US$ 100,94 era o preço do barril de petróleo Brent, a referência mundial, perto das 9h desta quarta-feira (9), em alta de 3,08%, segundo o G1. Era a primeira vez desde 25 de maio que o petróleo voltava aos três dígitos. Para o dia a dia, o patamar importa: o G1 projeta que a alta provoque novos aumentos nos custos de energia e pressione a inflação global, o que encarece combustíveis e pode manter juros altos por mais tempo.
Como um barril tem 159 litros, cada unidade a US$ 100,94 equivale a mais de US$ 0,63 por litro de óleo cru, antes de refino, frete e impostos. O WTI, o tipo de petróleo usado como referência nos Estados Unidos, subia 2,79%, a US$ 95,63, no mesmo horário. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o ápice do dia veio às 6h45, quando o Brent tocou US$ 100,95, o maior valor desde 22 de maio, quando custava US$ 102,77.
Por que o preço subiu
A guerra entre Estados Unidos e Irã completa seis meses e passou por dois episódios de escalada esta semana. Segundo o G1, ataques dos Houthis, grupo apoiado pelo Irã, atingiram instalações de energia da Arábia Saudita e provocaram incêndios em estruturas ligadas à produção de petróleo; o Ministério da Energia saudita disse que unidades no sul suspenderam as operações e que "as autoridades competentes estão lidando com as repercussões dos ataques". Na terça-feira (8), os EUA destruíram cinco petroleiros iranianos ligados à Guarda Revolucionária, e o Irã respondeu nesta quarta afirmando ter atacado dez navios e disparado mísseis balísticos contra uma base americana na Jordânia, reporta a Folha.
Entenda: o Estreito de Ormuz é o canal entre Irã e Omã por onde passava cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo antes da guerra. Na semana encerrada em 30 de agosto, entre 8 e 9 milhões de barris por dia atravessaram o estreito, o dobro da semana anterior, segundo o economista-chefe da Rystad Energy, Claudio Galimberti, em dados divulgados pela Reuters. O fluxo caiu agora para menos de 2 milhões de barris por dia, menos de um quarto do volume de duas semanas atrás, e os ataques dos Houthis ameaçam ainda os embarques pelo Mar Vermelho, que virou rota alternativa ao estreito.
O que muda para o bolso
Os grandes bancos já reagiram: Goldman Sachs, Bank of America e HSBC elevaram as projeções para o preço do petróleo, segundo o G1. A Agência Internacional de Energia (AIE), entidade que reúne países consumidores, espera que a oferta global caia 4,3 milhões de barris por dia neste ano, cerca de 4% do total, mesmo com Estados Unidos, Canadá e Guiana produzindo mais. Menos petróleo à venda e preço mais alto alimentam a inflação, o que pode levar bancos centrais a manter ou elevar os juros, encarecendo crédito e prestações em vários países.
"O patamar de US$ 100 é um nível psicológico que tem peso nos mercados. Uma vez superado, muitos bancos centrais não terão outra opção exceto elevar as taxas de juros para controlar a inflação", avaliou Kathleen Brooks, analista da corretora XTB.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, prometeu mais retaliação: "O Irã continua tentando atacar navios da Marinha dos EUA e, cada vez que fizerem isso ou tentarem fazer isso, perderão petroleiros", disse, segundo a Folha, durante visita à Colômbia. Um porta-voz militar dos Houthis afirmou que o grupo anunciará uma ampla operação em território saudita, segundo o G1. Os dois avisos apontam que a escalada tende a continuar.