O candidato do Novo à Presidência da República, Romeu Zema, afirmou nesta segunda-feira (24) que, se eleito, vai promover um ajuste fiscal para derrubar a taxa básica de juros, a Selic, dos atuais 14% para 6% ao ano, sem detalhar as medidas. Em entrevista à TV Globo, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, o ex-governador de Minas Gerais também defendeu anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e chamou o julgamento feito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) de "nitidamente político", segundo o g1.
Zema foi o primeiro entrevistado da série de sabatinas da emissora com presidenciáveis, exibida ao vivo após o Jornal Nacional e conduzida por Renata Vasconcellos e César Tralli. Foram convidados os seis candidatos mais bem colocados na pesquisa Quaest de 14 de agosto, com ordem definida em sorteio.
Juros a 6% e salário mínimo
Ao falar de propostas para a economia, Zema disse que a prioridade de um eventual governo seu é a queda da taxa de juros. "Com um governo sério, com credibilidade, combatendo corrupção e fraudes, essa taxa cai para 6%. Só aí nós vamos ter uma economia de R$ 800 bilhões por ano", afirmou. O candidato não explicou, porém, em que consistiria o ajuste fiscal nem de que forma obteria a redução da Selic, que é definida pelo Banco Central.
Sobre o salário mínimo, o candidato garantiu a reposição da inflação. "Garanto que ninguém vai ter perda. Se tiver inflação, nós daremos toda a inflação", disse. Um reajuste com ganho real, porém, estaria condicionado ao bom desempenho da economia.
A primeira pergunta da sabatina foi sobre a dívida pública de Minas Gerais, que praticamente dobrou durante os quase oito anos de Zema no governo do estado. Ele respondeu que o problema foi "herdado dos anos 90" e atribuiu o crescimento aos juros cobrados pelo governo federal. "Eu paguei R$ 23 bilhões para aposentado que não recebia aposentadoria. Eu paguei R$ 13 bilhões para o governo federal, funcionários públicos, e hoje a dívida representa muito menos para a economia de Minas do que representava quando eu assumi", disse. Zema afirmou ainda que assumiu com déficit de R$ 11 bilhões em 2018 e deixou o cargo com superávit de R$ 5 bilhões.
A checagem do Fato ou Fake, do g1, classificou a declaração sobre o superávit como "não é bem assim". Segundo o levantamento, o saldo positivo de R$ 5,1 bilhões é de 2024 e foi impulsionado por receitas extraordinárias dos acordos de Mariana e Brumadinho. Ao fim de 2025, último ano completo de Zema no cargo, o superávit foi de R$ 1,1 bilhão, e a projeção da Secretaria de Estado da Fazenda para 2026 é de déficit de R$ 5 bilhões.
Anistia aos condenados pelo 8/1
Zema disse que, se eleito, dará anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília. Na avaliação do candidato, os envolvidos devem ser punidos por vandalismo e depredação, e há tribunais no Brasil "fazendo mais política do que propriamente justiça".
"Eu darei anistia ou, pelo menos, no mínimo, um tribunal que não seja político, um tribunal que seja judicial", afirmou Zema.
De acordo com O Antagonista, o candidato estendeu a promessa ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo STF. "Não existe na história da humanidade uma tentativa de golpe que tenha sido um movimento de vandalismo como o de janeiro de 2023. O que vimos foi perseguição", disse Zema, que citou o caso de "uma moça que sujou o patrimônio público com batom".
Em outros temas, Zema afirmou confiar nas urnas eletrônicas, embora defenda o voto impresso como "melhoria" do sistema, e disse que medidas de segurança do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, podem ser adaptadas ao Brasil "dentro da nossa lei", sem concordar com a suspensão de direitos. Segundo a Revista Oeste, ele também defendeu a privatização de estatais federais, como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa, e se disse contrário à vacinação obrigatória de crianças.
A série de entrevistas da Globo segue nesta terça-feira (25) com Ronaldo Caiado (PSD). Renan Santos (Missão) fala na quarta (26), Lula (PT) na quinta (27), Flávio Bolsonaro (PL) na sexta (28) e Augusto Cury (Avante) no sábado (29).