Um terço dos brasileiros (33%) diz que a renda da família não aumentou nada no último ano, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (7). Na prática, para uma em cada três famílias, o dinheiro que entra em casa hoje é o mesmo de doze meses atrás, enquanto os preços nas prateleiras seguiram subindo. Somados, os que não viram a renda crescer (33%) e os que viram ela subir menos que o custo de vida (21%) chegam a 54% dos entrevistados: mais da metade do país diz que o salário compra menos do que comprava há um ano.
A pergunta foi direta: "Pensando no que sua família ganha e no aumento dos preços no último ano, você diria que...". Outros 33% responderam que renda e custo de vida subiram no mesmo ritmo, e apenas 10% disseram que a renda aumentou mais que os preços, ou seja, menos de um em cada dez brasileiros sente que o dinheiro rende mais que há um ano. Os percentuais repetem exatamente os da rodada anterior, de 2 de setembro.
Como a pesquisa foi feita
A Quaest, contratada pela Globo e pelo jornal O Globo, ouviu 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em todo o país entre os dias 3 e 6 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01720/2026.
Entenda: a margem de erro mostra que cada número pode variar dois pontos para cima ou para baixo. Se a pesquisa aponta 33%, o valor real na população está entre 31% e 35%, com 95% de confiança. Por isso, diferenças de um ou dois pontos entre rodadas não indicam mudança.
Percepção de renda separa Lula e Flávio
A resposta sobre a renda familiar separa os dois principais candidatos na disputa presidencial. Entre quem diz que a renda aumentou mais que o custo de vida, o presidente Lula (PT) tem 76% das intenções de voto no 1º turno, contra 11% do senador Flávio Bolsonaro (PL), grupo com margem de erro de 7 pontos. Entre quem diz que a renda não aumentou, Flávio aparece na frente, com 34%, contra 23% de Lula, com margem de 4 pontos.
Foi a primeira rodada da Quaest feita depois da divulgação de novos elementos da investigação do Banco Master, que envolve o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo o InfoMoney. No cenário completo de primeiro turno, sem Pablo Marçal, Lula tem 36% e Flávio, 29%. A Folha de S.Paulo e o G1 também mostram os dois empatados numericamente em 41% na simulação de segundo turno.