O Ibovespa fechou em alta de 0,24%, a 185.992 pontos, nesta quinta-feira (17), depois de uma manhã de susto: entre a máxima e a mínima do dia, o índice perdeu cerca de 3,6 mil pontos quando o mercado digeriu o anúncio do reajuste de 15% do Bolsa Família. O vaivém equivaleu a quase 2% do valor da Bolsa em poucas horas, algo como R$ 20 de oscilação para quem tem R$ 1.000 num fundo que segue o índice. A queda rápida resumiu a dúvida que mais pesa no bolso: até onde vão os gastos do governo, que pressionam juros e inflação.
Segundo o InfoMoney, o reajuste foi anunciado pouco depois das 10h30 (horário de Brasília), e por volta das 10h45 o índice tocava a mínima de 183.242 pontos, queda de 1,24%. Investidores exigiram prêmios maiores para manter ativos brasileiros, e o Tesouro Direto chegou a sair do ar em meio à volatilidade, relata a mesma reportagem. A recuperação veio à tarde, puxada pela Vale, que subiu cerca de 2% acompanhando as mineradoras do exterior.
O dólar percorreu caminho parecido: chegou a subir 0,5%, a R$ 5,17, logo após o anúncio, mas fechou em queda de 0,24%, a R$ 5,13, segundo o Brasil61. Os R$ 0,04 de diferença entre o pico e o fechamento equivalem a R$ 40 em cada US$ 1.000, valor que pesa em viagem ao exterior e em produtos importados. O alívio veio de fora, com queda do petróleo e dos juros dos títulos do Tesouro americano, reportou o Money Times.
Custo fiscal volta ao centro
Entenda: o prêmio de risco é o juro extra que investidores cobram para aplicar dinheiro num país que consideram incerto. Quando cresce a desconfiança sobre o Orçamento, esse prêmio sobe, e ações e títulos caem até a remuneração voltar a ficar atraente. Foi esse mecanismo que derrubou a Bolsa pela manhã, segundo o InfoMoney.
O Ministério do Planejamento calcula o reajuste em R$ 5,8 bilhões ainda em 2026 e cerca de R$ 22,7 bilhões por ano em 2027 e 2028. Em comparação, o custo anual quase quadruplica a partir do ano que vem. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o aumento "cabe no Orçamento".
Para Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, o mercado ponderou que o benefício pode ter efeito eleitoral limitado: ele lembrou que o aumento expressivo pago em 2022, pela chamada "PEC Kamikaze", não reverteu o resultado daquele ano. "Medidas como essa em período eleitoral não são novidade no Brasil. Elas apenas indicam aprofundamento ou continuidade de uma política fiscal expansionista", disse João Ferreira, sócio da corretora One.
O pregão ainda digeriu a "Super Quarta": o Federal Reserve dos EUA subiu os juros em 0,25 ponto, enquanto o Copom cortou a Selic de 14% para 13,75%, decisão esperada e já precificada, na avaliação do analista João Daronco, da Suno Research. O piso do Bolsa Família passa de R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro, um acréscimo de R$ 91 por mês, cerca de R$ 3 por dia para a família mais pobre. O mercado segue atento às pesquisas: a Datafolha estava prevista para as 19h15 desta quinta.