A Selic deve cair de 14% para 13,75% ao ano na quarta-feira (16), pela quinta vez no atual ciclo de cortes, segundo o O Globo. Para o consumidor, a queda chega devagar, mas na direção certa: parcelas do financiamento do carro e da casa mais baratas, e rendimento menor nas aplicações atreladas à taxa, como o CDB. Uma pesquisa do Banco Central citada pela Agência Brasil mostra a mesma projeção do mercado.
No mesmo dia, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, deve andar na direção contrária: alta de 0,25 ponto na taxa básica, hoje entre 3,5% e 3,75%. O juro americano ficaria em menos de um terço do brasileiro. A coincidência valeu à data o apelido de "superquarta", que reúne a decisão do Copom, o comitê de juros do Banco Central, e a do Fomc, comitê equivalente da Fed.
O motivo do corte brasileiro está na conta de luz e no carrinho de compras. O IPCA, índice oficial de inflação medido pelo IBGE, teve deflação de 0,32% em agosto, o melhor resultado para o mês desde 2022, puxado pela queda da tarifa de energia elétrica residencial. Numa compra de supermercado de R$ 500, o recuo equivale a pagar cerca de R$ 1,60 a menos que em julho.
O número superou a expectativa dos economistas ouvidos pela Reuters, de queda de 0,29%, e reforçou as apostas de corte, informou a CNN Brasil. No ano, a inflação acumula alta de 3,11%; em 12 meses, chega a 4,22%. "O resultado abre espaço para uma redução de 0,25 ponto percentual", disse à CNN o economista Julio Barros, do Banco Daycoval.
Entenda: a Selic é a taxa básica de juros do Brasil, definida pelo Copom, o comitê que reúne a diretoria do Banco Central. Ela funciona como o preço do dinheiro: alta, encarece o crédito e esfria a inflação; baixa, barateia parcelas e anima a economia. Um corte de 0,25 ponto equivale a 25 pontos-base, a menor fatia usada pelo comitê.
O mercado já precifica quedas futuras: o contrato DI de janeiro de 2028, aposta sobre a Selic daquela data, opera a 13,555%, abaixo da taxa atual, e há quem veja novo corte já em novembro, segundo a CNN Brasil. Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime Investimentos, diz que o BC "deve manter a postura conservadora com ritmo lento de cortes", por causa das expectativas de inflação ainda descoladas da meta e das pressões fiscais sobre os preços.
Nos EUA, aposta é em alta
O problema americano é o inverso do brasileiro: inflação forte demais. O CPI, equivalente do IPCA nos Estados Unidos, subiu 0,4% em agosto, e o núcleo, que exclui alimentos e energia, avançou 0,3%; os preços ao produtor acumulam alta de 5,4% em 12 meses, mais que o dobro da meta de 2% da Fed.
Depois desses números, divulgados na sexta-feira (11), as apostas em alta saltaram de 70% para 90%, nove de cada dez operadores, segundo o gestor Vinicius Flores, da Stratton Capital. "A inflação americana ainda não entrou em uma trajetória suficientemente confortável para o Fed", avalia Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos. O PCE, índice preferido da Fed, só sai depois da reunião, o que deixa CPI e preços ao produtor como referências da decisão.
Flores ainda vê chance de a Fed segurar a taxa, citando revisões metodológicas no PCE e o custo político de subir juros antes das eleições de meio de mandato. A semana também traz o Boletim Focus, pesquisa semanal de expectativas do Banco Central, e dados da China no radar dos mercados, segundo o UOL. As duas decisões saem na quarta-feira (16).