Seis vezes mais. É o quanto o mundo vai precisar ampliar a oferta de minerais críticos nos próximos 20 anos, segundo estimativa da Agência Internacional de Energia citada pelo presidente da Vale, Gustavo Pimenta. Na prática, isso significa uma disputa global pelos materiais que entram na bateria do celular, no carro elétrico e no chip de computador, e uma chance de gerar empregos e exportações que o Brasil corre o risco de deixar escapar.
Em discurso nesta sexta-feira (28) no Fórum Lide de Mineração, em São Paulo, Pimenta afirmou que esses minerais serão o "novo petróleo" das próximas gerações e que o país está ficando para trás na corrida. A fala foi coberta por Folha de S.Paulo, Poder360 e CNN Brasil.
"Os minerais críticos vão ter um papel geopolítico e econômico muito importante nos próximos cem anos. É o novo combustível, o novo petróleo das próximas gerações", declarou o executivo no evento.
Para mostrar a perda de terreno, Pimenta comparou o Brasil à Austrália no minério de ferro. Em 2010, os dois países produziam volumes parecidos, cerca de 380 milhões e 400 milhões de toneladas, respectivamente. Quinze anos depois, a Austrália chegou a 1 bilhão de toneladas por ano, enquanto o Brasil continuou no mesmo patamar, segundo os dados apresentados. Segundo ele, movimento semelhante ocorreu com níquel e cobre.
A distância também aparece no peso da mineração na economia. O setor responde por 14% do PIB (Produto Interno Bruto, a soma de tudo o que um país produz) da Austrália e 12% do Chile, contra apenas 4% no Brasil. É como se dois vizinhos tivessem quintais igualmente ricos, mas só um deles tivesse investido para colher os frutos.
Entenda
Minerais críticos são matérias-primas essenciais para a indústria moderna, como lítio, níquel, cobre e cobalto. Sem eles, não há baterias, turbinas de energia eólica nem equipamentos de inteligência artificial, o que explica por que os países disputam reservas e investimentos nesse setor.
Na visão do executivo, o principal gargalo brasileiro é a lentidão. Um projeto de mineração leva hoje em média 15 anos da exploração à operação, tempo suficiente para uma criança sair do berçário e chegar ao ensino médio. Pimenta defendeu um licenciamento ambiental mais rápido, porém sem perda de rigor, além de mudanças na legislação de cavidades e a ampliação do mapeamento geológico do país.
Só 28% do território brasileiro é conhecido do ponto de vista minerário, ante mais de 70% na Austrália e no Chile, segundo os números apresentados. O CEO da Vale também defendeu a aprovação do projeto de lei sobre minerais críticos que tramita no Congresso. "O Brasil é um país abençoado. Nós temos a tabela periódica no nosso território, todos os minerais em abundância. No entanto, apesar de todo esse potencial, estamos ficando para trás na corrida", afirmou, segundo a CNN Brasil.