R$ 6 bilhões. É esse o valor que o governo Lula vai reservar no Orçamento de 2027 para socorrer os Correios, estatal em crise financeira. Diluído pela população do país, estimada pelo IBGE em 214,2 milhões de pessoas, o aporte equivale a cerca de R$ 28 por brasileiro.
A informação foi confirmada à Folha de S.Paulo por dois integrantes da equipe econômica e pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti. Ao Valor Econômico, Moretti afirmou que o "mais provável" é incluir o valor integral no projeto de lei orçamentária de 2027, que o governo precisa enviar ao Congresso até o fim de agosto.
A promessa de colocar dinheiro na estatal não surgiu por acaso. Ela foi exigida pelos cinco bancos que emprestaram R$ 12 bilhões aos Correios no fim do ano passado: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander. Para fechar a operação, o Ministério da Fazenda deu garantia ao empréstimo e acenou com recursos da União no caixa da empresa, e os bancos pediram que a promessa virasse cláusula do contrato.
Entenda: o aporte é uma capitalização, ou seja, a União, dona dos Correios, injeta dinheiro próprio para reforçar o caixa da empresa. Até agora, o governo federal não transferiu nenhum recurso à estatal: apenas garantiu o empréstimo, o que obriga o Tesouro a pagar os bancos se a companhia não honrar as parcelas. O contrato exige que o repasse dos R$ 6 bilhões, metade do valor do empréstimo, aconteça até o fim de 2027, mas a data exata fica a critério da União.
"Nós vamos cumprir religiosamente a obrigação contratual que nós temos. Vamos cumprir dentro das regras fiscais", afirmou Moretti à Folha.
Até o mês passado, o governo ainda cogitava prever um valor menor no Orçamento e ampliá-lo ao longo de 2027, por meio de créditos adicionais. Também chegou a discutir antecipar parte do aporte para este ano. Segundo Moretti, um repasse ainda em 2026 é "muito difícil", porque há R$ 17,9 bilhões bloqueados no Orçamento atual para compensar o crescimento de gastos obrigatórios, como aposentadorias e pensões.