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Lula diz que dívida pública em 80% do PIB não causa pânico e cita reservas

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RAPor Rafael Albuquerque•28 de setembro de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, Correio do Povo

80% do PIB. É nesse nível que a dívida bruta do setor público já chegou, segundo a Folha, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (27) que o número não causa pânico. Para o contribuinte, cada ponto a mais de dívida significa mais juros no Orçamento e menos dinheiro para saúde, educação e obras.

Em entrevista que foi ao ar neste domingo, o presidente citou as reservas internacionais do país, de US$ 370 bilhões, como amortecedor do endividamento. Segundo ele, o montante vem de uma decisão de 2005, ainda no primeiro governo, e funciona como um "colchão de sustentação da economia brasileira", no relato do Correio do Povo. A Folha registrou a conversa como entrevista à BandNews; o Correio do Povo a descreveu como gravada para o Canal Livre, da Band.

Lula admitiu que a alta da dívida o preocupa, porque "não é bom dever mais do que eu recebo", e prometeu reduzir o indicador em relação ao PIB. Ele não detalhou como pretende chegar lá. Na transcrição da Folha, o presidente listou o que considera gasto indispensável:

"A gente vai diminuir essa dívida pública com relação a quê? Primeiro, sabendo gastos que são necessários fazer. A gente vai continuar ajudando as pessoas mais pobres, a gente vai continuar aumentando o salário mínimo acima da inflação, a gente vai continuar reajustando as coisas que têm que reajustar."

Entenda: a dívida bruta medida em porcentagem do PIB compara o que o governo deve com tudo o que o país produz em um ano. É como uma família que ganha R$ 5.000 por mês, ou R$ 60.000 por ano, e deve R$ 48.000, o equivalente a 80% da renda anual. Já as reservas internacionais são a poupança em dólar do país, uma reserva de emergência contra crises.

As contas do governo

Segundo a Folha, o próprio governo revisou suas projeções e agora vê a dívida perto de 90% do PIB em 2029, ou acima disso caso as contas públicas fiquem no piso da meta fiscal nos próximos anos. O mandato atual deve terminar com a dívida 12 pontos percentuais maior do que a encontrada por Lula ao assumir, em 2023, fechando o ano em 83,7% do PIB. Na prática, são 12 reais a mais de dívida para cada 100 reais de riqueza produzida no país.

O ritmo de crescimento dos gastos federais é alvo de críticas do mercado financeiro e da oposição, por causa do risco de manter a dívida subindo. Os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento) já disseram que o governo pretende buscar um superávit efetivo nas contas a partir do ano que vem. Lula também apostou na redução dos juros como condição para o crescimento da economia, segundo o Correio do Povo.

Dentro do governo, os discursos divergem. A empresários, Lula afirma que manterá a responsabilidade fiscal se for reeleito; uma ala do PT defende expandir os investimentos. A entrevista chega na reta final da campanha, com o presidente candidato à reeleição.

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