O barril de petróleo Brent, a principal referência de preço do óleo no mundo, passou dos US$ 97 nesta segunda-feira (7), o maior nível em quase sete semanas, segundo a Folha de S.Paulo. Para quem abastece o carro, a conta costuma chegar depois: barril mais caro pressiona o preço da gasolina, do diesel e das passagens aéreas. A alta vem dos novos ataques dos Estados Unidos e do Irã contra navios petroleiros e uma refinaria na região do Golfo.
Por volta das 9h, o Brent avançava 1,28%, a US$ 97,49, e chegou a US$ 97,94 na máxima do dia. O WTI, a referência de preço usada dentro dos Estados Unidos, subia 0,99%, a US$ 92,37. O Valor Econômico reportou o mesmo movimento, com o Brent acima de US$ 97 por causa dos riscos de abastecimento no estreito de Hormuz, também grafado Ormuz.
Um barril guarda 159 litros, então US$ 97,49 equivalem a cerca de US$ 0,61 por litro só do petróleo bruto. Refino, transporte e impostos entram por cima desse valor. O litro na bomba, portanto, começa mais caro antes mesmo de qualquer reajuste de posto.
Por que o preço subiu
No sábado (5), forças dos EUA atacaram três petroleiros iranianos, segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), o comando militar americano para o Oriente Médio. Um dos navios estava perto da Ilha Kharg, o principal ponto de exportação de petróleo do Irã. Segundo a Folha, os três petroleiros eram Downy, Stark I e Kylo, também conhecido como Noxen.
Os ataques americanos vieram depois de ações do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, o braço militar do Irã, contra navios de guerra dos EUA na região. Em retaliação, a Marinha da Guarda Revolucionária disse no mesmo dia ter atacado três petroleiros que navegavam por rotas não autorizadas no estreito, além de três outras embarcações americanas em áreas diferentes. Nesta segunda de manhã, as instalações da estatal saudita Saudi Aramco em Jizan voltaram a ser atingidas.
A refinaria de Jizan, uma das maiores da Arábia Saudita, processa 400 mil barris por dia. Os houthis, grupo aliado do Irã no Iêmen, já haviam atacado a unidade no começo de agosto, e uma pessoa a par do episódio disse à Folha que o ataque desta segunda teve proporção semelhante. A Saudi Aramco não respondeu a pedido de informações, e os houthis não reivindicaram a ação até agora.
Entenda: o estreito de Hormuz é a passagem estreita de mar entre Irã e Omã por onde circula cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo. Quando há confronto na região, navios deixam de cruzar a área por medo de ataque, a oferta de óleo cai e o preço sobe. A Folha reportou que o tráfego no estreito caiu ao menor nível desde maio.
Para o consumidor brasileiro, o barril caro pressiona os preços da gasolina e do diesel, que pesam no IPCA, o índice oficial de inflação do país. As bolsas dos EUA ficaram fechadas nesta segunda por causa do feriado do Labor Day, segundo a Exame, enquanto o Brasil também vivia feriado, o 7 de Setembro. A próxima referência de preço deve chegar na terça (8), quando os mercados americanos reabrem.