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Petrobras retira alta da gasolina; litro sai R$ 0,19 mais barato e bomba pode cair 2%

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RAPor Rafael Albuquerque•11 de setembro de 2026•Fontes: O Globo, Agência Petrobras

R$ 0,19 por litro mais barato: esse é o efeito líquido, a partir desta quinta-feira (10), da correção que a Petrobras publicou para o preço da gasolina vendida às distribuidoras. Para o motorista, equivale a cerca de R$ 9,50 a menos em um tanque de 50 litros, caso o repasse seja integral. Segundo estimativas obtidas pelo jornal O Globo, o preço nas bombas pode ficar 2% menor, a menos de um mês do primeiro turno das eleições.

Na noite de quarta-feira (9), às 20h44, a estatal anunciara um reajuste de R$ 0,19 por litro nas refinarias, seguindo a prática de usar os subsídios federais para absorver a disparada do petróleo desde que Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, segundo o jornal. Às 0h53 de quinta, porém, distribuiu uma correção e informou que não haveria aumento. Com isso, o preço médio da gasolina A (a gasolina pura, antes da mistura obrigatória com etanol) vendida às distribuidoras passou a ser de R$ 3,05 por litro, valor ao qual ainda se somam impostos estaduais e margens até chegar à bomba.

Por que o preço caiu

Entenda: desde maio, a gasolina tinha um desconto de R$ 0,44 por litro pago pelo governo federal à Petrobras, mecanismo chamado subvenção econômica e criado pela Medida Provisória 1.358/2026, norma editada pelo presidente com força de lei. Essa medida perdeu a vigência e o desconto deixou de ser aplicado. No lugar dele, o novo pacote do governo cortou R$ 0,63 por litro de PIS e Cofins, tributos federais embutidos no preço, e, como o corte supera o desconto extinto, sobrou uma redução líquida de R$ 0,19 por litro.

A correção da madrugada não explica o motivo do recuo e diz apenas o seguinte:

"Diferentemente do informado anteriormente, a alteração no preço da gasolina da Petrobras nos pontos de venda corresponderá apenas à suspensão do desconto"

Questionada se consultou o conselho de administração ou representantes do governo, a companhia respondeu que as decisões de preço "são tomadas exclusivamente no âmbito do Grupo Executivo de Mercado e Preços (Gemp)", formado por diretores. Uma explicação ouvida por O Globo é a de um mal-entendido: o decreto da desoneração "foi complexo de entender", segundo uma fonte que pediu anonimato. Integrantes do governo, por sua vez, avaliam que a empresa errou os cálculos, porque todo o movimento em torno do subsídio havia sido combinado para evitar efeitos ao consumidor.

Eleição no centro do debate

Relatórios dos bancos Itaú BBA e BTG Pactual apontaram que o recuo levantou desconfianças sobre a independência da política de preços da estatal. "Sem a menor sombra de dúvida", a decisão se deve à eleição, disse Vitor Sousa, analista da Genial Investimentos, para quem a defasagem entre os preços externos e os praticados pela Petrobras está elevada. O analista compara o momento com o período de 2010 a 2014, quando o governo Dilma Rousseff usou a estatal para conter a inflação e ela "virou ferramenta de política monetária".

Nas bolsas, a disparada do petróleo a US$ 107,63 o barril falou mais alto: as ações preferenciais (sem voto) da Petrobras fecharam em alta de 1,45%, a R$ 49,12, e as ordinárias (com voto) subiram 1,77%, a R$ 54,64, já que cerca de 80% dos resultados da companhia vêm da exploração e produção.

O diesel segue pressionado: importações cobrem de 25% a 30% da demanda, o combustível acumula alta de 13% desde o início da guerra no Irã e não há espaço político para reajuste antes da eleição, na avaliação de Sérgio Araujo, presidente da Abicom, entidade que representa os importadores. Segundo O Globo, o custo dos subsídios aos combustíveis já chega a R$ 37,5 bilhões, e estimativas citadas pelo jornal indicam que o pacote pode reduzir o IPCA, o índice oficial de inflação, em 0,15 ponto percentual.

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