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Trump estuda vetar exportação de diesel dos EUA por 90 dias; Brasil fica em alerta

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Cerca de 80% do diesel importado pelo Brasil em setembro veio dos Estados Unidos, segundo a Folha de S.Paulo. Nesta quarta-feira (23), o site Politico revelou que a Casa Branca finaliza um plano para barrar as exportações americanas do combustível por 90 dias, e a combinação acendeu o alerta no mercado brasileiro. Como o diesel move os caminhões que levam comida e insumos ao consumidor, um aperto na oferta costuma aparecer primeiro no frete e depois na conta do supermercado.

Nos EUA, o litro do combustível custava nesta quarta o equivalente a US$ 1,72 (US$ 6,52 o galão de 3,79 litros), 76% mais do que há um ano e 91 centavos mais alto que há uma semana, segundo dados da associação automobilística AAA citados pela InfoMoney. É como se um abastecimento que custava R$ 300 há um ano passasse a custar mais de R$ 500 hoje. O objetivo da Casa Branca é derrubar os preços de energia antes das eleições de meio de mandato de novembro, quando se renovam cadeiras do Congresso americano e as pesquisas apontam uma vitória forte do Partido Democrata.

O plano tem críticos no setor petrolífero, no Congresso e dentro do próprio governo americano. Segundo o Politico, os produtores alertam que o alívio de curto prazo seria compensado por uma alta posterior, inclusive do querosene de aviação, porque as refinarias reduziriam a produção ao perder os clientes estrangeiros; uma fonte descreveu na Casa Branca uma "preocupação apocalíptica com os preços nos postos". Donald Trump estaria inclinado a anunciar a medida ainda nesta semana e, se for aprovada, será a primeira restrição às exportações de energia dos EUA desde 2015, quando o então presidente Barack Obama liberou a venda de petróleo bruto ao exterior depois de décadas de proibição.

Por que o Brasil está exposto

O Brasil refina a maior parte do diesel que consome, mas o que falta vem de fora, e dos americanos em especial. Em outubro do ano passado, o país importou 1,6 bilhão de litros do combustível, segundo a ANP, a agência que regula petróleo e combustíveis; para este outubro, a Petrobras já fechou a compra de 650 milhões de litros no exterior, menos da metade do volume de um ano atrás. Outubro é mês de pico de consumo, quando o campo planta a safra de verão e o milho recém-colhido chega ao consumidor de caminhão.

Entenda: um veto às exportações não desliga as refinarias americanas, só muda o destino do combustível. O diesel que seria embarcado para compradores como o Brasil fica retido no mercado interno dos EUA, o preço lá dentro cai e o preço lá fora sobe, porque os importadores passam a disputar um volume menor. É por isso que analistas citados pela imprensa americana dizem que a medida alivia o consumidor dos EUA no curto prazo e encarece o combustível no resto do mundo, incluindo o Brasil.

Empresas dizem estar preparadas

A diretora de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Angélica Laureano, afirmou que "as compras para outubro já estão realizadas" e que não está previsto importar volume grande em novembro, quando a refinaria Repar, no Paraná, volta de uma manutenção programada. Ernesto Pousada, presidente da Vibra, a maior distribuidora do país, disse que a empresa pode ampliar as importações mesmo pagando de R$ 2 a R$ 3 a mais por litro fora, diferença que somaria cerca de R$ 180 num tanque de 60 litros. Para ele, o principal efeito seria sobre o preço, não sobre a disponibilidade: fornecedores que tradicionalmente vendiam ao Brasil já deixaram o mercado, "e em nenhum momento faltou diesel para os nossos clientes".

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