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Empresas pagam R$ 99,4 bilhões em juros no 2º trimestre e lucro cresce só 3,9%

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RAPor Rafael Albuquerque•7 de setembro de 2026•Fontes: Brasil 247, UOL Economia, O Globo

As empresas brasileiras listadas em bolsa gastaram R$ 99,4 bilhões com despesas financeiras, o nome contábil dos juros e encargos das dívidas, entre abril e junho. Foram 12% a mais que no mesmo trimestre de 2025, ou R$ 10,7 bilhões extras, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta encomendado pelo jornal O Globo. O número equivale a mais de R$ 1 bilhão por dia saindo do caixa das companhias para pagar credores, em vez de financiar expansão ou contratações.

O aperto aparece no lucro líquido, o que sobra depois de juros e impostos: ele cresceu apenas 3,9%, de R$ 48,9 bilhões para R$ 50,8 bilhões, na amostra de 268 empresas da B3, a bolsa brasileira (ficaram de fora Petrobras, Casas Bahia e os bancos). O ganho operacional, antes dessa conta, tinha subido quase 25%, para R$ 123,9 bilhões. Segundo o O Globo, os juros altos pressionam as companhias, limitam os lucros e reduzem investimentos, leitura confirmada pela UOL Economia ao revisar relatórios de cinco bancos sobre a temporada de balanços.

Entenda: a Selic é a taxa básica de juros da economia, definida pelo Banco Central para conter a inflação, e hoje está em 14% ao ano. Ela serve de piso para todo o crédito do país, do parcelamento da loja ao financiamento imobiliário. Na prática, cada R$ 1.000 de dívida custa R$ 140 por ano só nessa taxa, antes do spread cobrado pelo banco.

"O lucro Ebit (que é o ganho obtido pelas empresas antes de se descontar o pagamento de juros das dívidas e os impostos) subiu quase 25%, totalizando R$ 123,9 bilhões. Mas quando se considera o que as empresas pagaram de juros e impostos, um desembolso de R$ 99,4 bilhões, o lucro líquido cai para R$ 50,8 bilhões. É um crescimento no lucro de apenas R$ 1,9 bilhão na comparação anual", explica Einar Rivero, CEO da Elos Ayta.

Empresas trocam dívida por caixa

A saída encontrada por muitas companhias foi pagar dívida. Segundo um levantamento da XP citado pelo O Globo, a alavancagem média, medida pela dívida líquida sobre o lucro operacional, caiu de 1,7 para 1,4 nos últimos quatro trimestres entre 135 empresas acompanhadas por seus analistas. O preço de não fazer essa lição aparece dentro do mesmo setor: as construtoras Cury e Direcional lucraram R$ 311 milhões e R$ 202 milhões, enquanto a MRV&CO pagou R$ 393,2 milhões de despesa financeira líquida, 60% mais que um ano antes, e amargou prejuízo de R$ 626 milhões.

Os casos extremos

Dois casos ficaram fora da conta para não distorcer a média. A varejista Casas Bahia registrou prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões, fechou 298 lojas e pediu recuperação judicial, processo que permite renegociar dívidas na Justiça para evitar a falência, com R$ 17,3 bilhões a renegociar. Na petição, a empresa disse ter sido "impactada pelo ambiente macroeconômico desafiador, marcado por patamares elevados de taxas de juros, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro".

A Petrobras ficou fora pelo motivo oposto: lucrou R$ 52,4 bilhões, alta de 96,8% sobre o segundo trimestre do ano passado, puxada pelo petróleo caro no mercado internacional, aquecido pelas tensões entre Irã e Estados Unidos. Sem esses extremos, o retrato do trimestre é o de empresas que vendem mais, mas veem a maior parte do ganho extra ir para juros e impostos.

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