A bolsa brasileira subiu 3% nesta quarta-feira (2) e o dólar fechou em queda acentuada, a R$ 5,10. Quem tem R$ 1.000 aplicados em um fundo que segue o Ibovespa, principal índice de ações do país, viu o saldo crescer cerca de R$ 30 em um único pregão. O motor do movimento foi político: a pesquisa Quaest, divulgada na quarta (2), apontou o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) tecnicamente empatados, dentro da margem de erro, em um eventual segundo turno.
Segundo o g1, a Quaest, contratada pela Globo e pelo jornal O Globo, mostra Lula com 37% das intenções de voto no primeiro turno, pouco mais de um eleitor a cada três, contra 29% de Flávio Bolsonaro. O escritor Augusto Cury (Avante) aparece em terceiro, com 10%. Em simulação de segundo turno, Lula tem 42% e Flávio, 41%, empate técnico porque a margem de erro é de dois pontos percentuais; a distância era de três pontos em meados de agosto.
Foi a 11ª alta seguida do Ibovespa, que fechou no maior patamar desde maio, informou a Agência Brasil. A CNN Brasil registrou alta de 3%, e a Bloomberg Línea, de 3,1%. O dólar caiu 0,91%, para R$ 5,10, queda de quase 5 centavos.
No dia a dia, uma queda de quase 5 centavos no câmbio poupa cerca de R$ 47 em uma compra de US$ 1.000, o tamanho típico de um orçamento de viagem. Entre as ações, o Banco do Brasil subiu quase 6%, puxado pela pesquisa e por um novo valor de JCP (juros sobre capital próprio, uma forma de repasse de lucro aos acionistas), apurou o InfoMoney.
Por que uma pesquisa mexe com os preços
Entenda: o mercado chama de "trade eleitoral" as compras e vendas guiadas pelas chances de cada candidato vencer a eleição de outubro. Quando um levantamento mostra a disputa mais apertada, investidores pagam mais por ações de empresas vistas como beneficiadas por uma eventual mudança de governo e recuam em papéis atrelados ao atual. Como ninguém sabe o resultado, a aposta pode se reverter em dias, se a pesquisa seguinte mostrar outro quadro.
No Valor Econômico, a leitura do dia falou em "euforia" na bolsa, com agentes apostando em alternância de poder, mas lembrou que o mercado ainda não precifica uma eleição equilibrada, de 50/50. O Estadão aponta que novas pesquisas, entre elas a Datafolha, testam nesta quinta (3) a força do chamado trade. O primeiro turno está a cerca de um mês, segundo o g1.