O governo federal arrecadou R$ 235,6 bilhões em impostos e contribuições em agosto, o maior valor para o mês desde o início da série histórica da Receita Federal, em 1995. O G1 informa R$ 235,6 bilhões, enquanto a Agência Brasil contabiliza R$ 235,5 bilhões. Para o cidadão, o número significa que o caixa que paga o Bolsa Família e o sistema público de saúde recebeu mais dinheiro num ano em que as contas do governo continuam no vermelho.
O resultado representa alta real de 8,25% sobre agosto do ano passado, quando o caixa somou R$ 217,6 bilhões já corrigidos pela inflação. Na comparação do dia a dia: de cada R$ 100 que entraram há um ano, entraram R$ 108,25 agora. Os cerca de R$ 18 bilhões extras equivalem a mais da metade do superávit de R$ 34,3 bilhões que o governo quer apresentar no ano inteiro.
A Receita credita o desempenho ao crescimento da economia, segundo a Agência Brasil: mais vendas elevaram o PIS e a Cofins, tributos sobre o faturamento, e mais salários e lucros engordaram o Imposto de Renda retido na fonte e os impostos das empresas (IRPJ e CSLL). Pesaram também os aumentos aprovados no governo Lula, como a taxação de offshores e fundos exclusivos, a reoneração da folha de pagamento e o início do cobro sobre as bets, as casas de apostas online. O petróleo deu empurrão extra: com o barril mais caro por causa da guerra entre Estados Unidos e Irã, só o imposto sobre a exportação de óleo bruto rendeu R$ 1,9 bilhão no mês.
Entenda: a arrecadação federal é a soma de tudo que o governo central recolhe de impostos, contribuições e outras receitas, do Imposto de Renda ao IOF, o tributo sobre operações financeiras. Não entram nessa conta os tributos de estados e municípios. Dizer que houve "alta real" significa que o valor cresceu mesmo depois de descontar a inflação: o caixa ganhou poder de compra, não só números maiores.
No acumulado de janeiro a agosto, a arrecadação somou R$ 2,11 trilhões sem correção pela inflação, e R$ 2,13 trilhões em valores deflacionados, alta real de 7,12% sobre o mesmo período de 2025, quando chegou a R$ 1,98 trilhão, segundo o G1. Também é recorde para o período. A Agência Brasil, contando apenas as receitas administradas pela Receita, aponta R$ 2,019 trilhão.
Por que o recorde ainda não fecha as contas
Mesmo com o caixa cheio, o governo deve fechar 2026 no vermelho. A meta oficial é um superávit de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34,3 bilhões, mas a regra do arcabouço fiscal permite tirar do cálculo R$ 57,8 bilhões em despesas, como precatórios, os pagamentos de sentenças judiciais. Com essa conta feita, a previsão é um rombo real de R$ 23,3 bilhões, e as contas seguem negativas ao longo de todo o terceiro mandato do presidente Lula (PT), segundo o G1.
Um alerta veio junto com o recorde. O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita, Claudemir Malaquias, disse que a estimativa de arrecadação com o imposto sobre quem ganha mais de R$ 600 mil por ano caiu para R$ 10,5 bilhões neste ano, contra R$ 29 bilhões previstos inicialmente. Esse dinheiro devia bancar a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, e o governo terá de anunciar outra fonte de recursos no relatório de orçamento previsto para quinta-feira (24).