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Braskem pede recuperação extrajudicial para renegociar dívida de US$ 10,9 bilhões

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RAPor Rafael Albuquerque•24 de agosto de 2026•Fontes: CNN Brasil

A Braskem, maior petroquímica da América Latina, confirmou nesta segunda-feira (24) que seu Conselho de Administração aprovou o pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar cerca de US$ 10,9 bilhões (aproximadamente R$ 56 bilhões) em obrigações financeiras. Segundo o Brazil Journal, o pedido garante à companhia um prazo de 90 dias para negociar com os credores e afasta, por ora, a ameaça de uma recuperação judicial.

Em comunicado aos acionistas e ao mercado, a empresa afirmou que a medida tem escopo limitado e estritamente financeiro e não abrange obrigações com fornecedores, clientes e demais parceiros, cujos contratos seguem em vigor e continuam sendo cumpridos normalmente.

"Assim que formalizados os documentos pertinentes, fará o protocolo do pedido de Recuperação Extrajudicial, com o objetivo de assegurar um ambiente jurídico estável, protegido e adequado para a negociação e implementação da reestruturação das suas obrigações financeiras quirografárias", afirmou a companhia, em nota reproduzida pela CNN Brasil.

Pela lei brasileira, a recuperação extrajudicial permite à empresa negociar diretamente com os credores e levar o acordo à Justiça apenas para homologação. Se não houver adesão suficiente, o processo pode ser convertido em recuperação judicial.

Impasse com os bancos

O pedido desta segunda-feira encerrou semanas de negociações sem acordo. Segundo a CNN Brasil, a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo havia aprovado uma tutela cautelar que protegeu a petroquímica de execuções de credores por 60 dias, prazo que terminou nesta segunda sem que as partes chegassem a um entendimento. Os bancos exigiram garantias envolvendo ativos da própria Braskem e a contratação de um empréstimo de US$ 700 milhões, recusado pela empresa. A proposta apresentada por uma de suas controladoras, a IG4, prevê o alongamento das linhas atuais por cinco anos e carência de juros por 30 meses, sem corte no principal da dívida nem conversão dos créditos em participação acionária. Em junho, as agências Fitch e S&P Global rebaixaram a nota da companhia, citando o endividamento.

O peso de Maceió e a crise do setor

Como mostra o g1, a crise da Braskem resulta da combinação dos custos bilionários do desastre geológico em Maceió com um longo período de margens baixas na indústria petroquímica global e o alto nível de endividamento. O afundamento do solo associado à mineração de sal-gema, relacionado à companhia pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) em 2019, provocou um dos maiores deslocamentos urbanos já registrados no país: mais de 14 mil imóveis foram desocupados e cerca de 60 mil pessoas foram afetadas. A Braskem já desembolsou mais de R$ 4,2 bilhões em indenizações e apoio à realocação de moradores e comerciantes, mantém R$ 3,24 bilhões provisionados para custos futuros e assinou acordos de R$ 1,7 bilhão com o município de Maceió, em 2023, e de R$ 1,2 bilhão com o governo de Alagoas, em novembro de 2025. Em junho deste ano, a Justiça Federal aceitou denúncia do Ministério Público Federal no caso, e as ações da empresa caíram quase 15% naquele pregão.

O cenário internacional também pesa contra a companhia. Com a expansão industrial da China, que adicionou mais de 18 milhões de toneladas anuais de capacidade produtiva em 2024, segundo a consultoria ICIS, os preços das resinas caíram, e a Fitch projeta spreads petroquímicos baixos pelo menos até 2028. O EBITDA recorrente da Braskem somou US$ 557 milhões em 2025, recuo de 49% em um ano, e a dívida líquida encerrou o ano passado em US$ 7,5 bilhões, equivalente a 14,7 vezes a geração de caixa, de acordo com o g1. A alta da Selic, de 2% em 2020 a 15% em março de 2026, encareceu o serviço de uma dívida em parte denominada em moeda estrangeira. Na semana passada, a Braskem Idesa, joint venture da companhia no México, entrou com pedido de recuperação nos Estados Unidos sob o Chapter 11, a lei de falências americana.

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