8,45% ao ano descontada a inflação prevista: mesmo após o corte da Selic nesta quarta-feira (16), o Brasil mantém o maior juro real do mundo entre as 40 economias monitoradas, segundo o ranking da consultoria MoneYou e da Lev Intelligence noticiado pela Folha, pelo G1 e pelo InfoMoney. Para quem tem R$ 10.000 aplicados, o ganho equivale a R$ 845 acima da inflação em um ano. Para quem paga prestações ou empréstimos, o efeito é o oposto: o crédito segue caro.
O Copom, comitê que define a taxa básica do Banco Central, cortou a Selic em 0,25 ponto, de 14% para 13,75% ao ano, a quinta redução seguida, segundo o G1. O juro real caiu de 9,30%, no levantamento de agosto, para 8,45%, mas o país seguiu no topo da lista, cuja média é de apenas 1,62%. O poupador brasileiro recebe um retorno real mais de cinco vezes maior que a média do grupo.
O segundo colocado é a Rússia, com 6,79%, seguida de Colômbia (6,33%) e Turquia (6,25%), segundo a Folha. Em agosto, a vantagem brasileira sobre os russos era de apenas 0,21 ponto (9,30% contra 9,09%); agora é de 1,66 ponto. Já a inflação oficial, que encerrou agosto em 4,22% em 12 meses, faz a compra de R$ 100 de um ano atrás custar hoje R$ 104,22.
Entenda: o que é o juro real
O juro real mostra quanto o dinheiro rende depois de descontar a inflação esperada. O ranking combina a inflação projetada para os próximos 12 meses, hoje em 4,71% segundo o boletim Focus do Banco Central, com a taxa de juro praticada no mercado para o prazo de um ano, explica a Folha. Na prática, R$ 100 aplicados hoje virariam R$ 108,45 de poder de compra em um ano.
Por que o topo não mudou
A escalada do conflito no Oriente Médio elevou o petróleo e levou analistas da maioria dos países a subir as projeções de inflação, o que reduziu os juros reais ao redor do mundo, segundo o relatório da MoneYou. O corte cauteloso do Copom veio apesar desse risco, que pode pressionar os preços dos combustíveis no Brasil, segundo o G1. O economista-chefe Jason Vieira, que coordena o levantamento, explicou em relatório citado pelo InfoMoney que nem uma decisão diferente do comitê mudaria o topo do ranking.
"As perspectivas inflacionárias para os próximos 12 meses foram majoritariamente revisadas para cima nos países do ranking, criando uma série significativa de juros reais mais baixos e negativos, em meio ao cenário adverso e ainda em aberto com o conflito no Oriente Médio.", escreveu Jason Vieira.
Em termos nominais, sem descontar a inflação, o Brasil caiu da terceira para a quarta posição, atrás de Turquia (37%), Argentina (29%) e Rússia (14%). No mesmo dia, o Federal Reserve dos Estados Unidos subiu os juros americanos pela primeira vez desde 2023, segundo o InfoMoney, enquanto 72,56% dos 164 países analisados mantiveram suas taxas. Para o bolso, o efeito é duplo: a renda fixa paga bem acima da inflação, mas parcelas e empréstimos seguem entre os mais caros do planeta.