R$ 691. Esse é o novo piso do Bolsa Família a partir de outubro, segundo o Ministério do Planejamento. Quem recebe o valor mínimo terá R$ 91 a mais por mês, um reajuste de 15%, e o benefício médio do programa passará de R$ 675 para R$ 777, um ganho de R$ 102 no orçamento da família, também 15%.
O aumento, anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na semana passada em plena corrida eleitoral, foi incluído nesta quinta-feira (24) no orçamento de 2026. A mudança consta do relatório de receitas e despesas do quarto bimestre, divulgado pelo Ministério do Planejamento. Segundo o G1, o custo do reajuste neste ano é de R$ 5,8 bilhões, cerca de um terço dos R$ 16,1 bilhões que seguem congelados no Orçamento.
Rombo maior
Para acomodar o gasto novo, o governo elevou de R$ 52 bilhões para R$ 67,3 bilhões a estimativa de rombo nas contas deste ano, o equivalente a subir de 0,38% para 0,49% do PIB (Produto Interno Bruto), informa o G1. Só esse salto de R$ 15,3 bilhões é maior que o dobro do custo do reajuste do Bolsa Família em 2026. A estimativa ficou no limite permitido pelo arcabouço fiscal.
Entenda: o arcabouço fiscal é a regra aprovada em 2023 que controla o crescimento dos gastos públicos. A meta deste ano é um superávit primário, ou seja, sobrar dinheiro nas contas antes de pagar os juros da dívida, de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34,3 bilhões, mas existe uma tolerância de 0,25 ponto que aceita um resultado zerado. O G1 informa ainda que é possível abater do cálculo até R$ 67,3 bilhões em gastos com precatórios, as dívidas da União reconhecidas pela Justiça, e outras despesas.
Bloqueios e liberações
O relatório reduz o congelamento de recursos de R$ 17,9 bilhões para R$ 16,1 bilhões, aponta a Folha. Foram desbloqueados R$ 15,5 bilhões porque o governo passou a projetar gastos menores com previdência, folha de salários e o BPC, o benefício pago a idosos e pessoas com deficiência de famílias de baixa renda. Na outra ponta, a equipe econômica fez pela primeira vez no ano um contingenciamento, a limitação preventiva de gastos, de R$ 13,6 bilhões, porque a projeção do resultado primário saiu de um superávit de R$ 10,8 bilhões para um déficit de R$ 13,6 bilhões.
O documento aponta também uma liberação teórica de R$ 1,9 bilhão para os ministérios, mas o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, disse que o dinheiro não sai agora. Segundo a Folha, o ajuste compensa frustrações de arrecadação, como a taxação de dividendos, que rendeu bem menos que os quase R$ 29 bilhões prometidos e já tinha sido alvo de alerta do TCU, o tribunal que audita as contas federais, além de R$ 3,9 bilhões a menos em dividendos de estatais.
"Por enquanto, não vou liberar agora. Vou examinar os pedidos dos órgãos. É prudente que a gente mantenha uma margem. (...) Os recursos serão liberados se houver necessidade de fazê-lo", disse Moretti.