A inflação deve fechar 2026 em 4,9%, segundo os economistas do mercado financeiro. A estimativa, divulgada nesta segunda-feira (14) pelo Boletim Focus, caiu dos 5% da semana anterior e marca a terceira redução seguida. Na prática, uma cesta de compras que custava R$ 100 no fim de 2025 deve custar cerca de R$ 104,90 no fim deste ano.
O alívio ainda é tímido diante da meta do Banco Central: a inflação objetivo é de 3%, com tolerância entre 1,5% e 4,5%, e os 4,9% projetados seguem acima do teto. Segundo a Folha, é a primeira vez desde 18 de maio que o Focus aponta o índice abaixo de 5%. O pico da estimativa foi de 5,33%, em 22 de junho, e dali em diante a projeção só caiu.
Entenda: o Boletim Focus é uma pesquisa semanal em que o Banco Central ouve mais de 100 instituições financeiras, como bancos e consultorias, e publica a mediana das apostas delas sobre inflação, juros, câmbio e crescimento. Funciona como o termômetro mais acompanhado das expectativas do mercado para a economia brasileira.
Economia mais lenta
Para o crescimento do PIB (a soma de tudo o que o país produz em bens e serviços), a projeção de 2026 recuou de 1,93% para 1,89%, o menor nível desde 25 de maio, segundo a Folha. Em 2025, a economia havia crescido 2,3%, conforme o IBGE, e o ritmo mais fraco deste ano costuma chegar ao bolso na forma de menos contratações e aumentos menores. Para 2027, a estimativa caiu de 1,5% para 1,45%, e a projeção de 2028 recuou de 1,96% para 1,87%, segundo a InfoMoney.
A queda na projeção de inflação tem explicação na conta de luz e na bomba de combustível. O índice oficial de preços (IPCA, medido pelo IBGE) registrou deflação de 0,32% em agosto, divulgada na sexta-feira (11), puxada pelo recuo da tarifa de energia, com o alívio temporário do bônus de Itaipu, além de quedas em passagens aéreas, parte dos alimentos e combustíveis. A melhora acontece apesar da guerra no Oriente Médio, que mantém o petróleo caro, e depois que o governo cortou impostos e manteve subsídios aos combustíveis na semana passada, segundo o G1.
Juros e dólar
Na taxa básica de juros, a Selic, hoje em 14% ao ano após quatro cortes em 2026, os economistas apostam em mais uma redução de 0,25 ponto, para 13,75%, na reunião do Copom desta semana, o comitê do Banco Central que define a taxa. Segundo a Folha, deve ser o último corte do ano. Para quem parcela compras ou financia um carro, é essa taxa que define o tamanho da parcela, e o alívio ainda é pequeno.
Para os anos seguintes, o mercado aposta em Selic de 12% no fim de 2027, de 10,5% em 2028 e de 10% em 2029. O dólar deve fechar 2026 a R$ 5,20, previsão repetida há 13 semanas, e a estimativa para o fim de 2027 caiu de R$ 5,30 para R$ 5,28. A inflação projetada para 2027 subiu de 4,29% para 4,30%, e as de 2028 e 2029 ficaram estáveis, em 3,8% e 3,5%.
O Banco Central avalia que um crescimento menor faz parte da estratégia de conter a inflação, já que uma economia mais fria reduz a pressão sobre os preços. Em ano eleitoral, porém, o governo tem estimulado o consumo e cortado impostos, o que, segundo o G1, dificulta esse controle.