tributária, aprovada em 2024, substitui PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS por um IVA dual composto pela CBS federal e pelo IBS de estados e municípios. Segundo o G1, a plataforma tecnológica que operacionalizará os novos tributos — descrita pelo governo como muitas vezes maior que o Pix — está em fase de testes em 2026, com alíquota simbólica de 1%, e a transição do ICMS e do ISS para o IBS ocorrerá gradualmente entre 2029 e 2032.

RARafael Albuquerque
Economy

Ibovespa despenca 3% e dólar salta para R$ 5,26 em dia de pânico nos mercados globais

O Ibovespa sofreu sua maior queda percentual desde dezembro de 2025, encerrando o pregão desta terça-feira com perdas de 3,28%, aos 183.104,87 pontos. O movimento foi desencadeado por uma onda de aversão ao risco que varreu os mercados globais em resposta à escalada do conflito no Oriente Médio, que entrou em seu quarto dia sem qualquer sinal de desescalada. Na mínima intradiária, o principal índice da bolsa brasileira chegou a tocar os 180.518,33 pontos, antes de uma recuperação parcial no final do pregão. Na máxima, o Ibovespa havia alcançado 189.602,38 pontos nas primeiras horas de negociação. O volume financeiro foi expressivo, somando R$ 46,8 bilhões — muito acima da média diária do ano, que se situa em R$ 34,6 bilhões —, evidenciando a intensidade da liquidação de posições por parte de investidores institucionais e estrangeiros. Apesar da forte correção, o Ibovespa ainda acumula valorização de 13,64% no ano de 2026, tendo superado momentaneamente a marca de 192 mil pontos no topo anual registrado em fevereiro. A queda, portanto, é vista por analistas mais como uma realização de lucros amplificada pelo cenário externo do que como uma mudança de tendência. O dólar comercial acompanhou o movimento de fuga para ativos seguros, fechando com alta de 1,91%, cotado a R$ 5,2639. Mesmo com a valorização do dia, a moeda americana ainda acumula queda de 4,10% no ano, refletindo o diferencial de juros favorável ao real e o fluxo positivo de investimentos estrangeiros para o mercado brasileiro nos primeiros meses de 2026. Otávio Araújo, analista da Zero Markets Brasil, explicou que "o que estamos vendo é um movimento clássico de fuga para ativos considerados mais seguros", referindo-se à migração de capital de mercados emergentes para títulos do Tesouro americano e ouro. O petróleo Brent, referência internacional, fechou em alta de 4,7%, acumulando ganhos de mais de 11% em dois dias, influenciado pelas ameaças iranianas de atacar navios no Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do comércio global de petróleo. No cenário doméstico, o impacto do estresse externo se soma às incertezas sobre a condução da política fiscal pelo governo. Dados recentes do Boletim Focus mostraram que as projeções de inflação para 2026 saltaram para 4,1%, pressionadas pela alta do dólar e pelo aumento dos preços de combustíveis derivados do petróleo. A expectativa para a taxa Selic no final do ano foi revisada de 12% para 12,25%, incorporando a possibilidade de que o Banco Central adote um ritmo mais cauteloso nos cortes de juros diante do cenário externo adverso. Operadores do mercado alertam que a volatilidade deve permanecer elevada nos próximos dias enquanto não houver clareza sobre os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e seus impactos sobre as cadeias globais de suprimento de energia.

RARafael Albuquerque
Tech

PicPay mira avaliação de US$ 2,46 bilhões em IPO na Nasdaq e marca retorno do Brasil ao mercado de ações americano

A fintech brasileira PicPay está se preparando para abrir capital na bolsa Nasdaq dos Estados Unidos, buscando uma avaliação de US$ 2,46 bilhões e planejando levantar aproximadamente US$ 434 milhões na operação. A empresa pretende ofertar cerca de 22,9 milhões de ações com preço entre US$ 16 e US$ 19 cada, no que representará o primeiro grande IPO de uma empresa de tecnologia brasileira em aproximadamente quatro anos, desde a listagem histórica do Nubank em 2021. Fundada em 2012, a PicPay evoluiu de uma plataforma de pagamentos peer-to-peer para um serviço completo de banco digital. A plataforma oferece atualmente cartões de crédito, produtos de seguros e funcionalidade de compre agora e pague depois, atendendo a 42 milhões de usuários ativos conforme dados de setembro de 2024 — o que a posiciona como uma das maiores plataformas de finanças digitais do Brasil, atrás apenas do Nubank em número de clientes. A PicPay é controlada pela J&F Investimentos, holding dos bilionários Wesley e Joesley Batista, que construíram a gigante do setor de proteínas JBS como uma corporação global. A Bicycle Capital, firma de growth equity focada em América Latina, ancora a oferta com um investimento planejado de US$ 75 milhões. O Citigroup, o Bank of America Securities e o RBC Capital Markets lideram a operação como coordenadores globais conjuntos, com as ações previstas para serem negociadas sob o ticker "PICS" na Nasdaq. A operação sinaliza o retorno do interesse dos investidores internacionais pelo ecossistema fintech da América Latina, após um período de retração que se seguiu ao boom de IPOs de 2021. Simultaneamente à PicPay, o banco digital brasileiro Agibank também protocolou pedido de listagem em Nova York, indicando que o mercado americano voltou a ser atrativo para empresas financeiras brasileiras. O ecossistema fintech do Brasil conta atualmente com mais de 900 startups operando em quase 40 segmentos diferentes. Bancos digitais como o Inter, com mais de 30 milhões de clientes, o C6 Bank, que tem o JPMorgan como acionista com 46% de participação, e o Neon, focado em segmentos de menor renda, completam o panorama de um setor que movimenta bilhões de reais anualmente e que tem no Pix — com R$ 35,36 trilhões em transações em 2025 — sua principal infraestrutura de pagamentos. Analistas do mercado financeiro avaliam que o IPO da PicPay funcionará como um termômetro para o apetite dos investidores americanos por ativos de tecnologia brasileiros. Se bem-sucedida, a operação pode abrir caminho para outras fintechs e startups de tecnologia do país acessarem o mercado de capitais dos Estados Unidos nos próximos meses.

RARafael Albuquerque
Economy

Banco Central reduz Selic para 14,75% e inicia ciclo de corte de juros em 2026

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil decidiu reduzir a taxa básica de juros Selic de 15% para 14,75% ao ano em sua segunda reunião de 2026, marcando o primeiro corte após um longo período de manutenção dos juros nos patamares mais elevados desde 2006. A decisão, anunciada na quarta-feira, sinaliza o início de um ciclo de flexibilização monetária aguardado com ansiedade pelo mercado financeiro e pelo setor produtivo. A redução de 0,25 ponto percentual foi justificada pelo comitê com base na moderação da atividade econômica doméstica e na resiliência do mercado de trabalho. O comunicado do Copom reconheceu que, embora tanto a inflação cheia quanto os núcleos inflacionários permaneçam acima da meta estabelecida, houve um amolecimento recente nos indicadores que abre espaço para o início gradual do afrouxamento monetário. A inflação medida pelo IPCA desacelerou para 3,81% em termos anuais em fevereiro de 2026, mas as expectativas dos analistas consultados pela pesquisa Focus permanecem elevadas, apontando para 4,1% ao final de 2026 e 3,8% para 2027 — ambas acima do centro da meta de 3,25% definida pelo Conselho Monetário Nacional. O ciclo de alta que levou a Selic ao patamar de 15% teve início em setembro de 2024, quando a taxa estava em 10,5%. O aperto monetário foi implementado de forma agressiva ao longo de nove meses, com o objetivo de combater pressões inflacionárias decorrentes da valorização do dólar, do aumento nos preços dos alimentos e das expectativas desancoradas do mercado. A taxa permaneceu inalterada em 15% desde junho de 2025 até esta reunião. Sérgio Goldenstein, ex-membro do Copom e atual analista do mercado financeiro, classificou a redução como potencialmente o início de um ciclo de cortes mais amplo para 2026, porém alertou que as crescentes tensões geopolíticas globais — incluindo o conflito no Oriente Médio e as disputas comerciais entre grandes potências — criam um ambiente de imprevisibilidade que pode limitar a velocidade e a magnitude dos próximos cortes. O mercado financeiro reagiu de forma positiva à decisão. O Ibovespa registrou alta no pregão seguinte, enquanto os contratos de juros futuros recuaram, precificando expectativas de que a Selic possa encerrar 2026 entre 12% e 12,25% ao ano. Economistas do setor bancário projetam entre três e quatro cortes adicionais até o final do ano, dependendo da trajetória da inflação e do cenário externo. Para empresas e consumidores, o início do ciclo de cortes representa um alívio gradual no custo do crédito, que atingiu patamares recordes durante o período de juros a 15%. O spread bancário médio para pessoa física supera os 30 pontos percentuais, tornando o crédito ao consumo um dos mais caros do mundo. A expectativa é que a redução da Selic comece a se refletir nas taxas finais ao consumidor a partir do segundo trimestre.

RARafael Albuquerque
Economy

PIB brasileiro cresce 2,3% em 2025 e marca o quinto ano consecutivo de expansão econômica

A economia brasileira registrou crescimento de 2,3% em 2025, completando cinco anos consecutivos de expansão, conforme os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Produto Interno Bruto atingiu R$ 12,7 trilhões em valores correntes, enquanto o PIB per capita alcançou R$ 59.687, representando um avanço real de 1,9% em relação a 2024. O resultado, embora positivo, aponta para uma desaceleração em comparação com o desempenho de 3,4% registrado em 2024. No quarto trimestre de 2025, a economia avançou apenas 0,1% na comparação com o trimestre anterior, refletindo o impacto da política monetária restritiva adotada pelo Banco Central, que elevou a taxa Selic de 10,5% em setembro de 2024 para 15% em junho de 2025 com o objetivo de conter a inflação. A trajetória de crescimento dos últimos cinco anos evidencia a resiliência da economia nacional: 4,8% em 2021, 3% em 2022, 3,2% em 2023, 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025. Apesar da pressão contracionista dos juros elevados, o país encerrou o ano com a menor taxa de desemprego já registrada em séries históricas. No lado da produção, todos os setores apresentaram crescimento. A agropecuária liderou com expansão de 11,7%, respondendo por 32,8% de toda a variação do PIB no período. Safras recordes de milho, com aumento de 23,6%, e de soja, com alta de 14,6%, foram os principais destaques do setor. O segmento de serviços cresceu 1,8%, puxado pelo desempenho de informação e comunicação, que avançou 6,5%. A indústria expandiu 1,4%, com destaque para a extração de petróleo e gás natural, que subiu 8,6%. Pelo lado da demanda, o consumo das famílias cresceu 1,3%, em ritmo mais moderado do que os 5,1% de 2024. O avanço foi sustentado pela melhora do mercado de trabalho e pelas transferências governamentais, mas contido pelas taxas de juros elevadas que encarecem o crédito ao consumidor. O consumo do governo aumentou 2,1%, enquanto os investimentos avançaram 2,9%, impulsionados pela importação de bens de capital e pela expansão do setor de construção civil. Economistas ouvidos pela reportagem avaliam que a projeção de crescimento para 2026, atualmente em 1,82% segundo o Boletim Focus do Banco Central, dependerá fortemente da velocidade com que o Copom conduzirá o ciclo de corte de juros iniciado neste mês. O mercado de trabalho, que abriu 112.334 vagas formais em janeiro segundo dados do Caged, segue como ponto de sustentação da atividade econômica.

RARafael Albuquerque