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Bets renderam R$ 15,3 bilhões em impostos ao governo desde o início de 2025

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RAPor Rafael Albuquerque•25 de setembro de 2026•Fontes: InfoMoney, G1

O imposto cobrado das empresas de apostas online, as bets, deixou R$ 15,3 bilhões nos cofres do governo federal desde janeiro de 2025, segundo dados da Receita Federal divulgados nesta sexta-feira (25). Na prática, essa arrecadação ajudou o Planalto a cumprir as metas fiscais sem apertar ainda mais o orçamento. O número veio à tona no mesmo dia em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, por medida provisória, a proibição das apostas e dos jogos virtuais online no país, a nove dias do primeiro turno da eleição presidencial.

Em 2025, a arrecadação com o setor somou R$ 8,94 bilhões; entre janeiro e agosto de 2026 entraram outros R$ 6,32 bilhões, uma média de cerca de R$ 760 milhões por mês. Para comparar, um levantamento do Comsefaz, o conselho dos secretários de Fazenda dos estados, estima que as apostas tiraram R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras só em 2025. A ANJL, entidade que representa o setor, contesta o estudo e diz que a receita bruta do mercado no ano passado foi de R$ 37 bilhões, com base em dados do Ministério da Fazenda.

A cobrança só passou a valer de forma sistemática em 2025. Até então, apenas valores residuais chegavam aos cofres públicos porque a maioria das casas de aposta tinha sede no exterior, explicou o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, ao Congresso em setembro de 2024. Com a regulamentação, as empresas passaram a ser obrigadas a se constituir segundo a lei brasileira e, desde o início de 2025, somente autorizadas pelo Ministério da Fazenda podem operar no país.

Entenda: como as bets eram taxadas

A alíquota cobrada das empresas neste ano era de 13% sobre a receita líquida, o chamado GGR: o que sobra das apostas depois de pagos os prêmios aos jogadores. A previsão era de aumento gradual, até chegar a 18% a partir de 2028. Do total arrecadado, 36% ia para o esporte, 28% para o turismo e 13,6% para a segurança pública, com fatias menores para educação, seguridade social e saúde.

O que muda com a proibição

Com a proibição, essa fonte de receita seca. Segundo o InfoMoney, o fim das apostas online deve retirar cerca de R$ 800 milhões por mês dos cofres da União, patamar próximo à média arrecadada desde 2025. A medida provisória vale imediatamente, mas precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias para continuar em vigor.

A receita vinha ajudando o Planalto a atingir as metas fiscais, isto é, o resultado primário, o saldo entre receitas e despesas fixado em lei; sem ela, os bloqueios de gastos teriam de ser maiores. O argumento central da proibição, porém, é o orçamento das famílias. "Eu terei o imenso prazer de acabar com as bets", disse Lula na quarta-feira (23), ao anunciar sua intenção.

Relatório do banco BTG Pactual estima que 25,2 milhões de brasileiros apostaram em 2025, quase um em cada oito habitantes. Pelos cálculos do Goldman Sachs, as apostas passaram de 0,3% do consumo mensal das famílias em 2018 para 4,4% em 2025: em um lar que gasta R$ 1.000 por mês, R$ 44 iam para as casas de aposta. Pesquisas recentes citadas pelo InfoMoney apontam que cerca de três quartos dos brasileiros apoiam a proibição total.

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