arrow_backVoltar
EconomyCorruptionbankingmoney-launderingbanco-master

Coaf aponta TED de R$ 700 mil do presidente da Febraban a firma de Vorcaro e Zettel

bookmark_borderSalvar
RAPor Rafael Albuquerque•12 de setembro de 2026•Fontes: Folha de S.Paulo, G1

R$ 700 mil, quase 30 anos de salário para um trabalhador que ganha R$ 2 mil por mês. É o valor que um relatório do Coaf atribui a uma transferência do presidente da Febraban, Isaac Sidney, para a conta de uma empresa ligada a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. A Febraban é a federação que representa os principais bancos do país, as instituições onde a maioria dos brasileiros recebe o salário e guarda a poupança, e a reportagem é exclusiva da Folha de S.Paulo, publicada na noite de sexta (11).

Segundo o documento, citado pela Folha, o dinheiro saiu da conta de Sidney em 8 de junho de 2022 via Ted (transferência eletrônica disponível, o sistema de envio de valores entre contas de bancos diferentes). A transferência aconteceu um dia depois de a conta da empresa Super Empreendimentos ser aberta na unidade de Formiga (MG) da cooperativa de crédito Sicoob Credifor.

O valor de Sidney é uma fração do que entrou na conta naquele mês: R$ 9,9 milhões no total, mais do que uma pessoa juntaria poupando R$ 2 mil por mês durante 400 anos. Desse montante, R$ 9,2 milhões, cerca de 13 vezes o valor de Sidney, vieram de Zettel, descrito pela Folha como operador financeiro do esquema do Master, em cinco transferências por Ted e Pix. No mesmo período, saíram R$ 9,8 milhões, principalmente para empresas do setor imobiliário.

Entenda: o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) é o órgão do governo federal que recebe dos bancos os relatórios de operações com valores atípicos. Esses relatórios sinalizam movimentações fora do padrão; eles não provam crime e costumam alimentar investigações da Polícia Federal e do Ministério Público.

Antecedente com o Master

Não é a primeira vez que Sidney aparece ligado ao banco. Em julho, tornou-se público que ele contratou em 2020 um empréstimo de R$ 5,5 milhões com o Master, quase oito vezes a transferência agora apontada, para a compra de um apartamento duplex. À época, Sidney afirmou que documentos comprovavam o uso do dinheiro na compra do imóvel e a quitação do empréstimo em dezembro de 2021, e chamou a divulgação de retaliação às críticas públicas que fazia ao Master e à atuação da Febraban.

Procurado pela Folha nesta sexta, Sidney disse que a operação na conta da Super se refere à compra de direitos creditórios, isto é, direitos de receber pagamentos futuros que podem ser negociados, "mediante instrumento de cessão devidamente formalizado há mais de quatro anos e registrado na declaração de Imposto de Renda". Segundo ele, a operação tem natureza privada e regular e foi integralmente paga com recursos próprios, de origem lícita.

O caso Master

O Banco Master é alvo de investigação da Polícia Federal. Segundo o G1, que teve acesso a um relatório da PF, o banco usou uma empresa criada com R$ 100 de capital para simular R$ 7,155 bilhões em empréstimos consignados depois vendidos ao Banco de Brasília (BRB).

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar!

Faça login para comentar. Entrar