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Greve na Caixa começa dia 10; privados e BB aprovam acordos salariais

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Bancários da Caixa rejeitaram por 90% dos votos a proposta de acordo coletivo do banco e aprovaram uma greve que começa na quinta-feira, 10 de setembro. O resultado da assembleia nacional, encerrada às 19h de sexta-feira (4), foi divulgado pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo. Para o cliente comum, a decisão pode significar atendimento reduzido justamente no banco que paga FGTS, PIS e benefícios sociais do governo federal.

Em Belo Horizonte, a rejeição chegou a 93,5% e a greve venceu com 68,2% dos votos. A Contec, confederação nacional da categoria, registrou rejeição superior a 90% em assembleias pelo país e formalizou a paralisação por tempo indeterminado a partir do dia 10. O centro da crise é o Saúde Caixa, plano de saúde de empregados, aposentados e dependentes.

Pela proposta do banco, as mensalidades passariam a custar entre 2,7% e 4,5% da remuneração-base do titular, conforme a idade, e cada dependente teria cobrança entre R$ 480 e R$ 660 por pessoa. Segundo a Contec, em alguns casos a conta pode subir cerca de 50% sobre os valores atuais. O teto de gasto da família subiria de 7% para 9% da remuneração-base, o que, para efeito de comparação, equivale a R$ 450 por mês para quem ganha R$ 5 mil.

Outros números também pesaram na rejeição: o limite anual de coparticipação, a parte das consultas e exames paga pelo beneficiário, subiria de R$ 3,6 mil para R$ 4,8 mil, um acréscimo de um terço. Uma ida ao pronto-socorro passaria a custar R$ 150. O plano tem déficit de cerca de R$ 410 milhões, com projeção de R$ 734 milhões para 2026, e a Caixa ofereceu um aporte de R$ 536 milhões dentro do mesmo pacote que encarece as mensalidades, segundo a Contec.

A confederação pediu que o Saúde Caixa saísse do acordo e fosse negociado à parte até o fim do ano, mas o banco manteve a proposta. As mudanças chegaram na reta final das tratativas, sem tempo para avaliar impactos, segundo a entidade. Alguns sindicatos filiados ainda votam a proposta na terça-feira (8).

Entenda: bancários de bancos privados são regidos pela CCT, convenção nacional negociada com a Fenaban, a federação que representa os bancos. Caixa e Banco do Brasil, por serem estatais, fecham acordos próprios, os ACTs, votados em assembleias da categoria. O INPC é o índice de inflação usado como referência nas negociações; repor o INPC apenas mantém o poder de compra dos salários, sem ganho real.

Privados e BB fecham acordos

Os trabalhadores dos bancos privados aprovaram a renovação da CCT com 66,1% dos votos válidos, após 13 rodadas de negociação com a Fenaban. O acordo dá INPC mais 0,6% de ganho real em 2026 e 2027 sobre salários, participação nos lucros e demais verbas. A assinatura está marcada para 9 de setembro.

Para efeito de comparação, os 0,6% representam cerca de R$ 30 por mês num salário de R$ 5 mil. Entre as novas cláusulas estão o direito à desconexão fora da jornada, sem obrigação de responder mensagens de clientes e chefias, e limites ao monitoramento digital no trabalho.

No Banco do Brasil, o ACT foi aprovado com 51,65% dos votos válidos. O pacote inclui um abono de R$ 3 mil para cerca de 71,5 mil funcionários, atrelado a meta coletiva da campanha de recuperação de crédito de 2026 e previsto para depois da divulgação dos resultados do quarto trimestre, e um aporte de R$ 360 milhões ao plano de saúde Cassi.

A aprovação no BB foi apertada. Em Belo Horizonte, 81% dos funcionários rejeitaram a proposta, e a greve venceu por 47,1% a 43,9% na disputa com a retomada das negociações sem paralisação. A votação nacional, no entanto, selou o acordo.

O que vem até o dia 10

A Contec comunicou formalmente a greve à Caixa com base na Lei 7.783/1989, que rege as paralisações no país e exige aviso prévio ao empregador. O Sindicato dos Bancários de São Paulo notificará o banco sobre a decisão da assembleia na terça-feira (8). Sem um novo acordo, a greve começa na quinta e não tem data para terminar.

"A Contec, nos termos da Lei de Greve e tendo em vista a rejeição da proposta patronal pelas assembleias gerais, comunica que haverá greve dos funcionários da Caixa a partir de 10 de setembro de 2026 e por tempo indeterminado", afirmou o presidente da entidade, Lourenço Prado.

Prado afirmou que a porta da negociação segue aberta. "Permanecemos à disposição da Caixa para novas tratativas e para a construção de uma proposta que possa impedir a paralisação", disse, em nota. O acordo em disputa vale para o ciclo 2026/2028.

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