R$ 691. Esse é o novo piso do Bolsa Família com o reajuste de 15,04% anunciado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira (17), no Palácio do Planalto. Para a família que recebe o valor mínimo, são R$ 91 a mais por mês.
O benefício médio sai de R$ 675 para R$ 777, um ganho de R$ 102. Cerca de 19,3 milhões de famílias foram pagas em agosto, segundo dados do governo. O Executivo ainda não informou a partir de quando os novos valores entram no pagamento.
Entenda: o percentual de 15,04% vem do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), o índice de inflação que mede o custo de vida de famílias de baixa renda e serve de referência para o programa. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, disse que ele acumulou exatamente essa alta entre o relançamento do Bolsa Família, em março de 2023, e agosto. Na prática, os R$ 691 compram, em média, o que os R$ 600 compravam em 2023.
Quem recebe e o que mais muda
Tem direito ao programa a família com renda mensal de até R$ 218 por pessoa, cadastro atualizado no CadÚnico e compromissos cumpridos de escola e saúde. Sobre o piso incidem pagamentos extras, listados abaixo. O governo ainda não detalhou como esses adicionais serão reajustados.
- R$ 150 por criança de até 6 anos
- R$ 50 por gestante
- R$ 50 por jovem de 7 a 17 anos
- R$ 50 por bebê de até 6 meses
Custo e contexto eleitoral
O reajuste foi feito por decreto e dispensa votação no Congresso, informou o InfoMoney. Moretti calculou o custo em R$ 5,8 bilhões nos meses que restam de 2026 e em cerca de R$ 22 bilhões em 2027, o primeiro ano cheio, quase quatro vezes a despesa deste ano. Na proposta de Orçamento de 2027, enviada ao Congresso sem o aumento, a verba do programa passa de R$ 157,1 bilhões para cerca de R$ 179 bilhões, segundo o g1.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu a medida e disse que as metas fiscais seguem iguais:
"A gente está fazendo isso de uma maneira muito responsável e muito diferente do que já se viu no país em outros tempos... Não tem solavanco, não tem mudança de rumo."
O anúncio ocorre a menos de 20 dias do primeiro turno, em 4 de outubro, quando Lula tenta a reeleição. O piso de R$ 600 estava em vigor desde 2022, quando foi criado pelo então presidente Jair Bolsonaro (PL), também às vésperas de uma eleição, lembra a Folha de S.Paulo. É o primeiro reajuste desde o relançamento do programa, em 2023; a lei autoriza correção dos valores em intervalo de até dois anos, mas não obriga o governo a fazê-la, segundo o g1.