US$ 4,055 bilhões. Foi o que saiu do Brasil, em saldo líquido, só na semana passada, segundo dados do Banco Central divulgados na quarta-feira (26). Em resposta à saída de dólares, a autoridade monetária fez na manhã desta quinta-feira (27) dois leilões simultâneos de US$ 1 bilhão cada para dar liquidez ao mercado de câmbio, ou seja, garantir que não falte moeda americana para quem precisa comprar.
Para o cidadão, o movimento importa porque a saída de capital pressiona o dólar. A moeda americana fechou a quarta-feira em R$ 5,1533, alta de 0,23%, e cada centavo a mais na cotação encarece produtos importados, combustíveis e viagens ao exterior. Os US$ 4 bilhões que deixaram o país em sete dias valem cerca de R$ 21 bilhões na cotação atual.
Na primeira operação, o BC vendeu US$ 1 bilhão em dólares à vista, com 12 propostas aceitas. Na segunda, ofertou 20 mil contratos de swap cambial reverso, também no valor de US$ 1 bilhão, com vencimento em 1º de outubro, segundo a Reuters. A última operação desse tipo havia sido em 22 de junho.
Entenda
Os dois leilões juntos formam o que o mercado chama de "casadão". O swap cambial é um contrato que funciona como uma venda de dólares no futuro, e o swap reverso faz o caminho contrário, equivalendo a uma compra. Como o BC vendeu US$ 1 bilhão na ponta à vista e comprou o mesmo valor na ponta futura, o efeito sobre a cotação é, em tese, nulo: o objetivo é dar liquidez ao mercado, sem interferir na direção do preço.
O fluxo cambial de agosto está negativo em US$ 2,55 bilhões do início do mês até sexta-feira (21). Operadores de câmbio ouvidos pela Folha de S.Paulo afirmam que os leilões desta quinta provavelmente foram motivados por esse fluxo. Eles lembram que o BC só intervém quando detecta desequilíbrio entre oferta e demanda de dólares.
"A premissa é que enfrentamos saídas financeiras pesadas na sessão desta quinta e por isso houve necessidade de realizar a operação", disse à Folha Leonel de Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da StoneX. Segundo ele, o BC monitora a demanda por dólares para agir de forma preventiva e também vem reduzindo seu estoque de contratos de swap.
A saída de recursos ocorre em um momento de contas externas fracas. O BC informou esta semana que a conta corrente, o balanço das transações do Brasil com o exterior, teve déficit de US$ 8,11 bilhões em julho, acima do previsto por analistas ouvidos pela Reuters.