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Sindicância do BC aponta R$ 12 milhões em propina do Master a dois servidores

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RAPor Rafael Albuquerque•13 de setembro de 2026•Fontes: Times Brasil, G1

R$ 12 milhões é o valor em propinas que uma sindicância do Banco Central aponta ter sido pago pelo Banco Master a dois servidores da própria instituição, segundo reportagem do G1 publicada neste domingo (13). Os dois trabalhavam na área que verifica se os bancos cumprem as regras e pode punir as instituições. É esse trabalho que protege quem tem conta, poupança ou empréstimo em um banco no país.

Segundo o relatório da sindicância, Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização, teria recebido R$ 8 milhões, parte enquanto ainda ocupava o cargo, e Belline Santana, ex-chefe de supervisão bancária, cerca de R$ 4 milhões. A fiscalização é a área do BC que examina o funcionamento dos bancos e aplica multas. Somados, os valores equivalem a 200 anos de salário para quem ganha R$ 5 mil por mês.

Entenda: a sindicância é uma apuração interna conduzida pelo próprio órgão, sem poder de prender ou de punir criminalmente. Ela pode resultar em processo administrativo e demissão, e seus achados são repassados à Polícia Federal, que apura o crime. Neste caso, o material também foi encaminhado à Controladoria-Geral da União.

Como o dinheiro teria chegado aos servidores

Os repasses teriam sido disfarçados de negócios comuns com empresas ligadas a Daniel Vorcaro, banqueiro controlador do Master, segundo a apuração. Paulo Sérgio alega que o dinheiro veio da venda de um sítio em Minas Gerais à Pipe Participações, empresa de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e do arrendamento posterior das mesmas terras. Para o BC, esses negócios também podem ser propina.

"Há fortes indícios de que o contrato de compra e venda celebrado entre Paulo Sérgio e a Pipe Participações constituiu mero artifício para dissimular o recebimento de propina", afirma o relatório do Banco Central.

Belline, por sua vez, diz que recebeu por consultoria prestada à empresa Varajo, de Leonardo Palhares, apontado por investigadores como um dos operadores de Vorcaro. Segundo sua versão, o trabalho era um projeto de educação financeira para jovens da periferia, cobrado depois por sua empresa, a Inspiração Projetos Educacionais. A comissão do BC avaliou que os relatórios entregues não explicam um pagamento de R$ 4 milhões, o equivalente a mais de 66 anos de salário de R$ 5 mil, e concluiu que os contratos foram "mera simulação para ocultar o recebimento indevido de recursos".

Como a suspeita começou e o que vem agora

Colegas relataram despesas dos dois acima da renda da carreira pública, e uma denúncia anônima reforçou o alerta, segundo integrantes do BC ouvidos pela GloboNews. A sindicância comparou o patrimônio dos servidores com seus salários e constatou que os bens cresceram bem mais do que a renda permitia. Os dois estão afastados desde janeiro, sem acesso ao prédio e aos sistemas do Banco Central.

Em março, a Controladoria-Geral da União (CGU), órgão que apura irregularidades no serviço público, abriu processo administrativo que pode levar à demissão dos dois. As informações também foram enviadas à Polícia Federal, responsável pela investigação criminal. Na sexta-feira (11), as defesas afirmaram que os servidores sempre atuaram dentro de suas atribuições e que os contatos com o Master foram estritamente institucionais, sem interferência na fiscalização.

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