R$ 5,196. Esse foi o preço de cada dólar no fechamento desta sexta-feira (28), alta de 0,62% no dia. Para quem planeja uma viagem ou uma compra em site internacional, US$ 100 passaram a custar R$ 519,60, cerca de R$ 3,20 a mais do que na véspera.
A alta veio de fora. O presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, Kevin Warsh, disse em discurso que a instituição "terá trabalho a fazer" se a inflação americana não voltar de forma clara à meta de 2% ao ano, segundo a CNN Brasil. A fala foi lida pelo mercado como um aviso de que os juros nos EUA podem subir já em setembro.
O discurso aconteceu no simpósio de Jackson Hole, encontro anual de bancos centrais nos Estados Unidos. A inflação medida pelo PCE, índice de preços ao consumidor preferido do Fed, está em 3,7% em 12 meses até julho, quase o dobro da meta, de acordo com a CNN Brasil.
Entenda
Juro mais alto nos Estados Unidos funciona como um ímã para o dinheiro do mundo. Quando o Tesouro americano paga mais, investidores tiram recursos de países como o Brasil para aplicar lá, o que reduz a oferta de dólares por aqui e encarece a moeda.
Antes da fala de Warsh, os investidores viam uma chance de uma em três de alta de juros em setembro, segundo dados do CME Group. Depois do discurso, o rendimento do título de dois anos do Tesouro americano, o mais sensível às apostas sobre juros, subiu para 4,35%, informou a Agência Brasil. Os juros básicos dos EUA estão parados na faixa de 3,50% a 3,75% desde dezembro, e a próxima decisão do Fed sai nos dias 15 e 16 de setembro.
No intraday, o dólar chegou a cair a R$ 5,1581 na abertura, mas ganhou força e bateu R$ 5,23 por volta das 13h18, a máxima do dia. No fim do pregão, recuou até os R$ 5,196. Na semana, a moeda acumulou alta de 1,06%; no ano, ainda cai 5,34%, o que significa que o real segue mais valorizado do que em janeiro.
O dia também foi mexido por números do Brasil. O país criou 58.568 vagas formais em julho, o pior resultado para o mês desde 2020, segundo o Caged, o cadastro oficial de empregos com carteira assinada. O dado fraco reforçou as apostas de que o Banco Central vai cortar a Selic, hoje em 14% ao ano, em 0,25 ponto percentual na reunião de setembro, para 13,75%.
A Bolsa de Valores resistiu ao mau humor externo. O Ibovespa, principal índice da B3, subiu 0,30%, aos 175.664 pontos, e fechou a semana com ganho de 2,71%, na oitava alta seguida. Em Nova York foi o contrário: Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq caíram, com o índice de tecnologia recuando 0,52%, segundo a Agência Brasil.