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Gastos de brasileiros no exterior batem recorde de US$ 2,45 bi em julho

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RAPor Rafael Albuquerque•29 de agosto de 2026•Fontes: CNN Brasil, G1 Economia

Os brasileiros gastaram US$ 2,45 bilhões em viagens ao exterior em julho, o maior valor da série histórica do Banco Central, iniciada em janeiro de 1995. Pela cotação de fechamento do mês, são cerca de R$ 12,4 bilhões que saíram do país em passagens, hotéis e compras.

O número, divulgado nesta quinta-feira (27) pelo BC e reportado pelo G1 e pela CNN Brasil, supera o recorde anterior, registrado em julho de 2014, quando os gastos chegaram a US$ 2,41 bilhões. No acumulado de janeiro a julho, as despesas somam US$ 15,1 bilhões, também a maior marca para o período.

Dois fatores explicam o salto. O primeiro é o dólar mais barato: a moeda fechou julho em R$ 5,0696, com queda de 7,64% no ano, o que deixa passagens e hospedagem mais baratas para quem paga em reais. O segundo é o calendário: julho é mês de férias escolares no Brasil, quando as viagens em família aumentam.

Entenda

O Banco Central registra esses gastos na conta de viagens internacionais, que faz parte das transações correntes, o balanço de tudo o que o Brasil paga e recebe do exterior. Quando o dólar cai, o mesmo orçamento em reais compra mais moeda americana, e as famílias conseguem viajar mais ou gastar mais lá fora.

Na prática, uma viagem orçada em US$ 2.000 saiu cerca de R$ 800 mais barata em julho do que custaria com o dólar do fim de 2025, quando a moeda estava perto de R$ 5,49. A diferença equivale a algumas diárias de hotel ou a parte das passagens.

Do outro lado do balcão, os estrangeiros gastaram US$ 899 milhões no Brasil em julho, segundo a CNN Brasil. Com isso, a conta de viagens fechou o mês negativa em US$ 1,6 bilhão, valor 7,9% maior que o de julho de 2025.

Contas externas e investimento

O déficit das transações correntes, ou seja, o quanto o país gastou a mais do que recebeu do exterior, somou US$ 8,11 bilhões em julho, contra US$ 6,94 bilhões um ano antes. De janeiro a julho, o rombo é de US$ 35,97 bilhões, recuo de 9,6% na comparação com o mesmo período de 2025.

O dinheiro que entra como investimento produtivo segue cobrindo esse buraco. Os estrangeiros aplicaram US$ 54,44 bilhões em investimento direto no Brasil de janeiro a julho, contra US$ 43,74 bilhões um ano antes, mais que o suficiente para financiar o déficit. Só em julho, foram US$ 7,46 bilhões, abaixo dos US$ 8,4 bilhões de julho de 2025.

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