R$ 5,20. Esse foi o valor alcançado pelo dólar nesta sexta-feira (28), depois que o presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, Kevin Warsh, sinalizou que os juros americanos podem voltar a subir, segundo o InfoMoney. Para o bolso do brasileiro, o recado é direto: a R$ 5,20, cada US$ 100 em compras internacionais ou em uma viagem custa R$ 520, e a alta costuma chegar depois ao combustível e ao supermercado, porque petróleo e muitos produtos são cotados em dólar.
Segundo o InfoMoney, Warsh afirmou no simpósio de Jackson Hole, encontro anual de banqueiros centrais nos Estados Unidos, que a economia americana segue crescendo, mas que os sinais de convergência da inflação para a meta de 2% ainda são fracos. "É nossa responsabilidade assegurar a estabilidade de preços", declarou. De acordo com a CNN Brasil, ele disse ainda que, sem a certeza de que a inflação caminha para a meta com velocidade suficiente, o Fed tem "mais trabalho a fazer".
O mercado tratou o discurso como aviso de alta de juros. As apostas em um aumento da taxa americana na reunião de 18 de setembro saltaram de 35,4% para 59,7%, segundo dados da ferramenta FedWatch, do CME Group, citados pelo InfoMoney. Os juros dos Estados Unidos estão hoje na faixa de 3,5% a 3,75% ao ano, e os investidores passaram a ver como provável um aumento para entre 3,75% e 4%.
Entenda
Juros mais altos nos Estados Unidos funcionam como um ímã para o dinheiro do mundo. Quando a taxa americana sobe, investidores tendem a tirar recursos de países como o Brasil para aplicar em títulos do Tesouro dos EUA, vistos como o investimento mais seguro do planeta. Com menos dólares circulando no mercado brasileiro, a moeda fica mais cara em reais.
A Bolsa brasileira também sentiu. O Ibovespa, principal índice da B3, caía 0,60% por volta das 12h45, aos 174.084 pontos, interrompendo uma sequência de sete pregões de alta. "Ele deu todas as pistas, embora não tenha dito com todas as letras, de que vai aumentar os juros", resumiu ao InfoMoney o economista Marcelo Fonseca, da CVPAR.
Agosto tem sido um mês de vaivém para o investidor brasileiro. Em certo momento, o Ibovespa acumulava queda de quase 7% no mês; uma recuperação posterior reduziu as perdas para cerca de 1%, segundo Eduardo Carlier, codiretor de investimentos da Azimut Brasil. Para ele, a gestora segue conservadora e com mais recursos em renda fixa, aguardando a definição do cenário eleitoral e dos juros americanos.