A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, informou o IBGE nesta terça-feira (1º). O ritmo é menos da metade do registrado no primeiro trimestre, quando o crescimento havia sido de 1,1%. Na prática, o país segue crescendo, mas o motor mais ligado ao bolso, o consumo das famílias, andou para trás: os gastos caíram 0,4%.
Para dimensionar, uma queda de 0,4% no orçamento de uma família que gasta R$ 3.000 por mês equivale a cortar cerca de R$ 12 em um mês. O recuo veio após alta de 0,8% no primeiro trimestre e segue o roteiro esperado com o dinheiro caro: segundo a Folha de S.Paulo, analistas já aguardavam a perda de ritmo por causa dos juros altos.
Entenda: o PIB (Produto Interno Bruto) soma o valor de todos os bens e serviços produzidos no país em um período, do pão da padaria à assinatura de streaming. No segundo trimestre, essa produção somou R$ 3,4 trilhões em valores correntes, diz o IBGE. Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, o crescimento foi de 2%.
O que cresceu e o que travou
Quem segurou o resultado foi o campo. A agropecuária cresceu 2,8% no trimestre, o melhor desempenho entre os grandes setores, com destaque anual para a soja (+5,3%) e o café (+15,1%). Já os serviços, que reúnem comércio, transportes e restaurantes, avançaram apenas 0,2%, e a indústria, 0,1%.
Dentro da indústria, a extração de petróleo e gás cresceu 3,4%, enquanto a manufatura recuou 0,4%. Como o IBGE não faz ajuste sazonal lavoura por lavoura, não é possível dizer com certeza quanto cada cultura contribuiu para os 2,8% do trimestre, disse o coordenador de Contas Nacionais do instituto, Ricardo Montes de Moraes.
Juros altos e ano eleitoral
O custo do dinheiro é o principal freio. A Selic, taxa básica de juros definida pelo Banco Central, caiu de 15% para 14% ao ano entre março e agosto, após quatro cortes seguidos de 0,25 ponto, mas segue em dois dígitos: um empréstimo de R$ 1.000 acumula mais de R$ 140 de juros em um ano só pela taxa básica. A Folha também aponta o endividamento das famílias como trava adicional ao consumo.
Há pontos positivos: o consumo do governo subiu 0,4% e os investimentos cresceram 1,2%; as exportações caíram 0,8% e as importações subiram 1,8%. O resultado de 0,5% ficou levemente acima da mediana das projeções do mercado, de 0,4%, conforme a agência Bloomberg. Para o ano, o boletim Focus, do Banco Central, projeta alta de 1,92% no PIB, e o mercado de trabalho seguiu forte no trimestre, segundo a Folha.
A divulgação desta terça é a última antes das eleições de outubro, e os dados do terceiro trimestre só chegam em 2 de dezembro. O governo do presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, apostou em medidas de estímulo à economia nos últimos meses. A conta do aperto monetário, porém, já apareceu no número que mais afeta o dia a dia: o quanto as famílias conseguem comprar.