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Selic a 13,75%: BC pesa novo corte entre inflação perto do teto e economia fraca

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A taxa Selic caiu para 13,75% ao ano, o quinto corte seguido de juros no país, decidido na quarta-feira (16) pelo Copom, o comitê do Banco Central que define o custo do dinheiro no Brasil. Para o bolso, o efeito ainda é discreto: as parcelas dos financiamentos continuam caras e a poupança passa a render um pouco menos. O passo seguinte do BC virou a decisão mais incerta do ano, com a inflação correndo perto do teto da meta e a economia perdendo fôlego.

O corte de 0,25 ponto percentual, aprovado por unanimidade, era esperado pelo mercado financeiro. A Selic deixou para trás o pico de 15%, mantido entre junho de 2025 e março deste ano, o maior nível em quase 20 anos. O comitê decide desfalcado: os mandatos dos diretores Renato Gomes e Diego Guillen terminaram no fim de 2025 e o presidente Lula ainda não encaminhou substitutos ao Congresso.

Inflação aliviou em agosto, mas o teto da meta segue perto

A inflação oficial, medida pelo IPCA, caiu 0,32% em agosto, a maior deflação mensal em quatro anos, com empurrão do bônus de Itaipu nas contas de luz, um alívio pontual. Num carrinho de supermercado de R$ 500, a queda equivale a cerca de R$ 1,60 no mês. Os alimentos também ficaram 0,34% mais baratos.

No acumulado de 12 meses, o IPCA recuou para 4,22%, abaixo do teto de 4,5%, mas bem acima do centro da meta, de 3%: um carrinho que custava R$ 500 há um ano sai hoje por cerca de R$ 521. O mercado não está tranquilo com 2026: a pesquisa Focus, sondagem semanal de analistas feita pelo próprio BC, projeta inflação de 4,9% no fim do ano, acima do teto. Antes da guerra no Oriente Médio a estimativa era de 3,95%, e o relatório de junho do próprio banco chegou a prever 5,2%.

Entenda: a Selic é o principal instrumento do Banco Central para segurar os preços. Com o juro alto, o crédito fica caro, o consumo esfria e a inflação desacelera; com o corte, ocorre o contrário. O dilema agora é dosar novos cortes para socorrer uma economia fraca sem destravar a inflação que já corre perto do teto.

Os sinais de fraqueza se acumulam: o PIB caiu 0,4% em julho e 1% em junho, na estimativa mensal da FGV, e cresce 1,8% em 12 meses, abaixo dos 2,2% acumulados até junho. O consumo das famílias subiu 0,4% no trimestre até julho, o menor ritmo desde outubro de 2025. Os analistas do Focus cortaram a projeção de crescimento deste ano para 1,89%, menos da metade da inflação de 4,9% que eles mesmos esperam para 2026.

"O conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião mostra uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos, embora ainda em patamar resiliente, e mercado de trabalho aquecido. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram, situando-se abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, porém ainda acima da meta."

O próximo passo passa pela eleição de outubro

No comunicado, o comitê afirma que a indefinição da guerra no Oriente Médio e a incerteza sobre os juros nas economias avançadas "exigem cautela por parte de países emergentes". Mesmo assim, o BC não sinalizou intenção de interromper os cortes, avalia a economista-chefe do Andbank Brasil, Silvia Ludmer. Para ela, o banco vive um "ciclo de calibragem", o mais conservador e gradual desde pelo menos 2003: "ele está se movendo bem devagar".

A eleição presidencial de outubro entrou na conta dos riscos. Se o resultado pressionar o câmbio, o BC pode ter de parar de cortar, alerta Ludmer, que também cita a PEC 6x1, a reforma tributária e o El Niño como riscos de alta para o IPCA de 2027, cuja projeção já subiu de 3,8% para 4,3% desde março: "esses números estão se afastando do centro da meta", disse. Enquanto o Brasil reduz juros, os bancos centrais dos Estados Unidos e da Europa sinalizam altas, o que pode pesar sobre o real. "O Brasil está indo meio que numa contramão", resumiu a economista.

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