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Dívida pública sobe a 82,5% do PIB, maior nível em mais de cinco anos

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RAPor Rafael Albuquerque•31 de agosto de 2026•Fontes: Poder360, G1

A dívida bruta do setor público chegou a 82,5% do PIB em julho, o maior nível em mais de cinco anos, informou o Banco Central nesta segunda-feira (31). Em prática, para quitar tudo o que o setor público deve seria preciso quase dez meses de tudo o que o país produz em um ano. Em valores, o endividamento soma R$ 10,95 trilhões.

No mesmo mês, as contas públicas registraram superávit primário de R$ 1,4 bilhão, contra déficit de R$ 66,6 bilhões em julho de 2025, mês afetado pelo pagamento de precatórios, as dívidas do governo reconhecidas pela Justiça. A sobra veio do governo federal, com R$ 11 bilhões positivos; estados e municípios tiveram déficit de R$ 8,5 bilhões, e as estatais, de R$ 1,1 bilhão. Ainda assim, o resultado do mês não cobre nem meio dia dos juros pagos em julho, que somaram R$ 99 bilhões.

Entenda: o superávit primário é a diferença entre o que o governo arrecada e o que gasta, sem contar os juros da dívida. A dívida bruta reúne os débitos de União, estados, municípios e estatais, e é medida em proporção ao PIB, tudo o que o Brasil produz em um ano. Quando os juros superam a sobra das contas, o endividamento cresce mesmo em mês de superávit.

Contas do ano seguem no vermelho

No acumulado até julho, as contas públicas têm déficit primário de R$ 78,8 bilhões, o equivalente a 1% do PIB, ante R$ 44,5 bilhões (0,61% do PIB) no mesmo período de 2025. O número supera a meta central do ano, que admite um rombo de R$ 34,3 bilhões, embora a regra permita excluir do cálculo até R$ 63,5 bilhões em despesas. Só o governo central acumula déficit de R$ 82,4 bilhões no ano.

Juros empurram a dívida para cima

Os juros são o principal motor da alta: somaram R$ 1,15 trilhão em 12 meses, ou 8,67% do PIB, cerca de R$ 3 bilhões por dia. A taxa básica, a Selic, está em 14% ao ano para conter a inflação, e encarece o custo de rolar a dívida. Segundo o Poder360, os juros nominais sozinhos adicionaram 0,8 ponto percentual à dívida em julho, enquanto o crescimento da economia ajudou a reduzir o indicador em 0,5 ponto.

Sob o governo Lula, a dívida subiu 10,8 pontos percentuais em pouco mais de três anos, segundo o G1. Pelo critério do FMI, que soma os títulos públicos na carteira do próprio Banco Central, o endividamento chega a 95,4% do PIB, acima da média da Zona do Euro. O arcabouço fiscal, aprovado em 2023 para substituir o teto de gastos, prevê despesas crescendo abaixo das receitas, mas gastos fora do limite continuam pressionando o endividamento, e analistas defendem cortes maiores para permitir a queda dos juros.

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