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Receita corta estimativa de arrecadação com dividendos a R$ 10,5 bi em 2026

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R$ 10,5 bilhões. É quanto a Receita Federal agora espera arrecadar em 2026 com o imposto sobre dividendos, menos da metade dos R$ 29 bilhões previstos quando o tributo foi criado. Para o contribuinte, nada muda de imediato: o imposto segue cobrado como está, e a diferença fica com o caixa do governo, que contava com essa receita para compensar a ampliação da faixa isenta do Imposto de Renda.

O corte foi anunciado nesta terça-feira (22) por Claudemir Malaquias, chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita, segundo a Folha de S.Paulo. A estimativa anterior, de R$ 17,2 bilhões, tinha sido divulgada há cerca de dois meses. Em oito semanas, a projeção caiu R$ 6,7 bilhões.

Em valores do dia a dia, os R$ 10,5 bilhões equivalem a pouco mais de R$ 50 por habitante. De janeiro a agosto, o imposto rendeu R$ 4,03 bilhões, segundo a Receita. É pouco mais de R$ 2 para cada R$ 1.000 arrecadados pelo governo federal no período, que somou R$ 2,019 trilhões.

Por que a estimativa caiu

Entenda: dividendos são a fatia do lucro que as empresas distribuem a sócios e acionistas. Desde o início do ano, esses pagamentos acima de R$ 50 mil pagam 10% de Imposto de Renda, e a mesma alíquota incide sobre lucros remetidos ao exterior. Antes disso, os dividendos eram isentos.

Do total recolhido até agosto, R$ 2,615 bilhões vieram de dividendos acima de R$ 50 mil distribuídos no país, e R$ 1,415 bilhão, da cobrança de 10% sobre dividendos remetidos para fora. A queda da projeção tem explicação que a própria Receita já conhecia: muitas empresas anteciparam a distribuição de lucros em 2025, antes de o imposto valer, para escapar da cobrança. "A cada mês os valores (arrecadados) foram crescendo. Estatisticamente, estamos fazendo uma inferência de que continuará crescendo até o final do ano, isso dá os R$ 10 bilhões", disse Malaquias.

A diferença em relação à estimativa original soma R$ 18,5 bilhões que não entrarão no orçamento deste ano como planejado. Segundo Malaquias, os novos números serão incorporados às projeções fiscais que o governo apresenta nesta semana. O ajuste chega na mesma semana de um recorde: em agosto, a arrecadação federal somou R$ 235,5 bilhões, alta real de 8,25% sobre o mesmo mês de 2025, informou a Agência Brasil.

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