Em menos de 24 horas, a greve dos funcionários do Banco do Brasil chegou ao fim na maior parte do país. Nas assembleias desta sexta-feira (11), a maioria das bases sindicais aprovou o acordo com a direção, e as agências do banco devem voltar ao atendimento normal nas regiões que aceitaram a proposta. Na Caixa Econômica Federal, a paralisação nacional iniciada na quinta (10) segue sem data para acabar.
O que o acordo do BB prevê
O acordo prevê o crédito da PLR, a Participação nos Lucros e Resultados, bônus anual ligado ao desempenho do banco, em até 72 horas depois da assinatura por todas as bases. Há ainda um reconhecimento financeiro de R$ 3 mil, quase dois terços de um salário de R$ 5 mil, para o grupo definido na Campanha de Adimplência 2026, além de licença-paternidade de 35 dias, avanços no plano de carreira e o abono da paralisação de 20 de agosto. Em Belo Horizonte, a proposta passou com 64,7% dos votos, dois em cada três participantes, segundo o Sindicato dos Bancários de BH.
Entenda: a negociação dos bancários acontece em dois níveis. A CCT, convenção nacional assinada na quarta (9) entre a Fenaban, entidade que representa os bancos, e 245 sindicatos, cobre cerca de 414 mil bancários de 171 bancos até 31 de agosto de 2028. Já o ACT é o acordo específico de cada banco, como o do BB, e cada base sindical decide sozinha se aceita a proposta ou segue em greve.
A CCT repõe integralmente o INPC, índice oficial usado para reajustar salários, e acrescenta 0,6 ponto percentual de aumento real em 2026 e 2027. Com o INPC em 3,98% em 12 meses, segundo o IBGE, o reajuste total fica perto de 4,6%: em um salário de R$ 5 mil, a diferença entre apenas repor a inflação e o que foi acordado é de cerca de R$ 30 por mês. O reajuste vale também para tíquetes, auxílios e a própria PLR, e a convenção adiciona regras de saúde mental, combate ao assédio e direito à desconexão fora do horário.
Nem todo o BB aprovou o acordo. Segundo o G1, cerca de 18 bases rejeitaram a proposta e seguem paradas, entre elas Angra dos Reis e bases da Bahia; na primeira rodada de assembleias, eram 60 entidades, incluindo Brasília e Rio, que mudaram de posição em menos de um dia. "O resultado foi fruto de um ciclo de negociação marcado por participação e mobilização dos trabalhadores", disse Fernanda Lopes, coordenadora da CEBB, comissão dos funcionários do banco.
Por que a Caixa segue parada
Na Caixa, mais de 90% das bases sindicais, nove em cada dez, rejeitaram na véspera a proposta de renovação do acordo específico, e o ponto central é o Saúde Caixa, plano de saúde dos empregados. O banco apresentou nesta sexta uma proposta final: pagamento do salário reajustado, da PLR e de um prêmio de R$ 3 mil no dia 18, além da elevação do seu teto de custeio do plano de 6,5% para 8%. Segundo a Folhapress, a Caixa ameaçou recorrer à Justiça do Trabalho caso não haja acordo.
Os sindicatos pedem o fim do teto de custeio, o retorno da divisão histórica de 70% paga pelo banco e 30% pelos beneficiários, e o fim da cobrança por faixa etária. Em nota, a Caixa afirmou manter "o diálogo aberto" com as entidades representativas dos empregados. Enquanto as agências seguem fechadas, os dois bancos orientam os clientes a usar aplicativos, internet banking, caixas eletrônicos, lotéricas e correspondentes.