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Ata do Copom: economia perde força com juros altos e inflação segue em queda

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RAPor Rafael Albuquerque•22 de setembro de 2026•Fontes: G1 Economia, Folha de S.Paulo

A Selic está em 13,75% ao ano, e é esse nível de juros que aparece mordendo a economia: na ata divulgada nesta terça-feira (22), o Copom avaliou que a atividade econômica perdeu força sob efeito da política monetária, enquanto a inflação cai. Para a família, o saldo é duplo. O crédito e os parcelamentos seguem caros, mas a conta do supermercado sobe em ritmo menor.

O documento é da reunião realizada na semana passada, quando o comitê cortou a taxa de 14% para 13,75%, o quinto corte seguido. A prova mais clara da freada é o PIB (soma dos bens e serviços produzidos no país) do segundo trimestre: alta de 0,5% frente aos três meses anteriores, menos da metade dos 1,1% do início do ano, segundo o IBGE. O recuo do consumo das famílias puxou o indicador para baixo.

"A leitura mais recente do PIB, referente ao segundo trimestre de 2026, confirmou a desaceleração apontada por outros indicadores e revelou que o movimento foi mais intenso nas atividades econômicas e nos componentes da demanda mais sensíveis ao ciclo econômico", diz a ata.

Crédito caro freia consumo

O crédito mostra a mesma freada. Nas linhas de recursos livres, em que bancos e clientes negociam taxas livremente, a ata registra desaceleração nas modalidades de prazo mais longo, como o financiamento de veículos. A exceção é o crédito direcionado, que tem regras e juros menores por decisão do governo e segue em expansão, sobretudo no imobiliário, depois de medidas do governo Lula para estimular o consumo em ano eleitoral.

Entenda: o Copom é o comitê de diretores do Banco Central que define a Selic, a taxa básica de juros da economia. Quando a Selic sobe, o crédito fica mais caro, empréstimos, investimentos e consumo esfriam, e a pressão sobre os preços cai; é assim que o BC persegue a meta de inflação. A ata, divulgada dias depois de cada reunião, mostra como os diretores chegaram à decisão.

Inflação cai, mas com ajuda temporária

No campo dos preços, a ata aponta queda da inflação ao consumidor, tanto no índice cheio quanto nas medidas subjacentes, que filtram itens voláteis para mostrar a tendência. O IPCA (índice oficial de preços ao consumidor) acumula 4,22% em 12 meses até agosto: a cesta que custava R$ 100 em agosto do ano passado custa hoje R$ 104,22. O número segue acima da meta de 3%, mas está dentro do intervalo de tolerância, que vai de 1,5% a 4,5%.

A queda, porém, tem um empurrão temporário: a conta de luz caiu com o bônus de Itaipu, que não se repete. "Embora a política monetária esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo", diz a ata. O documento ainda alerta que o relaxamento fiscal e a expansão do crédito direcionado podem elevar o juro necessário para conter os preços.

As projeções seguem acima da meta em todos os horizontes, aponta a ata: o mercado financeiro estima 4,92% para 2026, 4,3% para 2027 e 3,80% para 2028, segundo o G1. Diante disso, o BC promete "perseverança, firmeza e serenidade" e evita antecipar o próximo passo. O mercado, porém, já aposta em mais um corte neste ano, com a Selic fechando 2026 em 13,50% ao ano.

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