Menos de 0,001% dos ativos do sistema financeiro brasileiro. É esse o peso conjunto da Trustee e da Banvox, duas corretoras ligadas a um ex-sócio do Banco Master que o Banco Central (BC) mandou encerrar nesta quinta-feira (3), por liquidação extrajudicial. Para o resto do sistema, o efeito é desprezível: o próprio BC classificou a participação das duas empresas como muito pequena, e a justificativa da medida, em nota, foi a existência de "graves violações às normas legais".
As duas distribuidoras têm sede em São Paulo e ligação com Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master, banco que o próprio BC já tinha colocado em liquidação extrajudicial em novembro do ano passado, segundo a Folha. Segundo o G1, depois do rompimento com Daniel Vorcaro, controlador do banco e preso no âmbito das investigações sobre supostas fraudes, Quadrado assumiu o controle da Trustee, que prestava serviços à instituição. A Banvox, fundada em 1984 e também ligada a Quadrado, concentra desde 2016 a administração e a custódia de fundos próprios.
Em julho, as duas respondiam, juntas, por menos de R$ 1 de cada R$ 100 mil em ativos do sistema financeiro e por cerca de 76 centavos de cada R$ 100 de recursos de terceiros administrados no país, segundo o BC. É o equivalente a uma loja de bairro dentro de um shopping gigante. As duas casas integram um conglomerado do segmento S4, a faixa da regulação prudencial reservada a grupos de menor porte, segundo a InfoMoney.
Entenda a medida
Entenda: a liquidação extrajudicial permite ao BC encerrar as atividades de uma instituição financeira sem autorização da Justiça, quando identifica irregularidades graves; um liquidante nomeado pela autoridade assume a casa, vende os ativos e paga os credores na ordem definida em lei. A sigla DTVM, presente no nome das duas empresas, significa distribuidora de títulos e valores mobiliários, o nome técnico das corretoras que negociam investimentos para clientes.
Quem assinou e o que vem agora
O ato foi assinado por Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização, que responde pela presidência do BC durante a viagem de Gabriel Galípolo a Basileia, na Suíça, segundo a InfoMoney. A liquidante indicada é Marilena Simões Valentim. Os bens dos controladores e dos ex-administradores ficam indisponíveis desde esta quinta, e o BC informou que continuará apurando responsabilidades, o que pode gerar sanções administrativas e comunicações a outras autoridades.
A medida se soma a investigações em andamento. Segundo o G1, a Banvox administrava ao menos um fundo citado na Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, que apura suposta lavagem de dinheiro e suspeita de ligação com o crime organizado. Um levantamento interno da CVM, revelado pela colunista Malu Gaspar, do O Globo, apontava 126 processos administrativos contra o Banco Master, a gestora Reag e a Trustee até fevereiro, sendo o mais antigo de 2017.