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Estudo da USP: bets tiraram até R$ 141 bilhões do PIB e viram tema de campanha

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As apostas online, as chamadas bets, tiraram entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da economia brasileira em 2025, o equivalente a 0,9% a 1,1% do PIB, segundo estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da USP (FEA/USP), divulgado nesta terça-feira (15). Na prática, é renda que deixou os lares e deixou de girar em mercados, lojas e serviços. Só de transferência líquida dos orçamentos das famílias para as plataformas foram R$ 62,5 bilhões, cerca de R$ 300 por habitante se o valor fosse dividido igualmente entre todos os brasileiros.

Para dimensionar o tamanho do prejuízo, os pesquisadores comparam a perda com o desempenho do próprio país no mesmo ano. A estimativa equivale a quase metade de tudo o que a economia cresceu em 2025 e supera em cerca de cinco vezes as projeções do impacto do tarifaço americano sobre o PIB brasileiro. Os cálculos consideram ainda os empregos diretos e indiretos criados pelo setor, e o quadro praticamente não muda.

"Para dimensionar essa magnitude, a perda estimada corresponde a algo entre 40% e 50% de todo o crescimento da economia em 2025 e é cerca de cinco vezes maior que estimativas do impacto do tarifaço americano sobre o PIB brasileiro", conclui a pesquisa.

Entenda: o PIB (Produto Interno Bruto) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país em um ano e funciona como o termômetro do tamanho da economia. Quando até R$ 141 bilhões são retirados dessa circulação, o efeito aparece em vendas mais fracas, menos contratações e arrecadação menor para o governo.

Impacto nas contas públicas

A queda de atividade reduziria a arrecadação entre R$ 31,1 bilhões e R$ 54,8 bilhões, calculam os pesquisadores. Mesmo descontados os cerca de R$ 9 bilhões arrecadados diretamente com as plataformas, o efeito líquido para as contas públicas seria negativo em ao menos R$ 22 bilhões, podendo chegar a R$ 46 bilhões. Segundo o estudo, esse rombo equivale a 10% a 20% de todo o orçamento de saúde pública de São Paulo em 2025.

O levantamento também mede o efeito sobre as dívidas das famílias. Se os R$ 62,5 bilhões transferidos às casas de aposta tivessem sido financiados integralmente por empréstimos, uma hipótese que os próprios autores chamam de extrema, as bets responderiam por cerca de 14% do aumento do endividamento das famílias em 2025, ano em que o saldo do crédito a pessoa física subiu cerca de R$ 450 bilhões. Há ainda risco de concentração de renda: o 1% mais rico, que já fica com cerca de 24% da renda do país, poderia ver essa fatia subir entre 0,5% e 2,1%, dependendo de quem embolsa os lucros das casas.

"Mesmo no caso mais conservador, é um efeito significativo em um país em que a concentração de renda já é extremamente elevada", dizem os pesquisadores.

Bets na campanha

O estudo chega em plena reta final da campanha presidencial, com o tema das apostas em evidência. A coluna de Carlos Juliano Barros no UOL, que repercutiu a pesquisa, aponta que as bets viraram alvo na disputa eleitoral. O Estadão noticiou no fim de agosto que as campanhas miram o combate às apostas de olho nas pesquisas e com discurso de proteção ao bolso do eleitor.

Para os pesquisadores do Made, os efeitos vão além das perdas individuais de quem aposta. Ao retirar renda principalmente das famílias mais pobres, as bets reduzem a demanda, derrubam o PIB, cortam a arrecadação e ampliam as desigualdades, conclui o estudo.

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