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Lula diz que dívida de R$ 10 trilhões não o preocupa e descarta privatizar Correios

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RAPor Rafael Albuquerque•29 de agosto de 2026•Fontes: InfoMoney, G1

A dívida pública brasileira passou de R$ 10 trilhões e já equivale a 82% do PIB, quase tudo o que o país produz em um ano inteiro. Mesmo assim, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quinta-feira (27) que o endividamento não o preocupa e que a saída é fazer a economia crescer. Para o trabalhador, o tamanho da dívida importa porque o governo paga juros altos sobre ela, um custo que disputa espaço no Orçamento com saúde e educação.

Em entrevista à TV Globo, a quarta de uma série com presidenciáveis, Lula foi questionado sobre para qual nível pretende reduzir a dívida em um eventual novo mandato. Ele não apresentou meta e comparou o Brasil a países mais endividados. "80% de dívida, em um país, não é muito. Olhe para os Estados Unidos, o Japão, a Itália. Sabe quanto é a dívida dos Estados Unidos? 120% do PIB", afirmou, segundo o G1.

Entenda: o que é a dívida em relação ao PIB

O PIB é a soma de tudo o que o país produz em bens e serviços em um ano. Dizer que a dívida vale 82% do PIB é como uma família que deve 82% de tudo o que ganha em doze meses. Se a renda cresce mais rápido que a dívida, o peso diminui, e é essa a aposta de Lula ao falar em crescimento.

O presidente atribuiu a alta de 10 pontos percentuais da dívida em seu governo à taxa de juros de 14% ao ano e ao déficit de 2,8% que diz ter herdado de Jair Bolsonaro (PL). Na prática, um juro de 14% faz cada R$ 100 devidos virarem R$ 114 em um ano, só com o custo do empréstimo. Segundo o InfoMoney, Lula também lembrou os superávits primários dos dois primeiros mandatos e afirmou: "Se tem uma coisa que baliza a minha vida, chama-se responsabilidade fiscal".

Superávit primário é quando o governo arrecada mais do que gasta, antes de pagar os juros. O Orçamento de 2027 está sendo preparado com meta de superávit de 0,2% do PIB, e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, defende conter as despesas obrigatórias. Pressionado sobre quais gastos cortaria, Lula não assumiu nenhum compromisso específico, enquanto economistas ouvidos pelo InfoMoney apontam que estabilizar a dívida exigirá melhora persistente do resultado primário nos próximos anos.

Correios: rombo de R$ 15 bilhões e veto à privatização

Na mesma entrevista, Lula descartou privatizar os Correios, que acumulam quatro anos seguidos de prejuízo e um rombo histórico de R$ 15 bilhões. "Não considero vender os Correios, não considero. Quero recuperar os Correios", disse. O presidente afirmou que, desde 1985, a estatal vive em crise e alguém propõe privatizá-la.

Lula reconheceu que a empresa "não se adaptou a um novo tempo" com o avanço das concorrentes privadas de entrega e disse que a nova administração fará "o enxugamento que for necessário". Ele citou a presença dos Correios em todos os municípios como razão estratégica para manter a empresa pública e admitiu buscar associações com empresas brasileiras ou estrangeiras. O primeiro turno da eleição será em 4 de outubro.

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