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Braskem despenca 6,7% e sairá de 18 índices da B3, incluindo o Ibovespa

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RAPor Rafael Albuquerque•24 de agosto de 2026•Fontes: G1

As ações da Braskem fecharam em queda de 6,71% nesta segunda-feira (24), cotadas a R$ 4,73, no mesmo dia em que a petroquímica protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões (R$ 56 bilhões) em dívidas. A B3 anunciou que os papéis da companhia serão excluídos de 18 índices da Bolsa, entre eles o Ibovespa, principal referência do mercado acionário brasileiro.

A exclusão atinge tanto as ações ordinárias (BRKM3) quanto as preferenciais (BRKM5) e ocorrerá após o encerramento do pregão regular desta terça-feira (25), pelo preço de fechamento. Segundo a B3, a medida foi motivada pela negociação dos papéis sob o título de "Recuperação Extrajudicial". Além do Ibovespa (IBOV), a Braskem deixará as carteiras teóricas de IGCX, ICO2, IBXX, IMAT, IGCT, IBRA, INDX, ISEE, ITAG, IBHB, IBEP, IBEW, IBBE, IBBC, SMLL, IBBR e SCSR. A participação da empresa em cada índice será redistribuída proporcionalmente entre os demais ativos.

Saída dos índices não tira ações de negociação

Os papéis BRKM3 e BRKM5 continuarão listados na B3 e poderão ser negociados normalmente. O que muda é que eles deixam de integrar as carteiras teóricas dos índices, o que obriga fundos de índice e de previdência que replicam essas cestas a vender as ações. "Quando a B3 tira uma empresa dessa cesta, todo mundo que segue o índice precisa vender aquele papel, não porque avaliou a companhia, mas porque o manual do fundo obriga", explicou ao G1 Matheus Matos, sócio da MA7 Capital.

Para analistas ouvidos pelo G1, o efeito da exclusão é secundário diante da recuperação extrajudicial em si. "Embora esse movimento seja negativo, seu impacto tende a ser secundário diante do cenário complexo e delicado enfrentado pela empresa", afirmou Rodrigo Boselli, gestor de renda variável da Rio Bravo Investimentos. Na avaliação de Gustavo Assis, CEO da Asset Wealth Management, "a exclusão dos índices é uma consequência desse cenário, e não a origem do problema".

O pedido foi protocolado na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital de São Paulo, com o apoio de credores que representam 39,6% dos créditos sujeitos à reestruturação, acima do mínimo de um terço exigido por lei. Com o protocolo, teve início um período de proteção de 90 dias, durante o qual a companhia negociará com os credores para obter a maioria simples necessária à aprovação do plano.

"A Braskem esclarece que a Recuperação Extrajudicial possui escopo limitado, estritamente financeiro, e não abrange quaisquer obrigações da Companhia com seus fornecedores, clientes e demais stakeholders, as quais permanecem vigentes e seguem sendo cumpridas normalmente", informou a empresa, em nota.

Segundo o InfoMoney, o plano prevê o alongamento dos vencimentos da dívida, a capitalização de juros por um período de alívio financeiro e a possibilidade de conversão de parte dos créditos em ações. A iniciativa conta com o apoio dos principais acionistas da Braskem, a Novonor (por meio do fundo Shine) e a Petrobras. A recuperação extrajudicial ocorre em paralelo à reestruturação da subsidiária mexicana Braskem Idesa, que pediu proteção judicial nos Estados Unidos pelo mecanismo conhecido como Chapter 11.

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