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Deflação de 0,40% em agosto alivia o bolso, mas luz sem desconto e El Niño preocupam

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Os preços ao consumidor caíram 0,40% em agosto, a maior deflação em quatro anos, de acordo com o Jornal do Comércio. O número é do IPCA-15, a prévia da inflação oficial medida pelo IBGE. Na prática, uma cesta de produtos que custava R$ 1.000 ficou cerca de R$ 4 mais barata em um mês.

O alívio veio principalmente da conta de luz, da gasolina e dos alimentos, informou o G1. A energia elétrica residencial ficou 6,25% mais barata: para uma família com conta de R$ 200, foram cerca de R$ 12 a menos no mês. Só esse desconto respondeu por 0,22 ponto percentual da deflação, segundo análise do Valor.

Entenda

O desconto é o chamado bônus de Itaipu, a devolução ao consumidor de saldos da conta que comercializa a energia gerada pela hidrelétrica de Itaipu. O efeito é temporário: sem o bônus, a inflação de setembro deve voltar a subir, aponta o UOL. Mesmo sem o abatimento, agosto ainda teria deflação, porque os alimentos, item de maior peso no índice, recuaram 0,12%, segundo o Valor.

O que preocupa é o que vem pela frente. O fim do desconto na tarifa de energia e a chegada de um El Niño forte podem limitar o alívio da inflação, segundo o UOL. O El Niño, fenômeno que esquenta as águas do Pacífico e altera o regime de chuvas no Brasil, tende a encarecer os alimentos, a energia ou ambos.

Em questionário respondido por 171 economistas antes da última reunião de juros do Banco Central, a mediana das respostas apontou impacto de 0,4 ponto percentual na inflação deste ano e de 0,3 ponto em 2027, reporta o Valor. As estimativas usam como referência o El Niño de 2015-2016, de intensidade parecida. O boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com analistas de mercado, já projeta inflação de 5,02% em 2026 e de 4,25% no ano que vem.

Se as projeções se confirmarem, a inflação estoura o teto da meta este ano e pode repetir a dose em 2027, avalia o Valor. Há outros focos de pressão: a gasolina mais barata, que derrubou o grupo de transportes em 1% em agosto, tem preços contidos por subsídios que devem terminar. Para a consultoria Oxford Economics, esse é o principal motivo para a inflação deixar de desacelerar neste ano.

A inflação de serviços, que acompanha o ritmo de salários e de emprego, segue como a principal barreira à queda dos preços: subiu 5,9% em 12 meses até julho, segundo o Valor. Em agosto, os grupos de saúde e cuidados pessoais e de despesas pessoais tiveram as maiores altas do índice.

Para o bolso do consumidor, o cenário é de alívio real, mas passageiro. Analistas esperam mais um corte da Selic, a taxa básica de juros, para 13,75%. Se os alimentos dispararem com o El Niño, o Banco Central pode interromper o ciclo de cortes de juros, segundo o Valor.

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