Apenas 5,3% dos trabalhadores brasileiros estavam sem ocupação no trimestre encerrado em julho. O resultado significa que mais pessoas conseguiram renda para pagar as contas básicas e fazer as compras do mês, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa recuou em relação aos 5,8% registrados no trimestre anterior encerrado em abril, atingindo a mínima histórica para o período na série iniciada em 2012.
O contingente de pessoas sem trabalho caiu para 5,8 milhões, uma redução de 503 mil pessoas em três meses. Ao mesmo tempo, o total de brasileiros trabalhando alcançou o recorde de 103,3 milhões, um acréscimo de 1 milhão de trabalhadores, o equivalente à população inteira de uma capital de médio porte. O principal motor dessa expansão foi a construção civil, setor que abriu 371 mil vagas no trimestre e contratou principalmente pedreiros e ajudantes de obra.
Entenda
O IBGE calcula esses dados por meio de trimestres móveis na Pnad Contínua, uma pesquisa que mede o mercado de trabalho a cada mês usando a média dos três meses anteriores. Esse modelo suaviza variações pontuais e ajuda a enxergar a tendência real das contratações no país, como um painel contínuo da economia familiar.
Apesar do avanço no número de vagas, o rendimento médio do trabalhador ficou estável em R$ 3.762 por mês, com leve oscilação frente aos R$ 3.786 apurados em abril. Na prática, o valor é suficiente para comprar cerca de quatro cestas básicas em capitais como São Paulo. Segundo analistas do IBGE citados pela Folha de S.Paulo, a estabilidade salarial reflete a entrada de novos trabalhadores na construção civil, um setor onde os salários de entrada costumam ser menores do que a média geral da economia.