R$ 1.741 é o salário mínimo estimado pelo governo federal para 2027, valor incluído na proposta de Orçamento que o Planalto encaminha ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (31). Para quem recebe o piso, a conta é simples: R$ 120 a mais por mês a partir de janeiro, frente aos R$ 1.621 atuais. Em um ano, o ganho soma R$ 1.440, quase um salário mínimo extra.
O reajuste projetado é de 7,4% e supera em R$ 24 a estimativa anterior, de R$ 1.717, divulgada em abril. O número é do ministro da Fazenda, Dario Durigan. O mesmo projeto reserva um item de peso: R$ 6 bilhões para socorrer os Correios.
O aporte foi anunciado no domingo (30) pelos ministros Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento), Esther Dweck (Gestão e Inovação) e Frederico Siqueira (Comunicações), segundo o InfoMoney. Na nota, eles dizem que a cifra dará estabilidade à negociação de dívidas e ao plano de reestruturação da estatal. O valor é próximo dos R$ 7,6 bilhões que a empresa gastou com serviços no primeiro semestre, período em que acumulou prejuízo de R$ 5,5 bilhões, conforme o balanço divulgado no sábado (29).
Entenda o PLOA
Entenda: o documento é o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), que estima as receitas e autoriza as despesas do governo federal para o ano seguinte. O salário mínimo que ele traz é um número de trabalho, usado para calcular benefícios e obrigações fiscais. O valor definitivo do piso só sai no fim de 2026, com o INPC acumulado até novembro somado ao ganho real de 2,5% previsto em lei.
O piso é um termômetro do bolso porque orienta uma fatia grande da renda do país. Cerca de 45% dos pagamentos do Regime Geral de Previdência Social correspondem a benefícios de um salário mínimo, segundo o ContilNet. O reajuste move ainda o BPC, o seguro-desemprego, o abono salarial e a contribuição do MEI.
"Cumprindo a legislação brasileira, dentro do nosso espírito de privilegiar a população mais carente, vai também para a Previdência e para os benefícios sociais que têm indexação no salário mínimo", disse Durigan.
Espaço nas contas
Para caber no Orçamento, o governo encontrou folga na Previdência. Na terça-feira (25), o Conselho Nacional de Previdência Social aprovou redução de R$ 5 bilhões na previsão de gastos do INSS para 2027, que caiu para R$ 1,218 trilhão, segundo a Agência Brasil. A economia abre espaço quase do mesmo tamanho do socorro aos Correios.
A Previdência é mesmo o maior item das contas federais: os benefícios previdenciários respondem por cerca de 43% da despesa primária da União, segundo dados apresentados ao conselho. Mesmo revisada para baixo, a despesa de 2027 cresce 7,9% sobre a estimativa deste ano. Nos Correios, os ministros afirmam que a dívida já foi alongada de 18 para 180 meses, sem empréstimos vencendo no curto prazo.
De agora em diante, a proposta depende do Congresso, que pode mudar os valores até a votação. E o mínimo de R$ 1.741 segue sob revisão: se a inflação medida até novembro surpreender, o piso final pode ficar acima ou abaixo da estimativa.